Sexta-feira, Abril 30, 2010

A política da tanga (revisitada)

Depois de se ter reunido no Hotel da Lapa com um pequeno grupo de economistas, quase todos eles conselheiros da malograda Dr.ª Manuela, Pedro Passos Coelho mudou de posição e quer a suspensão das grandes obras. Não propõe nada em alternativa.

Acontece que o país vive um período de transição no qual o ritmo de destruição da “velha economia” (de mão-de-obra barata e fraca tecnologia) é ainda superior ao ritmo em que se verifica a criação da “nova economia” (de maior valor acrescentado, com maior componente tecnológica e elevada qualificação). Sabendo-se que este período de transição afecta o crescimento, esperar-se-ia que o líder do PSD apontasse caminhos alternativos. Mas não o faz.

Ora, a par da citada transição, que não se faz de um dia para o outro, é preciso fazer algo mais que estimule o crescimento. As obras públicas, nomeadamente o TGV e o aeroporto, para além de serem infra-estruturas estratégicas para o país, têm também o objectivo de promover o crescimento.

Pedro Lains, que sabe disto muito mais do que eu, explica o que está em causa.

A tradição já não é o que era

O macho latino não pode contribuir para melhorar o saldo da balança comercial?

Agora só falta o Papa dizer também que a situação de Portugal não tem nada a ver com a da Grécia



Ministro da Economia alemão diz que situação de Portugal "não pode ser comparada com a Grécia":
    A situação de Portugal "é muito diferente" e "não pode ser comparada com a da Grécia", afirmou hoje o ministro da Economia da Alemanha, Rainer Bruederle, em Lisboa, considerando ainda o Programa de Estabilidade e Crescimento de "corajoso".

    (…)

    "A situação aqui em Portugal não pode ser comparada com a da Grécia. As condições aqui são completamente diferentes, o Governo português lançou um programa corajoso sobre o qual conversamos até pormenorizadamente, inclusive sobre as reformas da segurança social", afirmou Rainer Bruederle.

Poupa-se, assim, dinheiro nos estudos custo-benefício


Presidente diz que "faz sentido reponderar" investimentos com pouca produção e mão-de-obra nacional.

Por exemplo, se o TGV for feito por ucranianos... risca-se.
Se for encontrado um cabo-verdiano nas obras do aeroporto... suspende-se.

O ataque ao euro [10]

Portugal "não é a nova Grécia e não vai precisar de ajuda" financeira, afirmou o economista chefe do banco Santander Totta à Agência Lusa em Paris (com vídeo)

Da série "Frases que impõem respeito" [447]

Ideia da compra da TVI foi minha.

Leituras [3]

• António Perez Metelo, Estarão verdes, não vão prestar!:
    Tudo isto dá que pensar: quem atribuía as mais altas notações (AAA - reputação óptima!) a bancos e países que, de um dia para o outro, se viram à beira da falência, no Outono de 2008, faz descer dois níveis a um país por suspeitar que ele, em 4 anos, só vai conseguir alcançar 82% da meta traçada para o ajustamento das suas finanças públicas!

Circulação paga dos diários generalistas

A fazer fé nos resultados dos dois primeiros meses do ano, o tabloidismo compensa, mas as sucessivas guinadas à direita nem por isso.

Leituras [2]

• Pedro Adão e Silva, A culpa é do mordomo:
    Não deixa de ser sintomático que tenhamos hoje, ano e meio passado sobre o início da crise, de recordar que os défices excessivos e o crescimento do endividamento não são fruto da desorientação política dos governos nacionais, mas sim consequência do resgate do desvario financeiro. Encontramo-nos no pior dos mundos: temos os erros na formação do euro (da sobrevalorização cambial a uma política comercial que prejudicou objectivamente os países da coesão, enquanto reforçava as economias com balanças comerciais, à partida mais favoráveis, passando pela ausência de uma política fiscal comum) combinados com uma total ausência de capacidade política europeia para os enfrentar; por outro lado, temos um conjunto de Estados que têm de fazer ajustes que não fizeram no passado, mas cuja capacidade para os fazer sem respaldo europeu é nula e teria resultados ineficazes. Perante a dimensão dos problemas, só resta culpar os mordomos.

Leituras [1]

• Paul Krugman, A ameaça-fantasma:
    É fácil fingir que a crise financeira foi provocada por erros inocentes, mas não foi. É o resultado de um sistema corrupto, em que as agências de notação têm grandes responsabilidades.

O ataque ao euro [9]

Fitch - Governo português "tem muito mais credibilidade" que o grego:
    Em entrevista à Bloomberg, Brian Coulton, responsável da equipa de dívida soberana da Fitch afirma que a situação que Portugal enfrenta, com um défice de 9,4% do PIB em 2009, “é menos séria do que a da Grécia”, uma vez que o Governo português já tem um historial de redução do défice público.

    O Governo [português] tem muito mais credibilidade, fez muitas incursões na redução do défice antes da crise começar”, argumentou o especialista da agência Fitch.

    Além da credibilidade do próprio Governo, Coulton destaca também o facto de a própria credibilidade do Programa de Estabilidade e Crescimento português “ser significativamente melhor” do que no caso da Grécia.

    O Governo português reduziu o défice para 2,7% do PIB em 2008 – o nível mais baixo da democracia - depois de ter atingido um valor acima de 6% anos antes. Este ano o défice deverá descer para 8,3% do PIN, depois de ter atingido um recorde de 9,4% do PIB em 2009.

A sondagem

39,8 % votam PSD.
34 % votam PS.

27,9 % querem eleições.
60,6 % não.

Quinta-feira, Abril 29, 2010

Suicídio?

O quê? Eduardo Catroga, Ernâni Lopes, João Salgueiro e Medina Carreira, à mesma mesa, a discutir saídas para a crise? Como dizia o poeta, daqui ninguém sai vivo.

Leituras

• Francisco Seixas da Costa, Os amigos e as ocasiões:
    A imprensa francesa tem-se feito eco dos mais recentes ataques especulativos contra Portugal e não deixa de assinalar duas evidências: a radical diferença entre a situação portuguesa e a grega e, em alguns casos, o facto dos nossos índices não estarem muito distantes dos da França.
• Helena Garrido, A recessão vem aí para todos:
    Uma das tarefas da Zona Euro é evitar que a crise seja mais grave do que é, apenas por acção dos mercados financeiros. Os responsáveis políticos têm de romper rapidamente o circulo infernal e mortal que se alastra pelos países do euro e no qual já estão metidas as economias grega, portuguesa e espanhola. As taxas de financiamento das dívidas públicas aumentam porque os mercados desconfiam, as agências de "rating" agravam o risco porque a situação financeira se agravou por causa dos investidores financeiros, que por sua vez fogem ainda mais desses países, agravando ainda mais a sua situação financeira, que por sua vez leva as agências de "rating" a degradar de novo o risco do País, o que gera nova onda de pânico nos investidores... Um processo que só tem fim quando o alvo entra em colapso, como aconteceu em 1993, com o ataque à libra que levou o Banco de Inglaterra a ficar sem divisas.

