sábado, janeiro 31, 2009

"Jornalismo de investigação"




Poucas horas após a manchete do Correio da Manhã sobre as estranhíssimas movimentações imobiliárias da mãe de José Sócrates, o "jornalista de investigação" José Manuel Mestre mostrava na SIC toda a papelada do "escândalo"... Afinal, ainda era pior — a empresa que vendeu a casa tinha feito um mau negócio. Os documentos a que o "jornalista de investigação" tinha tido acesso aí estavam para o provar. Documentos (de notários? registos prediais? empresas imobiliárias?) que o jornalista tinha conseguido após a publicação da manchete do Correio da Manhã... num sábado (!!!).

Ficamos assim esclarecidos que:
    1. Ao contrário do que algumas pessoas querem fazer crer, a "investigação" não esteve parada desde 2004.
    2. Há uma lógica na distribuição de "informação", o que implica alguma forma de logística.
    3. Há mais "jornalistas" do que imaginamos dispostos a fazer figura de palhaço.
    4. Se a Justiça quiser deslindar o verdadeiro "caso", escusa de seguir a pista do dinheiro — basta-lhe seguir os "jornalistas".

Contributo do João

Presunção de quê?

Vários comentadores e políticos se têm referido ao primeiro-ministro concedendo-lhe o benefício da dúvida. Dizem eles que José Sócrates beneficia da presunção da inocência.

Esquecem estes comentadores e políticos que a presunção da inocência diz respeito a arguidos. É uma garantia constitucional que se aplica àqueles contra os quais corre um processo crime. A presunção de inocência significa que os cidadãos continuam a usufruir da generalidade dos direitos enquanto o processo crime está em curso, podem exercer as garantias de defesa e só se consideram culpados quando uma sentença condenatória transita em julgado.

Toda esta conversa é absurda em relação a José Sócrates. O seu nome tem sido associado a um processo no qual, segundo o procurador-geral da República e a directora do DCIAP, não há suspeitos nem arguidos.

O primeiro-ministro não precisa, pois, da presunção de inocência, visto que não é suspeito nem arguido. Só precisa daquela quantidade mínima de decência que deve levar todas as pessoas a não fazer juízos precipitados, não sustentados por processo judiciais, e contrários aos dos tribunais e das autoridades, quando estes são inconvenientes para os objectivos que alguns perseguem.

Nota — Para melhor esclarecimento, veja-se o que estabelece o artigo 32.º, n.º 2, da Constituição da República: “Todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação, devendo ser julgado no mais curto prazo compatível com as garantias de defesa.”

O Tal Canal (o 5.º)




A predição faz parte dos usos e costumes do Prof. Marcelo. Ouçamo-lo a vaticinar, no longínquo dia 6 de Janeiro de 2008, os efeitos da futura abertura do 5.º canal de televisão: Agora, conjuguem-se as palavras então ditas pelo Prof. Marcelo com a circunstância de estar a decorrer neste momento o concurso para a atribuição da licença para a abertura do 5.º canal, no qual aparecem envolvidos, directa ou indirectamente, vários grupos de comunicação social.

Tenho de admitir que o Prof. Marcelo acerta mais vezes do que o Professor Karamba. Ou então, como dizia o outro, estava “escrito nas estrelas”.

Dúvida

É impressão minha ou Paulo Guinote — que tem deixado Mário Nogueira à beira de um ataque de nervos — apagou mesmo um post em que uma professora, entre vivas ao sindicalismo, dava conta de que, na sua escola, era a única docente que não entregara a ficha dos objectivos individuais preenchida?

PS — “Estou metido em manifestações e reuniões há mais de um ano, e começa-se a desenhar um padrão que me é particularmente desagradável e muito frustrante.

Aos sábados manifesto-me, segunda feira reunimo-nos e planeamos formas de luta, a partir de terça, não se fala mais no assunto e alguns até aproveitam para ir entregando os objectivos e no próximo sábado em que houver jornada de luta, toca a tirar o cartaz e a t-shirt do armário, que aí vamos nós em romaria para a manifestação. Mas, andamos a brincar às manifestações? O aspecto folclórico e alegórico da luta chega para ficarmos contentes e com a sensação de dever cumprido?
” Será que esta declaração pessimista de José Semedo, professor, terá o mesmo destino da confissão da outra professora – o cesto da reciclagem?

Quando as setas substituem as "fontes"





O Francisco Almeida Leite, sim o nosso FAL, agora é qualquer-coisa lá no DN, o que lhe dá acesso ao recreio onde se brincam com as setas para cima e para baixo. Está-se mesmo a ver quem é que vai estar sempre com a setita para cima...

Esta semana, elogiam-se as "fortes críticas à forma como se fazem as leis" no Parlamento, dando-se como exemplo a Lei do Divórcio.

Alguém devia explicar a Cav... perdão, ao FAL, que "a forma" como se fazem as leis depende da vontade soberana do povo expressa em eleições, e não dos preconceitos ideológicos de quem não foi sufragado para legislar.


Contributo do João

«Escondida dentro da própria notícia, está a resposta para o "mistério"»




              “Maria Adelaide de Carvalho Monteiro, a mãe do primeiro-ministro José Sócrates, comprou o apartamento na Rua Braamcamp (…), sem recurso a qualquer empréstimo bancário e auferindo um rendimento anual declarado nas Finanças que foi inferior a 250 euros (50 contos).”
                Correio da Manhã de hoje

Vital Moreira no Causa Nossa:
    «A campanha mediática contra Sócrates a propósito do Freeport está a atingir os limites da ignomínia.
    Hoje um tablóide dá todo o destaque à notícia de que, em 1998 (o que é que isto tem a ver com o Freeport, que se passa vários anos depois?), a mãe de Sócrates (que ainda nem sequer era ministro do Ambiente) comprou a pronto um apartamento em Lisboa, sem que se saiba de onde lhe veio o dinheiro. Sucede que, escondida dentro da própria notícia, está a resposta para o "mistério": no mesmo ano, a mesma senhora vendeu a sua moradia em Cascais. Será que o valor da venda não dava para comprar um apartamento em Lisboa?
    Vale mesmo tudo!?

    Aditamento

    Já sem motivos para surpresas, há jornais de referência que ecoam esta espécie de "jornalismo"...»
Comentário do leitor Manuel T.:
    «Segunda a imprensa escrita, reproduzida pela demais, a "mãe" do "sobrinho" comprou uma casa no centro de Lisboa, 1 ano depois de ter vendido uma vivenda em Cascais e 7 anos antes do processo Freeport ser licenciado - compra visto isso feita a "off shore" e liquidada em dinheiro.

    Entretanto não nos dizem se essa "off shore" era dona apenas da fracção vendida à "mãe", ou de mais apartamentos no mesmo edifício, ou até do prédio todo, assim como não acentuam que essa compra foi feita um ano após a alienação da casa de Cascais, transacção que também não nos dizem se resolvida em dinheiro ou cheque, e muito menos reparam com o devido ênfase que essa compra foi feita sete anos antes da aprovação do Freeport - notas a considerar porque a notícia da compra de casa pela "mãe" aparece metida no dossier Freeport e, não sejamos inocentes, pretende manter e acentuar suspeitas sob o circuito do dinheiro inglês que, alegadamente, veio para gente portuguesa.

    Ora, o noticiário sobre a compra de casa pela "mãe" - clara e objectivamente usada para atingir o "filho" - só pode consentir uma conclusão: a PIDE está de regresso, ou nunca partiu, graças ao conluio entre as "fontes" judiciárias que todos os dias esfrangalham o "segredo de Justiça e o jornalismo justiceiro e purificador que todos os dias reduz o nosso país a um pântano.

