Quarta-feira, Agosto 31, 2011

Evitando de preferência a ejaculação precoce, o deputado Amorim pode traduzir o que Passos Coelho quis dizer?



      "En Portugal, no tenemos condiciones para mantener los plazos establecidos, es un proyecto atrasado que hay que reformular, volver a discutir con España y la UE".

À primeira vista, parece que o Álvaro, aquando da sua visita à Espanha, interpretou melhor a posição do Governo sobre o TGV do que o deputado Amorim.

Da série "Frases que impõem respeito" [642]

A única certeza que podemos ter em relação às previsões do ministro das Finanças é que estão erradas.
      Miguel Beleza, ex-ministro das Finanças de Cavaco, de quem Vítor Gaspar foi assessor, no programa Opinião Pública da SIC-N (às 17h35)

Continua a mentir mas já não pede desculpa




Quem o viu e quem o vê

"Histórico", sim

A notícia que estava a circular deste ontem era esta: 



[Até vinha n'A Bola...]

A notícia de hoje à tarde é esta:

Governo aumenta impostos e congela salários e pensões. 

Como não se cansam de repetir os vários ministros, este governo vai ficar na História...

A inventona de Belém, o amigo de Passos Coelho e o resto

• António Ribeiro Ferreira, Jorge Silva Carvalho aproximou-se do PSD depois do caso das escutas a Belém:
    ‘Essa aproximação a Belém levou Silva Carvalho a estabelecer igualmente contactos com dirigentes social-democratas já da nova liderança de Passos Coelho.

    (...)

    Em Novembro de 2010 Silva Carvalho bate com a porta, nas vésperas da importante cimeira da NATO em Lisboa. O gesto foi tudo menos inocente. Em trânsito na Ongoing de Nuno Vasconcellos, Jorge Silva Carvalho tinha a esperança de regressar aos serviços de informações pela porta grande. Defensor da fusão do SIED com o Serviço de Informações de Segurança (SIS), pensava que seria o eleito pelo governo de Passos Coelho para pai dessa reforma importante e ao mesmo tempo transformar-se no grande patrão das secretas portuguesas.’

A palavra aos leitores — Caos na colocação de professores

A propósito do caos que está a verificar-se na colocação de professores (que, surpreendentemente, a comunicação social tem ignorado), o leitor João N. faz o seguinte alerta:
    '(...) espero que o Corporações denuncie a enorme borrasca que está a acontecer com as Listas de colocação de Professores. As listas de colocações de professores estiveram, às 10h25m, apenas disponíveis durante 5 minutos e depois foram retiradas sem qualquer justificação. A esta hora, 13h55m, ainda não há nenhuma explicação (por parte dos responsáveis do Ministério da Educação e Ciência) aos milhares de professores contratados que aguardam ansiosos, com as vidas em suspenso, por saber se vão ter trabalho ou não. Uma falta de respeito por dezenas de milhares de professores que durante horas permanecem colados à net.

    Uma vergonha de todo o tamanho que incrivelmente a Comunicação Social ignorou durante toda a manhã.

    O que se passa só tem paralelo com a situação ocorrida nos tempos de Santana Lopes.'

♪ Dedicada aos nossos ricos, os mais pelintras do planeta [4]


Taxman
The Beatles [Rock Band]

Terça-feira, Agosto 30, 2011

Temos de ser uns para os outros

O adjunto Gonçalves é um homem muito culto. Lê e recita Pulido Valente. Mesmo quando o cronista crê que “módico”, um adjectivo, é um substantivo. Vem num dicionário de bolso que é acessível a qualquer cidadão com um módico de literacia informática.

Entre “desvio” e “colossal” há umas palavras: Alberto João Jardim

Passos Coelho ainda se dispõe a ir à Madeira apoiar Alberto João Jardim nas eleições regionais?

De pé, ó vítima do eduquês!



Este homem foi director de um jornal de referência.
Este homem é assistente do Dr. Espada (na sequência de uma licenciatura honoris causa).
Este homem prepara-se para nos dizer, a mando do Dr. Relvas, o que será o "serviço público de televisão".
Este homem é uma vítima do eduquês.
Este homem merece mais atenção, porque fala com conhecimento de causa.

Já pediram um comentário ao Moedas?

Clima económico em Portugal agrava-se pelo 11.º mês consecutivo.

Viagens na Minha Terra

Saiba se pode aceder ao passe social "+ Andante"



Diário Económico, hoje


Hoje, foi seguramente o artigo mais lido na City de Lisboa! As classes A e B em luta para poderem aceder ao Plus Andante. Tempos únicos...

Os bonifrates de Relvas

João Miranda (o do blogue do deputado Amorim) resume a visita que Miguel Relvas fez à Comissão de Ética, Cidadania e Comunicação da Assembleia da República assim: “O Relvas está a anunciar as conclusões da comissão que está a estudar o serviço público de TV.”

Ao não abandonarem de imediato a comissão que integram, Zé Manel Fernandes, Cintra Torres e o resto da trupe mostram que estão ali para passar a escrito o discurso encomendado. Que pode incluir o que Relvas hoje não disse: o “serviço público” deve ser assegurado pelos canais privados, pelo que a privatização da RTP, que afectará o bolo publicitário da SIC e da TVI, obrigará à subsidiação dos três futuros canais privados — com o pretexto de que prestam “serviço público”.

Deve ser aquilo a que chamam literacia matemática


Ainda não estava sentado na cadeira do ministério e já Nuno Crato mandava suspender o encerramento de escolas com menos de 20 alunos decretado pelo anterior governo. Umas semanas depois, mandou encerrar.
Depois, mandou avançar a reforma curricular do governo anterior que toda a oposição, liderada pelo PSD, tinha congelado.
Parece que à falta de mais medidas do governo anterior com que possa brincar, Nuno Crato entretém-se agora a desfazer aquilo que ele próprio anunciara.
Um desgoverno!

Adiantar serviço

Negócios online

Miguel Relvas apresentou hoje aos deputados as conclusões pela quais se estão as reger as reuniões do grupo de trabalho para a entrega da RTP à Ongoing.

♪ Dedicada aos nossos ricos, os mais pelintras do planeta [3]


If I Were a Rich Man
[Um Violino no Telhado]

11 grupos 11 (com salários de 7700 euros)



DN, p. 8

Isto não é uma brincadeira

• Helena Garrido, Portugal tem de existir:
    'Não tenhamos ilusões. O Estado gastar menos significa para cada um de nós gastar mais com menos rendimento, já que não se verifica no curto prazo aquela promessa de menos impostos. E será a classe de rendimentos médios que mais vai sentir o impacto da violenta austeridade que agora se vai iniciar.

