terça-feira, agosto 31, 2010

Ainda que mal pergunte… [10]

O Prof. Marcelo não esteve no Fórum de Ideias Socialismo 2010 do Bloco de Esquerda, mas levou a mensagem de Francisco Louçã à Universidade Verão do PSD, quando tirou da cartola a revolucionária afirmação de que "não há democracia plena com tantas assimetrias".

Agora que o sabemos tão preocupado com estas questões, propomos-lhe o seguinte exercício: o que aconteceria às ditas assimetrias se as políticas implícitas na revisão constitucional proposta pelo PSD fossem para a frente?

O outro acampamento

O Miguel já revelou as fantásticas imagens do Acampamento do Bloco.
Gostaria de mostrar aos nossos leitores se, na Universidade de Verão, reina o mesmo ambiente sadio, mas o PSD - talvez em consequência do avassalador discurso de Relvas - tem um banner que não nos leva a lado nenhum.
Fui, assim, obrigado a recorre ao 31 da Armada (o Albergue não tinha nada...) para saber onde se podem seguir os trabalhos da tal Universidade.
Eis o resultado da investigação:


Escreve no Hi5 aquele rapaz ao lado da rapariga loira: "Ó paizinho, se soubesse que vinha para aqui levar com uma homilia do Marcelo, tinha ficado em casa a ver a TVI."

Tenham medo, tenham muito medo!

Há quantos meses ouve falar do aumento das taxas de juro à habitação?
Há muitos.
Pois o Jornal de Negócios esclarece-nos hoje que, a acontecer, tal aumento só se verificará no Verão do ano que vem.

Conclusão: centenas de milhares de portugueses vivem, durante meses e meses, um clima de pessimismo, nalguns casos, dramatismo, por causa de algo que, afinal, talvez não aconteça, ou poderá acontecer muito mais tarde do que por aí anunciam.
Obviamente, tudo isto seria um excelente pretexto para discutir a responsabilidade social dos media. Se os media soubessem o que isso é.

O caminho marítimo para o socialismo (redescoberto em 2010)

O Bloco de Esquerda fez a sua rentrée em Braga. Curioso é ver o local escolhido para o efeito: a Escola Secundária Sá de Miranda, uma das centenas de escolas que estão a ser modernizadas. Foi uma excelente escolha: os militantes do Bloco puderam ver, ao vivo e a cores, como se defende a escola pública — enquanto ouviam Francisco Louçã a dizer que só ele defende o Estado Social.

Eis os momentos mais significativos do Fórum de Ideias Socialismo 2010:


Luís Fazenda revive o passado em Tirana.


— Ó Semedo, não relatas a tua experiência com o social-imperialismo?


Louçã dá autógrafo após ter discorrido acerca do sonho de Trotsky.


— Se eles já descobriram tudo, nós vamos falar de quê?


Momento de descontracção e regozijo após a redescoberta
do caminho marítimo para o socialismo em 2010.

♪ Woody Allen [3]

Hannah and Her Sisters (1986)

Harry James And His Orchestra (voz de Helen Forrest)

I've Heard that Song Before

Prova de vida


Correio da Manha de hoje


Não se preocupem, estou bem.

E Manuel Monteiro e o CAA é que eram populistas?

• Ferreira Fernandes, Referendo tipo "Mata? Esfola!":
    Paulo Portas quer um referendo que pergunte isto: "Querem que um delinquente apanhado em flagrante a cometer um crime seja, obrigatoriamente, sujeito a um julgamento, em regra nas 48 horas seguintes?" Paulo Portas tem ainda mais duas perguntas para referendar, todas à volta do mesmo. O Estado, perguntando: "Mata?" E o povo respondendo: "Esfola!"

Escola de quadros



Os campistas presentes no Acampamento "Liberdade 2010" parecem estar totalmente concentrados na aula ministrada por Francisco Louçã.

"Para que servem as ordens profissionais?"

É o título do artigo escrito por Vital Moreira para a edição de hoje do Público. Eis uma passagem:
    Em Portugal, como em muitos outros países, o Estado entregou às próprias profissões organizadas a tarefa de regulação e de supervisão profissional, designadamente no que respeita ao cumprimento dos deveres deontológicos e das boas práticas profissionais, bem como a punição das eventuais infrações (autodisciplina profissional). Ao contrário das associações de direito privado, que são de criação e de inscrição voluntária e que não dispõem de poderes de autoridade pública (salvo casos excecionais de delegação), as ordens profissionais - como se denominam oficialmente entre nós desde o início, copiando a designação italiana - são criadas por lei e são de inscrição obrigatória, como condição de exercício da profissão, sendo caracterizadas pelos poderes públicos que lhe são conferidos legalmente, designadamente na área da disciplina profissional.

    Como é inerente à sua natureza de organismos de base associativa, as ordens acumulam o exercício de poderes públicos, em nome e representação do Estado, com a representação e defesa dos interesses coletivos da respetiva profissão, o que lhe confere uma natureza dualista, que pode levar a verdadeiras contradições, sempre que a defesa dos interesses profissionais as conduzirem a opor-se às políticas públicas para o respetivo setor. Mesmo fora de qualquer conflito, há sempre o risco de as ordens dedicarem os seus meios e recursos financeiros mais à promoção dos interesses profissionais do que ao desempenho das tarefas públicas que as justificam. Como mostra a experiência, nossa e alheia, não é pouco frequente esta ocorrência. Se precisássemos de um exemplo flagrante, a Ordem dos Médicos serve como nenhuma outra.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Apostar decididamente no ensino privado - a Universidade de Verão [4]

Miguel Relvas acusou José Sócrates de “não sentir as realidades” e de “até meter dó pela forma como se agarra a alguns indicadores, por mais insignificantes que sejam”.

“O primeiro-ministro sofre do síndroma da bruxa, quando se põe em frente ao espelho e pergunta aquilo que nós sabemos”.

Referiu-se ainda ao líder do Executivo como alguém que tem “um discurso bipolar do ponto de vista político”.
Miguel Relvas, alegado político




Parece que, afinal, a tal Universidade de Verão só começa amanhã.
Hoje, para ambientação, o espaço foi entregue a um jardim infantil, convenientemente animado por um stand up de segunda linha, desses que passam na tv cabo fora de horas.
Relvas, o 'braço direito', entremeou umas inconsequências acerca do Orçamento de Estado e umas incoerências sobre a governação, com umas tiradas que cruzam a irresponsabilidade do BE e a laracha imberbe do dr. Portas. Ou seja, um autêntico momento jota.
Para primeiro dia, não esteve nada mal.
Os participantes no happening de Castelo de Vide tiveram uma aula prática sobre este PSD: na falta de argumentos, insulta-se o adversário; na ausência de estrutura - digamos moral, mental, cívica, o que quiserem - para articular uma ideia que seja, atiram-se uma piadas, nem sequer bem sucedidas.
Felizmente, a coisa está a ter uma boa cobertura televisiva - os portugueses têm, assim, uma oportunidade de ouro para tomarem contacto com a tropa fandanga que - não se riam! - pretende governar Portugal.