    Ou seja, esse "jornalismo à portuguesa", agora publicamente coberto pelo Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, continua a actuar como se fôssemos uma cambada de idiotas que não têm olhos para ver que, entre a comunicação social, estará a decorrer um campeonato para ver quem confunde, ilude, manipula e enlameia mais, cambada essa vista como massa céfala e por isso sem cabeça para filtrar uma informação que, antes de transmitida, deveria ter merecido o escrutínio da seriedade, do rigor, da imparcialidade, da isenção e do rigor dos jornalistas que realmente o são.
    »

Acima de qualquer situacionismo

O Jornal de Notícias é o maior jornal português. É, além disso, a voz mais influente do Norte.

Esta posição foi conquistada pelo JN com um estilo muito próprio - sóbrio e sólido. Noticia sem alarde, sem sensacionalismo, e raramente é desmentido. É, há dois ou três anos, e apesar da pouca importância que dá aos temas de política, economia e internacional, o jornal português que mais se aproxima do equilíbrio que caracteriza os jornais de referência. O mercado, pelos vistos, tem dado razão a quem o faz.

E é isso que irrita JPP até à medula. JPP, que tanto gosta de elogiar a sobriedade e a seriedade das gentes do Norte, sabe que o JN tem razão no modo como lida com o caso Freeport. Como se verá quando esta espuma desaparecer e o JN continuar no topo das vendas.

Nota: É claro que também conta o facto de, desde a primeira hora, o JN se ter desentendido com o amigo Rui Rio. O que só prova o que atrás se disse - passados oito anos, o povo do Porto continua a comprar o JN, enquanto que a obra de Rio está... perdão, não está, à vista.


Contributo do João

“Nem todos terão publicado ouvires dizeres

Miguel Marujo, Situacionismo (quando me explicaram o caso Freeport):
    “Há uns anos, ainda no Portugal Diário, contactaram-me porque teriam uma história fabulosa que envolveria o ministro do Ambiente. Fui, ouvi, tomei apontamentos, e comecei a perguntar: documentos, pessoas com quem falar, algo mais substantivo que o simples ouvi dizer. A história acabou por cair. Uns tempos depois acabou no Independente, imediatamente antes das eleições. Como tentaram comigo, terão tentado com outros. Nem todos terão publicado ouvires dizeres.”

Ainda os assuntos de Estado

O Expresso dá conta de que “todos os candidatos a Belém infringiram a lei. O Ministério Público, porém, optou por perdoar”. Mais: “O ministério Público (a quem compete por lei essa tarefa) não alega razões.

Ou seja, aqueles zunzuns que se ouviram logo após rebentar o escândalo do BPN, envolvendo o financiamento da candidatura de Cavaco à Presidência, na qual Dias Loureiro assumiu uma função nuclear, nunca serão explicados. Os jornais que sussurraram a questão calaram-se, o Ministério Público pôs uma pedra sobre o assunto. Tudo está bem quando acaba bem.

Assuntos de Estado




Cavaco Silva na Quinta da Marinha: “Hoje estamos aqui num torneio de Golf, não se tratam de assuntos de Estado, podemos assim dizer”.

Já nos esquecíamos de anotar que a OCDE considera…

… que a educação mudou para melhor em Portugal: Portuguese primary school reforms bearing fruit, says independent report [via Aspirina B].

Marktest: mais uma sondagem “situacionista”

A sondagem de Janeiro da Markest foi hoje publicada, fazendo a manchete do Semanário Económico: José Sócrates está mais longe da maioria absoluta. Dá-se um salto às páginas 14 e 15... e o que ressalta é a estabilidade dos resultados.

O PS perde 0,5 por cento de intenções de voto, enquanto o PSD continua a ultrapassar-se a si próprio: com a Dr.ª Manuela já desceu para 24,9 por cento. Ou como se escreve no semanário: “O PSD regista mais uma queda, a sexta consecutiva, que afasta, cada vez mais, do poder o partido de Manuela Ferreira Leite.”

Em comentário à sondagem, Rui Ramos sublinha: “É mais plausível o PS chegar à maioria do que o PSD ultrapassar o PS, já que precisava de um progresso de 15 ou 16 pontos”.

Eis os resultados da sondagem:
    PS: 39,6%
    PSD: 24,9%
    CDU: 11,9%
    BE: 10,1%
    CDS-PP: 9,7%
PS — “Ferreira Leite “é a líder política menos apreciada pelos portugueses”. Imagine-se o que acontece quando estas notícias chegam ao posto de comando da Marmeleira.

♪ Víctor Jara



Vientos del Pueblo

sexta-feira, janeiro 30, 2009

"Linchamento público"

Hoje, não tive tempo para as Viagens na Minha Terra, que ficam adiadas para amanhã. Reproduzo apenas um extracto de um post, subscrito por O meu olhar, que escreve num blogue conotado com magistrados (ou, se se preferir, de homens e mulheres de leis)*:
    “Enquanto a crise económica e financeira avança a passos largos nós continuamos neste cantinho chamado Portugal concentrados nas notícias que vão saindo de uma forma sistemática e nada inocente sobre o caso Freeport . Ouvimos a mesma notícia vezes sem conta, analisada por todo o tipo de comentadores (só faltam os desportivos), dissecada ao pormenor, com informações por vezes distorcidas e incompletas e sobretudo, sempre a aparecerem novos dados que mais não são que os dados antigos com nova roupagem. Aconselhava o mínimo bom senso que, depois de publicadas as notícias, e mesmo depois de algum aparato compreensível, se deixasse a justiça funcionar, mesmo que não se acredite muito na sua eficácia. Parece que a presunção de inocência só existe no papel. De qualquer forma, o que se está a fazer é um linchamento público que só serve interesses partidários e nada mais. Ao país não serve de certeza. Precisamos de um primeiro-ministro concentrado naquilo que deveria ser essencial neste momento: o combate à crise. E isso não está notoriamente a acontecer, o que é natural, já que está a ser metralhado por notícias todos os dias e em todos os meios de comunicação social.”
_______
* J. M. Coutinho Ribeiro, um amigo "virtual", esclarece-me que, neste momento, já não escrevem magistrados no Incursões. Então, as palavras acima transcritas são de uma cidadã (o que já não é pouco...).

E se lêssemos a carta rogatória para ver onde está o “situacionismo”?

O Eduardo Pitta já leu a carta que veio de Londres. Naturalmente, está em melhor situação para saber o que é possível saber sobre o caso Freeport. Até em melhor situação do que alguns jornalistas, como se comprova.

A “denúncia anónima” revisitada

Hoje, em entrevista ao Jornal da Noite da SIC, Zeferino Boal, autor da “denúncia anónima”, negou que alguma vez tivesse dito que tinha havido luvas no licenciamento do Freeport. As suas dúvidas, disse, tinham a ver com a legalidade do procedimento adoptado.

PS — Parece que a imagem reproduzida aí para baixo não é a de Boal, mas a de José Torrão.

O “situacionismo” do descompensado Pacheco

Hoje, Ana Sá Lopes na Antena 1: “Se fosse com Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira estaria a dizer exactamente o contrário. Neste aspecto, Pacheco Pereira não tem qualquer credibilidade.

“Tangencialmente tem culpa”

O João já comentou o depoimento de Maria Filomena Mónica. Mas a verdade é que, depois de ter revelado que o país dispõe de uma colecção dos “mais bonitos colares da classe política europeia”, Mena faz uma outra descoberta não menos relevante, quiçá para a investigação do Freeport: “Sócrates nasceu no Porto, mas os pais decidiram registá-lo em Vilar de Maçada; o seu apelido não é Sócrates, mas Carvalho Pinto de Sousa. Até aqui, só tangencialmente tem culpa”.

SIC-N

Rui Ramos, um dos líderes do Compromisso Portugal, no Expresso da Meia-noite: “Se há um caso, porque é que as coisas não são investigadas em devido tempo e aparecem em ano de eleições?