    O "Passe Social+", ou preços dos transportes mais baixos para quem tem rendimentos abaixo dos 545 euros mensais, ontem anunciados, é apenas um exemplo do que vai acontecer à classe média em muitas outras áreas, como as da saúde e da Segurança Social. A condição de recurso, como se designa a regra de acesso aos serviços fornecidos pelo Estado em função do rendimento, vai provocar um significativo aumento dos preços para rendimentos pouco superiores aos 700 ou 800 euros. Corremos o risco de passar do excesso de gratuitidade para uma situação em que só quem estiver muito perto da pobreza terá acesso a serviços subsidiados pelo Estado.

    É um mundo de relação com o Estado completamente diferente do que conhecemos desde praticamente o 25 de Abril de 1974. Passar de um mundo de estado social para quase todos para assistência social apenas aos desfavorecidos dos desfavorecidos, ao mesmo tempo que se aumenta os impostos e se corta salários, é extremamente perigoso para a coesão do País.'

E o código genético deste governo é…

• Tomás Vasques, Ou há moralidade ou comem todos...:
    ‘O debate está lançado e é oportuno. Num país em que mais de milhão e meio de portugueses recebe menos de 600 euros por mês, a que se juntam mais de 600 mil desempregados, e em que o aluguer de um quarto ronda os 300 euros, não é possível insistir mais, por insensibilidade social ou opção ideológica, no aumento de impostos que empobrecem os mais pobres, como o IVA, e deixar de fora deste esforço as "grandes fortunas" (só 3 dezenas de famílias somam, no seu conjunto, quase 20 biliões de euros de património). E o debate é ainda mais oportuno no momento em que se procuram receitas adicionais para compensar a redução da TSU. Sabe-se que o conceito de "grandes fortunas" é impreciso, o que obriga à procura de regras claras (a incidência é sobre o património - imobiliário e mobiliário - ou sobre os rendimentos de capital ou sobre ambos?) e a uma cobrança eficaz. À parte isso, é necessário fazer ouvidos de mercador às posições extremadas. Sobretudo, àqueles que pensam que não se deve tocar nos "ricos", nos rendimentos de capital e nos lucros dos bancos e dos grandes grupos económicos porque isso provoca a fuga de capitais para o estrangeiro e o desinvestimento na economia portuguesa; mas, também, àqueles que, como Proudhon, pensam que a propriedade e o lucro são um roubo e, consequentemente um crime e, por isso, é preciso persegui-los até à sua extinção.

    Dito isto, são de temer as soluções que o governo nos vai apresentar. A sua prática, em apenas dois meses, leva-nos a pensar que está no seu código genético poupar quem tem muito e tirar a quem tem menos. O pior que podia acontecer é o governo tomar por "grandes fortunas" os rendimentos de quem trabalha, mas tem salários muito acima da média nacional ou o património de quem tem uma ou duas boas moradias, esquecendo os bancos e os rendimentos de capital, em juros ou dividendos, que têm alimentado um enriquecimento desproporcionado de muita gente em relação à média nacional. Se isso acontecer, se não se sentir coesão social nos esforços exigidos, não se admirem se Lisboa entrar no roteiro da contestação europeia, de copiar Atenas, Madrid ou Londres.’

Houve um dia uma moeda chamada euro

• Wolfgang Munchau, Até mesmo uma ‘eurobond’ pode não salvar o euro:
    ‘O que aprendemos com a gestão desta crise financeira é que quanto mais adiarmos a sua resolução maior acabará por ser a factura.

    Na zona euro chegámos a esse ponto. Há dois meses, dizia-se que o pior que podia acontecer era um alastramento da crise a Itália e a Espanha e uma travagem na recuperação económica.

    Mas eis que crise se alastrou a Itália e à Espanha, e que o crescimento na zona euro abrandou. O novo ponto de inversão nesta tragédia seria um regresso a uma recessão. Não se trata de um cenário tão disparatado quanto isso. Christine Lagarde, a directora do Fundo Monetário Internacional, avisou com uma certa candura no fim-de-semana que o risco de uma recessão era significativo, pedindo acção urgente e imediata.’

Mota Soares apresenta medida para aumentar vagas nas creches


Regressar a métodos muito antigos...


… só pode dar os mesmos resultados

Segunda-feira, Agosto 29, 2011

Futebol total

De uma assentada, Miguel Relvas cria mais três grupos de trabalho — agora, para o futebol. No blogue do deputado Amorim, apela-se à intervenção da troika, porque se considera que se trata de um meio de distribuir umas avenças pelos amigos. Muito provavelmente, será. Mas para o ministro da propaganda o esforço (no caso, dos contribuintes) vale a pena: requisitando os bons ofícios de colunistas, de gente das corporações envolvidas e de advogados sempre dispostos a servir a pátria, garante aquilo a que Cavaco designou por “imprensa suave”.

Big brother is watching you (2)

Governo vai repor o subsídio de Natal?



A directora-geral do FMI já se passou para o campo do inimigo: “Os desenvolvimentos deste verão indicam que estamos em uma nova fase perigosa. O que está em jogo é claro: há o risco de descarrilamento da retoma que é frágil. Devemos agir já.” Christine Lagarde troca a coisa por miúdos: “Dito de um modo simples, as políticas macroeconómicas devem apoiar o crescimento. E a política monetária deve, também, manter-se altamente 'acomodativa', pois o risco de recessão ultrapassa o risco de inflação.” Por outras palavras, a austeridade pode deve esperar, devendo ser posto o acento tónico no relançamento da economia.

Nomeações



O Diário da República está hoje por conta do gabinete da ministra da Justiça.

Big brother is watching you

        ‘Tudo isto é para quê? Se o objectivo é o escalonamento das taxas moderadoras em função do rendimento das pessoas, então estão a construir a casa ao contrário.’

Um dia como os outros © num gabinete governamental:
    Gonçalves — Vê aí na base de dados qual é o estado do Abrantes.
    Correia — Deixa cá ver… Olha, tirou um siso, usa botas ortopédicas, comprou há dois meses uns óculos graduados… O gajo não faz análises, estás a ver?
    Gonçalves — Huuuuum… E se propuséssemos ao chefe cruzar tudo isto com a base de dados das compras de supermercado?