    Parar a máquina trucidadora em que se transformam os mercados financeiros exige dimensão. Ninguém faz este jogo com os Estados Unidos, são demasiado grandes. Ninguém faria este jogo com a Zona Euro se estivesse coesa.

O grande pequeno jornal do pequeno grande arquitecto

Aproveitando a boleia da loucura instalada, o pequeno grande arquitecto decidiu há uns meses queixar-se publicamente de uma alegadas "manobras de estrangulamento" exercidas pelo BCP a mando de umas "pessoas próximas do primeiro-ministro".
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu abrir uma averiguação, da qual se conhecem agora as conclusões. Sem prejuízo de voltarmos ao tema, eis um excerto das conclusões:
O que fica patente no processo é que razões de natureza económico-financeira - quebra das receitas de publicidade e custos de exploração superiores aos que estavam programados (já em 2007 conduziram a um prejuízo de 5,7 milhões de euros, de acordo com a informação prestada por Paulo Azevedo) - explicam o desejo da BCP Capital retirar-se da estrutura accionista.
Um fracasso, portanto.

PSD, o partido com paredes de vidro

O ataque ao euro [8]

♪ De Abril a Maio [5]


Vitorino, Sérgio Godinho, Dulce Pontes, Tito Paris, João Afonso...

Gato escondido

José Eduardo Moniz, pelos vistos, estava ele próprio interessado em comprar a TVI.
Sendo parte interessada - e perdedora - no negócio, qual a validade de tudo o que tem dito nas sucessivas comissões parlamentares?

Afinal sempre havia um plano para comprar a TVI...

… mas era de José Eduardo Moniz! Entretanto, os restantes depoentes continuam a garantir que o Governo não estava ao corrente dos contactos para a aquisição de um posição na Media Capital.

O ataque ao euro [7]

Crise Financeira: Redução do "rating" português "duvidoso" - Financial Times Deutschland:
    A redução da nota da dívida de Portugal pela agência de "rating" Standard & Poor´s foi hoje considerada "duvidosa" pela edição alemão do Financial Times, que sublinha que a economia portuguesa teve uma forte recuperação nos últimos meses.

    "Os dados macroeconómicos de Portugal não pioraram nas últimas semanas e meses", afirma o chefe do gabinete de estudos económicos do Dekabank, Ulrich kater, no mesmo jornal.

    Outro economista citado pelo Financial Times Deutschland, Roland Doehrn, do Instituto de Pesquisa RWI, defendeu também que a situação económica de Portugal "não é motivo" para agravar a nota da sua dívida.

Viagens na Minha Terra

    • Francisco Seixas da Costa, Debate:

      Pela parte da "Standard & Poor's", foi dada muita importância à dimensão da dívida privada portuguesa - reconhecendo as medidas tomadas face à dívida pública - e ao facto da agência entender que a respetiva dimensão pode condicionar o êxito da nossa futura recuperação. De qualquer forma, Jean-Michel Six disse que há uma grande diferença no modo como a sua empresa analia os casos português e grego. Deixou claro que, "Portugal continua confortavelmente colocado na zona de 'investment grade'".

      Um dos pontos sublinhado, com grande insistência, pelo coordenador da emissão ligou-se ao anunciado entendimento entre as principais forças políticas portuguesas em face da presente situação. Este ponto parece estar a ser lido como um forte sinal da determinação portuguesa de fazer face à presente crise.

    • jmf, Não é uma pastilha elástica que estraga uma boa história:

      ao almoço, o carlos perguntou-me. então, tens falado com o mário lino? a resposta não interessa, porque, a seguir ao almoço, telefonou-me o mário lino, que nem sabe quem é o carlos. se eu sabia qual o e-mail de uma determinada jornalista. que lhe telefonou e perguntou: é verdade que andou a colar pastilhas elásticas no tampo das mesas do parlamento, numa sessão da tal da comissão de inquérito? disse-lhe - disse-me -, bem disposto, que há um problema nessa história: nunca na minha vida masquei uma pastilha elástica. disse-lhe que, sim, também tinha visto a história numa data de blogues e que também tinha lido a história num jornal. e ele: o costume, já viste? ligam, perguntam, uma pessoa diz uma coisa e eles escrevem outra. rimo-nos. durante dois anos e meio em que trabalhámos juntos, aconteceu-nos isto mais vezes do que seria suposto. dizermos uma coisa e sair outra publicada, às vezes a inversa. uma vez, tive muito dificuldade em explicar a um jornalista que ele, lino, não podia ter fumado um cigarro em determinado sítio, porque simplesmente ele não fuma cigarros, mas cachimbo. mas ainda há uns semanas me veio à mão um recorte de jornal com a tal referência ao cigarro que lino nunca poderia ter fumado. é claro que quem diz pastilha elástica ou cigarro, pode dizer tgv, aeroporto ou o diabo a sete. vale a pena desmenti-los?, perguntou um dia o alberto em livro. bom, mas isso já era outra história.

    • João Pinto e Castro, Os loucos gregos e os disciplinados alemães:

      Pacóvios que bebem por uma palhinha tudo o que ouvem dizer concordam que os alemães não têm nada que pagar os desmandos dos gregos.

      Embora não receba nada dos gregos pelo serviço (coisa que o Barroso, por exemplo, não pode afirmar em relação aos alemães), sempre quero lembrar que poucos países têm violado de forma tão sistemática as regras da UE como a Alemanha.

      Para não irmos vasculhar num passado mais distante nem entrarmos em demasiados detalhes, no ano passado o governo alemão desrespeitou os compromissos do Mercado Único com as ajudas de emergência concedidas à sua indústria automóvel.

      Não contente em intervir para impedir o encerramento da Opel, ainda condicionou a oferta do apoio estatal ao encerramento total ou parcial de fábricas dessa empresa na Bélgica, na Espanha e no Reino Unido.

      Medidas proteccionistas deste tipo impactam pronta e directamente as economias e as exportações dos restantes países membros, agravando ao mesmo tempo os excedentes comerciais crónicos da Alemanha e os défices igualmente crónicos doutros países, designadamente o da Grécia.

      Se o governo da Alemanha se arroga o direito de assim proceder, não terá de que queixar-se no dia em que é confrontado com as consequências dos seus actos. Disciplina alemã? Deixem-me rir.