Gostava de ter escrito isto©

    Não compreendo porque é que os banqueiros portugueses, enquanto corporação, não se demarcam das vigarices praticadas no BCP, no BPN e no BPP -- que afectam gravemente o crédito dos banqueiros em geral -- e não aproveitam para se comprometerem formalmente com um código de ética bancária e com um mecanismo de autodisciplina deontológica.

    A auto-regulação deveria começar pela ética profissional. Mal das profissões que não cuidam do seu crédito e do seu prestígio profissional...

Cavaco visto pelos próximos

Francisco van Zeller, presidente da CIP, em resposta a Maria Flor Pedroso, que o havia questionado acerca da sua amizade pessoal com Cavaco Silva: “Eu dá-me ideia do que ele gostava é de ser primeiro-ministro agora.

PS — Ainda Francisco van Zeller sobre o TGV: “Acho que não podemos deixar de o fazer.”

A palavra aos leitores

• Contributo de leitor que não quer ser identificado:
    "É verdadeiramente interessante o escrutínio daquilo que jornalistas têm feito no chamado caso Freeport. Vejamos, a jornalista Felícia Cabrita escreve duas semanas seguidas sobre o caso nunca adiantando o nome do "ministro de Guterres" que, segundo uma investigação inglesa, estaria envolvido num caso de corrupção. Entretanto, munida de um gravador, a jornalista vai, antes das buscas judiciais se terem realizado, para a porta de um tio do ex-ministro guterrista e confronta-o, por um intercomunicador, com diversos dados que deveriam estar em segredo de justiça (entre os quais, extraordinário este jornalismo de investigação!, os dados sobre as contas off-shore do tio do antigo ministro de Guterres). Grava a conversa pelo intercomunicador, garantindo que não está a gravar a conversa.

    As explicações dadas pelo intercomunicador vão para a gaveta e a ilustre jornalista fica apenas à espera que as buscas se realizem. Depois de se realizarem, e de serem noticiadas em primeira mão pelo jornal Sol, a inestimável jornalista de investigação vai à gaveta e distribui a cassete pela TVI e pela Sic. Os jornais e as televisões passam as declarações dadas pelo intercomunicador como se fossem uma entrevista oficial dada pelo tio de um ex-ministro de Guterres.

    Por outro lado, os jornalistas da SIC cavalgam imparavelmente em direcção à verdade. Ana Lourenço, adoptando um estilo Mário Crespo, pergunta a um ex-secretário de estado se, numa reunião em que estiveram presentes dez pessoas, foram feitas propostas de corrupção em troca de um licenciamento urbanístico. José Manuel Mestre, num estilo Ana Lourenço, diz (ou insinua directamente) no Expresso da Meia-Noite que o ex-ministro de já se sabe quem recebeu luvas dos administradores do Freeport. Mário Crespo, no estilo Mário Crespo, pergunta a um ministro português se em Portugal havia “clima” para um ministro receber luvas.

    De regresso à inefável Cabrita, ficámos também a saber (seguem-se as cenas do próximo capítulo) que um corrupto inglês insinua num CD que o antigo ministro de já se sabe quem recebeu a “massa”. Não havendo qualquer dúvida que a PJ já terá dado o dito CD ao jornalismo de investigação, lá vamos nós ter de levar com uma "delicada" e "comprometedora" peça de investigação nos telejornais de um próximo fim-de-semana.

    E, entretanto, o que é que se passa fora do jornalismo de investigação? A Procuradoria garante duas vezes que o já se sabe quem não está a ser investigado. A Comissão garante que todas as queixas ambientalistas sobre o Freeport foram arquivadas. Descobre-se que o PSD, indignado com os contornos de uma decisão governamental, ratificou, uns meses depois de chegar ao poder, os termos de todas as decisões do dito Governo. Descobre-se ainda, por admissão dos próprios familiares, que o nome de já se sabe de quem foi usado abusivamente e ainda que, até prova em contrário, todas as decisões tomadas no caso foram estritamente legais. Finalmente, descobre-se, via Cândida Almeida, que toda a argumentação utilizada pelos ingleses teve origem numa carta anónima que já não é anónima, uma vez que foi escrita pela trupe santanista e o dito Boal. Enfim, nada que preocupe o jornalismo de investigação ou prejudique as manchetes do dia. O que interessa, como diria o inefável Ricardo Costa num estilo Pacheco Pereira é descobrir o rasto do dinheiro. Ou, no mínimo, ser digno da confiança de um Pacheco Pereira estilo Felícia Cabrita."
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Contributo de Manuel T.:
    "Eis a famigerada “carta rogatória (…). Carta cuja tradução insulta o uso normal da Língua Portuguesa, de tão redondo e oco, em termos de factos, se apresenta esse texto - cuja desmontagem é “brincadeira de crianças” para quem quiser estar a sério diante do problema e exigir perguntas directas e sem sofismas, assim como respostas frontais, transparentes e sem truques ou rodeios.

    Carta que serve aos ingleses para, no parágrafo 2º da 3ª página, explicarem a sua chamada ao processo Freeport, com a forte suspeita de corrupção que à nossa extremosa Polícia Judiciária pareceu haver na aprovação do Freeport em zona de protecção social – suspeita que, deve ser lembrado, foi levantada por um político municipal, passada a papel por sugestão de amigo seu agente da Polícia Judiciária, e atirada para a rua em vésperas de eleições graças a concluio dessa rapaziada com certo jornalismo.

    Polícia Judiciária que, de duas uma: ou não teve o cuidado de espiolhar todo o processo da Freeport, no sentido de encontrar documentos, tramitações e despachos passíveis de sustentar, com o mínimo de segurança, essa suspeita, ou, então, dispensou-se desse esforço e montou-se numa denúncia anónima...

    Carta onde, na página 4, se pode ler que alegadamente foram feitos pagamentos a terceiros relacionados com José Sócrates, alegadamente a pedido deste, pagamentos alegadamente feitos a um primo de José Sócrates e pagamentos alegadamente a empresa de advogados ligados a José Sócrates – alegadamente, alegadamente, alegadamente, como se a polícia inglesa se estivesse borrifando para quem inquiriu e para a verdade dos factos ou evidência de indícios que lhe foram requeridos pelas autoridades judiciárias portuguesas.

    Ou seja, a “carta rogatória” é uma bambochada que não abona nada a nossa Polícia Judiciária – isto face às respostas dos ingleses.

    Quanto ao dinheiro que alegadamente terá vindo da Grã Bretanha para Portugal, ficou hoje mesmo garantido que a ter havido essa movimentação, ela não passou por quaisquer contas bancárias de Sócrates, pelo menos desde 1995 – garantiu hoje no Público o José Mendes que também assina José António Cerejo, o conceituado especialista em investigação de Sócrates e Sócrates, mais Sócrates e sempre Sócrates (garantiu mas só de 1995 em diante – o que, aos cultores da insinuição e da suspeita, deixa margem para duvidar dos anos anteriores)...

    (Apêndices:

    - no “Jornal de Negócios” de hoje, Maria Filomena Mónica, confundindo opinião com descarga biliosa, avançou hoje uma prosa onde, depois de admitir o não envolvimento de Sócrates no processo Freeport, derreteu o homem mais a família a propósito não se sabe de quê – prosa que faz perguntar: que raio de país é este onde até professoras-doutoras mais sociólogas e investigadoras, cosmopolitas entre Lisboa e Londres com passagens por Cambridge e arredores, se consentem avacalhar quem desceu da província até Lisboa?!...

    - considerando que José Sócrates está ser grelhado em lume brando desde há vários dias, por onde anda Manuel Alegre que não se ouve a voz da ética nem da solidariedade, o discurso que exige respeito e transparência, o trajecto que não pactua com iniquidade?...)"

Fica aqui, não andes por aí


Imagem



E agora? Já percebem a razão pela qual, apesar de o "comentador" e "historiador" se sentir na obrigação de afirmar o contrário em público, JPP prefere que PSL esteja muito juntinho de MFL a deixá-lo "andar por aí?".