Viagens na Minha Terra

A palavra aos leitores (3) — "Super Presidente da Câmara do Distrito de Braga bate com a porta a Passos Coelho e ao PSD"

De e-mail do leitor Marco C.:


    'Ora cá está um exemplo da unidade do PSD. Este Presidente de CM ganhou tudo o que havia para ganhar. É ver os resultados eleitorais autárquicos. (...)'

A palavra aos leitores (2) — ‘Madeira está sem dinheiro???’

De e-mail enviado pelo leitor Luís L.:
    'O governo de Jardim, afinal não tem falta de dinheiro, continua a construir sem necessidade, cujo único objectivo é o acto da construção.

    A Madeira possui neste momento cerca de 10 piscinas cobertas, uma das quais de 50 metros, mais vai continuar a construir piscinas, sem utilizadores, compare-se o número de habitantes da Madeira e do Distrito de Lisboa para se ter a noção do irrealismo destas construções. Saliente-se que nenhuma das piscinas possui aquecimento solar, o que diz bem da qualidade dos governantes que aprovam os projectos. Afinal quem pagará a conta são os portugueses do continente, porque ligar a miudezas...

    Sob a presidência do vice-presidente do Governo Regional, João Cunha e Silva, o Conselho de Governo resolveu hoje adjudicar
    a obra de construção do pavilhão gimnodesportivo e piscina anexa à Escola Básica do Estreito de Câmara de Lobos. A obra é, há muito, desejada e prometida à população do Estreito e até já teve uma outra localização. A nova infra-estrutura compreende a construção de uma piscina com 25 metros num edifício de três pisos; e a construção de um pavilhão com um recinto desportivo de 44x22 metros, dois espaços para a prática de ginástica e badminton com bancadas para o público (capacidade para 600 pessoas).

    O Conselho de Governo resolveu ainda abrir concurso público para a obra de remodelação do Centro Cívico de Boaventura, concelho de São Vicente. A obra consiste na remodelação do actual edifício onde estão instalados o Centro de Saúde e Segurança Social, o Centro de Dia e Casa do Povo. A nova infra-estrutra vai permitir reinstalar a Junta de Freguesia, actualmente em precárias instalações.

    Ainda no que concerne a São Vicente, noutra resolução, a Quinta Vigia resolveu abrir concurso público para a cobertura do polidesportivo da Escola Básica do 1.º Ciclo de Ponta Delgada (Enxurros).'

A palavra aos leitores — 'Jardim é o político mais injustiçado de Portugal'

O leitor Joaquim C. sugere-nos que regressemos à entrevista de Carlos Abreu Amorim ao Sol:
    Faz sentido fazer um acordo com Alberto João Jardim para cobrir o buraco de 227 milhões na Madeira?
    Há problemas que vieram de trás e não podemos virar as costas à Madeira. Vai ter de haver uma solução. A Madeira também tem razões de queixa do poder central e Alberto João Jardim, que continua a ter o apoio dos madeirenses e é responsável por uma obra extraordinária, é muito injustiçado. Jardim é a personagem política contra quem se fizeram as campanhas mais ferozes em Portugal.

    Só mesmo ejaculando é que percebe admite uma resposta destas!

♪ Dedicada aos nossos ricos, os mais pelintras do planeta [2]


Money
Liza Minnelli, Joel Grey

Missão cumprida



Alcandorados ao pote, os do Albergue dão de frosques.
Quem fecha a porta é o nosso FAL, para o qual, ao fim de dois meses, ainda não foi encontrado tacho compatível. Pudera...
Ameaçam agora com "um projecto que ainda vai dar muito que falar", e fica a dúvida legitima acerca da coincidência de o tal Albergue encerrar precisamente no dia em que o chefe das secretas passou por São Bento. Não perderemos, certamente, pela demora.
Como provavelmente terão mais que fazer - esperemos que o dinheiro dos nossos impostos sirva para alguma coisa... - permitimo-nos adiantar serviço e sugerir dois nomes para o projecto que vai dar que falar: 5 Dias de Espanholada ou, mais do agrado do João Gonçalves, Com o Pote na Tola. Essa vossa ideia de chamarem à coisa Centro de Emprego parece demasiado óbvia, não acham?

Entre liberais em formato ‘ready-made' e funcionários europeus

• João Cardoso Rosas, Nós sem a Europa:

    ‘(…) o actual [governo] afigura-se ainda menos lúcido. No seu melhor, como no caso do ministro das Finanças, este é um Governo de funcionários europeus destacados em Portugal para aplicar um conjunto de políticas que tiveram sentido enquanto se pensava que o euro seria uma realidade politicamente inabalável. No seu pior, como no caso do próprio primeiro-ministro, o Governo é formado por quem andou anos a pensar em aplicar uma receita liberal a Portugal - que outros lhe venderam em formato ‘ready-made' -, mas alcançou o poder precisamente no momento em que essa receita deixou de fazer sentido a nível internacional. Ou seja, temos diante de nós, todos os dias e nas políticas que vão sendo anunciadas, a mesma mistura de europeísmo taxativo e liberalismo destrutivo que apenas podem agravar a nossa crise. Vejamos alguns exemplos.’

Domingo, Agosto 28, 2011

♪ Dedicada aos nossos ricos, os mais pelintras do planeta [1]

 

Caviar 
Zeca Pagodinho

(E começamos com um brasileiro brega, para grande alegria do ministro da propaganda...)

Ficar aquém do acordo com a troika


JN, hoje


Aqui está uma medida para não cumprir. O Governo só tem a faca afiada para o mundo do trabalho.

Da série "Frases que impõem respeito" [641]

Quem paga a irresponsabilidade da dívida que existe aqui na Madeira, da exclusiva responsabilidade do seu partido, o PSD, aqui na Madeira?

A propaganda é uma obsessão deste governo



Se derem uma vista de olhos às nomeações do Governo, verificam que um número significativo dos profissionais contratados destina-se à propaganda comunicação. Até o Moedas, para acompanhar o acordo com a troika, foi buscar uma jornalista à RTP.

A palavra aos leitores — "Ordenadões principescos"

Vem a propósito deste post o e-mail enviado, na sexta-feira, pelo leitor Paulo G.:



    ‘(…) Não sei se já aí viram a vergonha do Diário da República de hoje [sexta-feira]. Vejam os salários da ESAME que chegam aos € 5775,53? Assim não há dúvida que é muito fácil diminuir assessores... e depois criar estruturas ao lado com salários bem maiores que os dos assessores.