    • Emídio Fernando, Memória de um presidente que jura não ser político
    • Francisco Seixas da Costa,
    Agricultura
    • João Galamba,
    Só a política nos pode salvar
    • Jumento,
    Cabos da guarda
    • MFerrer,
    Os banhos de lama nem sempre tratam a inveja, o despeito e a mentira compulsiva
    • Miguel Carvalho,
    Número de doentes com longas esperas para cirurgia cai 81% em 4 anos
    • Palmira F. Silva,
    Coisas que não percebo…
    • Porfírio Silva,
    negociar em directo (aquilo não é cheap talk)
    • Ricardo Paes Mamede,
    Onde é que já ouvi isto?
    • Val,
    Sir, Custer was a pussy

Isto está mesmo a pedir outra Comissão de Inquérito


Magalhães vai continuar a ser distribuído nas escolas. Agora, com concurso público. Estranho. Muito estranho.

A mentira na primeira página


A manchete de hoje do Público é um dos mais perfeitos exemplos de manipulação grosseira que enviesam todo e qualquer debate sério que se queira ter sobre o futuro do país.
A Concessão Pinhal Interior - a que se refere a manchete - abrange um total de 567 quilómetros de estrada, sendo que apenas 118 serão de auto-estrada. Ou seja, um quinto!
Desses 567 quilómetros, 173 serão de estrada nova (incluindo o troço de auto-estrada); 135 correspondem a troços que vão ser beneficiados e 259 quilómetros são integrados na Concessão para manutenção [mais dados aqui].
Ou seja, estamos perante um verdadeiro investimento de proximidade, daqueles por que têm clamado os críticos das grandes obras públicas. Quanto vezes temos ouvido o discurso do "deixem de construir, façam reconstrução, reparação..."? Pois aí está um excelente exemplo.
Além disso, este é um investimento que beneficia exclusivamente uma vasta zona do Interior do país, que, nas últimas décadas, se tem limitado a financiar, através dos seus impostos, as muitas e boas estradas do Litoral. Não é possível continuarmos a ouvir repetidos discursos de apoio ao interior sem passar à prática.

Quarta-feira, Abril 28, 2010

Da série "Frases que impõem respeito" [446]

‘Não se devia acreditar de mais’ no que dizem as agências de notação financeira ['rating'].

O ataque ao euro [6]

Governo francês — Contágio da Grécia a Portugal é "ficção política":
    O ministro francês do Orçamento, François Baroin, descartou hoje a possibilidade de contágio da crise grega a Portugal, considerando que se trata de "um cenário de ficção política" e lembrando que Portugal "não mentiu" sobre as contas públicas.

    "Foi a falta de sinceridade do Governo grego que provocou esta aceleração da crise grega. Portugal tem um nível de dívida importante, é verdade, mas os portugueses não mentiram, eles foram sinceros", afirmou o ministro francês.

    "É um teste, uma especulação por parte dos mercados e nós somos a favor de uma lógica de solidariedade, de defesa da nossa moeda", acrescentou.

O ataque ao euro [5]

S&P debaixo de fogo por ter cortado rating nacional:
    A Standard & Poor's (S&P) está a receber duras críticas por ter cortado a classificação da dívida portuguesa num momento tão delicado. O Bank of America Merrill Lynch diz mesmo, numa nota emitida esta quarta-feira, que a agência de notação está a «atirar gasolina para a fogueira».

    O banco de investimento refere que a decisão da S&P só veio acirrar o nervosismo dos mercados, quando o Governo português já garantiu que «vai continuar a fazer tudo o que for necessário para eliminar a situação de défice excessivo».

O ataque ao euro [4]

Parece que Ferreira Leite, Portas, Catroga & Associados não são ouvidos em Bruxelas. A Comissão Europeia mantém confiança no PEC português:
    "Dissemos o que tínhamos a dizer sobre Portugal quando ratificámos o PEC, a 14 de Abril", disse Altafaj, reiterando as palavras do comissário europeu Olli Rehn, que considerou, na altura, que o Governo português apresentou "um programa sério e ambicioso".

    "O que dissemos no dia 14 de Abril continua absolutamente válido hoje", sublinhou o porta-voz.

O ataque ao euro [3]

O governo alemão referiu hoje que os problemas orçamentais com que Portugal e Espanha se confrontam actualmente "não são comparáveis" aos da Grécia, tendo acrescentado que a “situação [nos dois países] não é um motivo de preocupação”.

O ataque ao euro [2]

Com a turbulência que se vive no mercado financeiro, José Manuel Barroso parece ter desaparecido (nem sequer se sabe se em combate) e as profecias das cassandras domésticas [Ferreira Leite, Medina Carreira, Catroga…] surgem ao arrepio das análises dos políticos e especialistas estrangeiros:
    "Os mercados perderam a confiança em Portugal, apesar de não ter mudado nada de terça-feira para hoje, razão para que o governo fale de um ataque especulativo", sustenta Oliver Holtemoller, especialista em macroeconomia do Instituto de Pesquisa Económica de Halle. Se a situação se agravar, no entanto, Portugal "não poderá fazer nada sozinho, como a Alemanha também não poderia, para sair das dificuldades", adverte Holtemoller. A solução, diz, é adoptar mecanismos na zona Euro que permitam aos países membros ajudarem-se mutuamente, em situação de crise.

    "Sem se transformar numa união de transferência monetárias, a União Europeia tem de tomar uma decisão política, se não quiser pôr em causa a integração europeia", advertiu o professor de Halle.

    O director do centro de pesquisa de macroeconomia internacional do Instituto da Economia Alemã (DIW), Ansgar Belke, de Berlim, partilha a mesma opinião, mas adverte que, mesmo depois de haver "luz verde" para a ajuda à Grécia, os mercados "podem querer pressionar Portugal, para testar se a União Europeia também lhe dará apoio".

O ataque ao euro [1]

Standard & Poor's rebaja un escalón la calidad de la deuda española:
    “La noticia ha caído como una bomba en la Bolsa de Madrid, que cuando se conoció caía en torno al 1,5%. La sesión ha terminado con un descenso del 2,99%, que se suma a la caída del 4,19% de ayer.”

"Graças a Deus, não estamos no Euro"



Deixem-me dizer-vos uma coisa acerca do que está a acontecer na Grécia: graças a Deus, não estamos no Euro”. A declaração foi feita por George Osborne, ministro-sombra das Finanças do Partido Conservador. Como se refere na notícia, o “Reino Unido, aliás, tem sido apontado por várias vozes como estando em pior situação do que Portugal ou Espanha, podendo ser o mais fragilizado a seguir à Grécia.”

“O PSD caceteiro

É de Eduardo Pitta a expressão em título. António Nogueira Leite diz que essa facção é constituída por “ex-leninistas” e pelos “jihadistas ignorantes e amorais que os seguem....” O PSD da Dr.ª Manuela (e do estratega da Marmeleira) aproveitou os ataques especulativos ao euro para pôr a cabeça de fora do circo parlamentar que montou (a meias com o BE) em torno do caso TVI e no qual se asilou.

Da série "Frases que impõem respeito" [445]



O desequilíbrio das contas públicas de Portugal não é, nem de perto, tão severo como o problema grego.

Por onde anda um tal José Manuel Barroso?