Contributo do João

Leituras

• Daniel Proença de Carvalho, Política / Justiça / Media:
    “Recordemos apenas os casos mais recentes. Com o "escândalo" Casa Pia lançaram-se durante meses suspeitas e insinuações sobre inúmeras figuras com notoriedade, da política e do espectáculo, um juiz foi ao Parlamento prender um deputado e ex-ministro com as câmaras de televisão a transmitirem a cena em directo, demitiu-se o líder do maior partido da oposição, fez-se um circo mediático em torno do maior humorista português, fizeram-se milhares de escutas telefónicas que envolveram o próprio Presidente da República, as escutas apareceram transcritas na Imprensa, enfim, um chorrilho de devaneios que enlamearam meio mundo. Responsáveis por este desvario? Ninguém!

    Esgotado o tema, o desaparecimento da pequena Maddie suportou o crescimento das audiências das televisões e dos jornais; diariamente foram surgindo revelações bombásticas, provas científicas, indícios seguros e, depois do tiro ao alvo em suspeitos de ocasião, a investigação policial encontrou os culpados: os Pais da menina desaparecida. O herói desta sublime investigação foi o Inspector da PJ cuja notoriedade subiu aos píncaros da glória, com direito a entrevistas de jornalistas de referência. Terminada a cena, o M.P. verificou que os pseudo indícios e as pseudo provas científicas não tinham qualquer valor; o processo foi arquivado! Responsáveis por este tremendo fiasco, demolidor para o sistema de justiça? O único sacrificado foi o director da PJ que num desassombrado gesto de honestidade reconheceu que foi prematura a constituição como arguidos dos pais de Maddie. O Inspector responsável pelo fiasco foi proposto por uma concelhia do PSD para liderar uma Câmara do País! Não é extraordinário?

    Agora, com o mesmo afã justiceiro e com evidentes interesses não revelados, alguns media, com a cumplicidade de alguns elementos do sistema de justiça, apontam as suas baterias a um alvo mais alto, tentando abater o Primeiro-Ministro e com isso criarem uma crise política sem precedentes. É a "cereja no bolo" da irresponsabilidade em que navegam dois poderes não escrutinados e sem legitimidade democrática. Não pensem as oposições que isto é com o actual Governo. Será com quem se atreva a governar contra os privilégios e os interesses instalados, ora corporativos, ora de grupos que controlam os media. Convém não esquecer que já vimos este filme com o fundador do PSD e com outras figuras desse e de outros partidos que, embora inocentes, foram sacrificados no mesmo palco. Não cito os seus nomes para não reavivar o sofrimento por que passaram. Afinal, onde está o poder mais forte? No voto, ou nos poderes feudais que estão acima e à margem dos votos dos portugueses?
• Fernanda Câncio, J'ACCUSE:
    “O caso Dreyfus, como muitos outros antes e depois dele, mostra o ladro negro do poder do sistema judicial. Quando um sistema criado para certificar a procura e o triunfo da verdade despreza a verdade e funciona como se estivesse acima das leis por cujo cumprimento lhe cumpre zelar, instrumentalizando o extraordinário poder que lhe é conferido, não há Estado de Direito. Sem Estado de Direito, não há grande chance para a democracia, até porque não há para aí Zolas aos pontapés. O que há aos pontapés é gente que, quiçá imaginando-se da estirpe do autor de J'accuse, se compraz em funcionar como guarda avançada dessa instrumentalização da verdade. "O meu dever é falar, não quero ser cúmplice", escreveu Zola. É sempre boa altura para lhe honrar o repto.”
• Ferreira Fernandes, OS POMBOS SÃO ANIMAIS ESTÚPIDOS:
    Sobre os factos não sei nada, só posso ser testemunha abonatória de José Sócrates: ele é o melhor primeiro-ministro que já tive. Mas isso é irrelevante. Por isso, já que a suspeita foi instalada, só posso afirmar a minha dúvida: não sei. Mas já sei, tenho até absoluta certeza, que há quem queira instrumentalizar essa minha dúvida. Enquanto esteve com a polícia e magistrados ingleses, a investigação foi o que devia ser, silenciosa. Desde que chegou a Portugal, há dez dias, foi um ver se te avias de informações às pinguinhas. Sou do meio, sei do que falo: investigação jornalística, o tanas. Milho atirado.”

A opacidade do olhar




Para desenjoar - que diabo, aquilo é só gráficos e tabelas - o Jornal de Negócios convidou Maria Filomena Mónica para comentar o caso Freeport.

Óptima escolha, a senhora começa logo por confessar que não percebe nada do assunto, para depois alinhar que está "ciente" de três coisas sobre o caso. Basta ler as tais três coisas de que Mena está "ciente" para que qualquer leitor com informação mediana sobre o caso e certamente com mais que fazer mudar a página rapidamente.

Faz mal... Perde aquela tirada que está logo a seguir: "A primeira coisa que notei, quando o primeiro-ministro tomou posse, foi a opacidade do seu olhar". Não preciso de vos contar o resto da história, pois não?


Contributo do João

Poderes (o)cultos





Perante o estado de descontrolo emocional de Pacheco Pereira, hesitei em escrever este post. Há sempre o risco de o filósofo da Marmeleira se vitimizar, invocando uma qualquer crise existencial, e depois os seus leitores ainda me crucificam se o autor do Abrupto for obrigado a uma cura de sono. Em todo o caso, arrisco.

Pacheco Pereira condescende que o processo Freeport teve início com uma conspiração: Veio a provar-se em tribunal que esta “campanhazinha negra”, discutida nos “encontros da Aroeira”, teve início com uma carta anónima elaborada por Zeferino Boal, candidato do CDS à presidência da Câmara de Alcochete e distinto representante do CDS no STAPE.

Foi com base nessa “denúncia anónima” que a Polícia Judiciária se pôs a investigar e enviou, em 2005, para as autoridades inglesas uma carta rogatória, cuja resposta chegou agora (segundo se diz no comunicado da PGR):
    Os alegados factos que a Polícia inglesa utiliza para colocar sob investigação cidadãos portugueses são aqueles que lhe foram transmitidos em 2005 com base numa denúncia anónima, numa fase embrionária da investigação, contendo hipóteses que até hoje não foi possível confirmar, pelo que não há suspeitas fundadas.”
A gritaria a que se assiste tem, portanto, por base uma “denúncia anónima”, com origem na maquinação congeminada nas vésperas das eleições legislativas em que Santana Lopes e Paulo Portas sofreram uma pesada derrota.

Ora é precisamente essa “denúncia anónima”, que esteve na base da “campanhazinha negra”, que agora serve a Pacheco (e a outros muchachos) para lançar e alimentar a campanha negra em curso.

Quando se esperaria que Pacheco Pereira denunciasse este remake da “campanhazinha negra”, o filósofo da Marmeleira opta por rosnar às canelas da vítima. Quando se esperaria que a direcção do PSD apontasse o dedo àqueles que, no seu seio, designadamente no grupo parlamentar, colaboraram nesta moscambilha, assiste-se a um silêncio cúmplice com os Karl Roves de trazer por casa.

PS — Há um pormenor desactualizado no comunicado da PGR: foi identificado em tribunal o autor da denúncia, pelo que, em rigor, já não se pode falar em denúncia anónima. Ela teve um rosto e propósitos precisos.

O erro fatal




Há, na história do Freeport, um pecado original. Um erro de cálculo fatal, irreversível.

José Sócrates deveria ter sido morto pelo processo Casa Pia. Vejam bem: eliminaram, de uma assentada, Ferro Rodrigues (o líder) e Paulo Pedroso (o delfim do líder), e até tentaram eliminar aquele que a própria cúpula do PS "elegeu" para líder, por umas escassas horas - Jaime Gama.