    Uma vergonha. Assim se vê que os sacrifícios não são para todos e que, mais uma vez, ao arrepio da retórica da contenção os fariseus do PSD lá vão arranjando uns ordenados superiores aos de primeiro-ministro. É assim que se credibiliza a função pública? É assim que se cumpre a palavra dada? É assim que se dá o tal exemplo?

    Não há dúvida que, se os senhores da troika apanham o Diário da República, perceberão por que não há cortes na despesa e como o Memorando está a ser utilizado para duplicar estruturas e arranjar uns ordenadões. (…)’

Ó pá, é uma injustiça, pois é...

"Ai, o governo já fez 500 nomeações". Mas, gaita, os jornalistas nem contextualizaram as coisas, pá. Uma injustiça, pois é...

Não podemos mandá-lo outra vez para férias?

Regressou ao mundo dos vivos — e disse asneira. Nas festas de Campo Maior, Cavaco manifestou-se contra o imposto sobre a riqueza, preferindo a restauração do imposto sobre as sucessões e doações (abolido pelo governo Barroso/Portas), tendo dado como exemplo o facto de ser uma injustiça as doações não serem tributadas. Esquece-se o professor de finanças públicas que as doações são, na maioria das situações, tributadas em imposto do selo.

Sem pôr em causa que é da mais elementar justiça que as heranças sejam tributadas, não se percebe o argumento de Cavaco: as dificuldades que ele encontra para a tributação do património também se verificam em relação ao imposto sobre as sucessões e doações.

A elasticidade da moral


— É o que eu lhe digo, Sr. Ministro, depois
da propaganda, só nos resta a lei da bala.


O chamado caso António Figueira não muda felizmente o curso da história. Mas tem a sua graça, porque a promíscua cambalhota foi dada precisamente por alguém que só saía da penumbra para desferir ataques de carácter e se recolhia de imediato à trincheira.

Já o apoio generalizado (por actos e silêncios) que Figueira recebeu no 5 dias tem alguma importância. Não apenas demonstra que a política a que se convencionou apelidar de “coligação negativa” não era uma invenção de um governo em apuros como põe em evidência que a tradição já não é o que era: a (superioridade) moral dos comunistas militantes do PCP tem uma elasticidade que se desconhecia. Não é evidentemente o fim da história, mas é o fim do 5 dias, embora a histeria grotesca do camarada Vidal faça crer que ainda não lho comunicaram.

“Só faltam 3 dias”

• Pedro Marques Lopes, É agora, é agora:
    ‘(…) Em dois meses vai ser mudado todo um paradigma de organização do Estado, vão-se acabar com todas as entidades inúteis, vai-se começar a gastar o estritamente necessário. E, atente-se, esta redução fantástica da despesa irá ser feita sem reduzir pensões, salários ou despedimentos. Nada que espante: se Deus fez o mundo em sete dias, porque diabo o Governo não realizaria esta tarefa em dois meses?

    É bem verdade que este plano já estava a ser estudado há muito tempo. Mesmo antes das eleições foi-nos garantido que já estava tudo avaliado e que mal o Governo entrasse em funções iria ser anunciado. O que não pode deixar de ser elogiado é a capacidade de em dois meses, repito, o executar.

    Obviamente que não passa pela cabeça de ninguém que esta jura solene deixe de ser cumprida.

    Bom, não é bem assim. Quem parece estar um pouco céptico é o ministro Vítor Gaspar, o das Finanças.

    Na entrevista de 12 de Agosto, salientou que uma coisa é anunciar cortes na despesa, outra é efectuá-los. Mais, afirmou que já tinha havido um esforço enorme para a controlar no Orçamento de 2011, dando a entender, aparentemente, que não estava a ver onde se podia cortar mais. Desconhecendo, talvez, o que tem sido a narrativa do Governo, não deixou de lembrar que em nenhum documento se fala de gordura do Estado! Para quem está esquecido, esta entrevista foi feita no mesmo dia em que ia ser feito o anúncio, pelo ministro, das medidas de emagrecimento. Talvez fosse recomendável que o ministro da Propaganda falasse com o das Finanças antes daquele pôr a notícia nos jornais, evitava-se o ridículo. Também era capaz de não ser má ideia terem avisado Vítor Gaspar da apresentação do plano de corte na despesa, o tal que vai ser o maior dos últimos 50 anos, antes da entrevista. Tenho para mim que ele devia ser o primeiro a saber, e já nem peço que fosse ele a coordená-lo.

    Esta descoordenação deve ter sido causada pelo vírus estival, até dia 31 vamos conhecer o grande plano e daqui a dois meses está tudo acabado. Com jeito, o Governo ainda volta atrás e desiste daquele obsceno imposto preventivo sobre o décimo terceiro mês. Não vai fazer falta com o que se vai poupar.

    Só faltam 3 dias.’

Quando as Centrais de Comunicação vencem o jornalismo

 

Isto já foi manchete no i. Mas ainda pode vir a ser no DN, no Público, no Económico...

Da série "Frases que impõem respeito" [640]


Merecemos mais do que este homem que é Presidente.
      Carlos do Carmo ao DN

Os malucos a quem nós pagamos para governar


Gráfico publicado pelo jornal do PSD/Madeira e republicado pelo Jornal da Madeira (desculpem a redundância, mas é mesmo assim).

Sábado, Agosto 27, 2011

"Este conjunto de situações não é fruto do acaso, tem cúmplices e só um cego não vê que é sintoma de um mal grave"

• Manuel Pinho, Vai acabar mal [hoje no suplemento Economia do Expresso]:
    ‘(...) Ainda pior do que a crise da economia é estarmos a assistir a situações indignas para o país que causam repulsa e são impossíveis de explicar a um estrangeiro, por exemplo a venda ao desbarato das empresas do sector da energia e das águas, a transferência de superespiões para empresas privadas e a impunidade dos responsáveis pelo maior escândalo financeiro desde Alves dos Reis. Os portugueses são um povo de brandos costumes, mas por este caminho vão perder a paciência e um dia a coisa acaba mal.

    É uma indignidade Portugal vender a pataco as empresas do sector energético e parte do sector das águas. A venda ao desbarato da ADP, Galp, REN e EDP não vai criar mais concorrência, nem resolver qualquer problema financeiro. Trata-se de uma decisão errada por razões de fundo e conjunturais. Por razões de fundo, porque no mundo inteiro 95% dos recursos hídricos mundiais não são geridos por privados e não há país em que o Estado ou interesses nacionais não tenham grande influência no sector da energia. Não é preciso muita imaginação para ver os cenários dantescos que a médio prazo podem resultar por o Estado sair de sectores que têm uma importância estratégica. Por razões conjunturais, porque não passa pela cabeça de ninguém vender as jóias da coroa quando os mercados estão pelas ruas da amargura.

