
Andy Warhol, Moonwalk
Smalltown faz parte de Songs for Drella, trabalho dedicado a Andy Warhol.

Smalltown faz parte de Songs for Drella, trabalho dedicado a Andy Warhol.

John Cale, ao vivo, com (I Keep A) Close Watch. Há versões diferentes nos álbuns Helen of Troy, de 1975, e Music for a New Society, de 1982.

Ao contrário de alguns leitores, houve quem não achasse tão inócuo o outdoor colocado em Lisboa por aquela organização de extrema-direita que comprou a sigla ao partido eanista:
• Rui Pena Pires, Pedro e o lobo, versão 2007 e Corporativismos
• Palmira F. da Silva, Da Natureza do Homem: lendas urbanas e outras histórias

Depois de assistir à “eleição” de Salazar como maior português de sempre, logo justificada por uns tantos comentadores que aproveitaram para desancar no regime democrático, fiquei ontem perplexo quando, ao chegar a Lisboa, mais precisamente ao Marquês de Pombal, vi um gigantesco outdoor em que um indivíduo de bigode e pêra deseja aos passantes que “façam boa viagem”.
De início, pensei que a TAP estava a lançar uma campanha de publicidade e que o cavalheiro seria um comissário de bordo. Mas não, tratava-se do líder de uma coisa chamada “PNR” a desejar que os imigrantes (pretos e estrangeiros em geral) abandonem rapidamente Portugal.
Esta propaganda xenófoba não surge por acaso. Este partido golpista — que não conseguiu reunir as 5.000 assinaturas necessárias para a sua legalização e fez uma negociata de ocasião para comprar a sigla do partido eanista e mudar os estatutos — sente-se à vontade para levantar a cabeça. As dificuldades económicas e sociais favorecem este despertar.
Mas os fascistas também se sentem certamente encorajados porque alguns magistrados e polícias, em vez de estarem atentos a estes fenómenos, tomam como inimigos do Estado de direito o Governo e a Assembleia da República, órgãos de soberania previstos na Constituição. Em especial, os sindicatos do sector passam a vida a gritar contra os perigos que ameaçam o Estado de direito, sem perceberem de onde eles vêm.
O PNR sente que chegou a sua hora. O facho e a palavra de ordem lá estão. Espero que os Dâmasos, os JM Fernandes, os Saraivas e tantos outros, que dedicam a sua superior atenção a assuntos de segurança e justiça, gastem menos tempo com a coordenação, o SISI e as leis criminais e não menosprezem o que realmente interessa. Que tal uma campanha de imprensa a explicar o que se move por trás do racismo, da xenofobia e do fascismo — ou serão assuntos que não vale a pena aflorar?
Luís Fazenda está neste momento a discorrer na SIC-N sobre os gestores públicos. “A prova do algodão”, disse o dirigente do BE, seria a existência de um estatuto dos gestores públicos. Empolgado, Fazenda sentenciou: — O Governo promete, promete, mas nunca mais sai o estatuto dos gestores públicos…Li os vários "posts" sobre esta discussão e permito-me chegar às seguintes conclusões:
1 - O Miguel não sabe o que é um reaccionário. O reaccionarismo é uma forma de conservadorismo que pretende, a propósito de determinada questão, voltar ao passado; é uma forma de conservadorismo nostálgico. Em nenhum dos postais de PA se verifica uma tal tendência. Trata-se, é certo, de posições conservadoras. Mas apenas isso. Recomendo-lhe, para breves noções, o Oxford Concise Dictionary of Politics na entrada "Conservadorism".
2 - O ódio, como se sabe, é susceptível de toldar o raciocínio. Por isso, o Miguel esquece ainda que as normas constitucionais não têm todas o mesmo valor. Algumas delas têm um valor tal que são um limite à própria Revisão. Outras, como precisamente a do casamento, limitam-se a fixar um quadro muito geral, deixando para o legislador ordinário a sua densificação. E, neste particular, ainda que se não queira, a Constituição remete para a lei ordinária. Ao fazê-lo é inequívoco que, num certo sentido, a Constituição adopta o conceito de casamento que consta do Código Civil. E também por isso, uma mera alteração da lei civil resolve a questão. E se isso suceder não custa a concluir que a Constituição, remetendo para a lei civil, acolhe o conceito de casamento como abarcando os homossexuais.
3 - Em terceiro lugar, como refere o primeiro comentador, deveria o Miguel distinguir entre ataques a opiniões e ataques a pessoas e não dirigir a estas o que devia apontar àquelas. É este ódio e esta reacção pavloviana a tudo o que não coincide com a sua perspectiva que prejudica o seu raciocínio e, pior ainda, a decência do seu modo de argumentar.
• Fernanda Câncio, Direito de cópia, ou cópia de direitos?
• Ricardo Matos, Ainda o casamento.
O presidente do Supremo Tribunal Administrativo arrasa, numa pequena entrevista, a administração fiscal. Mesmo sabendo-se que há, nas suas palavras, uma forte componente corporativa, porque o desempenho dos juízes dos tribunais fiscais tem muito que se lhe diga, a verdade é que Paulo Macedo não fica nada bem na fotografia. Nada que a equipa de marketing do director-geral dos Impostos não consiga refazer nos próximos dias. 
O sector das obras públicas e particulares e do imobiliário tem um regulador. É o IMOPPI, presidido por Hipólito Ponce de Leão. Com uma enorme candura, Leão já avisou que, “quando sair daqui, vou trabalhar no sector”.
Entretanto, através deste post, reparei que, quando terminou o mandato, o antigo presidente do Instituto de Seguros de Portugal, Rui Martinho, ingressou no Grupo BES. Depois de um estágio de seis meses na holding que detém a Tranquilidade, assumiu tranquilamente as funções de presidente do conselho de administração da seguradora.
Muito prestimosamente, e aparentemente a despropósito, o DN informa os seus leitores de que “não está em causa a violação do regime de incompatibilidades da entidade de supervisão.” Mas passaria pela cabeça de algum leitor que pudesse haver algum conflito de interesses entre as funções de regulador e regulado?