A política de verdade faz-se a partir de Bruxelas

João Marques de Almeida, assessor do presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso, dá-se ao luxo de mandar uns palpites avulsos sobre os diversos países da União. A política europeia anda muito estranha.

Organizem-se!


Martins da Cruz, à direita, junto a outras forças vivas, na apresentação de Change



A ideia inicial parecia sensata: escondia-se Passos Coelho e só falava Miguel Relvas para evitar dissonâncias. Com o passar do tempo, ninguém resistiu às luzes da ribalta e o desconcerto é generalizado. O terrível Ângelo vem, de 15 em 15 dias, lembrar-nos de que é ele, como dono da bola, que dá a táctica; Marco António, farto de se ler nos jornais regionais, fala ao país do défice com a experiência de quem deixou Gaia à beira da ruína financeira; Paula Teixeira da Cruz, que também tem coisas para dizer, conta-nos que por ela o Tribunal Constitucional acabava hoje, reduzindo-o a uma secção do Supremo (“ideia” já explanada por Menezes quando removeu Mendes da São Caetano); não há cão nem gato da comissão de revisão constitucional que não venha a público dar um tabefe a Paulo Teixeira Pinto; Leite Campos, em nome dos clientes, vem espernear que a carga fiscal é um atentado ao Estado de direito, quando Portugal está abaixo da média europeia.

Hoje, para não falhar, Miguel Relvas vem, pela milésima vez, defender cortes na despesa (sem dizer em que áreas), enquanto um dos mais importantes apoiantes do novo PSD, Martins da Cruz (ex-assessor de Cavaco, ex-ministro de Barroso e actual servidor da Câmara de Gaia), diz que, com esta mania do Governo de cortar na despesa, “ainda vivemos no esquema que Salazar instalou nas Finanças”.

Não dava para pedir ao inner circle laranja que se levantasse meia hora mais cedo, fazendo-se logo um briefing pela fresquinha para evitar este desconcerto? Nem era a mim que cabia fazer sugestões, mas vendo o estado a que as coisas chegaram...

Passatempo de Verão

O cargo de Presidente da República é para outra fase da vida. E eu ainda tenho a mania que sou muito jovem”, até porque, neste momento, “estou a desenvolver um projecto no Alentejo com os meus filhos, agora sou um bocadinho agricultor, a semear aveia, a tratar da vinha, dar sentido à vida”. De quem são estas palavras? Escolha uma hipótese e confira depois se acertou:
    • Bernardino Soares;
    • Pedro Abrunhosa;
    • António Bagão Félix;
    • Henrique Medina Carreira;
    • Pedro Santana Lopes;
    • Tim (Xutos & Pontapés);
    • Ângelo Correia;
    • Francisco Louçã;
    • Marcelo Rebelo de Sousa.

Da série "Frases que impõem respeito" [492]

O Bloco de Esquerda é o único partido que se empenha convictamente na derrota de Cavaco Silva nas eleições presidenciais.

Francisco Louçã, num raríssimo assomo de modéstia do único partido que representa a Esquerda em Portugal, do único partido que denuncia o Grande Capital em Portugal, do único partido verdadeiramente preocupado com os portugueses. Tudo isto muito con-vic-ta-men-te

Pateta pró-vida



A luta contra a lapidação por adultério é uma causa simpática.” Mas os manifestantes têm a certeza de que não foram manipulados? Tenham em atenção estes dois argumentos: O pobre do Miranda, de tanto olhar para o ecrã, ainda acaba os dias a escrever sobre as “calças descaídas”¹.

_________
¹ É para aí a segunda ou terceira vez que o pequeno grande arquitecto escreve sobre as “calças descaídas”, ams. Consta que se tende a odiar o que não se pode amar.

Apostar decididamente no ensino privado - a Universidade de Verão [3]

Ao contrário do que os spinners laranja por aí andam a espalhar, este senhor não vai a Castelo de Vide.

Apostar decididamente no ensino privado - a Universidade de Verão [2]


Guilherme d'Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, é uma das presenças anunciadas no evento de Castelo de Vide.
Esperemos que se cruze com o actual líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, o qual, há cinco anos, por ocasião da nomeação do novo presidente do TC, opinou o seguinte:

A escolha de Oliveira Martins, deputado independente eleito pelo PS, é "negativa e preocupante", disse ao Público Miguel Macedo, secretário-geral do PSD. "Não estando em causa as suas qualidades e competências, é deputado do PS e foi, num passado não muito distante, ministro da Presidência e das Finanças. Para um órgão que tem como competência a fiscalização do Governo e das contas públicas, não nos parece que tenha sido o mais acertado", prossegue o dirigente social-democrata, lembrando que esta escolha "interrompe uma tradição de muito anos de ser um magistrado a presidir ao Tribunal de Contas".

Apostar decididamente no ensino privado - a Universidade de Verão

Uma das tradicionais iniciativas mais aguardadas da silly season começa hoje em Castelo de Vide.
Cem jovens "vão conviver" com "ex-ministros, cientistas académicos e premiados e até [?] com presidentes de tribunais", naquilo a que, com um boa dose de sentido de humor, se decidiu apelidar de Universidade de Verão do PSD.
O programa integral não é conhecido, mas entre os jovens são especialmente aguardadas as aulas de Direito Constitucional, nomeadamente as que respeitamàs questões de processo, por exemplo o "baralhar e voltar a dar", "a arte de bem dissimular" e "como escolher um presidente de uma comissão de revisão constitucional".
Não se confirma, porém e ao que sabemos, a presença de um famoso quarteto de humoristas para a encenação exemplificativa de uma reunião de uma comissão de revisão constitucional.

Um soluço à PNR



Pedro Vieira: o doutor portas é que sabe, do que a gente precisava
era de uma boa dose de julgamentos sumários


Paulo Portas, à semelhança de alguns ídolos históricos da direita mais reaccionária, pensa que tem uma ligação pessoal e directa com o povo. Ele sabe que o povo pensa como ele e quer julgamentos sumários, penas mais graves e o fim da liberdade condicional. Sabe porque, no intervalo das férias passadas longe deste povo mal cheiroso, anda pelas feiras e sabe o que dizem as pessoas anónimas. Mas também já sabia o que pensavam as pessoas, por exemplo, acerca da interrupção voluntária da gravidez. O problema é que se enganou. O problema é que, na melhor das hipóteses, faz uma festa de arromba quando atinge os dois dígitos, esquecendo que aqueles cuja demissão reclama com sobranceria multiplicam o seu score por três ou quatro.

A verdade porém é que Paulo Portas tem um fundo de razão. Compreensivelmente, as pessoas querem que haja pulso duro com o crime e não compreendem, às vezes, o desfecho dos processos. Mas Portas, que alegadamente é jurista, deveria compreender que os problemas não se resolvem fazendo estalar os dedos. O julgamento sumário tem sempre de acautelar situações residuais em que os tribunais entendem que é necessário obter mais prova. Se assim não for, lá se vai o princípio da separação de poderes.

Com efeito, as penas, só por si, não são garantia de uma eficaz defesa social. E o “famigerado” Código de Execução de Penas, como toda a gente já percebeu, aumenta os poderes dos tribunais, na concessão, nunca automática, do regime aberto aos reclusos.