    Ninguém acreditaria se lhe dissessem que Berlusconi ia vender ao desbarato a Eni, Sarkozy a EDF ou Dilma Rousseff a Petrobras, pois não? Ao contrário do que alguns pensam, Portugal não está a fazer figura de bom aluno, está a fazer a figura do aluno que aceita que lhe coloquem orelhas de burro e, ainda por cima, parece gostar de se exibir com elas em público.

    É uma indignidade Portugal assistir impavidamente à transferência de superespiões na posse de informação confidencial sobre a vida de muitos de nós, para o sector privado — nem numa república das bananas uma situação destas poderia acontecer. Ninguém imagina superespiões da CIA a mudarem-se de armas e bagagens para o “Washington Post”, nem Rupert Murdoch a contratar agentes do MI5 para o “News of the World”. O processo de escutas em que este jornal esteve envolvido já levou 10 pessoas para a cadeia, ao encerramento do jornal e Murdoch a ser impedido de comprar a Sky.

    É uma indignidade Portugal ser incapaz de julgar os autores do maior escândalo financeiro dos últimos 50 anos, que vai provocar um rombo no erário público da ordem do custo do TGV. É escandaloso que no processo de venda do BPN o Estado fique com €1000 milhões de créditos que serão escolhidos pelos novos donos do banco, que aliás não têm culpa nenhuma desta situação. Só faltava que o Estado se prontificasse a ficar com créditos que tenham sido concedidos a acionistas do BPN! Nos Estados Unidos, Bernard Madoff foi condenado a 150 anos de prisão, a mulher e a filha mudaram de nome e o filho suicidou-se.

    Em Portugal, quem provocou um rombo de milhares de milhões de euros no erário público goza de total impunidade. Este conjunto de situações não é fruto do acaso, tem cúmplices e só um cego não vê que é sintoma de um mal grave.’

Até Povo Livre costuma ser mais contido



As encomendas do Sol a pôr-se


Só o Geronimo Stilton não é, à primeira vista, encomenda da São Caetano.

Viagens na Minha Terra

A palavra aos leitores

De e-mail de Joaquim R.:
    Escreve o Valente: “O que conta é a posição (e acção) política e não se tem (…) que eu saiba o António Figueira não se pôs do lado dos capitalistas… Trabalha para eles… como a totalidade da classe trabalhadora.”

    Se o trabalho especializado junto do ministro da propaganda não constitui qualquer tipo de colaboração ou compromisso político, resta saber o que poderá, então, ser o significado do conceito de “profissionalismo”. Se ali se faz política, o Figueira vai ser competente em quê?

Pudera

Ministro sem ministério é campeão das nomeações.

Unidade de todos os portugueses honrados©



Quando Cunhal apresentou ao Comité Central, em 1964, o informe Rumo à Vitória, de que ficou para a posteridade a proposta de “unidade de todos os portugueses honrados”, estaria certamente longe de imaginar que seria levado tão à letra que, anos depois, dessem à luz uniões tão inesperadas como a de Nuno Ramos de Almeida com a Sr.ª Guedes ou a de Carlos Vidal com o João dos pequeninos. A realidade é sempre mais fecunda do que as teorizações políticas.

Não estamos no entanto perante fenómenos isolados do Entroncamento, como se torna evidente pela adesão formal de António Figueira à “revolução tranquila” de que nos fala Miguel Relvas. Logo que o camarada Figueira deu o passo que faltava para transformar um longo namoro alberguista num casamento à Las Vegas, magotes de portugueses honrados surgiram de peito feito em sua defesa. Talvez a melhor alegação tenha sido redigida por um ilustre passista, que se mostra indignado porque “uma certa blogosfera” montou uma estratégia “em [sic] tentar condicionar pessoas que aceitaram o desafio de apoiar politica e tecnicamente membros do governo”.

Acho que não se pode ser mais claro.

Um colossal embuste

• Pedro Adão e Silva, UM COLOSSAL EMBUSTE [hoje no Expresso]:
    ‘A entrevista do ministro das Finanças à TVI indicia que tudo o que nos foi sendo dito não era para ser levado a sério. Em vinte minutos, Vítor Gaspar, em alguns momentos com enorme candura, encarregou-se de renunciar a toda a narrativa política do PSD/CDS e não se cansou de sublinhar que os vários documentos de execução orçamental são extraordinariamente exigentes do lado da receita e do lado da despesa. Tendo em conta que foi o PEC 4 que provocou eleições, não deixa de ser irónico ver o ministro das Finanças a defendê-lo como nem Sócrates nem Teixeira dos Santos ousavam fazer. Pode dar-se o caso de, com benefício para a sanidade mental do próprio, Vítor Gaspar não ter acompanhado a política portuguesa no último par de anos, mas, de facto, expôs o colossal embuste em que assentou a vitória eleitoral de Passos Coelho.’

♪ Clássicos como nós [7]


Concerto para Violino Op.8-5
Antonio Vivaldi
Giuliano Carmignola

Sexta-feira, Agosto 26, 2011

Madeira (ou a estória do desvio colossal)

• José Manuel Pureza, O teste colossal:
    ‘Entre "desvio" e "colossal" havia realmente outras palavras. Eu sugiro quatro: relatório de execução orçamental. Mais do que entre os vocábulos de Passos Coelho, elas atravessaram-se nas suas intenções políticas. O Governo, no afã de justificar o seu programa além-troika, inventou um desvio colossal das contas públicas que a execução orçamental desmente. O valor do défice diminuiu em mais de dois mil milhões de euros face a período homólogo do ano passado. A tese do desvio colossal foi uma finta de Gaspar e Passos. Mas foi por ela que chegámos à Madeira outra vez.

    Sugiro então mais três palavras para acrescentar a desvio colossal: contas da Madeira. Há um desvio colossal entre o orçamentado e o gasto na Madeira. O Governo não o identificou, mas a troika fez as contas e chegou a 277 milhões de euros. Mais de mil euros por habitante, o que, feitas as proporções para o todo nacional, daria um buraco de 11 mil milhões de euros. Desvio colossal é isto. A juntar ao aumento da dívida da Região Autónoma em quase 100 milhões em 2010 em grande parte julgado como irregular pelo Tribunal de Contas.’