A TVI, inspirando-se num modelo estrangeiro, lançou um programa execrável que se destina a provar que as “mulheres boas” são burras por definição e os homens as preferem porque são submissas.
O programa é conhecido. Já nos tempos da Ditadura os políticos do regime identificavam as jovens “comunas”, “esquerdistas” ou opositoras em geral como camafeus frustrados que não se conseguiam realizar como mulheres. Fossem elas “boas” e arranjariam uns maridos catitas, com os quais viveriam numa beata estupidez, temendo Deus e as autoridades.
Nesta reprise do tema, tudo é mais soez do que no passado. As “estúpidas” devem mostrar as pernas e fazer um sorriso estranho quando lhes perguntam quem foi Eça de Queiroz ou Gorbachev. Nos homens, a libido aumenta na razão inversa da ignorância delas.
Só estranho que um homem inteligente como Rui Zink e uma mulher interessante como Clara Pinto Correia se disponham a alinhar nesta indignidade. Por favor, não me respondam com a velha conversa da liberdade de expressão. A única explicação que considero admissível é que têm contas para pagar ao fim do mês…
"(…) temos, por um lado, juízes que têm poucos processos e temos outros que estão sobrecarregadíssimos".
António Martins, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses
“O direito à imagem tem protecção constitucional (art. 26.º n.º 1), goza de resguardo na lei processual penal (art. 88.º, n.º 2 al. b) ) e está previsto na lei civil (art. 79.º, n.º 1).
Encontrando-se este direito fundamental dentro do campo dos chamados direitos de personalidade de primeira geração, confesso que não me interessa discuti-lo à luz do domínio privado ou processual. Interessa-me a sua abordagem ao nível da esfera pública e do interesse público. E nesta dimensão não compreendo como foi possível proteger a imagem do procurador João Guerra quando foi prestar um depoimento na Assembleia da República, tendo circulado por espaços públicos, tratando-se de uma personagem conhecida e referida amiúde na Comunicação Social.
Este jornalismo servil e de cócoras que não conhece os seus direitos e as regras da profissão prestou um mau serviço ao País. O mesmo se diga dos deputados da Nação, que foram nesta conversa. Face à Constituição e à lei civil era lícito fotografar e colher a imagem, nos corredores do Parlamento, do senhor procurador, sem quaisquer consequências criminais para os jornalistas. Ou já se esqueceram das constantes e graves violações da imagem, da honra e do bom-nome das pessoas que foram cometidas no processo Casa Pia durante a fase de investigação.
A imagem do procurador não vale mais do que a imagem das pessoas que foram vítimas desta barbárie. No caso do procurador prevalece o interesse público na recolha de imagem. Já na situação da Casa Pia deveria ter prevalecido o segredo de justiça, devendo os guardiões do templo, à época, ter protegido a imagem de terceiros. Não se pode ter dois pesos e duas medidas.”
“Todos aprendemos nos bancos de escola que, num Estado democrático, existem três poderes essenciais: o executivo, que governa e legisla; o legislativo, que legisla, controla a acção do Governo e garante a representação das diferentes correntes políticas; e o judicial, que administra a justiça, aplicando as leis criadas pelos outros dois (…).
Em democracia, o Governo não controla o Parlamento, o Parlamento não limita a independência dos tribunais, e os tribunais não interferem na acção governativa (…)
Ora, na situação portuguesa actual, tenho observado crescentes sinais do que me parece ser uma perigosa intromissão de um dos poderes na esfera do outro. Concretamente, do poder judicial na esfera do poder executivo. Há alturas em que me chego a perguntar se não estaremos a caminhar para uma situação, onde, qualquer dia, nos teremos de interrogar se quem governa é o Governo ou são os tribunais.”