Por que insiste então Paulo Portas na proposta do referendo, que tem contra si a agravante de se referir a matérias muito técnicas, em que é difícil fazer perguntas simples e claras?

O Prof. Marcelo, uma ilustre autoridade em matéria de referendos, que usou como arma política quando liderou o PSD, já o desautorizou pelo “mau uso” deste instituto constitucional…

A razão que explica a iniciativa de Paulo Portas é outra: o líder do CDS-PP quer evitar a sangria do seu partido à custa do efeito de bipolarização entre o PS e o PSD. Mas Portas pode dormir descansado. Para alcançar esse efeito, basta que não faça propostas de revisão constitucional inspiradas no PNR. Depois, como se tem visto, é só esperar pelos disparates alheios…

♪ Woody Allen [2]


Stardust Memories (1980)

Django Reinhardt

I'll See You in My Dreams

EUA → Europa?

• Helena Garrido, Novas nuvens na economia:
    O facto de o problema financeiro estar controlado apenas significa para Portugal que terá mais tempo para moderar os problemas que virão quando a Zona Euro começar a recuperar de forma robusta. E, desse ponto de vista, é uma oportunidade para cada um, empresas, famílias e Estado, melhorarem a sua situação financeira, reduzindo o peso das dívidas com mais poupança, antes que tudo volte ao normal e as taxas de juro comecem a subir.

    O obstáculo que se coloca a curto prazo é o de resistir a uma nova recessão. A Alemanha está a revelar-se a grande âncora europeia, com uma recuperação que surpreendeu toda a gente. Mas ninguém sabe se conseguirá resistir a um novo mergulho da economia norte-americana. No passado não o conseguiu. A expectativa do presente é que o consumo que vem da Ásia seja capaz de acabar com a dependência europeia do consumo norte-americano.

Moita de Deus, apresento-lhe o dr. Francisco Louçã; dr. Louçã, apresento-lhe o Rodrigo Moita de Deus

Sobre o Serviço Nacional de Saúde - assunto acerca do qual tenho batido umas bolas com o Rodrigo Moita de Deus - passo agora a palavra ao líder do Bloco de Esquerda.
Para Francisco Louçã, "José Sócrates só é incondicional numa coisa, no Mello".
Já Moita de Deus, acha que Sócrates anda a beneficiar a Caixa Geral de Depósitos.
Proponho, então, que conversem os dois. Que conversem muito. E, já agora, que não se esqueçam do BES. Que Diabo, também há-de ter direito a qualquer coisinha, não é Rodrigo?

Notícias do segundo semestre (IVA incluído)

Volume de negócios no comércio a retalho sobe 3%.

Notícias do segundo semestre

Clima económico estabiliza e confiança dos consumidores sobe.

domingo, agosto 29, 2010

Cerejo, o assistente [1]

José Augusto Rocha, advogado, escreve, no Público de hoje, um artigo de opinião intitulado Caso Freeport ou um jornalista disfarçado de "assistente". Dada a extensão do texto, dividimo-lo em duas partes:
    Não foi sem escândalo da sua consciência cívica que muitos cidadãos, leitores do jornal PÚBLICO, tomaram conhecimento da constituição do jornalista José António Cerejo (ora em diante só JAC) como "assistente" no inquérito judicial ao caso Freeport e, na sua sequência, têm assistido a um intenso e sistemático tratamento, descontextualizado e segmentado dos documentos e informações nele produzidas, em peças publicadas em várias edições do jornal.

    A iniciativa de constituição de assistente, em si e por si, e ainda pelas consequências que desencadeia, merece solícita atenção de denúncia e os artigos publicados um exame crítico urgente e inadiável, pelo seu significado de um jornalismo impróprio de um jornal de referência que é (foi?) o PÚBLICO.

    A peça do jornalista, publicada na edição do PÚBLICO do dia 10 de Agosto, sob manchete de primeira página, "Investigação ao Freeport não ouviu autor de DVD que fala de corrupção", foi a insuportável gota de água que fez transbordar a minha vigilância cívica contra atentados a elementares princípios de legalidade democrática e infracção a regras deontológicas irrecusáveis.

    Permita-se uma abordagem dos dois planos destacados como objecto da nossa preocupação: o caso da constituição de assistente e as infracções assinaladas.

    Em jeito de proclamação ou manifesto, o senhor jornalista, após ter sido denunciado num canal de televisão, veio informar que se constituiu "assistente" por "razões de interesse público," mas que verdadeiramente o estatuto de assistente nada lhe interessa, antes e só viu naquele meio legal uma forma de, assim, instrumentalizar a lei e ter acesso privilegiado - fácil e integral - aos documentos do processo.

    Faz ainda a menção importante de que solicitou prévia autorização à Direcção do PÚBLICO e que tem, assim, a sua aquiescência. No mais, são visíveis as dificuldades explicativas em explicar o que não tem explicação possível, a não ser a de assumir o protagonismo de escrever uma página negra na história do jornalismo português, como já de seguida veremos.

    A primeira consideração a fazer é a de que JAC, ao constituir-se assistente no processo Freeport, sob prévia autorização da Direcção do PÚBLICO, torna-se parte no processo e contamina o próprio jornal nessa posição, transformando-o - ele próprio jornal - em agente processual interessado no jus puniendi dos inquiridos e em posição parcial e irreversivelmente desfavorável para de futuro comentar e informar sobre o caso, como se constata veio a acontecer.

    A constituição de assistente em processo penal torna o assistente em auxiliar do Ministério Público na prossecução do jus puniendi em relação ao delito cometido. O assistente não pode estar no processo disfarçado de outra qualidade sobreponível ou não, no caso não pode estar no processo na qualidade de jornalista disfarçado e para aí vir a ter acesso privilegiado a documentos nele produzidos, com a exclusiva intenção de os vir a tratar num processo paralelo de comunicação social e sem as regras inerentes à sua produção e contexto processual, em manifesta posição de fraude à lei e a valores como o princípio da legalidade, com ancoragem no ordenamento jurídico-penal e constitucional.

    O acesso aos documentos de um processo pela comunicação social é legalmente transparente e de acesso igual e não preferencial a qualquer jornalista. JAC, ao constituir-se assistente no processo para nele assumir o papel de intruso e espião da documentação produzida, instrumentaliza a lei e coloca em sério risco a credibilidade da legeartis do exercício da profissão e em situação de prejuízo e alerta judicial restritivo futuro os direitos dos jornalistas ao seu acesso, nomeadamente com a adopção de medidas legislativas que evitem os abusos de direito configurados por actuações tão anómalas como a descrita.

    Como se isto não bastasse, o jornalista em causa tem vindo a escrever no PÚBLICO, com base nessa intervenção e nesses documentos, um conjunto de artigos tendenciosos e de manifesta ausência de formação de respeito pela legalidade democrática, pretendendo, com eles e à viva força, tornar arguido quem no âmbito do processo nem sequer foi constituído arguido e, por isso, está completamente inocente.