António Guterres acusa Europa de falta de clareza:
    António Guterres indicou que, "como cidadão português e cidadão europeu", tem acompanhado a evolução recente dos acontecimentos e disse que, "mais uma vez", aquilo que o preocupa "é o facto de não haver clareza na assunção, por parte da Europa, em relação a estas diferentes crises financeiras que se têm vindo a suceder, numa política e num caminho".

    "E quando há incerteza, quando não se sabe qual vai ser no final a solução, como temos visto em relação à crise grega, obviamente os mercados reagem da forma como reagem, e isso tende a agravar as situações, e mesmo países que estariam porventura numa posição relativamente tranquila acabam também por ser afectados e isso deve ser uma fonte de preocupação para todos os europeus", sustentou.

    Guterres insistiu que "o que é sempre indispensável nestas situações é clareza", independentemente do sentido do caminho a seguir, pois "o não haver caminho, a incerteza é aquilo que favorece aqueles que procuram aproveitar essa instabilidade para fazer os seus próprios lucros e isso faz-se à custa da estabilidade económica dos países".

Leituras [2]

• António Perez Metelo, Novas achas para a fogueira da dívida:
    As bolsas de valores pela Europa fora voltam a dar um tombo. Os prémios de risco das dívidas públicas continuam a subir. Não vale a pena tapar o sol com a peneira: nos mercados há uma crise de confiança no euro e na capacidade do Eurogrupo de conseguir estabilizar o epicentro dessa crise de confiança, situado em Atenas.

Leituras [1]

• Vital Moreira, Utilizador-pagador (Público de ontem):
    Neste contexto, não pode de modo algum sufragar-se o protesto das empresas de transportes rodoviários, que resolveram tomar o fim das SCUT como argumento para aumentar o seu capital de queixa e para enveredar por formas de ação direta, incluindo a paralisação da sua atividade. Nada justifica que tenham um regime excecional em relação aos outros utentes, tanto mais que os transportes pesados são os que mais exigem das infraestruturas rodoviárias.

    Seja como for, a autoparalisação de atividades económicas é sempre inaceitável, mesmo que os seus proponentes se proponham abusivamente usar a noção de "greve". O direito à greve pertence exclusivamente aos trabalhadores, no contexto das relações de trabalho assalariado. Por definição, tal direito não assiste aos empresários, nem como instrumento de ação contra os trabalhadores (que a Constituição proíbe expressamente) nem como instrumento de protesto político. De resto, mesmo que não fosse uma ação ilegal, nunca poderia afetar os direitos dos trabalhadores, a começar pelo direito à remuneração, pelo que redundaria sempre numa iniciativa assaz onerosa para os protestatários.

♪ De Abril a Maio [4]



Viviane / Rua da Saudade
Cavalo à Solta

Terça-feira, Abril 27, 2010

Viagens na Minha Terra (act.)

Vice-presidente do Governo da Espanha

María Teresa Fernández de la Veja cuestiona los informes de las agencias de calificación sobre España.

Quando as manifestações de júbilo revelam ignorância (hipótese benigna) do que está a passar-se

Não se percebe as incontidas manifestações de júbilo na blogosfera, designadamente entre as forças vivas do passismo, na sequência do corte do rating de Portugal por parte da agência de notação Standard & Poor’s. O melhor é lerem o que acabou de escrever António Nogueira Leite:
    Vamos lá explicar muito devagarinho.

    Para além de uma data de coisas que não vale a pena perder tempo a mencionar, o euro trouxe a países como Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda ou Itália a garantia implícita de bail out por parte da Alemanha em caso de necessidade. Foi mesmo assim. Ou alguém com um módico de conhecimento e experiência acredita que Portugal se tenha endividado às taxas a que se endividou sem essa garantia implícita? Mutatis mutantis para a Grécia ou a Espanha.

    O que se começou a passar nos últimos dias é que os mercados deixaram de acreditar na existência dessa garantia implícita. Resultado: ou surge uma garantia explícita, no âmbito de um pacote mais geral para a zona euro que envolva ajustamentos nas políticas da Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha e compromissos dos avalistas (até hoje, implícitos) na zona euro, ou teremos de pensar numa via radicalmente diferente.

    O resto, é folclore e o que é habitual nos políticos-- sobretudo nas elites ignorantes que temos tido, no PSD, em Portugal, e na Europa pós-Delors-Kohl-Mitterrand -- é insistirem em cometer os mesmos erros, com persistência.... repetidamente.....

A Grécia e Portugal têm uma situação idêntica?

The Wall Street Journal diz que não:


O estranho mundo das agências de "rating"


"Las agencias de calificación se han equivocado mucho en esta crisis, dieron la triple A, por ejemplo, a algunos de los productos financieros que llevaron a Lehman Brothers a la quiebra.

Son, como se dice en la jerigonza financiera, procíclicas, tienden a poner demasiadas buenas notas cuando las cosas van bien, y a agravar las cosas cuando van mal."

El Pais, 27 Abr. 10

Standard & Poor's baixa "rating" de Portugal

"O que fez a S&P?

Valorizou os comportamentos, as teses e as análises dos investidores e dos analistas norte-americanos e desprezou todas as medidas adoptadas por Portugal.

Com estas ajudas, os investidores financeiros passam, de facto, a acertar nas suas previsões, grandes profetas das desgraças com a ajuda de quem tem medo de errar de novo.

As agências de 'rating' estão cada vez mais prisioneiras dos mercados e a contribuir cada vez para a instabilidade e não para a informação mais perfeita e rigorosa, razão da sua criação e existência."
Helena Garrido, Visto da Economia

Tertúlia-debate hoje à noite


Via Tiago Barbosa Ribeiro


A JS Porto organiza hoje à noite, no emblemático Café Progresso no centro do Porto, uma tertúlia-debate: «Os Socialistas no Século Republicano: Resistência, Oposição e Alternativa». A iniciativa começa às 21:00.

Leituras [2]

• Mário Soares, As comissões parlamentares de inquérito:
    O que é que resultou até agora de positivo - depois de tantas intermináveis audiências - para o progresso da justiça e para um melhor conhecimento dos factos alegados pelos acusadores? Alguém é capaz de responder, com objectividade? Não creio. Mas há uma coisa que julgo não poder evitar-se, depois de tantas horas de audiência: o desinteresse do público e o desprestígio dos deputados participantes (ao contrário da publicidade que julgam merecer) e do Parlamento, que lhes cumpre, em princípio, defender.

    Por isso, apoiei a decisão do primeiro-ministro de não comparecer na comissão. Julgo que procedeu bem. Ser interpelado no Plenário do Parlamento, isso, sim, é um dever, aliás, recíproco, de ambos os órgãos, Governo e oposição. Agora perante uma comissão de inquérito, que parece querer substituir-se à justiça, que é outro órgão de soberania independente, isso não faz qualquer sentido. Na minha modesta opinião.