Tina Weymouth
David Byrne e Tina Weymouth entretêm o público enquanto é montado o palco. E não fazem a coisa por menos: Heaven na sua expressão mais simples.
“Cá se fazem... Nem sempre a dita cuja se serve fria - por vezes, são precisos menos de 15 dias para a saborear.”
Carlos Abreu Amorim no Blasfémias
“Quando acabei o meu curso, a secretaria descobriu que, afinal, ainda me faltava fazer dez cadeiras. Dez, digo bem!
A coisa era tão disparatada, que nem sequer o esquema de precedências tinha sido respeitado. Por exemplo, a secretaria reconhecia que eu fizera Economia II, mas não Economia I.
Caso a caso, tive que provar que a escola estava errada e que eu estava certo. Não foi fácil, visto que, inclusive, um professor já morrera.
No fim, ficaram dois casos por resolver: o primeiro, por manifesta má vontade do professor, apesar de ele admitir lembrar-se que eu tinha feito exame e passado; o segundo, porque o docente se tornara governante e, nessas circunstâncias, era mais difícil falar com ele do que com o Papa.
Mandei-os passear. Nessa altura já trabalhava, e a licenciatura não era decisiva para poder ganhar a vida.
Anos depois, a instâncias da família, lá fui pela segunda vez acabar o curso. As duas cadeiras haviam-se transformado em três devido a alterações curriculares. Despachei o assunto em três meses.
Durante mais de vinte anos acontecia-me acordar a meio da noite a sonhar que me telefonavam da secretaria do velho ISCEF para me dizerem que, afinal, tinham chegado à conclusão de que ainda me faltava mais uma cadeira para concluir a licenciatura.
Um amigo a quem reportei o facto confessou-me ter recorrentemente o mesmo pesadelo. Fiquei a saber que casos semelhantes tinham ocorrido com vários outros alunos da mesma escola.
Não faço a mínima ideia se houve ou não alguma irregularidade com a licenciatura de José Sócrates. Não conheço nenhum dos envolvidos.
A única coisa que posso afirmar por experiência própria é que, infelizmente, a desorganização grassa em muitas universidades públicas e privadas. É verdade que passou muito tempo desde a minha absurda história, mas não creio que tenha havido grandes melhorias. Tanto quanto me parece, a única coisa que a investigação do Público prova é isso mesmo.
Mas, então, se o Público não apurou nada de substancial, por que é que publicou a peça? Não foi bonito.”
“Como leitor do PÚBLICO, que acompanha o jornal desde o seu primeiro número, não posso deixar de expressar a minha tristeza com a edição de hoje.”
Ainda ontem, no Portugal dos Pequeninos, João Gonçalves escrevia um post intitulado O INIMIGO, do qual se transcreve um extracto:
“O senhor engenheiro tem desde há alguns dias e agora com a certeza das palavras, um adversário declarado, bem mais imponente e decisivo do que toda a oposição junta. Belmiro de Azevedo "denunciou", antes de sair, quem é que o "tramou" na OPA. Mais. Até acrescentou que o pobre do ministro não contava.”