Cerejo, o assistente [2]

Segunda parte do artigo de opinião de José Augusto Rocha, intitulado Caso Freeport ou um jornalista disfarçado de "assistente":
    Vêm as considerações precedentes, a propósito de um dos últimos artigos publicados e acima identificado, onde estão grosseiramente em causa dois comportamentos indesculpáveis. O primeiro, refere-se, num desesperado desejo de incriminação de José Sócrates, à questão da nulidade absoluta do DVD gravado clandestinamente e onde, segundo um depoimento anónimo de "um juiz que acompanhou de perto algumas fases da investigação e um procurador-geral adjunto, que pediram para não ser identificados, manifestaram a opinião de que essa questão [a da não audição do seu autor] podia ter sido ultrapassada a bem da investigação". Afigura-se inacreditável que um jurista possa, perante um documento de prova absolutamente nulo e, por isso inexistente no processo, defender e sugerir a maneira enviesada e de grave fraude à lei da sua indirecta relevância e que um jornalista de formação democrática possa ser o lugar e meio da passagem de uma mensagem tão lesiva da vida privada, promovendo-a numa peça jornalística de ampla divulgação.

    A segunda infracção a reter é o facto de em matéria de tanto melindre o jornalista ousar atribuir uma opinião juridicamente tão grave e desvaliosa a uma fonte anónima de juristas tão qualificados, com isso infringindo normas essenciais da deontologia profissional de jornalista, sabendo os efeitos devastadores que a mensagem produzida pode ter, junto do público, nos direitos de personalidade do cidadão que se pretende atingir.

    Existe em José António Cerejo uma atitude que subliminarmente se comove com as representações de legalidade do passado e as estridentes proclamações do interesse público, que invoca, confundem-se com as ressonâncias da arcana fórmula do interesse público totalitário do antigamente, omnipresente e de triste memória no "A Bem da Nação". Cultiva-se, assim, aquilo a que se pode chamar uma envergonhada sobrevivência da "polícia", que no caso sobrevive não obstante todo o descrédito.

    JAC procura, no caso Freeport, um processo de uma selecção de informação e documentos e no ambiente próprio e privilegiado de comunicação, de que dispõe, a sua transformação em opiniões e mensagens políticas em relação a ele, num quadro em que os leitores não têm uma informação contextual e um envolvimento cognitivo suficiente e necessário de resistência a mensagens unilateralmente persuasivas, mesmo em relação a argumentos inconsistentes, com as suas predisposições culturais e políticas.

    A emergência de uma opinião pública do público, pelo público e para o público só se alcança a partir do reconhecimento da necessidade de apoiar a diversidade de opiniões, de forma a proteger o dissenso e a assegurar de forma permanente a riqueza do debate público. Subjacente a este entendimento está uma valoração positiva do pluralismo e da dialéctica da diversidade, porque só assim a esfera do discurso público pode ser desinibida, robusta e amplamente aberta.

    Ao intervir neste debate, faço-o com a exclusiva preocupação de diurnamente actuar a promessa encerrada na letra e espírito do ordenamento jurídico-constitucional e ser o eco do grito de alarme contra as perversões da legalidade democrática e dos direitos de cidadania, sob qualquer forma de violação que assumam. É uma actividade cívica de tensão e intenção, um trabalho simultâneo de Prometeu e Sísifo. Sim, porque são comportamentos como os descritos que não raro conduzem às "aberturas de horror" e a processos sociais de clivagem onde contra o desespero não há medicina que impeça o recurso aos feiticeiros...

Viagens na Minha Terra

    • A.R., Um país de assistentes:

      É óbvio que é o que o Código de Processo Penal não pretende nem o bom senso, no resto, aconselha.

    • Filipe Nunes Vicente, NOTÍCIAS DO BLOQUEIO:

      (…) Acontece que esta direcção do PSD é um soluço. Assentou no regresso da máquina autárquica menesista-botista ressabiada com MFL e com o "partido lisboeta", contratou um janízaro ( Ângelo Correia) que o líder "ouve quando quer e quando não quer" e acolheu um corpo expedicionário avulso: oportunistas, vira-casacas e, inevitavelmente, alguma gente de boa vontade (…).

    • João Pinto e Castro, Discernimento e ausência dele:

      Vasco Pulido Valente leu no jornal que mais portugueses confiam em Bruxelas do que no seu governo nacional para resolver a crise. Deduziu disso (v. Público de hoje) que "a Europa serve de conforto ao desespero do indígena", que "a democracia levou os portugueses à irresponsabilidade" e que esperamos que "a salvação venha de uma força superior estranha à mísera realidade portuguesa". Se tivesse consultado o Eurobarómetro que cita, saberia que, tirando a Roménia e o Reino Unido, em todos os restantes países da União Europeia se acredita que Bruxelas tem mais condições para resolver a crise internacional do que os respectivos governos nacionais. O que, diga-se, só abona em favor do discernimento popular. (VPV reproduz levianamente uma série de outras mentiras constantes do artigo de jornal que leu. É normal, num patarata que não tem qualquer preocupação de se informar previamente do que fala.)

    • Vital Moreira, SNS:

      Só os liberais de direita radicais que rodeiam Passos Coelho é que não se dão conta que numa sociedade decente todos devem ter acesso aos cuidados de saúde sem terem de suportar individualmente os respectivos encargos no momento em que precisam deles. Nem os que têm meios económicos devem ter de arcar pessoalmente com dispendiosos gastos de saúde quando sofrem um acidente ou contraem uma doença grave, que obviamente não procuraram. Já basta o infortúnio da doença. Os cuidados de saúde não são serviços como os outros (…).

    • Carlos Barbosa de Oliveira, Barroso, o compreensivo
    • Eduardo Pitta,
    HOJE OS CIGANOS. E AMANHÃ?
    • f.,
    pornografia indeed
    • João Lopes,
    A política segundo Marcelo Rebelo de Sousa
    • João Pinto e Castro,
    Desemprego de palermas continua a diminuir
    • Miguel Marujo,
    Spin
    • Osvaldo Castro,
    Passos,exemplo de demagogia e irresponsabilidade
    • Shyznogud,
    Post-it de bendizer
    • Val,
    Bloqueados
    • Vital Moreira,
    Um pouco mais de objectividade, sff

♪ Woody Allen [1]


Play It Again, Sam (1972)

Dooley Wilson (ou Elliot Carpenter?) com a voz de Ingrid Bergman

As Time Goes By

sábado, agosto 28, 2010

Do direito à perplexidade (au ralenti)

Sócrates disse a 21 de Agosto:
    “Se há para aí alguém no PSD que pensou que podia fazer uma negociação com o Partido Socialista trocando a revisão constitucional por qualquer apoio para um qualquer Orçamento do Estado, desengane-se, porque nós não trocamos o Serviço Nacional de Saúde, nem o sistema público de educação, nem a liberalização dos despedimentos por nenhum apoio, por mais importante que ele seja”.
A resposta de Passos Coelho chegou a... 28 de Agosto:
    “Fiquei perplexo com essas afirmações do primeiro-ministro, porque ninguém no PSD, nem eu próprio, algum dia colocou tal condição.”
Por que Passos Coelho demorou uma semana a ficar perplexo? Será que:
    • Os serviços da São Caetano são a tal ponto incompetentes que nem informam Passos Coelho do que se passa cá fora na vida real?
    • O circuito prévio de aprovação das declarações de Passos Coelho é demasiado burocrático, sendo que nem sempre o terrível Ângelo está disponível para exarar o despacho final de autorização?
    • Só ao fim de uma semana houve consenso na comissão política sobre o adjectivo a utilizar, quando Marco António rapou do Servo de Deus de Aquilino e leu com voz encorpada: “Dois fantasmas, que hora a hora lhe erguiam pela frente, o mantinham espavorido e perplexo”?
Ninguém sabe ao certo.