Leituras [1]

• A. Marinho e Pinto, A extinção da Ordem dos Advogados:
    Ainda recentemente, António Martins, perante uma crítica de Mário Soares sobre a excessiva exposição pública de alguns juízes, respondeu que se devia investigar a maçonaria. Há alguns anos, um outro juiz sugeriu a cassação da licença de uma estação de televisão apenas porque num seu programa se criticou o teor de uma sentença. Esta patente dificuldade em aceitar a crítica significa que há um grande trabalho a fazer para democratizar a justiça portuguesa. Curiosamente, as posições mais fundamentalistas surgem de juízes que, como António Martins, estão permanentemente na comunicação social a atacar as decisões de outros órgãos de soberania, por vezes lançando as piores suspeitas sobre os decisores, e, sobretudo, a insurgirem-se constantemente contra as leis que deviam acatar e respeitar.

    Os juízes portugueses, enquanto titulares de poderes soberanos vitalícios, escolhem-se uns aos outros, avaliam-se uns aos outros, promovem-se uns aos outros, julgam-se uns aos outros e absolvem-se uns aos outros, sempre sem qualquer escrutínio democrático. Até por isso, as suas decisões devem ser sujeitas a uma crítica pública mais intensa, critica essa que deveria ser aceite como um factor de aperfeiçoamento funcional e como uma manifestação salutar da sociedade. A crítica em democracia só põe em causa os poderes ilegítimos. Nunca deslegitima os poderes que são exercidos em respeito pelos valores superiores do estado de direito.

    O que deslegitima os tribunais perante a sociedade é o facto de os juízes enquanto titulares de poderes soberanos se organizarem em sindicatos como se fossem proletários. O que deslegitima os tribunais é o facto de os magistrados não respeitarem o princípio da separação de poderes e estarem constantemente a interferir com os outros poderes do estado, sobretudo, a criticar e a desautorizar publicamente as leis que deviam aplicar. O que deslegitima os tribunais é o facto de os juízes receberem parte significativa dos seus vencimentos totalmente isenta de impostos, devido a decisões suas e não serem capazes de julgar e condenar com imparcialidade os colegas que cometem crimes graves. O que deslegitima os tribunais perante a sociedade é o facto de os juízes fazerem greve às funções soberanas em que estão investidos e faltarem, frequentemente, ao respeito aos advogados e aos cidadãos seus clientes dentro das salas de audiência. O que deslegitima os tribunais é o facto de os juízes se terem apropriado da função soberana de administrar a justiça e exercê-la mais em função das suas comodidades e dos seus privilégios do quem em benefício dos direitos e necessidades dos cidadãos. Em suma, o que deslegitima os tribunais perante a sociedade é o facto de o poder judicial não se adaptar à democracia e ao Estado de direito.

O PSD finalmente unido…



em defesa da acumulação de salários.

♪ De Abril a Maio [3]


Let's Groove Big Band

Um depoimento tablóide

Carlos Barbosa, fundador do Correio da Manhã, antigo administrador da PT e actual presidente do ACP, está a fazer um curiosíssimo depoimento na Comissão de Inquérito PT/TVI. Basicamente, fica em acta um vasto conjunto de insinuações.

Por falar nas "potencialidades desse imenso mar" (3)

"A Praça de Touros de Viana do Castelo poderá ser transformada em Centro de Mar, no âmbito do Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar, constituído por 61 entidades públicas e privadas do Norte do país.
As principais acções a desenvolver no âmbito deste projecto, que pretende contribuir para o reforço do turismo e dos desportos náuticos, são, entre outras, o Centro de Mar a instalar na capital do Alto Minho, o Terminal de Cruzeiros de Leixões e o Parque de Ciência e Tecnologia do Mar da Universidade do Porto, cujo arranque foi assinalado, recentemente, pelo primeiro-ministro. Para dinamizar este cluster, foi constituída uma associação, a Oceano XXI, cujos sócios fundadores são a Associação Mar Centro e o Instituto para o Desenvolvimento do Conhecimento do Mar.

A Praça de Touros foi adquirida em 2008 pela autarquia pelo preço simbólico de cinco euros, para ser transformada em Centro de Ciência Viva. O projecto do ex-autarca socialista Defensor Moura mostrou-se agora desadequado face à intenção do actual executivo, liderado pelo também socialista José Maria Costa, em dar "grande visibilidade" às actividades ligadas ao mar como forma de rentabilizar economicamente aquele sector."
Público, 27 de Abril de 2010

Grandes mistérios do Universo [74]


Não entendo a razão pela qual ninguém me chama à Comissão de Inquérito.

E assim se informa em Portugal

Quando se põem a fazer contas, os jornais chegam por vezes a resultados surpreendentes.
Por exemplo, hoje, a propósito das greves, o Jornal de Negócios surpreende-nos: Salários das empresas de transporte sobem mais em  ano de eleições.
E como suporta o jornal tal afirmação? Fácil: em 2009, ano eleitoral, os trabalhadores dos transportes tiveram um aumento de 2,9%, superior à inflação registada.
Muito bem. Acontece que esse foi o aumento de toda a Função Pública (os transportes não foram excepção...) e tal aumento só ficou acima da inflação porque esta - em ano de crise internacional profunda - ficou muito abaixo de TODAS as previsões.
Mas que importa isto? Feitas estas "contas", o jornal coloca a descer, no seu "Elevador", os dois ministros dos transportes que apanharam com um ano eleitoral (Mário Lino e António Mexia), que, como se calcula, nada têm a ver com o assunto. Um espanto!

Segunda-feira, Abril 26, 2010

O integralismo lusitano como matriz ideológica do novo PSD

Fernando Alves comenta o discurso de Aguiar-Branco, no qual este coleccionador de citações adulterou Sérgio Godinho, mas foi fiel a António Sardinha, um defensor acérrimo do ideário realista da monarquia orgânica, tradicionalista, antiparlamentar do integralismo lusitano. Paulo Teixeira Pinto parece ter um peso crescente neste PSD.

Então, Pedro, cansou-se depois de estar dois anos a preparar-se e já não faz os trabalhos de casa?

Parece que Pedro Passos Coelho disse que viu ontem um “discurso muito voltado para o futuro. O mar e as indústrias culturais no Porto são apostas importantes em que o país tem de mergulhar nos próximos anos”.

Um conselho ao líder do PSD: antes de mergulhar em propostas futuristas sobre o mar e as indústrias culturais, faça lá o trabalho de casa e perceba se aquilo que tem a propor já não o foi antes pelo Partido Socialista. É que assim escusava de repetir a triste figura da semana passada, com o seu plano B a propor coisas que já existem, como o uso do software livre nos serviços do Estado ou uma central de compras.