«(…) Santana Lopes não é alternativa para nada. Logo, também não o serão Sarmento e Arnaut. Jardim não tem lugar num partido que se dê ao respeito. Menezes foi o “génio” que viu em Sócrates o grande derrotado de 11/2. Rio gera demasiada animosidade. Ferreira Leite é excelente como tesoureira. Borges é um equívoco. A Marcelo ninguém acudirá se gritar “Fogo!”.»
ADENDA - Advertência de Tiago Mendes, autor do artigo de opinião publicado no Diário Económico e parcialmente transcrito no CC: «(...) Para ser um pouco picuínhas, a menção estrita ao PSD pediria um "alguma" em vez de "a" (direita em Portugal). Inversamente, o "a" pediria o acréscimo de (talvez [apenas]) isto: "com ou sem este ou outro Portas, o CDS-PP nunca poderá ser uma alternativa propriamente liberal e eficaz."» Está feita a correcção, Tiago.
2000 – 3,2 por cento;
2001 – 4,4 por cento;
2002 – 4,1 por cento;
2003 – 5,4 por cento;
2004 – 5,2 por cento;
2005 – 6,0 por cento.
"A receita fiscal portuguesa em percentagem do PIB mantém-se abaixo da média dos parceiros europeus, segundo dados divulgados esta terça-feira pelo Eurostat.
Na União Europeia alargada (UE-27) o peso global da receita fiscal (impostos + contribuições sociais) representa 40,8% do Produto Interno Bruto (41,2% na zona euro), enquanto em Portugal essa relação equivalia a 36,3%.
Tendencialmente, registou-se um aumento do peso da receita face a 2004, embora a curva dos últimos seis anos (2000-2005) se situe abaixo dos valores registados entre 1995 e 2000.
Tendo em conta as principais áreas da tributação, Portugal tinha a nona receita fiscal mais elevada no conjunto da UE-27 quando analisado o peso dos impostos sobre a produção e as importações (15,1%), face a uma média inferior a 14% na zona euro e no conjunto da UE, em 2005.
Quanto às restantes grandes categorias (impostos sobre rendimento e o património; contribuições sociais) o peso da receita fiscal no PIB português fica aquém da média obtida para as duas zonas de integração europeia."
«[o PGR,] quando questionado sobre se as novas leis que estão a ser elaboradas e aprovadas pelo Governo, no âmbito da Justiça e da Administração Interna, colocam em causa a autonomia do Ministério Público, Pinto Monteiro respondeu: "Na minha perspectiva, não".»
Além da nova Lei sobre Política Criminal, ainda em fase de anteprojecto, o Governo aprovou recentemente dois diplomas visando a criação do Conselho Superior de Investigação Criminal, presidido pelo primeiro-ministro e com participação obrigatória do PGR, e o Sistema Integrado de Segurança Interna, para coordenar os órgãos de polícia criminal e chefiado por um secretário-geral que ficará na dependência do chefe do Governo.»
• Um sistema integrado de segurança interna é um perigo para a separação de poderes? Porquê?
• A definição de prioridades da política criminal é um perigo para a democracia? Porquê?
• Carlos Fiolhais, HÁ TESOUROS NO QUIOSQUE
• Daniel Oliveira, Na República dos magistrados
• Helena Damião, O Mestre Mesquita
• Jorge Buescu, A raiz quadrada de toda a crença?
• Miguel Marujo, O LÍDER DA OPOSIÇÃO
• Palmira F. Silva, Os dinossauros de Deus
• Rui Pena Pires, My lord