Era só para assinar de cruz


[Correio da Manhã, 28 Ago 10]

No thriller em que se tornou o processo de revisão constitucional, já nem se percebe se o que se vai sabendo é mesmo real, se é pura invenção para justificar  os inevitáveis recuos. Muito edificante, de qualquer forma.

O adeus da borboleta

MySpace Comments

Uma pena. Mas as borboletas são mesmo assim. Fáceis de apanhar. De vida curta. Uma injustiça da natureza.

Homem prevenido: do novo coelho na cartola (para o momento oportuno) ao PR que aperte os calos ao Governo


Ângelo, o terrível, no Pabe



Após dois dedos de conversa com Sousa Cintra, Ângelo Correia senta-se e envia recados ao país através do Expresso: “Ainda a garoupa fria com salada russa não chegou à mesa e já vai bem acesa a conversa sobre a vida política portuguesa.” Eis então uma síntese da conversa, por vezes relatada pelo semanário em discurso indirecto:
    Não há duas sem três

    Depois de Menezes e Passos Coelho, quem poderia liderar o PSD? “O Rio”, diz o terrível Ângelo, apresentado pelo Expresso como “especialista em estratégia”, “área na qual vai, aliás, avançar para o doutoramento” (sobre o consulado de Menezes?).

    Pai da Constituição

    Ângelo Correia volta a defender a proposta laranja (admitindo, no entanto, mudanças na razão atendível para o despedimento), lembrando que três dos artigos até foram redigidos por ele”, informa o Expresso. Um dos artigos já se sabe qual é.

    Eleições presidenciais

    O terrível Ângelo entende que Cavaco “vai ser eleito calmamente”, mas que depois mandará às urtigas a cooperação estratégica e as actuais juras à Constituição: será um segundo mandato “à Soares, mais interventivo”. Como? Ora bem, lê-se em discurso indirecto, “vai apertar os calos ao Governo como até aqui não fez.”

    Reviver o passado na São Caetano

    O terrível Ângelo assegura que Cavaco “já não tutela o PSD” e que o consulado da malograda Dr.ª Manuela foi mesmo o “último reviver de uma concepção cavaquista”.

    Massa crítica do PSD

    Sobre a circunstância de o PSD de Passos Coelho estar confinado a Relvas, Nogueira Leite, Marco António, CAA e ao Albergue Espanhol, o terrível Ângelo tem, segundo o Expresso, uma “tirada inesperada”: “Passos tem de abrir” às elites: uma, duas, três, muitas Elizabeth Butterfly.

    Passos é um Ângelo boy (expressão do Expresso)?

    Oh, não, longe disso. Nem sabia o discurso do Pontal”, assevera o terrível Ângelo. Mas, como a natureza humana está sempre ao virar da esquina a pregar-nos partidas, o mentor confessa que tem “influência” sobre o presidente do PSD: “Ele ouve-me quando quer… e às vezes quando não quer”. Um tau-tau a tempo e horas, dizem, nunca fez mal a ninguém.

    O destino de Portas

    Para o Governo, assume sem complexos um acordo com o CDS”, diz o Expresso. Portas a ministro? Resposta do terrível Ângelo: sem dúvida, “mas na Administração Interna, a prender bandidos e a apagar incêndios, e não no Ministério dos Negócios Estrangeiros”.
Aqui se tem o ABC do passismo contado pelo criador.

Órgão oficial está escolhido. Agora, falta a oficialização da candidatura


[Na foto, o Presidente procura no horizonte sinais acerca de qual será a melhor altura para o anúncio oficial]


Após a luta sem quartel a que assistimos nos últimos meses (começou faz agora mais ou menos um ano, lembram-se?) pela honrosa distinção de Jornal Oficial da Recandidatura, o Correio da Manhã - que hoje oferece aos seus leitores seis-páginas-seis absolutamente históricas - parece ter ganho definitivamente a batalha.
Grande dúvida: e os outros, ficam-se?

Leituras [2]

• Pedro Adão e Silva, Os suspeitos do costume:
    Por cá, em matéria de imigração, há ainda um consenso importante entre PS e PSD. Mas quando a situação se complica, aperta-se o cerco aos "malandros dos beneficiários do rendimento mínimo" e faz-se disso bandeira da contenção da despesa. É, de facto, o caminho mais fácil.

Jazz na despedida de Agosto [13]


Oscar Peterson

Leituras [1]

• Paul Krugman, Olha que rica ideia:
    Não, não; nada disto tem contornos de uma boa política económica. Tem a ver, isso sim, como eu disse, com uma cultura política disfuncional e corrupta, na qual o Congresso não toma medidas para reanimar a economia, que alega falta de fundos quando se trata de proteger os empregos de professores e de bombeiros, mas afirma não haver problema financeiro algum quando se trata de fazer poupar aos muito ricos o mínimo incómodo financeiro.?

    Até agora a administração Obama tem-se mantido firme na sua oposição a esta pouca-vergonha. Esperemos que consiga vencer esta luta. Sem isso, vai ser muito difícil não perder completamente a fé no futuro dos EUA.

Continuamos?

Rodrigo,
Obviamente, as questões centrais do Serviço Nacional de Saúde não são o papel e a alegada predominância da Caixa (HPP) no sector privado e na relação com o Estado.
Sobre esse aspecto, que o preocupa em regime de exclusividade, só tenho um argumento: e os outros privados? Não fizeram o mesmo (seguros de saúde, hospitais, investimento...) porque não quiseram.
Simples.

Moita de Deus, não dês ouvidos a Passos Coelho; Passos Coelho, não ligues ao que diz o Moita de Deus

Para o líder do PSD, a discussão do Serviço Nacional de Saúde limita-se a uns innuendos, em que se fala de Estado, de privados e de parcerias público-privadas, sem que se perceba muito bem qual a lógica que preside ao raciocínio.
O Rodrigo poderia dar-lhe mais uma dicas... E o Carlos Nunes Lopes também, quando acabar o estágio.

sexta-feira, agosto 27, 2010

O fecho das escolas: as razões financeiras e as outras

Concordo com o teor do artigo de Manuel Caldeira Cabral ontem publicado no Jornal de Negócios: Racionalizar ou cortar. Mas o texto trata das razões financeiras, só tocando ao de leve nas questões pedagógicas, não menos relevantes. Não me parece que a aprendizagem dos alunos do 1.º ciclo saia beneficiada por ser ministrada em edifícios sem condições ou em que um só professor ensina, em simultâneo, alunos dos quatro anos do 1.º ciclo.