Falhou-lhes o pormenor Sócrates. Quando tentaram, já era tarde. Ainda se atravessaram com a sua vida pessoal, mas não pegou. O Freeport é já um caso de desespero, como se percebeu logo com a palhaçada de 2005.

Procurem as coincidências entre o processo Casa Pia e o caso Freeport... Vão ver que não são tão poucas. Com algumas derivações curiosas.


Contributo do João

Boa pergunta, Rodrigo


O inspector Torrão

Há por aí alguma confusão, Rodrigo, o que é natural em resultado do bombardeamento a que todos vimos sendo sujeitos. Com efeito, parece que há uma investigação em curso, a qual estará sujeita ao segredo de justiça.

Já a ocorrência dos “encontros da Aroeira” foi comprovada em tribunal. Assim como no mesmo julgamento se comprovou ter havido uma conspiração entre gente da polícia, do jornalismo e da política. A sentença já transitou em julgado (não estando em segredo de justiça).

Indo directo à pergunta do Rodrigo, podemos ver referidos os “encontros da Aroeira”, por exemplo, aqui:
    “Em Janeiro de 2005, Armando Carneiro, presidente da administração da Euronoticias, proprietária da revista Tempo, junta na sua casa de Aroeira o inspector Torrão, o antigo chefe de gabinete de Santana Lopes Miguel Almeida, o advogado José Dias, que trabalhou no escritório de Rui Gomes da Silva, ex-ministro adjunto e ministro dos Assuntos Parlamentares do Governo de Santana Lopes, e o jornalista Vítor Norinha. Segundo Torrão, todos eram seus informadores. Realizou-se, depois, outra reunião com a inspectora Carla Gomes, titular do processo.”
E se o Rodrigo quiser saber mais sobre a conspiração, pode também ler esta descrição deliciosa [com carros do primeiro-ministro da época à mistura e tudo]:
    O empresário Armando Jorge Carneiro revelou hoje em tribunal que, em 2005 e antes das legislativas, levou Miguel Almeida, ex-chefe de gabinete de Santana Lopes, a jantar com uma inspectora da PJ que acompanhava o "caso Freeport". (…) O ex-presidente do Conselho de Administração da revista "Tempo" contou em tribunal que o primeiro contacto que teve com José Torrão (…) ocorreu, em Janeiro de 2005, na sua casa na Aroeira, tendo o ora arguido sido-lhe apresentado pelo advogado Bello Dias. Questionado pelo juiz sobre o número de contactos que manteve com elementos da PJ de Setúbal em Janeiro e Fevereiro de 2005, incluindo encontros com a inspectora Carla Gomes e o inspector Peixoto, Armando Jorge Carneiro contabilizou seis, mas tentou negar que essas reuniões tivessem como motivação o "caso Freeport". Num dos encontros com a inspectora, num bar em Setúbal, o empresário admitiu que entregou já perto da meia-noite, a pedido desta, um exemplar daquele que seria a manchete, no dia seguinte, do semanário "O Independente", sobre o "caso Freeport", em que se falava de um mandado de busca e em que aparece na primeira página a fotografia de José Sócrates. O empresário teve dificuldades em explicar porque razão decidiu levar Miguel Almeida, actual deputado do PSD e figura próxima de Santana Lopes (à data primeiro-ministro) a jantar, em Setúbal, com a inspectora da PJ, alegando que nessa dia estava muito cansado e pediu àquele seu amigo para conduzir. No jantar, onde o ex-chefe de gabinete de Santana Lopes foi apresentado como "Miguel", a testemunha revelou que a inspectora da PJ se mostrou "stressada" , "nervosa" e com receio de estar a ser alvo de vigilância ou perseguição, pois via carros suspeitos. Miguel Almeida terá explicado que se fossem carros do SIS (Sistema de Informações e Segurança) estes teriam necessariamente matrícula registada na Direcção-Geral do Património. A procuradora do Ministério Público quis saber se a testemunha tinha ligações a partidos políticos, ao que este disse que não, dizendo porém que na adolescência militou na Juventude Centrista (JC). Quando aos políticos que conhece melhor pessoalmente, a testemunha indicou Pedro Pinto e Santana Lopes (PSD), bem como Paulo Portas (CDS/PP) e Manuel Monteiro, antigo líder da JC e do CDS/PP. Quanto a Miguel Almeida disse ser "visita de sua casa". Destes, assegurou que só trocou impressões sobre o "caso Freeport" com Miguel Almeida e que nunca acompanhou muito de perto o lado jornalístico das investigações, que estava a cargo de Victor Norinha e de outros membros da equipa redactorial da extinta revista "Tempo". No decurso da audiência e em resposta a uma pergunta do juiz, Armando Jorge Carneiro admitiu que, no decurso deste caso, estabeleceu contacto com um amigo que tinha no SIS, porque suspeitava que estava a ser vigiado por carros que pensava ser da PJ ou do próprio SIS, tendo anotado o número das matrículas. Segundo disse, o amigo do SIS ter-lhe-á garantido que os carros "eram da Presidência do Conselho de Ministros" [era então Santana Lopes primeiro-ministro].
Espero que o Rodrigo tenha ficado esclarecido acerca da conspiração dos "encontros da Aroeira" (e arredores).

Ontem e hoje

Estive a ver apresentação das primeiras páginas dos jornais na TV. A tão aguardada comunicação da PGR não merece uma única referência na capa do Público.

Ontem, a fuga de “informação” manipulada teve honras de manchete, mas hoje a verdade sobre a investigação nem um cantinho merece na primeira página.

Moral da história: José Manuel Fernandes não simpatiza nada com o procurador-geral da República.

♪ The Divine Comedy


A Short Album About Love


If

quinta-feira, janeiro 29, 2009

A palavra aos leitores

Contributo do leitor Manuel T.:
    «Segundo o Público, em prosa não assinada, o PS "terá" feito alterações on-line em texto sobre relatório dito da OCDE, e segundo o mesmo jornal, mas com assinatura de São José Almeida e de mais dois colegas, e sobre transcrição da Sábado, "as autoridades portuguesas estão a investigar um email que "terá" sido enviado pela empresa Smith & Pedro" - jornalismo que através do "terá" tudo pode publicar entre a insinuação e a suspeita, a inverdade e a mentira, a perplexidade e a conclusão encaroçada.

    "Terá" que não mereceu qualquer atenção, cuidado e reparo por parte do membro do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas que apareceu a manifestar-se contra tentativas de condicionamento dos jornalistas, visto isso manobras de poderes políticos que, de certo a bem da transparência, não identificou.

    Ainda segundo o Pùblico e pela pena de José António Cerejo, que, recorde-se, quando precisa de fazer requerimentos a entidades camarárias assina sob José Mendes, não tem grande credibilidade o inquérito que não provou favoritismos por parte de um engenheiro técnico que há décadas esteve ao serviço de uma autarquia, conclusão também retirada pela senhora vereadora Ana Manso que não há muito "terá" mostrado o respectivo carácter e elegância ao tecer comentários sobre problemas auditivos do falecido Sousa Franco.

    Quanto à RTP 1, aonde também arribou o "terá", a julgar por tentativa de pergunta após declaração do PM, a Felgueiras Filha atirou-se como um rato ao último comunicado da PGR e onde esse documento dizia sim ela acrescentava mas, onde dizia não definitivo ela intervalava uma dúvida e onde dizia talvez ela exprimia o seu particular de vista...

    Ah, ouvi a Drª Cândida de Almeida - de tal maneira que amanhã de manhã vou percorrer a diversa comunicação social para saber se a sua gente ouviu ou não o mesmo que eu...

    Quanto ao resto continua na mesma - porque, dizia o meu pai, quem não se respeita a si próprio, não pode respeitar os outros, acrescentando que quem duvida de si mesmo, suspeita dos outros.»

Ai bate, bate...