Duo maravilha no circuito da carne assada



Quando José Manuel Fernandes foi questionado acerca da sua presença numa acção do PSD em Rio Maior, invocou, em nome da sua reconhecida isenção, que tinha ido assistir àquela iniciativa por lá estar Pacheco Pereira — como quem passou por ali para ir ver a bola. Depois, parece que lhe tomou o gosto: já escreve para o jornal do PSD e acompanha o filósofo da Marmeleira no famoso circuito da carne assada. Era, de facto, uma pena que desperdiçasse o seu génio na secção de andebol dos Bombeiros de Almoçageme. Temos homem.

Diplomacia económica — o trabalho de formiga que a Dr.ª Manuela desconhece

Num dos últimos debates no parlamento como líder do PSD, Manuela Ferreira Leite fez a afirmação inenarrável de que Sócrates tinha errado quando, no início da legislatura passada, elegeu “Espanha, Espanha, Espanha” como o objectivo prioritário das exportações portuguesas. Então não se estava mesmo a ver que, anos depois, a Espanha estaria de gatas, com o desemprego a 20 por cento e a procura dos produtos portugueses em queda?

A Dr.ª Manuela adora ter razão depois de tempo — sobretudo quando se sabe que para ela a crise financeira mundial não passou de um ‘abalozito’ (e que, em todo caso, o país socialista seguramente merecia).

Pois bem, temos boas novas para dar à Dr.ª Manuela: Exportações cada vez mais para fora da Europa.

Apresente-se o Alto Comissário para o Porto do Futuro



O Porto presta-se claramente a exercer um papel de núcleo dinamizador do engenho criativo. O seu espaço urbano, aliando o antigo e o moderno, o esplendor do barroco das igrejas e a sobriedade da arquitectura contemporânea, pode converter-se numa marca de projecção internacional através de um movimento colectivo e inovador que atraia novas dinâmicas de desenvolvimento, com criadores talentosos, artistas portugueses e estrangeiros, empresários jovens com sentido de oportunidade.

Por falar nas "potencialidades desse imenso mar" (2)

Um leitor do CC diz, e com razão, que uma coisa são os programas de governo, outra a sua execução.
Vejamos o caso concreto dos portos:


A estatística refere-se à movimentação de mercadorias nos três principais portos portugueses (o último ano disponível é 2008) e mais dados podem ser encontrados aqui.

Da série "Frases que impõem respeito" [444]

Os portugueses não têm o mesmo historial de contabilidade criatividade que os gregos.

Economista Carsten Brzeski, citado pelo Wall Street Journal

Foi você que pediu uma convenção extraordinária?



Aprenda num minuto a boicotar a realização de um congresso uma convenção. É fácil e pode dar jeito.

Notícias que não interessam nadinha

Para os que dizem que o Estado não tem uma política de crescimento económico: Portugal foi o país europeu que mais aumentou o investimento em I&D.

♪ De Abril a Maio [2]



Carlos Paredes / Kronos Quartet / Madredeus

Verdes Anos / Mudar de Vida / Canto de Embalar

Por falar nas "potencialidades desse imenso mar"

a) Afirmar os portos nacionais como porta atlântica da Europa, desenvolver o transporte marítimo e aumentar a carga movimentada em 50%;
b) Criar e internacionalizar a Marca «Portos de Portugal»;

c) Reforçar a integração dos Portos com as cidades e populações;

e) Garantir a sustentabilidade do sistema logístico;

f) Modernizar o Modelo de Governação e reforçar a Segurança.


e ainda:
a) Dinamizar a execução da Estratégia Nacional para o Mar, promovendo a mobilização dos sectores científicos e empresariais, ligados ao mar, e da sociedade civil em geral, assente na promoção do crescimento económico, numa visão integrada sobre os vários sectores, no princípio do desenvolvimento sustentável e da preservação da natureza, e assumindo o enquadramento internacional das políticas, em especial ao nível da Política Marítima Europeia. O Governo desenvolverá um programa nacional de aproveitamento do espaço marítimo, que promova a exploração científica e económica do mar, solo e subsolo marítimos;

b) Continuar a dar prioridade ao projecto de extensão da plataforma continental Portuguesa, que permitirá estender a soberania portuguesa a mais de 3.000.000 de km2 de mar, o que representa cerca de 40 vezes a dimensão de Portugal Continental;

c) Reforçar e acelerar o ordenamento do espaço marítimo, definindo um zonamento que promova a preservação da natureza, o desenvolvimento sustentável e uma correcta e ordenada exploração de actividades económicas ligadas ao mar;

d) Desenvolver iniciativas de sensibilização para o mar, com especial incidência nos jovens, para fomentar a identidade marítima dos portugueses, incluindo a valorização da cultura marítima nos projectos escolares;

e) Incentivar a iniciativa empresarial relacionada com o mar tendente à criação de um cluster, em especial nos sectores de elevado potencial de exportação ou criação de riqueza, como a aquacultura e o turismo;

f) Promover a criação de marcas distintivas e certificações de qualidade que valorizem e diferenciem os produtos portugueses e a ligação entre Portugal e o mar;

g) Simplificar e agilizar o licenciamento de actividades económicas ligadas ao mar, criando uma cultura de serviço público de qualidade neste sector, com balcões únicos e avaliações prévias pelo Estado, que permitam a criação de zonas de licenciamento simplificado ou pré-licenciadas, com prazos e custos competitivos e atractivos para os investidores;

h) Promover a investigação científica e tecnológica na área do mar criando, simultaneamente, programas de apoio e incentivo à criação de spin-offs e start-ups, e desenvolvendo centros de excelência para a formação científica, técnica e profissional das actividades e sectores ligados ao mar;

i) Para os portos, logística e transportes marítimos: i) continuar a aumentar a competitividade dos portos e terminais nacionais; ii) promover os transportes marítimos de curta distância e as «Auto-Estradas do Mar», em alternativa ao transporte rodoviário;

j) Para a náutica de recreio e turismo náutico: i) a melhoria e alargamento das infraestruturas de apoio à navegação de recreio, designadamente marinas, portos de recreio, docas e abrigos, e promover a criação de estruturas administrativas de apoio, em certas zonas estratégicas do País, com vista a impulsionar e desenvolver a náutica de recreio e o turismo náutico em Portugal; ii) uma profunda simplificação dos procedimentos de autorização e licenciamento para a prática e desenvolvimento de desportos e actividades náuticas como a pesca desportiva, o mergulho e a vela, reduzindo, em simultâneo, os respectivos custos administrativos;