Da origem do mundo ao fim da espécie

• Fernanda Câncio, Tranquilamente:

Austeridade à prova nos ajustes directos

Exemplos avulsos:

Cães de guarda


Quem escreve isto ignora seguramente que, nessa Suécia que "acabara" com os pobres, a taxa marginal do IRS era, à entrada da década de 1980, de 87%, e a de IRC 60%.

Mas pronto, quem não sabe a mais não é obrigado. Há que cumprir o papel de "cão de guarda".
    Pedro T.

Ele diz que tenta...


"Neste campo como em geral tento evitar a ejaculação precoce", Carlos Abreu Amorim, na mesma entrevista ao Sol na qual - a acreditar nas suas palavras sobre o TGV - confessa ter derramado o seu precioso sémen um tanto precipitadamente.
Este PSD está a revelar toda uma "geração" de políticos de primeira água, essa é que é essa.

Este BPN que nos une




Recorda o blogue Saúde SA que “José António Mendes Ribeiro é o coordenador do grupo técnico para a reforma hospitalar”, nomeado por despacho n.º 10601/2011 do ministro Paulo Macedo (24.08.11). As dúvidas colocadas são pertinentes: “É difícil conceber que uma personalidade que tem defendido publicamente as PPP e o afastamento do Estado como prestador de cuidados de saúde, assuma papel central numa política reformadora do hospital público.”

Mas igualmente pertinente é observar que, entre outros cargos, José António Mendes Ribeiro foi presidente da Unidade de Missão Hospitais SA (2003-2004), nomeado/exonerado por Luís Filipe Pereira. Foi também presidente da Comissão Executiva do Grupo Português de Saúde (2004 -2007) pertencente à famigerada Sociedade Lusa de Negócios (SLN) proprietária do BPN.

Ora, como já tinha sido referido pelo CC, o ministro que nomeia Mendes Ribeiro é o mesmo que nomeou Carvalho das Neves para presidente da ACSS. Carvalho das Neves que foi administrador do BPN.

Que raio, mas eles não se livram do BPN ou trata-se do toque a reunir dos cavaquistas?

Flip dos pequeninos

O sonho de qualquer "especialista" - ser o corrector ortográfico de Pacheco Pereira.

♪ Clássicos como nós [6]



Sonata para Violino n.º 2
Johannes Brahms
Anne-Sophie Mutter

Crespo à sobremesa


Correio da Manha (revista de TV), 26 Ago 11

Uma manhã na Gomes Teixeira

Vamos lá então a saber. Essa coisa da privatização da RTP implica, ou não, que eu deixe de pagar a taxa da televisão. É que eu, por princípio, sou contra a privatização da RTP, mas se puder poupar uns tostões... (não se esqueçam que vim para aqui perder dinheiro!)

Ouvido no elevador (2)

Atendendo ao nível intelectual de quem escreve, ficamos na dúvida quanto à amplitude semântica do verbo "comer".

Ouvido no elevador

Quinta-feira, Agosto 25, 2011

Classificação Nacional de Profissões: há um código para especialista de gabinete do ministro da propaganda?



A vida e a obra de António Figueira trouxeram à memória de João Valente Aguiar a vida e a obra Karl Marx. Pode acontecer a qualquer um. Sou obrigado a reconhecer que não faço a mínima ideia se Figueira se casou com a “filha de um barão”, desconheço se seu pai é um “rico advogado”, mesmo que não tenha banca montada em Trier, e não tenho quaisquer dados que me permitam admitir que o filho de um “grande capitalista alemão” apoia a obra de Figueira. Sei, porque é igualmente referido na Wikipedia, que Karl Marx foi sucessivamente expulso de Paris, a pedido da Prússia, depois expulso de Bruxelas, para onde se havia mudado, e, mais tarde, expulso de Colónia, antes de embarcar para Londres. Não consta que o “mouro”, como era conhecido, tivesse sido “especialista” no gabinete de Disraeli, nem que tivesse, ao menos, aceitado partilhar o chá das cinco com a rainha Vitória. Mas, sabendo-se das insuficiências da Wikipedia, o melhor é esperar por um próximo post de João Valente Aguiar — até para podermos pôr em confronto as obras (a de António e a de Karl). Suspeito que a minha rendição acontecerá então.

Da série “A superioridade moral dos comunistas” [1]

O profissional (entre as 9H e as 17H30): o meu hino é este e farei tudo para concretizar os propósitos nele enunciados.

O cidadão (entre as 17H31 e as 8H59): o meu hino é este e ouvi-lo-ei a beber uma bejeca com o Vidal no centro de trabalho.

Viagens na Minha Terra

A todo o vapor em horário laboral



Novas espécies nos jardins de São Bento


Estando em curso um golpe para o controlo de toda a comunicação social, responder com um trocadilho rasteiro — quando quem lançou o tema da privatização dos canais de televisão do Estado foi o PSD — é manifestamente pobre. Talvez o "intelectual orgânico" ora recrutado dê alguma sofisticação à coisa.

♪ Clássicos como nós [5]



Suite para Violoncelo n.º 6 [Allemande]
Johann Sebastian Bach
Mstislav Rostropovich

Quarta-feira, Agosto 24, 2011

Coisas que certa 'esquerda' nunca quis ver

Portugal foi o único país do euro a subir IRS para os mais ricos. 
(Parabéns ao jornalista por ter evitado qualquer referência ao governo de Sócrates, responsável por esta medida. Quando é para dizer mal, nunca se esquecem...)

A palavra aos leitores

De e-mail do leitor José F.:
    ‘Nos últimos dias há quem se tenha entretido a recuperar uma ética do trabalho onde o que interessa não é o que se faz, mas o simples facto de se fazer alguma coisa. Trabalhar é trabalhar, e o Trabalho, sem demais qualificativos, merece igual - e portanto indistinto - reconhecimento. Na sociedade moderna é assim: é suposto um homem fazer pela vida. A dignidade do pequeno burguês socorre-se de categorias abstractas para sustentar a ficção liberal de que não faz mais do que o seu dever. Assim, sem culpa, porque dignidade é mérito, mérito é preço, e o preço é apenas o que o mercado disser.’