Eis um extracto do artigo de Manuel Caldeira Cabral:
    'A reacção da oposição e dos media às notícias sobre o possível encerramento de 700 escolas mostra como ainda está pouco interiorizada a necessidade de racionalização dos serviços do Estado. A única alternativa à racionalização é o corte de alguns serviços e transferências, ou o aumento das receitas.

    Será que é possível conseguir reduzir a despesa em 2, 3 ou 4 pontos percentuais do PIB sem fechar 700 escolas? É claro que é! O que não é claro é em que outros serviços públicos se propõem cortar despesa os que se opõem a esta medida de racionalização, nem de que forma o querem fazer.

    Não é possível diminuir a despesa pública sem eliminar alguns serviços úteis às populações, a menos que se consiga fazer uma fortíssima racionalização nas grandes áreas de despesa - a educação, a saúde e as transferências sociais.

    Estas três grandes áreas concentram cerca de 80% da despesa pública. Reduzir a despesa total de uma forma visível sem afectar nenhum destes sectores é pura demagogia, principalmente se nos lembrarmos que os restantes 20% incluem o exército, a polícia e o sistema de justiça.

    Aceitando a ideia de que a consolidação não pode apenas depender do aumento de impostos, restam três alternativas.

    (...)

    Por fim, é importante referir que nada disto significa o fim do Estado social. Diminuir a despesa pública em 2, 3 ou 4 pontos percentuais do PIB nos próximos dois ou três anos, significa que no fim teremos um Estado com 95% da despesa actual. Será ainda um Estado com maior peso na economia do que Portugal tinha no início dos anos 90. Pode é ser um Estado com o mesmo leque de serviços que hoje tem, desde que exista uma forte racionalização dos custos, ou um Estado com menos 5% ou 10% dos serviços hoje presta. É importante que, quando alimentamos simpatia por alguns dos protestos que hoje surgem, compreendamos bem esta escolha. Pois ela vai ser feita, a bem ou a mal.'

Parabéns!

Graças aos partidos da oposição, os tribunais, que tão prestimosos serviços têm prestado à Pátria, voltam a ter mais férias que o comum dos portugueses. Estão de parabéns, a oposição e o pessoal da Justiça.

'Tadinhos dos privados, que não os deixam trabalhar

Uma da muitas coisas que me causam perplexidade nos posts de Rodrigo Moita de Deus sobre o SNS:

- afinal de contas, se a CGD faz tanto dinheiro na área da Saúde, cá dentro e lá fora, com o Estado e sem o Estado, porque não fazem os outros grupos? Não me digam que o Estado (perdão, o Governo) os impede de fazer hospitais privados? Os que não os deixa investir no estrangeiro? Ou que trava a sua participação nas parcerias público-privadas?

Da série "Frases que impõem respeito" [491]


Passos Coelho irá recuar suavemente em posições mais polémicas ou carecidas de esclarecimentos complementares.
      Marcelo Rebelo de Sousa, na edição de hoje do Sol, sobre a revisão constitucional, anunciada no último congresso como a questão prioritária para o PSD

O que aí vem

• Pedro Adão e Silva, Más notícias para a esquerda:
    (…) Francisco Lopes não é um parlamentar conhecido nem uma figura mediática. É muito mais relevante do que isso. Trata-se de um dos três membros do Secretariado da Comissão Política, uma espécie de "politburo" do PCP. Esta escolha representa, a curto e a médio prazo, más notícias para a esquerda. É certo que Jerónimo lembrou que o candidato da direita é o principal adversário. E que Alegre se apressou a saudar a decisão da Soeiro Pereira Gomes, confiando no Partido Comunista para mobilizar os seus próprios eleitores. Mas é evidente que o principal adversário do PCP nestas eleições (como noutras) é o Bloco de Esquerda. O PCP não deixará de querer recuperar a hegemonia do espaço à esquerda do PS, e para isso o seu candidato precisará de atacar o governo e o seu candidato presidencial. Como se viu em 2006, o resultado da divisão à esquerda não é a mobilização para a segunda volta mas a desmobilização logo à primeira.

EUA → Europa

Júbilo na São Caetano: “Não é possível evitar o abrandamento da economia dos EUA”, diz Roubini.

Já repararam?

No reboliço que anda hoje pelas bandas do banco do jardim de S. Amaro?
Parece um albergue espanhol.

Amanhã, em Lisboa



• Fernanda Câncio, Uma de cada vez:
    Há uma mulher no Irão condenada à morte por lapidação. Tem 43 anos, dois filhos (um de 22 e uma de 17), e, dizem- -nos, é culpada de "adultério "e de "envolvimento na morte do marido". Está presa há quatro anos. Este mês, o seu advogado fugiu do país e pediu asilo político. A seguir, a televisão iraniana difundiu aquilo que apresentou como a confissão desta mulher, uma voz sumida sob um véu, irreconhecível.

    Não, não é a primeira mulher a ser condenada à lapidação por adultério, no Irão (onde há mais 11 a aguardar a mesma execução) e fora do Irão. Não, não é novidade haver mulheres lapidadas por "relações sexuais ilícitas", algumas delas crianças, algumas delas vítimas de violação. Há imagens dessas execuções na Net, descrições atrozes que nos parecem mentira. Aliás tudo isto parece impossível de tão bárbaro, tão de outro mundo - um mundo onde se mata com pedras nem muito grandes nem muito pequenas para que a agonia dure, onde uma mulher pode ser o alvo de um jogo de acerta e mata por causa desta palavra, adultério, desta noção de que as mulheres são o mal e o corpo do diabo, feitas para castigo e submissão.

    Sim, apetece ignorar isto, apetece dizer: é tão longe e eu sou eu, só eu, que posso contra isto? Que posso fazer por ela, por essa mulher, Sakineh Ashtiani, da qual aprendi o nome nas notícias e o rosto sereno sob o véu negro numa foto talvez antiga, talvez de um tempo em que ela, como nós, achava impossível que isto pudesse ser, que pudesse acontecer-lhe, que fosse o nome dela nas cartas de celebridades e nos apelos do mundo, a cara dela nos cartazes e na TV, a vida dela a depender dos caprichos de um clérigo, de um "líder supremo", e talvez - talvez é talvez - também de mim?

    Posso isto, Sakineh, e perdoa que me junte assim aos que te fazem bandeira e causa e pretexto para grandiloquências, afirmações políticas e brilharetes e ultimatos e poemas. Posso dizer não. Posso dizer que não perdoo a quem não erga a voz contra a ignomínia e a obscenidade da tua condenação, contra a lei repugnante que te condena e o regime que a sustenta. Posso dizer que não admito que hoje, no meu mundo, no meu tempo, estas coisas se justifiquem com "diferenças culturais" ou "ordens internas"e não ocasionem protestos vigorosos de todos os governos que se querem decentes - a começar pelo do meu País. Posso dizer que vou estar atenta a todos os silêncios e que espero ver na primeira fila da tua defesa os que se afirmam apologistas incansáveis da vida e os que se reclamam de uma interpretação benigna do Islão.