José Simões: “Agora são 13:38 e a edição on-line do Público continua com a mesma notícia à cabeça, desde as 19:22 de ontem. Há aqui qualquer coisa que não bate bem…”

Como as coisas se fazem

"Eu, que prezo muito a presunção de inocência..." - começa António Lobo Xavier, na Quadratura do Círculo, logo atropelado, como de costume, pelo hiper-excitado e hiper-concordante Pacheco Pereira.

Quando alguém começa uma frase assim, já se sabe onde vai dar - a presenção de inocência, no caso do primeiro-ministro, vai ser mandada às urtigas. Foi, e de que forma!


Contributo do João

Ainda a palavra aos leitores

«(…) Assisti ao Jornal Nacional da TVI. Reparei (porque tinha imprimido o comunicado da PGR) que não foi lida uma parte do ponto 7º (a que está sublinhada):
    "Os alegados factos que a Polícia inglesa utiliza para colocar sob investigação cidadãos portugueses são aqueles que lhe foram transmitidos em 2005 com base numa denúncia anónima, numa fase embrionária da investigação, contendo hipóteses que até hoje não foi possível confirmar, pelo que não há suspeitas fundadas."
Se não há uma campanha para denegrir o primeiro-ministro, porque é que omitiram essa parte do ponto 7º?»
    De e-mail de Joaquim M.

A palavra aos leitores

De e-mail da leitora Ernestina S.:
    «O prof. Vital Moreira defende - e bem, como é seu hábito - que tanto o Presidente da República, como o Procurador deveriam tomar uma posição firme em defesa das instituições do regime democrático e não deixá-las ao arbítrio das campanhas sujas sustentadas por muitos poderes ocultos.

    Nem de propósito, há hoje uma notícia na TSF de um "manifesto" de juízes sobre pretensas falhas no sistema informático judicial, vulnerável a espreitadelas do Governo. Que oportunidade! É descarada intervenção partidária escondida atrás da toga.»

Debitar e creditar

O que se aprende nas caixas de comentários (que se confirma aqui):
    "Dias Loureiro utiliza da melhor forma a protecção do Conselho de Estado concedida pelo PR. Por isso com todo o desplante declara que não sabe de nada, nunca ouviu falar em nada e até tem raiva de quem sabe alguma coisa. Chamou-me a atenção o facto de dizer, com ênfase, que não percebe nada de contabilidade. E não é que ele é tão-somente o Presidente do CONSELHO FISCAL da Fundação Champalimaud! E esta, hein!!!"

A lei e a palha

Está aqui o comunicado da Procuradoria-Geral da República. Duas notas breves:
    1. Como diz a PGR, e muito bem, “Ninguém está acima da lei”. Presumo que isto valha também para a equipa (procuradores e investigadores da PJ) que está com o caso Freeport, designadamente quanto à violação sistemática do segredo de justiça e ao pára/arranca do processo.

    2. Diversamente do que a comunicação social hoje diz, a diligência da polícia inglesa é a resposta a uma diligência da polícia portuguesa promovida em 2005: “Os alegados factos que a Polícia inglesa utiliza para colocar sob investigação cidadãos portugueses são aqueles que lhe foram transmitidos em 2005 com base numa denúncia anónima, numa fase embrionária da investigação, contendo hipóteses que até hoje não foi possível confirmar, pelo que não há suspeitas fundadas.”

    Dito de outro modo, a carta rogatória enviada, em 2005, pela polícia portuguesa está contaminada pela tramóia levada a cabo nas vésperas das anteriores eleições legislativas. Foi com base nos elementos da referida carta anónima enviada de Portugal que a polícia inglesa reagiu. Logo, os elementos pedidos não foram, contrariamente ao que a comunicação social disse ontem e hoje, consequência de qualquer investigação que esteja a ser levada a cabo pelas autoridades inglesas.

Os técnicos da iluminação colocaram os holofotes do avesso

Os casos BPN e BPP (sem esquecer o BCP) envolvem o julgamento do núcleo duro do cavaquismo. Acontece que a audição de Dias Loureiro na comissão de inquérito ao BPN passou quase despercebida na comunicação social.

Valha-nos deus, o homem, depois de ter sido tudo e mais alguma coisa no PSD e nos governos de Cavaco, é ainda conselheiro de Estado escolhido pelo Presidente da República. Merecia mais consideração por parte dos media.

Às vezes, até custa lembrar o óbvio...






              Helena Garrido


1. Surpreende-me que Helena Garrido, que ocupa, por direito próprio, uma posição relevante na comunicação social, não se dê conta de que os jornalistas estão a comer a palha que lhes dão para comer. “Dados” descontextualizados e, provavelmente, truncados não são informação.

2. Acresce que, num sistema em que vigora o “segredo de justiça”, os “acusados” não têm acesso à informação, pelo que não podem sequer defender-se do que desconhecem em absoluto.

3. Não sendo preciso recordar outros processos, o que se passou em 2005 com o caso Freeport ensina-nos como estas coisas se montam.

É bom recordar que, na sequência das investigações à quebra do segredo de justiça por parte da revista Tempo e do Independente, um dos nomes citados por ter participado em “encontros” entre jornalistas e investigadores da Polícia Judiciária é o de Miguel Almeida, que foi vereador de Pedro Santana Lopes na Câmara da Figueira da Foz, depois chefe de gabinete de Santana quando este foi presidente da Câmara de Lisboa e primeiro-ministro, e que, na hora actual, é um destacado membro daquele grupo parlamentar concebido, segundo Marques Mendes, numa noite de nevoeiro. Suponho que Miguel Almeida não apareceu nos “encontros da Aroeira” por distracção ou magia...

Memória histórica

Quando Cavaco Silva se apresentou às eleições legislativas de 1991, nas quais renovou e reforçou a maioria absoluta, o XI Governo que chefiava estava em frangalhos, abalado por "casos" successivos, curiosamente alimentados por um jornal que entretanto faliu.

Por exemplo, o Ministro da Saúde era Arlindo Carvalho (!), chamado à pressa para substituir Leonor Beleza, que não aguentou os sucessivos "casos", envolvendo hemofílicos e familiares muito chegados, assim como a pressão do "lobby" dos médicos, que tentou afrontar.

E o Ministro das Finanças era Miguel Beleza, que ocupou o lugar dos Belezas no Governo substituindo Miguel Cadilhe, também ele afastado por um escândalo, este um pouco risível.

A História, ou a Justiça, viriam a ilibar ambos. Leonor e Cadilhe são hoje duas respeitáveis reservas da Nação, apesar dos sarilhos do BPN em que o segundo se meteu.


Contributo do João

Índice de Desonestidade (+5) (cont.)

4. Os quatro líderes da oposição tiveram, em conjunto, 68 horas, mais dez que o primeiro-ministro. Ou seja, as televisões simplesmente inverteram nos seus critérios editoriais o sentido do voto dos portugueses e a composição do Parlamento. Sendo realista, digamos que se trata de um tratamento equilibrado, tendo em conta a diversidade de oposições. Mas não deixa de ser um aspecto a ter em conta quando se anda de cronómetro em punho a denunciar alegados favorecimentos mediáticos.

Adenda Filinto, na caixa de comentários ao post anterior, lembra o seguinte: “MFL e LFM juntos dão essas 30 horas.”


Contributo do João

Índice de Desonestidade (+5)




1. Que o líder do poder executivo lidere, distanciado, um top de presenças na televisão é a coisa mais banal do mundo.

2. Que o segundo lugar dessa lista, num regime não presidencialista, seja ocupado pelo Presidente da República não é normal.

3. Que Manuela Ferreira Leite, líder do principal partido da oposição, apareça no fim do top é perfeitamente normal: MFL foi eleita presidente do PSD em 31 de Maio; mesmo que a sua estratégia inicial assumida não tivesse sido o silêncio, basta fazer as contas - se descontarmos as férias de Verão, MFL foi líder do PSD durante metade de 2008, ou seja, se tivesse sido líder do PSD durante o ano inteiro teria tido, não 15 horas de exposição televisiva, mas o dobro, ou seja 30 horas, o que a colocaria no segundo lugar do top, o seu "lugar natural".