Um mentiroso é um mentiroso, nada a fazer

♪ Clássicos como nós [4]


Concerto para piano n.º 5 [Imperador]
Ludwig van Beethoven
Glenn Gould

Ainda sou do tempo em que o 5 dias não apoiava formalmente este governo neoliberal

Tiago Mota Saraiva, membro efectivo da gaiola dos malucos, tem a cabeça desarrumada. Mas ninguém está proibido de dizer coisas acertadas de vez em quando. Apesar da baralhação do texto, é correcto (no essencial) o que o Tiago diz neste post, escrito a 1 de Agosto, data em que António Figueira, coordenador da gaiola dos malucos, ingressou no gabinete do ministro da propaganda do governo mais à direita após o 25 de Abril:
    Não nomear uma maioria de assessores de confiança política para os gabinetes do governo, é como colocar o Benfica a jogar com uma maioria de jogadores sportinguistas.

Terça-feira, Agosto 23, 2011

Hoje não houve tempo para falar disto

Aqui


Síntese do (5) dia(s)

O profissional (entre as 9H e as 17H30): O cidadão (entre as 17H31 e as 8H59):

A palavra aos leitores

De e-mail enviado por Rui J.:
    ‘Será este o primeiro trabalho do António Figueira no gabinete do ministro Relvas?’

Viagens de uma nota só

Prolegómenos de um compromisso histórico

• Ferreira Fernanades, Só não acerto no Euromilhões:
    ‘Há um ano e picos (27 de Dezembro de 2009), publiquei uma crónica a que dei o título "Pacheco Pereira e os bolcheviques à portuguesa, suaves". Nela, eu emendava-o. Dias antes, na revista Sábado, Pacheco Pereira (PP) dissera que o Bloco de Esquerda (BE) era de revolucionários da tanga, hesitantes entre a democracia burguesa, na qual já debicavam algumas benesses, e as saudades da via revolucionária. Para sublinhar a hesitação do BE, PP serviu-se, como contraponto, do blogue 5 Dias: aí, sim, havia revolucionários puros e duros, o último reduto da violência revolucionária! Estando substancialmente de acordo com PP sobre o BE, dediquei a minha crónica a emendá-lo sobre os do tal blogue - eram tão da tanga como os outros só que mais esganiçados, expliquei eu pacientemente. É certo que quem por lá passasse podia assustar-se com um que tecia loas ao norte-coreano Kim Jong-il, ou outro - na esteira do maluquinho que partira a cara de Berlusconi com uma estatueta - que proclamava a via revolucionária a golpes de estatuetas: "O que a democracia não resolve tem de ser o povo a resolver!..." Mas bolcheviques à portuguesa, bolcheviques suaves, insisti. Ontem, soube-se que António Figueira, do blogue 5 Dias, foi contratado para o gabinete do ministro Miguel Relvas. Há nesta história um tipo certo (Relvas, que escolheu alguém culto e que escreve muito bem) e um tipo errado (PP, que se enganou de revolucionário). É só.’

Figueira - 'pormenores' laterais

O caso Figueira vem sublinhar um dos maiores embustes das primeiras semanas deste governo: a transparência e a austeridade nas nomeações.
Como se explica, então, que um despacho ministerial datado de 28 de Julho não esteja ainda registado no famoso portal do governo?
Um "mistério" que vem juntar-se ao dos vencimentos. Como registámos aqui, não existem garantias - antes pelo contrário - de que os valores ali registados são os que os "especialistas" e similares efectivamente ganham (chega a haver especialistas que têm como vencimento registado umas escassas centenas de euros...).

PS: numa caixa de comentários do ninho de vespas em que escreve, o tal Figueira anuncia ao mundo que no governo perde dinheiro em relação ao emprego anterior. Mais um que se sacrifica em nome da Pátria... Que tão altos valores estarão a levar tanta gente a abdicar do seu ganha pão público?

♪ Clássicos como nós [3]


Concerto para piano n.º 2 [ I - Moderato] 
Sergei Rachmaninov 
Hélène Grimaud, Claudio Abbado

Na esteira da profissão mais velha do mundo

António Figueira é, a partir de 1 de Agosto, assessor de Miguel Relvas. O comunista militante do PCP reagiu à alusão a esta supimpa contratação plantando aqui e acolá um post com uma estranha sintaxe.

Ora Figueira ficou dono e senhor do 5 dias após a saída dos jugulares, transformando-o numa caricatura da ortodoxia brejneviana. Agora, ele dispõe-se a suspender por tempo indeterminado a exposição das suas posições radicais para fazer chegar ao povo as elucubrações de Miguel Relvas. Portanto, teremos, a partir de agora, um António Figueira a arranjar argumentos para fazer passar a revisão neoliberal da Constituição da República, a explicar-nos o contributo das privatizações para o progresso do país, a sustentar a bondade dos despedimentos sem justa causa e do plafonamento das pensões de reforma e a justificar o desmantelamento do Estado Social.

Figueira declara que saltou para o colo do ministro da propaganda do governo mais à direita que o país já teve desde o 25 de Abril por ser um profissional catita. Já ouvi dizer que há prostitutas mais selectivas (e não tão em conta, convenhamos).

Segunda-feira, Agosto 22, 2011

É este António Figueira que foi nomeado para o gabinete de Relvas?




António Figueira, o homem que dirige com mão de ferro o radical 5 Dias, parece ter sido comprado para o dream team de Miguel Relvas, ocupando a vaga de libero, até agora um lugar desguarnecido. Relvas já tinha ido ao mercado recrutar, entre muitos outros, um trinco à moda antiga (o Gonçalves) e um defesa direito muito prometedor (o Correia).

Os negócios já foram comunicados à CMVM, muito embora os valores das cláusulas de rescisão ainda não sejam conhecidos:



PS — Aguarda-se a reacção de Carlos Vidal, Renato Teixeira e Nuno Ramos de Almeida, que até hoje sempre negaram a existência de uma coligação negativa entre a esquerda radical e a direita mais radical que alguma vez esteve à frente do PSD.

Aquele problema que era só português

Mundo desenvolvido está há quatro trimestres a perder velocidade: “Desaceleração é especialmente acentuada na Zona Euro, constata a OCDE.”

Listas de espera

Eu disse que ia dissolver a Parque Expo? Bem, para já vou nomear uma nova administração, porque me comprometi a dar o meu contributo para a redução das listas de espera.

Exactamente ao contrário



A Expo 98?
Bom, a Expo 98 resultou na troca de um gigantesco parque industrial decadente e perigoso por uma zona urbana de excelência. E resultou também numa não mensurável mudança de atitude e melhoria de qualidade de vida que ultrapassam em muito o perímetro físico em que funcionou.
E a Expo pagou-se a si própria? Ou seja, o Estado recuperou tudo o que lá investiu?
Essa é a pergunta que não interessa. Se o Estado investiu e todos ganhámos, o balanço não será flagrante?