k) Para as pescas, aquacultura e indústria de pescado, preconizamos: i) a atenção à sustentabilidade dos recursos e das actividades de pesca, bem como às questões sociais, laborais e ambientais; ii) concretizar o programa «Pesca Local», promovido em parceria com as autarquias locais e as comunidades piscatórias, que visa o desenvolvimento económico e social das zonas de pesca costeiras; iii) avaliar formas alternativas de gestão e regulação das pescarias, promover um melhor aproveitamento das capturas e a melhoria da selectividade das artes, com redução das rejeições, assegurar o princípio da reserva de acesso às 12 milhas para os pescadores nacionais e a definição de medidas específicas para a pequena pesca; iv) o reforço da competitividade das pescas portuguesas, apoiando a frota pesqueira, melhorando as infra-estruturas de apoio e criando programas de requalificação dos pescadores portugueses, promovendo sempre uma gestão sustentável dos recursos; v) o apoio à reconfiguração e consolidação da indústria de transformação do pescado; vi) apostar fortemente na criação de um «cluster de aquacultura», inshore e offshore, de águas salgadas e doces, definindo áreas de potencial aquícola e possibilitando o licenciamento e concessão destes espaços de forma simples, rápida e com custos administrativos reduzidos, com programas especiais de estímulo, com o objectivo de quintuplicar a produção até 2013, diversificando as espécies produzidas e a oferta de novos produtos; vii) implementar medidas tendentes à redução do diferencial entre os preços na produção e no consumo final, através do reforço da capacidade de intervenção das organizações de produtores, implicando-as nos circuitos de comercialização. Com este mesmo objectivo será prosseguida a reestruturação da Docapesca; viii) Promoção de contactos multilaterais, assegurando condições adequadas para a actuação da frota longínqua portuguesa, e controlo da entrada de produtos da pesca, tendo em vista o combate à pesca ilegal não declarada e não reportada e à concorrência desleal; ix) Acompanhamento e valorização dos esforços da indústria transformadora e das campanhas de promoção para aumentar as exportações e internacionalizar as empresas;

l) Para a energia e biotecnologia, o Governo promoverá: i) a definição de áreas do espaço marítimo com potencial de exploração energética e biotecnológica; ii) o apoio ao desenvolvimento de clusters industriais de biotecnologia marinha e produção de biomassa; iii) a exploração de recursos energéticos renováveis (energia das ondas e eólica marítima);

m) Para a construção e reparação navais, preconizamos: i) a execução de um programa de estímulo à modernização, reconversão e criação de estaleiros navais adaptados às novas necessidades do mar e das suas actividades; ii) o incentivo à especialização e consolidação dos estaleiros nacionais.

[Pub.]

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Procura-se Ministro dos Assuntos do Mar capaz de explorar as potencialidades desse imenso mar que se estende diante dos nossos olhos, mas que teimamos em não ver.
Principal missão: utilizar dois submarinos acabadinhos de comprar para detectar nesse "imenso mar" as famosas contrapartidas, luvas e pagamentos similares.

Da série "Frases que impõem respeito" [443]

É provável que José Sócrates fique na história como o monstro que vandalizou a família e a cultura portuguesas.

João César das Neves, Diário de Notícias, 26 Abr. 2010, num artigo que é assim uma espécie de "best of" do seu "pensamento".

Domingo, Abril 25, 2010

O 25 de Abril de Belém

1. O Presidente da República não deveria ter falado de Salgueiro Maia: recorda-se aqui porquê.

2. Também é estranho que o chefe do Governo que censurou José Saramago apareça agora a pugnar pelo “vanguardismo estético”.

3. Se Cavaco acha que há casos de riqueza imerecida que nos chocam, só tem de fazer uma coisa: convocar para Belém as personalidades que fizeram parte da comissão de honra da sua candidatura e dizer-lhes isso olhos nos olhos.

4. Perdi a esperança de que alguém consiga explicar a Cavaco que o Presidente da República não é primeiro-ministro. As Novas Oportunidades têm aqui um nicho de mercado: criação de uma pós-graduação em direito constitucional para políticos no activo.

5. Não encontrei melhor síntese sobre o discurso de Cavaco na Assembleia da República do que este, em que fica claro que a bota (os “diagnósticos”) não bate com a perdigota (as “soluções”). Já estamos em campanha eleitoral — e Cavaco começou-a no Porto.

Que coincidência!

Salvador de Mello, presidente executivo (CEO) da José de Mello Saúde, quer “liberdade de escolha”… na saúde. Juro que já tinha ouvido esta proposta no último congresso do PSD:
    “O que estamos a assistir é que há um sistema a duas velocidades, quem tem a opção de exercer liberdade de escolha exerce esse direito, quem não pode fica amarrado a um sistema em que há cada vez mais restrições, mais dificuldades. Então estamos a criar um fosso. Se o Estado criasse a distinção entre financiamento e prestação iria comprar serviços onde encontra maior eficiência, iria comprar serviços para cada cidadão. Porque é que para ser operado ao coração tenho de ir a um hospital público? Se custar 100 num privado e 120 num público, penso que devo ir ao privado. Não se pode é prescindir da qualidade.”

“Algumas tomadas de posição mais de natureza editorial”

Na entrevista ao Jornal de Negócios (citada aqui), Henrique Granadeiro faz a seguinte alusão ao diário da Sonae:
    “Quero dizer outra coisa: embora o "Público' fosse o jornal do grupo [Sonae], não tenho queixas. A verdade é que teve um bom desempenho e foi isento na forma como cobriu a OPA. Embora eu compreenda algumas tomadas de posição mais de natureza editorial.”
Por acaso, o CC já havia feito referência a “algumas tomadas de posição mais de natureza editorial” coincidentes com o desfecho da OPA. Recordando que a OPA se realizou a 2 de Março de 2007, compare-se o teor das manchetes do Público antes e depois desta data:


Antes de 2 de Março






Depois de 2 de Março










Ainda a entrevista do terrível Ângelo

Ângelo Correia, em entrevista à Revista Única - Expresso de ontem:
    Clara Ferreira Alves — É engenheiro. Não exerce. Que ramo?

    Ângelo Correia — Gosto é de mísseis, canhões, submarinos, marujos, araújos, perco a cabeça por essas coisas. Fiz engenharia por acaso. Química, com a especialidade de energia nuclear. Não fiz Filosofia porque o meu pai não me deixou. Isso é para piolhosos! Estava a pensar no Pacheco Pereira. Piolhosos e gajos de barba, dizia ele.

A OPA da Sonae sobre a PT

Entrevista de Henrique Granadeira ao Jornal de Negócios (de sexta-feira):
    Anabela Mota Ribeiro — Disse que não foi uma vitória de secretaria. Mas ficou na opinião pública a sensação de que tinha sido, também, por via da intervenção do Governo que a OPA se tinha ganho.

    Henrique Granadeiro — Isso não resiste à mais leve análise do ponto de vista económico e financeiro. O Governo tinha uma 'golden share', e quando assumi as minhas funções fui chamado ao senhor primeiro-ministro, que me recebeu juntamente com o senhor ministro das Obras Públicas e Comunicações (que geria as relações da 'golden share'). Queria assegurar, desde ali, que se os accionistas aceitassem a oferta o Governo não usaria a 'golden share' para inviabilizar aquilo que considerava ser uma solução de mercado. O Governo respeitaria a decisão da assembleia-geral, e não a 'golden share'. Na antevéspera da OPA foi-me repetida esta posição por parte do Governo.
    É a primeira vez que o estou a dizer.