Ou seja, o que este gráfico mostra é a absoluta normalidade na relação entre os media, no caso, a TV, e o poder político. Com uma ligeira distorção favorável ao Presidente da República. Que um intelectual não queira perceber isto...


Contributo do João

♪ Brian Fallon (Gaslight Anthem)



Backstreets

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Viagens na Minha Terra

Todos nós temos fases más




Por causa dos últimos acontecimentos no BPP, comprei a biografia autorizada de João Rendeiro, intitulada TESTEMUNHO DE UM BANQUEIRO, que apresenta o seguinte subtítulo: A história de quem venceu nos mercados. Garanto-vos que a única coisa que me surpreendeu foi o o prefácio, cujo autor é João Cravinho: “Chegar mais alto pelo seu próprio mérito, com toda a limpeza, é também apontar caminhos a outros, um pouco como quem abre portas a futuras marés que levantem todos os barcos à medida que a linha de água sobe. Nenhum país avança sem histórias exemplares.” [p. 12]

Se não levam a mal…




Qualquer manga-de-alpaca se sente no direito de discorrer sobre o que Diogo Freitas do Amaral disse sobre o caso Freeport. Se ainda assim o leitor entender que vale a pena ouvir o que o maior especialista português no Direito Administrativo tem a dizer, clique aqui.

Jornalismo de sucesso (3)

Esta gente não anda boa da cabeça: Direcção do 'Sol' fica mais três anos.

Contributo do João

"Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite"

Faz-se aqui uma análise interessante do tema, tendo em conta um caso prático:
    “Cavaco Silva (já que é dele que estamos a falar) nunca gostou dessa mediação jornalística. Ele próprio já confessou que, quando era primeiro-ministro, a sua estratégia de comunicação sempre passou por tentar falar directamente aos eleitores, ultrapassando a mediação jornalística. Dez anos depois, as novas tecnologias deram-lhe os instrumentos que então lhe faltavam.”

A palavra aos leitores - "CONTINUA TUDO NA MESMA!..."

Contributo de Manuel T., leitor de Santa Maria da Feira:
    "A morte de um velho amigo, uma semana após a partida da esposa e depois de idas diárias e sobressaltadas ao hospital no princípio de cada noite, amigo de sucessivas levas de estudantes e operários que pelas sete da manhã ele transportava, como motorista de empresa particular, para o Porto – tem-me obrigado a relativizar o que se diz, vê e ouve na comunicação social, mormente na RTP 1, a do “serviço público”, que anda muito excitada no noticiário, embora não consiga encobrir o facto de a maioria esmagador desse fraseado e visual ser plágio do que a demais imprensa palpita e suspira, assim como a olhar com sanitária prevenção o matutino Público.
    Por exemplo, há instantes a RTP 1 mostrou Paulo Rangel muito agitado, tenso, gesticulante e quáse em bicos de pés, o costumeiro Paulo Portas com vistosa fatiota para posar diante de fotógrafos e operadores de câmara, o Jerónimo de Sousa tentando passar a ideia de que as multinacionais se vão embora porque o governo deixa, o Francisco Louçã, que não gosta de fardas mas é filho de militar, a querer passar por mais sério, inteligente e amigo do que o remanescente pessoal político português, e o Guilherme Silva, deputado da Madeira e visto isso advogado do respectivo governo, a dizer qualquer coisa sobre coerência, seriedade e o mais que até fica bem em filme.
    Quanto ao resto – e depois de ter lido hoje Batista Bastos a afastar-se da “matilha” que anda à solta na comunicação social – nada de especial:
    - ontem na SIC Notícias, o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministário Público lamentou que na cerimónia de abertura do ano judicial as diferentes intervenções tivessem parecido discursos de gente que vive em mundos completamente distintos; lamento, esse ou outro, que não tive oportunidade de ouvir hoje, quando o DN noticiou que nas buscas ao BPP o DCIAP e o DIAP se encontraram, mas descoordenados, e outra imprensa deu nota do ocorrido e verificado nessas buscas...
    - por estas alturas, o Público esqueceu-se de pedir comentário a Mário Nogueira sobre a avaliação positiva que instância internacional fez das melhorias introduzidas por Maria de Lurdes Rodrigues no Ensino Básico, remeteu para uma esquina o desaforo com que o PSD-Madeira destrata o Hino Nacional, colocou debaixo de prosa crítica sobre o nosso país o propósito do governo norueguês atacar a crise local com investimento público em estradas e outros, viu um relatório camarário desmentir obras e manobras de um então engenheiro técnico ao serviço dessa autarquia, assunto despoletado por um António José Cerejo que assinou José Mendes para requerer acesso a processos de obras particulares com o fim de preparar “trabalho comparativo sobre as práticas urbanísticas em vigor em várias regiões do país na década de 80”, acesso que depois serviu a prosa bárbara sobre o político que com esse cavalheiro manteve diferendo levado a juízo judicial, e, finalmente, noticiou que a direcção do CDS vai convocar uma assembleia de militantes para decidir do apoio a Santana Lopes (convocatória de certo esquecida de que o Público, na edição de 11 de Setembro de 207, sob a pena de Margarida Gomes, reportou encontro de militantes do CDS em Azeitão, onde o dirigente Miguel Matos Chaves classificou Santana Lopes de “imbecil”)...
    Ou seja, ou estou a endoidar ou continua tudo na mesma nos sítios onde os respectivos ocupantes são limpos e puros e por isso se destinaram a missão de livrar a pátria dos empecilhos e supostas nódoas..."

À atenção do "historiador"




Dois importantes contributos para a investigação que JPP tem em curso sobre a "família Sócrates".


Contributo do João

Da série "Frases que impõem respeito" [257]

    “Concluo que este partido [PCP] está impregnado de um conjunto de características típicas de organizações dogmáticas, com disciplina de caserna, que o tornam uma organização estalinizada, com práticas reaccionárias, envolvidas de um discurso pretensamente progressista, mas, de facto, retrógrado”.

Brevemente no Índex num índice do situacionismo perto si

(…) não gosto de ser enrabado. É uma mania.

Leituras

• Baptista-Bastos, VIVER EM PORTUGAL:
    “Não gosto dele [Sócrates] porque nos fez admitir a política do irremediável. Porém, este caso do Freeport fez-me reflectir sobre a natureza da indignidade e os fundamentos da sordidez. Nos últimos três anos, o homem foi acusado de forjar uma licenciatura, de ser homossexual (uma acusação abjecta, com remetente conhecido) e, agora, de estar envolvido numa tecelagem de corrupção. A história escora-se numa trama obscura, mas o estilo caracteriza a procedência. Não pertenço à matilha. As desprezíveis fugas de informação parecem obedecer a um calendário político. Seria Sócrates muito tolo, e não o é, acaso se se deixasse enredar numa teia tão rudimentar e insensata quanto os noticiários no-lo revelam. Creio que esta ruideira não o afectará politicamente. Lembram-se da campanha contra Sá Carneiro? Viver em Portugal é perigosíssimo.”
• Ferreira Fernandes, AI, SE O TIVESSEM OUVIDO...:
    «Um administrador, em 2001 (!), estava "intranquilo" com a forma como era gerida uma sociedade financeira! Tivesse o Banco de Portugal a presciência de acatar o aviso e alertar a banca mundial e não teríamos a crise que hoje vivemos. Mais coisa menos coisa, foi sempre o mesmo "modelo de gestão" - do BPN ao Lehman Brothers - que deu cabo disto.»
• João Rodrigues, A responsabilidade das crenças económicas:
    “É uma das ironias da história económica que a acção de muitos economistas académicos convencionais tenha sido parcialmente responsável pelo retorno dos padrões de instabilidade que tornaram cada vez mais pertinente a teoria económica crítica, que sobreviveu nas margens da disciplina. É por isso preciso trazê-la para o centro do ensino e do debate sobre as reformas económicas. Quem tem medo do pluralismo?”