    Sou só uma. Não posso muito. Posso só dizer: estou aqui, estou por ti. E por mim, porque tu e eu somos o mesmo, a mesma.

    Eu sou só uma, tu és só uma. É assim que começa. Amanhã, no Largo Camões, às 18 horas, Lisboa será uma das 103 cidades de todo o mundo a apelar pela tua vida.

Como se fazem notícias ao Sol

Infelizmente, há muito mais jornalismo feito assim do que se imagina ao ler jornais”, parágrafo com que Pedro Adão e Silva termina uma carta dirigida ao pequeno grande arquitecto Saraiva, a propósito do jornalismo criativo que se cultiva no luminoso Sol. A ler aqui.

China

• David Pilling, China mais perto do primeiro lugar do pódio:
    O Japão, enquanto "número dois", mostrou ao mundo o potencial da Ásia. A China, no mesmo lugar do pódio, é esse mesmo potencial consumado.

U - W - L

• Daniel Amaral, Ao pé-coxinho:
    Os gurus da economia andam baralhados. Esta é uma recessão em U, com a retoma já de volta? É uma recessão em W, tipo sobe e desce para gozar connosco? Ou é uma recessão em L, onde sabemos que começou mas não quando irá acabar?

A caminho da TVI24?


Ao se ler a entrevista da Sr.ª Guedes ao DN de ontem, fica-se a saber que as homilias do Prof. Marcelo já perderam mais de 25 por cento dos crentes que tinha quando o Governo PSD-CDS o removeu da estação de Queluz de Baixo em 2004. Os canais da TV Cabo podem ser uma saída airosa para este baque.

Ministro-sombra de Passos almoça com chefe do CC: trespasse à vista de Elizabeth Butterfly ou fecho do CC como condição para aprovação do OE-2011?



Depois de umas retemperadoras férias no Mediterrâneo (o Oriental, claro), António Nogueira Leite (a personalidade que passa por saber fazer contas no inner circle de Passos Coelho) está de regresso à política doméstica com a clarividência a que nos habituou, como se pode ver neste diálogo com um 31 da Sarrafada cheio de mesuras:

Jazz na despedida de Agosto [12]


Joshua Redman

Vamos lá então bater numa das poucas empresas que faz em Espanha aquilo que os espanhóis fazem em Portugal - ganhar dinheiro

Caro Rodrigo,
não precisa de insistir: já todos percebemos que o seu 'problema' não é com o Estado, ou sequer com o governo. É com a Caixa (HPP, para os mais distraídos). E até lhe faz confusão que a Caixa ganhe dinheiro lá fora e que, na sua lógica, todos lucremos com isso (a Caixa é o Estado, não é assim?)...

A mentira na primeira página

[Sol, 27 Ago. 10]

Iliteracia? Não, pura má-fé.

Vejamos.

No debate entre José Sócrates e Francisco Louçã, o líder do PS manifestou-se contra "a eliminação de todos os benefícios fiscais" na Saúde e na Educação (além dos PPR), prevista do programa eleitoral do BE. [excerto vídeo disponível aqui].

Esta posição de Sócrates é coerente com a moção apresentada ao congresso do PS que antecedeu as últimas legislativas:


E foi precisamente o que está na moção apresentada ao congresso do PS e no Programa do Governo que surgiu no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), apresentado em Bruxelas, no primeiro trimestre de 2010:




Muito simples: uma coisa é a eliminação dos benefícios fiscais (proposta pelo BE), tão injusta como a situação existente; outra, bem diferente, é o estabelecimento de tectos, em função dos escalões de rendimento, de forma a impedir que aqueles que mais ganham sejam, na prática, financiados no acesso à Saúde e à Educação pelos que menos ganham.

Não se entende a dificuldade do Sol em perceber algo tão linear. A não ser, claro, por pura má-fé.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Muito interessante, sim senhor!


[clique para ampliar, salvo seja]

Enfim... teremos sempre Massamá.


Que José Sócrates nunca poderia ser um "grande estadista" já todos calculávamos.
Agora que Pedro Passos Coelho não o seja...
Sinceramente, tanto spinning, tanto marketing, e depois vem este "maître à penser"  pôr tudo em causa.

Um atestado, sim um atestado

[DN, 26 Ago. 10]

Portugal é um país de invejosos, já se sabe. E de má-língua, também.
Imaginem que se chega a dizer à boca pequena que certas pessoas estão de baixa não estando doentes!
Incrível!

Coisas simples e objectivas


1. Um dos autores do Albergue Espanhol escreve sob pseudónimo.

2. Esse "autor" escolheu para pseudónimo o título de um conhecido site de sexo.

3. Esse pseudónimo insulta e faz insinuações sobre adversários políticos.

4. Pode dar-se o caso de estarmos perante alguém muito estúpido, já que, mesmo quando elogia as pessoas de quem gosta, fá-lo com um mau gosto tremendo.

5. Esse "autor" e os outros do mesmo blogue, que desde sempre se manifestaram acerrimamente contra a existência de pseudónimos na internet, tocaram a rebate e desdobram-se em justificações de apoio ao seu "autor".

6. Conclusão: podem utilizar-se pseudónimos, desde que adoptem nome de meretriz. Sendo assim, fica legitimado o insulto e a insinuação.

Há quem não acredite que Margaretha Geertruida tenha morrido na Guerra de 1914



Diogo Belford Henriques (e Isabel Moreira, ao fazer sua a argumentação do “meu Diogo”) omite que o aspecto mais relevante no meu post não eram as palavras do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, mas o comunicado do Conselho Superior de Defesa Nacional, presidido pelo Presidente da República, no qual explicitamente se faz alusão à criação de uma “célula de informações” no Afeganistão.

Numa notável entrevista que aparentemente saiu pela culatra à SIC-N (a avaliar pelas palavras iniciais de Ana Lourenço), José Vegar explicou por que entendia que a reacção de certos sectores era absurda (já que o ministro havia colocado a questão “em termos abstractos”) e até acrescentou que, vivendo agora nós em democracia, lhe parecia salutar a forma transparente de manter informados os cidadãos.

Mas talvez a questão só se tenha colocado por um “tão lamentável desconhecimento” do que são e do que fazem os “espiões”, como hoje salienta o General Loureiro dos Santos no Público. Ao lê-lo, fica-se com a convicção de que a ressurreição de Margaretha Geertruida Zelle não estará para breve:
    (…) Em primeiro lugar, convém esclarecer que um espião, segundo o dicionário da Academia, "é a pessoa paga por um governo para investigar e descobrir os actos políticos de uma potência, de um governo, de agentes políticos, de um campo inimigo, sem que estes suspeitem disso". A natureza secreta da actuação é aquilo que caracteriza o espião, conforme, aliás, o insuspeito dicionário Houaiss confirma, pelo uso dos advérbios "secretamente" e "clandestinamente". É o que se passa actualmente com alguns dos agentes de informações dos serviços de informações não-militares (SIS e SIEDM), semelhante, aliás, ao que ocorre nos serviços homólogos estrangeiros. E é o que se passou com a Divisão de Informações Militares (Dimil) e os Serviços de Informações Estratégicas e Militares (SIEM) existentes antes de os serviços civis terem sido criados, pela simples razão de estes não existirem. Nessa altura, existia nas Informações Militares uma unidade com células que efectuavam operações de informações cobertas. Registe-se que, mesmo antes do 25 de Abril, não existiam espiões militares, sendo esta função desempenhada pela PIDE.