Uma breve nota no Público de hoje refere que Tom Waits é um “modelo” para a Igreja Católica:
«O cantor-compositor Tom Waits ganhou um lugar entre os jesuítas de Roma. Waits, que tem como marca a voz de whiskey e canções sobre bares de má fama e pianos alcoolizados, foi escolhido no último número do jornal jesuíta Civiltà Cattolica (cujo conteúdo é sujeito a aprovação pelo Vaticano) como um modelo, que representa “os marginalizados e mal-entendidos”. O padre António Spadaro, 40 anos, tido como autoridade do Vaticano em música pop, disse que Waits, por ter vivido uma juventude cheia de “drogas, álcool e sexo” como um marginalizado na Califórnia, entendia as camadas mais baixas da sociedade e expressava “capacidade por esperança e instinto de busca da felicidade” em “canções autênticas, desprovidas de vaidade e ilusões falsas”.»
Toca a ouvir Tom Waits, por exemplo Cold Cold Ground.
Com que direito foi impedida a recolha de imagens à comunicação social quando o Procurador João Guerra se deslocou ao Parlamento para prestar declarações no âmbito do inquérito ao Envelope 9?
Porque é que, no entender dos leitores, o místico João Guerra não quer ser fotografado?


Afinal, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses concorda com o ministro da Justiça: a manter-se este quadro reduzido de férias judiciais, a solução seria mesmo acabar com as férias, para prestar um melhor serviço ao cidadão. Nessa altura, o Gato Fedorento poderá fazer mais uma rábula, virando a mão para a esquerda e para a direita e dizendo: — Férias para os juízes, sim! Férias judiciais, não!
Numa entrevista recente, Alberto Costa mostrou-se disponível para seguir esta solução. Às tantas, ainda se acaba por descobrir que o encurtamento das férias judiciais pecou por defeito…

Já não são apenas aqueles que adoptam ou promovem os costumes dissolutos que investem contra a fortaleza que representa a cabeça do Juiz Pedro Albergaria. Agora é um colega de blogue, Ricardo Matos, que pega num espanador para limpar o pó:
“Niilismo? Erotismo? Pessoalmente, prefiro humanismo democrático. Que, despojando-se de conceitos ou "princípios estruturantes" moralmente comprometidos (com uma qualquer maioria ou com uma qualquer minoria), deixa de impor limites à realização da pessoa, respeitando a individualidade de cada uma e as diversas formas legítimas (mesmo aquelas milenares) através das quais se manifesta.”

Começa a compreender-se por que está o Público a deixar de ser um jornal de referência. Para ilustrar uma notícia correcta sobre mulheres juízes, que na 1.ª instância já estão em maioria, como estiveram antes nas faculdades e estarão em breve nos tribunais superiores, o Público (na coluna Sobe e desce na última página) resolveu estampar a fotografia de Cândida Almeida, que surge com a setinha para cima.
Porém, os lapsos são muitos. O primeiro é que Cândida Almeida não é nem nunca foi juíza. Talvez venha a sê-lo, como já sucedeu a muitos outros procuradores-gerais adjuntos. A directora do badalado DCIAP consta de uma lista de graduações no Supremo Tribunal de Justiça, que foi objecto de um “carinho” mediático sem precedentes.
O segundo lapso é atribuir a um facto com mais de dez anos — a ascensão a procuradora-geral adjunta — a origem da seta ascendente actual. É caso para dizer que é uma seta lenta como o caracol.
Mas, pior do que isso, convém dizer, sobretudo aos leigos, que Cândida Almeida foi promovida a procuradora-geral adjunta por força de uma lista de antiguidade, em que o mérito teve um papel reduzido. Se hoje há mais candidatos do que vagas à categoria de procurador-geral adjunto, quando Cândida Almeida foi promovida, passava-se o contrário.
Por tudo isto, a afirmação de que Cândida Almeida não precisou de quotas para se alçar à actual categoria só pode ser entendida como piada de mau gosto do Público. Cabe perguntar:
• O que justifica, em termos de mérito, a escolha de Cândida Almeida para simbolizar as juízas ou as juristas portuguesas?
• Tendo a jornalista que a escolheu para acompanhar Paulo Bento (se eu estivesse no lugar dele protestava) nas setinhas ascendentes invocado a sua competência, será que estava a pensar na qualidade da obra de Cândida Almeida no Conselho Consultivo da PGR?
Sugiro-lhe que perca um bocadinho de tempo e leia as pérolas que ela por lá escreveu.
De qualquer maneira, há que ler com redobrada atenção o Público dos próximos dias, para ver se surge do nada alguma notícia sobre a investigação criminal, de preferência em fase de inquérito, que justifique retroactivamente a distinção ora concedida.
• João Pinto e Castro, Gostava de perceber e Português, demasiado português
• Fernando Martins, Verdade ou impostura?
• Bruno Cardoso Reis, A ditadura é capaz de não ser para hoje
• Santinho Antunes, Nova estrutura de comando elimina conflitos entre polícias
• Tomás Vasques, O velho, o rapaz e o burro...