E, agora, a parte difícil. Não é verdade que “a Parque Expo é um mau exemplo que não pode continuar. Foi uma empresa criada para determinado fim e foi acumulando competências para autojustificar a sua manutenção”, conforme afirmou a ministra que pretende extinguir a empresa?

Este argumento não faz qualquer sentido. A empresa criada para gerir a Expo poderia ter evoluído, como de alguma forma fez, capitalizando a sua experiência na gestão e requalificação de espaços urbanos.
O que faria sentido, em relação à Parque Expo, seria discutir se a sua gestão é, ou não, competente e, principalmente, o seu modelo de gestão. Ou seja, a fúria privatizadora do governo PSD/CDS teria na Parque Expo um caso prático excelente. Não haverá empresas de engenharia, de arquitectura, ou outras, mesmo estrangeiras, interessadas numa empresa deste tipo? Isto numa altura - saliente-se - em que a própria tróica considera que uma das linhas prioritárias para a economia portuguesa passa pela requalificação e reabilitação urbana...
Muito provavelmente, a Parque Expo não faz qualquer sentido dentro do Estado, mas faz todo o sentido que Portugal tenha uma, várias, empresas deste tipo.

Mas o Governo precisava de qualquer coisa - um sound bite - para preencher uma sexta-feira de Verão. E anunciar uma extinção é muito mais fácil, e recolhe mais aplausos, que iniciar um processo de reconfiguração.
Como de costume, é mais fácil destruir que construir. Assunção Cristas e o resto do Conselho de Ministros não são muito diferentes de qualquer português preguiçoso.

♪ Clássicos como nós [2]



Gaspard de la Nuit (Ondine)
Maurice Ravel
Ivo Pogorelich

Domingo, Agosto 21, 2011

Notícias do pote

Não há só um pote. Há potes para todos os gostos — para os grandes e para os pequenos. Os grandes, alguns dos quais têm empregados em comissão de serviço no Governo, aguardam pelas privatizações. Os pequenos, que vêm das secções, têm também muito por onde matar a fome.

Apita o comboio/que coisa tão linda¹



Sábado no DN

Ó Álvaro, calma e sangue frio é o que é preciso agora. Quem lhe tirou o açaime, também o volta a pôr para que ele resmungue em surdina. Mas fazer o anúncio em Espanha (já aqui referido) de que a morte do TGV é manifestamente exagerada só pode ser uma jogada de génio da assessora de imprensa mais bem paga do mundo.

Álvaro, tu próprio podes explicar daqui a uma semana que o sistema misto é decisivo para escoar as exportações portuguesas, porque te fizeram ver em Madrid que os comboios de mercadorias não podem andar por ali a empatar a passagem do TGV. E depois há aquela coisa chata dos fundos europeus, que, ao contrário do que o PSD andou a dizer durante a campanha eleitoral, ou são afectos ao TGV ou vão à viola. De caminho, explicas no conselho de ministros que já sabes o que é a bitola europeia. Vais ver como isto acaba tudo em bem — com o regresso a full-time do CAA ao Blasfémias.

_______
¹ Apita o comboio.

Isto não será das más companhias do Gonçalves e do Correia?


Ontem





Hoje



Com o alto patrocínio da folha do pequeno grande arquitecto

O cloro



A SIC-N dedicou a noite de sexta-feira a um balanço da actividade do Governo durante os primeiros dois meses. Pedro Adão e Silva, um dos participantes no debate, diz a dada altura:
    ‘Eu acho sinceramente que estamos aqui perante duas hipóteses (e não vejo uma terceira hipótese):

      • Ou o que se passou foi um colossal embuste, em que o PSD andou meses e meses a fio, por um lado, a nacionalizar a crise e, por outro, a dizer que tinha a solução mágica para todos os problemas e sabia que isso não era verdade;
      • Ou, alternativamente, Pedro Passos Coelho acreditava mesmo que a crise era portuguesa e que se resolvia tudo cortando nas miríficas gorduras do Estado.

    Eu, sinceramente, hesito sobre o que se passou exactamente: se é um problema de embuste ou de falta de consciência. Prefiro que seja um embuste, sinceramente, porque acho que mesmo assim prefiro alguém que fez e teve uma linha para ganhar eleições (mas que não acredita e sabia que não era exactamente assim) do que alguém que não tem consciência da realidade.’

No caso em apreço, admito perfeitamente que as duas hipóteses colocadas possam estar casadas. Portanto, parece haver a forte probabilidade de uma terceira hipótese: “ambas as outras duas”. Em defesa da minha tese, reproduzo um extracto de um contributo de Passos Coelho para uma obra intitulada Histórias da JSD (p. 63):
    ‘(…) Estávamos num conselho distrital e o Presidente da Comissão política Distrital da altura levantou um problema de “cloro”, porque depois de consultar os estatutos entendia que não havia “cloro” suficiente.

    Toda a gente achou muito estranho. “Mas o que é o cloro?”, “o que será o cloro?”, perguntava-se.

    Porém, como a pessoa que tinha feito a referência ao “cloro” era um entendido na sempre inexpugnável, quase metafísica, área dos estatutos, toda a gente ali presente acho que o “cloro” seria uma coisa demasiado importante sem a qual será impossível tomar decisões. E a reunião lá prosseguiu, reposto o “cloro”…’

Hoje, já não é a “área dos estatutos” que é “sempre inexpugnável, quase metafísica”. É a “área” da Constituição da República. O resto é o que se vê.

O pânico de Passos

• Pedro Adão e Silva, PORTEM-SE BEM [ontem no Expresso]:
    ‘A paz social, em particular em contextos de austeridade, tem naturalmente de envolver os sindicatos, mas, no essencial, depende de maior equidade na distribuição dos sacrifícios. A este propósito, vale a pena tomar atenção ao que Nouriel Roubini disse, esta semana, em entrevista ao “Wall Street Journal”. Ao mesmo tempo que chamava a atenção para o processo em curso de autodestruição do capitalismo, o economista que previu a crise do subprime sublinhava que estamos a assistir a uma redistribuição maciça do trabalho para o capital, dos salários para os lucros, o que tem gerado aumento da desigualdade de rendimentos.

    Se a Europa e o Governo português escolhessem um caminho de maior equidade, talvez não temessem a instabilidade na rua e não precisassem de apelar aos sindicatos para se portarem bem. Como se não bastasse tudo o resto, os governos europeus parecem preferir o policiamento à solidariedade.’