    Nas Forças Armadas, os órgãos de informações são constituídos fundamentalmente por analistas que, trabalhando as notícias provenientes de múltiplas origens, chegam a informações que valorizam em função da credibilidade da fonte e da verosimilhança da notícia. Claro que algumas destas fontes poderão ser "informadores" pagos e outras serão obtidas pelos militares no decurso das operações, em contacto com a população, em ligação com forças amigas e através do uso de equipamentos de observação e vigilância. Aqui, os únicos espiões serão os informadores que consigam engajar. E não os componentes das Cismil que sejam destacadas.

    Não será necessário justificar a necessidade destas células, não só para servir a força destacada, mas particularmente para obter informações de natureza operacional sobre os teatros de operações susceptíveis de serem úteis no futuro ou noutros teatros, e de habilitarem os responsáveis das Forças Armadas para exprimirem a sua opinião, com conhecimento próprio, e não apenas importado de origens exteriores ao país, nos diversos fóruns de decisão, nomeadamente no Comité Militar e no Conselho de Defesa da NATO ou da União Europeia.

    Nada do que afirmei exclui a possibilidade de forças militares efectuarem operações especiais de alto risco para se obterem informações sobre aspectos relevantes para a manobra militar, utilizando mesmo meios aéreos ou navais. É o papel, por exemplo, dos nossos rangers de Lamego. E também é possível que sejam efectuadas operações para infiltrar espiões dos Serviços de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) em áreas específicas dos teatros de operações, se não existirem outras hipóteses de o conseguir. Por exemplo, serem colocados nas nossas embaixadas, a coberto do exercício de outras funções.

    A conclusão que conviria retirar da revelação de tão lamentável desconhecimento é a necessidade de os políticos (e jornalistas) serem bem esclarecidos sobre estas matérias. Se prosseguir a situação de ignorância crassa que foi revelada com este incidente, continuaremos a ver asneiras do calibre daquele a que assistimos, apesar de elas, por vezes, revelarem talentos insuspeitados para a carreira de actor, especialmente nas expressões da face que conseguem apresentar. Desde a indignação pelo perigo criado aos "espiões" que não existem e às forças militares onde, como consequência, se não encontram, até ao ar fúnebre exibido antecipadamente ao seu previsto sacrifício.

Tempo de Antena (2)

Amanhã, o Governo e a José de Mello Saúde assinam o contrato para a construção do Hospital de Vila Franca de Xira. Finalmente!
O leitor sabia? Não. Nenhum órgão de informação tinha dado a notícia. É aquilo que, em jornalismo, se chama uma cacha do Rodrigo Moita de Deus. E - dizem-me - o Rodrigo nem trabalha para o Governo...

Quanto ao substancial, temos:
1. Ao contrário do que pretende o Robrigo, o Governo não tem fomentado, ou protegido, a posição na saúde da Caixa Geral de Depósitos, através da HPP. Estão assim distribuídos os três novos hospitais públicos na zona da Grande Lisboa: Cascais (HPP - a funcionar); Loures (BES - em construção); Vila Franca de Xira (Mello - em construção a partir de amanhã).

2. Ao contrário do que o Rodrigo pretende, o Governo não está a apostar em nenhum sistema de saúde paralelo. Está a apostar na qualificação do Sistema Nacional de Saúde, nomeadamente através de parcerias público-privadas.
Nota: é sempre bom saber que, mesmo discutindo assuntos sérios, o Rodrigo nunca perde o sentido de humor. Como, por exemplo, pegando num texto do Portal da Saúde com um erro no título ("inauguração"), ignorando (!?) que no texto se fala em "cerimónia de apresentação".

— Afinal, mande-me mais um blindado, sff



Pode ler-se aqui:
    O contrato de compra das Pandur não pode ser rompido com base no atraso das entregas, pois o seu cumprimento "é feito lote a lote" e cada um corresponde a uma das 260 viaturas blindadas, disseram ao DN diferentes fontes conhecedoras do documento.

    Este é um dos vários "aspectos extraordinários" do contrato das Pandur de oito rodas - assinado pelo então ministro da Defesa Paulo Portas com a empresa austríaca Steyr - que o tornam desfavorável aos interesses de Portugal, sublinharam as fontes. Uma delas adiantou que aquela cláusula dos lotes não vincula o fabricante a entregar as 260 Pandur, pois "cada lote é uma viatura".

    No limite, se Portugal recebesse apenas uma dezena delas, não "podia fazer nada" quanto às restantes dado o teor da cláusula, precisou essa fonte.

    Outra das fontes apresentou mais um exemplo para fundamentar "a certeza" de que o contrato das Pandur - em que Portugal investe 364 milhões de euros, recebendo ainda projectos de contrapartidas superiores a 500 milhões de euros - "beneficia a outra parte": Portugal "paga multas muito superiores", em caso de incumprimento das suas obrigações (leia-se pagamentos), do que os montantes estipulados para as indemnizações a que a Steyr ficou vinculada (atraso na entrega de cada viatura).

A política de verdade recauchutada



Perante os repugnantes posts de uma tal Elisabeth Butterfly, João Villalobos procurou ensaiar a táctica de salvar os dedos, deixando ir os anéis: “sob a minha palavra de honra que a Elisabeth Butterfly não é pseudónimo de nenhum dos outros autores da casa”. Pior a emenda do que o soneto. A questão não é saber se o pseudónimo em causa é do António ou do Zé Pincel, mas verificar que no principal blogue de apoio a Passos Coelho, no qual se exibem figuras que ocupam cargos relevantes no actual PSD, é permitida — e até defendida — esta sucessão de posts tão repugnantes que nem Pacheco ousaria subscrever. “Atrás de mim virá quem de mim bom fará”, estará a pensar a Dr.ª Manuela.

Serviço Nacional de Saúde, caso prático

Início da obra: Janeiro de 2010
Previsão de inauguração: 2012
Construção e gestão em parceria público-privada: Espírito Santo Saúde
Ou, como diria Rodrigo Moita de Deus: "Em Portugal o maior grupo privado de saúde pertence ao Estado. Nos últimos seis anos o Governo Socialista alimentou uma rede de cuidados de saúde paralela que compete em recursos, oportunidades e competências com o próprio SNS."

Um governo que não governa

[DN, 26 Ago. 10]


[JN, 26 Ago. 10]

O Conselheiro Capucho, barão de Cascais, foi à SIC Notícias, dizer umas banalidades sobre a economia, Cavaco e o governo.
E lá desbobinou a cassete: que o governo não governa e que, se não quer governar, o melhor é ir-se embora.
Pois...

Jazz na despedida de Agosto [11]



Charlie Mingus