A rádio não pára de promover o último álbum de Bryan Ferry com canções de Dylan: Mr. Zimmerman em smoking. Eis uma alternativa às versões delicodoces deste canastrão: Just Like Tom Thumb's Blues, que faz parte das escolhas de Ferry, interpretada por Neil Young, aquando do concerto para celebrar os 30 anos de carreira de Bob Dylan.


A Cimeira dos Açores, quatro anos depois:
• 650.000 iraquianos mortos;
• 3.500 militares estrangeiros mortos;
• 2.000.000 de refugiados.

The Last Thing on My Mind (do álbum Ramblin' Boy, de 1964): uma boa introdução a Tom Paxton.


Não sei se João Marcelino já dava cartas no DN antes de o seu nome aparecer no cabeçalho. Mas a notícia de que o Governo já fizera 2373 nomeações em dois anos tem as impressões digitais do Correio da Manhã: dados tratados de uma forma equívoca e superficial, título a não condizer com o texto, destaque desproporcionado para a relevância da notícia.
Vital Moreira já elencou algumas razões para explicar o que está em causa. Mas haverá outros aspectos a ter conta: a notícia mistura alhos com bugalhos e não explicita se as nomeações são o resultado do termo ou da renovação de comissões de serviço (cujos cargos não poderiam continuar vagos para facilitar a contagem a João d'Espiney).
A acreditar nas contas do jornalista, talvez a única conclusão a extrair é a de que, no mesmo período, o Governo de Barroso fez mais cerca de 500 nomeações. O retrato a traço grosso não permite extrair mais conclusões.
Mas o sempre atento Pacheco Pereira encontrou motivos para se indignar. A SIC referiu-se à notícia do DN e a RTP não. Nunca pensei que Marcelino tivesse tanta influência junto dos intelectuais cosmopolitas que nos habituámos a ler.

Marques Mendes foi, longos anos, presidente da Assembleia Municipal de… Oeiras e, durante os governos de Guterres, assumiu a presidência da Universidade Atlântica, criada com capitais do município de… Oeiras. Isaltino tratou, com enlevo, da sobrevivência de Marques Mendes. Nunca o líder do PSD encontrou motivos para se incompatibilizar com o presidente da Câmara — até ao dia em que lhe arranjaram emprego na São Caetano à Lapa.
Mas o que é verdadeiramente interessante é que o autarca, soube-se hoje, também deu uma mão ao resto da trupe de Mendes: Torres Pereira ascendeu à presidência da Universidade quando Marques Mendes foi para o Governo de Barroso e Paula Teixeira da Cruz, que anda por aí no mercado, segundo diz, tornou-se consultora jurídica daquela instituição do ensino superior.
Se o notável currículo académico de Torres Pereira o recomenda efectivamente para a presidência de uma universidade, não menos verdade é que a obra, no campo da investigação jurídica, de Paula Teixeira da Cruz lhe abrirá as portas que a presidente da distrital de Lisboa do PSD quiser. Tendo recebido cerca de 140 mil euros pelos pareceres que elaborou para a Universidade Atlântica, sabe-se que a comunidade académica aguarda, com indisfarçável ansiedade, poder conhecer os seus contributos para o desenvolvimento do direito em Portugal.

Ontem, conheceram-se resultados da Operación Suéter, lançada há cerca de quatro meses. Hoje, o órgão oficioso do Ministério Público contrapõe: Acusações do Furacão saem até Junho.