    AMR — António Lobo Xavier, que estava do outro lado, numa entrevista ao Negócios, disse que percebeu que tinham perdido "quando comecei certas alianças e ambiguidades sobretudo de empresas relacionadas com o poder público".

    HG — Estas acções [do Estado] não têm chocalho, como as outras, os votos são anónimos. Dizer que houve combinações de bastidores, é tentar reescrever a história Como é que pode haver combinações de bastidores numa empresa em que o capital está disperso como nesta? 33% da PT transacciona na Bolsa de Lisboa, mas cerca de 33% é transaccionado em bolsas europeias, das quais 14% no Reino Unido e 27% em Nova Iorque. Quase 50% dos nossos accionistas são estáveis, de longo prazo. Como é que pode tanta gente ser objecto de manobras de bastidores? Só na mentalidade portuguesa, que está sempre a ver mosquitos na outra banda É impossível fazer jogos de bastidores a 100 mil accionistas! Esta visão conspiratória que [Lobo Xavier] apresenta não lhe fica bem.

Leituras

É difícil calcular a dimensão de uma manifestação?

Independentemente das preferências de cada um, seria bom que os jornalistas portugueses se dessem ao trabalho de calcular o número de presenças nas manifestações, em lugar de citar apenas os valores indicados pelos organizadores dessas manifestações. O jornal El País calcula o número de manifestantes e compara-os com o número divulgado pela organização:



Crónica das mortes amnistiadas¹



________
¹ Título de post da Cleópatra no Expresso Online.

♪ De Abril a Maio [1]



Grândola, Vila Morena

Sábado, Abril 24, 2010

Perguntas aos entendidos


Alguém me consegue explicar por que razão Rui Pedro Soares, Américo Thomati e João Carlos Silva foram acusados de corrupção passiva no processo Tagus Park? Quem são os autores da corrupção activa? Qual é a acção, praticada por estes arguidos, que materializa a corrupção passiva?

Nota: ofereço a quem der a melhor resposta uma excursão por Lisboa com passagem por todos os departamentos do Ministério Público e explicação multilingue das suas competências.

Da série "Frases que impõem respeito" [442]

O Sindicato do Ministério Público é dirigido por um militante do PSD, latifundiário no Alentejo.
      Ângelo Correia, em entrevista à Revista Única - Expresso de hoje

Viagens na Minha Terra

Ainda sobre o esclarecimento do cidadão contribuinte

Bruno Faria Lopes faz uma rectificação a este post sobre o tratamento dado nos media ao Boletim Informativo com a Síntese da Execução Orçamental de Março de 2010.

Quanto ao esclarecimento do cidadão contribuinte, não vejo como se possa fazer de outra forma. Se, para além dos boletins mensais, fossem publicados prospectos ou outra coisa do género, o Governo seria acusado de estar a fazer propaganda.

PS — Tendo em conta o peso de José Medeiros Ferreira na opinião publicada em Portugal, creio que se justifica a sugestão feita no sentido de se documentar antes de se pronunciar.

♪ Estrelas contemporâneas [7]


Diane Birch
[Bible Belt, 2010]
★★★★ [The Independent]

Sexta-feira, Abril 23, 2010

Visitas ao Poder com Menezes sob fogo

Depois de ter sido recebido pelo Presidente da República, pelo presidente da Assembleia da República e pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho falou. Falou para dar uma ferroada a Luís Filipe Menezes.

Disse hoje Passos Coelho: “PSD não negociou governador [do Banco de Portugal] com Governo.” O líder do PSD defendeu exactamente o contrário de Luís Filipe Menezes, que, nos seus tempos áureos, andava “a meter cunhas em público para nomear os seus amigos do PSD para este ou para aquele lugar”.

A unidade segue dentro de momentos.

Os jogos florais da asneira judicial

Pelas declarações dos dirigentes máximos dos sindicalistas, somos levados a crer que abriu um concurso para ver quem é capaz de dizer o maior disparate. Eis dois exemplos:

Carlos Garcia, dirigente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), propõe que o director nacional da Polícia Judiciária deixe de ser nomeado pelo Governo. Pelos vistos, acha que deve ser eleito pela Assembleia da República, para garantir a sua plena partidarização. Ou então designado pelo Presidente da República, para deixar de depender funcionalmente do Ministério Público no inquérito.

Melhor ainda disse o presidente Martins do sindicato dos juízes. Então não é que o juiz desembargador propôs a extinção da Ordem dos Advogados? Já não basta a exigência da demissão do bastonário Marinho Pinto ou qualquer medida avulsa. É necessário mesmo a extinção do órgão da classe. Observadores bem informados garantem que o passo seguinte será a proibição do exercício da advocacia…

Ora o recato que os magistrados tradicionalmente cultivam tem uma razão forte de existir: evitar que desçam da nuvem etérea em que se colocam e, desta forma, melhor conheçamos quem aplica a justiça neste país. Mutatis mutandis se diga sobre os responsáveis pela investigação criminal. Quem leia estas e estas declarações — e não seja candidato a aprendiz de Torquemada —, dificilmente evitará sentir um arrepio na espinha. Bem esteve Marinho Pinto em denunciar a falta de cultura democrática de alguns dos nossos juízes. Infelizmente, está demasiado sozinho.

Da série "Frases que impõem respeito" [441]

Não é a tributação de mais-valias que leva à fuga de capitais da bolsa.

O Estado de direito e “os seus amigos” [2]



Ainda relativamente ao inquérito parlamentar ao caso TVI, o inefável deputado bloquista João Semedo — que disputa com Pacheco Pereira o estatuto de herdeiro de Andrey Vyshinsky — e o deputado do PCP João Oliveira também mostraram a sua raça democrática.

Sobre o silêncio de Rui Pedro Soares, ‘João Semedo (BE) considerou significativo Rui Pedro Soares considerar "que a procura da verdade o incrimina". Para o comunista João Oliveira, os não esclarecimentos do ex-gestor têm a consequência de validar o que outros digam sobre ele à comissão.

Ou seja, os dois deputados entendem que o exercício do direito ao silêncio, que é uma garantia constitucional, deve levar a inverter a presunção de inocência e a considerar culpado quem o exerce. Estamos entendidos…

Até tu, Fernando?

Fernando Ulrich, presidente do BPI e amigo do governo:
“Considero que [o PEC] é um bom programa, adequado às circunstâncias, que procura distribuir o esforço de forma equilibrada. É um esforço que Portugal tem que fazer e é tão grande que tem de implicar o contributo de vários milhões de portugueses”.


“O programa é bom e o cenário macroeconómico é credível”.


“O que temos de dizer ao mundo é que vamos executá-lo com grande rigor e disciplina e, se for preciso, fazemos mais. Mal se note que o programa não está a ser suficiente, há que reforçar as medidas, seja pelo lado das receitas seja pelo lado das despesas”.