Fernando — Maria Cândida, sabia que, na Espanha, já têm resultados ao fim de quatro meses, enquanto a Operação Furacão já vai em quase dois anos e népia?
Maria Cândida — Está bem, Fernando, mas eu ando a fazer estudos muito importantes sobre a corrupção em geral. A longo prazo, o país há-de beneficiar disso.
Fernando — Mas se eu digo isso à imprensa, algum engraçadinho ainda me atira à cara que, a longo prazo, estamos todos mortos...
Maria Cândida — Não se rale, Fernando. Fazemos mais umas buscas e, se for preciso, eu dou uma entrevista ao Dâmaso a explicar a importância dos estudos. Esta estratégia nunca falhou até hoje.
Fernando — Ó ó Cândida, então... Mas os meios que lhe dei, com o reforço de dezenas de peritos fiscais, não lhe permitem andar mais depressa?
Maria Cândida — Pois, a questão dos meios… é que eles lá têm procuradores espanhóis.
O José, vê-se à vista desarmada, não anda bem. O abandono de Souto Moura deixou-o com os nervos esfrangalhados. Se antes já dava mostras de uma sempre notável incontinência, a situação tem-se agravado nos últimos dias. Salvo o contido benemérito de Santa Comba Dão, o José não suporta políticos. Detesta, sobretudo, aqueles que são legitimados pela vontade popular.• Não dizer bem de ninguém (quando o faz, VPV torna-se um chato insuportável);
• Não falar do que não sabe.
“A reforma em curso aumenta até as possibilidades de ressarcimento das vítimas de pequenos furtos.
Tendo em conta a importância e a disponibilidade dos interesses protegidos, os crimes podem ser públicos, semipúblicos e particulares.
O homicídio, a ofensa grave e o sequestro, por exemplo, são públicos, o que significa que são perseguidos e punidos mesmo sem queixa do ofendido. Já a ofensa simples, a ameaça e a violação de domicílio, entre outros, são semipúblicos e só originam um processo se houver queixa. Por fim, crimes como a injúria, a difamação e o ‘furto formigueiro’ (de coisa de valor diminuto) são particulares, o que significa que os ofendidos devem apresentar queixa e intervir no processo, constituindo-se ‘assistentes’.
Actualmente, o furto é particular quando a coisa subtraída for de valor diminuto (não exceder 96 euros) e se destinar a satisfazer uma necessidade do arguido ou de pessoa que lhe seja próxima.
Na revisão do Código Penal, foi introduzida uma alteração (proposta por um juiz e aceite por unanimidade pela Unidade de Missão), segundo a qual o furto de coisa de valor diminuto se considerará sempre particular, independentemente da satisfação de uma ‘necessidade’. Este último requisito torna o regime em vigor incerto e discricionário, porque é ao longo do processo – e não antes – que se prova se a coisa furtada se destina a satisfazer uma necessidade.
Um crime particular é sempre um crime. A injúria, a difamação e o ‘furto formigueiro’, tal como são previstos no Código Penal, nunca foram ‘descriminalizados’. O crime particular de ‘furto formigueiro’ vai ser alargado, mas isso não impedirá as pessoas carenciadas de reagirem contra tal crime. Essas pessoas poderão aceder ao apoio judiciário, sendo então representadas por um advogado nomeado pela Ordem e estando dispensadas de taxa de justiça.
A reforma em curso aumenta até as possibilidades de ressarcimento das vítimas de pequenos furtos. Aos crimes particulares passa a aplicar-se a mediação, destinada a promover a justiça ‘restaurativa’ – a reparar o prejuízo da vítima sem estigmatizar o arguido. Ora, no âmbito da mediação, o ofendido pode fazer depender a continuação do processo da satisfação integral do seu interesse, sem necessidade de se constituir assistente ou de contratar advogado.
Além disso, o novo regime não aumenta o sentimento de insegurança nem favorece carreiras criminosas. Qualquer crime contra o património cometido com violência ou ameaça continuará a ser público, seja qual for o valor da coisa. E os crimes praticados, repetidamente, por quem faça do furto o seu modo de vida, continuarão a ser qualificados e públicos, mesmo que o valor das coisas subtraídas seja diminuto.”
«Houve grande comoção quando, um dia, numa gaveta da República, até nova ordem foi guardado o socialismo. Mas, daqui até ao conselho nacional de Óbidos, nessa gaveta vai ser metido Jesus Cristo. Não haverá peito aberto nem floretes, mas tocaias e sovelas. Como numa lenda da Guerra da Secessão (que há quem diga ter sido adaptada à época), quando o comandante de um massacre sulista diz ao general Robert Lee: "Não, nós não perdemos a moral. Acontece é que encontrámos o inimigo."»