Um homem perigoso (3)

Escreve, brevemente, FNV nos comentários ao post anterior desta série:

"Distorção, caro Miguel. Esses mecanismos mencionei-os eu, num post aqui citado. Acontece que a culpa - desses mecanismos - não é de um comentador político e historiador como JPP."

Dois igualmente breves comentários:

1. Todos os posts de JPP sobre o caso Freeport são, no mínimo, um apelo à distorção, através do incitamento à publicação de entrevistas truncadas e de fugas de informação direccionadas.
2. No currículo de JPP publicado por FNV há dois esquecimentos relevantes para este caso: JPP é "comentador político e historiador", mas é, igualmente, "militante destacado do PSD e guru político de Manuela Ferreira Leite".


Contributo do João

Freeport [2]

Júlio Monteiro publicou hoje (ontem) um comunicado, do qual reproduzo o ponto 6:
    “6. Permitam-me, também, que diga que já no passado dia 7 de Janeiro, e com todo o espanto que possa causar, fui contactado telefonicamente pela jornalista Felícia Cabrita, que me confrontou, pela primeira vez, com a existência de uma investigação em curso em Inglaterra (na qual eu estava sob investigação, supostamente por indicação ou ligação ao Senhor Charles Smith), da qual constava o supra referido e-mail e a identificação de todas as empresas que eu detinha à data, incluindo duas offshore. Mais fui informado pela referida jornalista que a investigação iria prosseguir em Portugal brevemente.

    Estranhando tanta informação que me parecia ser confidencial, perguntei à referida jornalista qual a sua fonte, ao que se limitou a responder ser uma fonte muito segura. Foi-me sempre dito que esta conversa não estava a ser gravada e que o meu Advogado poderia contactá-la, se nisso tivesse interesse, mas apenas no final do dia seguinte, tendo em atenção que um familiar seu iria ser internado de manhã cedo para ser submetido a uma qualquer intervenção.

    Acrescento que no dia 22 de Janeiro, pelas 11h47m, fui contactado por uma jornalista, que me pareceu ser a mesma, porém de um número de telefone não identificado, afirmando que já sabia que a Polícia Judiciária estava em minha casa a efectuar buscas, e que o sabia porque tinha telefonado para a minha residência e conversado com uma empregada com sotaque brasileiro. Junto da empregada, de imediato, apurei que não tinha sido recebido qualquer telefonema nessa manhã.

    Mais quero referir que a gravação da conversa mantida no dia 23 de Janeiro com uma jornalista pelo intercomunicador da minha residência, e que foi divulgada pela Tvi na abertura do Jornal Nacional, não foi autorizada. No final desta conversa perguntei se a mesma tinha sido gravada, tendo-me sido informado que não.

    Lamentavelmente, utilizaram a gravação de uma conversa informal, cuja existência desconhecia, fazendo cortes para retirar as frases do contexto em que foram proferidas, agudizando a suspeita que, neste momento, recai sobre a minha pessoa e as minhas empresas.”
Pergunto:
    1. Como obteve Felícia Cabrita os elementos?
    2. O contacto com Júlio Monteiro no dia 7 de Janeiro não pode ter prejudicado as investigações?
    3. A jornalista da TVI que ligou para Júlio Monteiro, enquanto decorria a busca à sua residência, garantiu que havia sido a empregada a informá-la, embora esta negue que tenha recebido qualquer chamada telefónica. Como soube a TVI desta diligência?
    4. Se foi garantido a Júlio Monteiro que a conversa mantida pelo intercomunicador não havia sido gravada, como pôde ela ser transmitida pela TVI?
    5. Se a gravação de uma conversa informal foi ainda sujeita a “cortes para retirar as frases do contexto em que foram proferidas”, estamos ou não em presença de uma campanha suja?
    6. Se Felícia Cabrita já possuía elementos no dia 7 de Janeiro, por que esperou até ao dia 23 para dar conta das suas “investigações”?

Freeport [1]

CAA escreveu um post curioso. Intitula-se Pronto, tá explicado… e resume-se a esta imagem:




Está implícito neste post que o tio de Sócrates teria dito coisas gravíssimas e que, em consequência, se pretenderia agora desvalorizar o peso das suas palavras. Vamos por partes:
    1. Que disse Júlio Monteiro? Disse que contou a Sócrates que alguém lhe havia transmitido que, para a aprovação do licenciamento do Freeport, estariam a ser pedidas luvas de “quatro milhões de contos”. Qual é a gravidade disto? Eu reagiria exactamente assim se estivesse no seu lugar.

    2. Neste contexto, os alegados problemas do foro neurológico de Júlio Monteiro, referidos por um seu irmão, parecem irrelevantes. Em todo o caso, se o senhor em causa anda em tratamento há anos, não deverá ser complicado a Felícia Cabrita furar o sigilo profissional dos médicos para o comprovar, tendo em conta a facilidade com que ultrapassa o segredo de justiça.

♪ Beirut



La Llorona

terça-feira, janeiro 27, 2009

Simbiose




Passagens do discurso de Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, na sessão de abertura do Ano Judicial:
    O fundamentalismo justiceiro que se instalou em certos sectores judiciais sobretudo ligados à investigação criminal sente que vale tudo para apresentar resultados espectaculares, mesmo que espectacular só sejam as acções desencadeadas e não os resultados obtidos”.

    O bastonário falou ainda sobre o facto de os cidadãos serem “bombardeados com notícias sobre grandiosas acções de investigação que dão excelentes manchetes ou abertura de telejornais, mas sobre as quais, durante anos e anos, não se conhece nenhum resultado palpável”.

    Há sérias razões para suspeitar que algumas investigações visam, em simbiose com o jornalismo sensacionalista, conseguir a criação artificial do alarme social tão necessário à aplicação das severas condenações ou de desproporcionadas medidas de coacção”.

SIC-N

Diogo Freitas do Amaral, o mestre dos mestres do Direito Administrativo, está no Dia D a analisar o caso Freeport.

“Manobra política”




No Falar Claro, programa semanal de debate na RR, Vera Jardim e Morais Sarmento discutiram o caso Freeport. Chamo a atenção para as palavras do actual presidente do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, das quais se transcreve uma passagem do relato da RR:
    «Para o presidente do Conselho de Jurisdição do PSD, a Procuradoria-Geral da República tem de esclarecer o que é que andou a fazer nestes três anos.

    Porquê agora? Ou é uma manobra política, uma calendarização, que não podemos aceitar, ou é uma investigação a sério manchada por uma manobra política”, diz Morais Sarmento, para quem na opinião pública fica sempre uma imagem “nebulosa” destes acontecimentos.

    Porque “não podem decorrer duas pré-campanhas com quatro anos de distância sem que ele seja inocentado e os cidadãos informados”, o Primeiro-ministro é “um cidadão a quem é pedido mais que aos outros, tem determinados direitos, entre os quais não pode estar quatro anos, com nova campanha eleitoral e estar ainda sob suspeita de investigação”.»
O vídeo está aqui.

Viagens na Minha Terra

Adenda - Um post do Jumento foi ontem erradamente linkado: Excitações freeportianas.

Um homem perigoso (2)

Há, de facto, homens perigosos, que "aparecem pouco, escrevem e falam menos, podem muito." É de todos os tempos - os homens da sombra são, deveras, muito perigosos... Mas os outros, os que têm "visibilidade a mais", têm todos os palcos, podem ser ainda mais perigosos. Até podem "pensar bem". De pessoas que "pensavam bem" está o Inferno cheio.

Mas as pessoas que "pensam bem" e têm "visibilidade a mais" deveriam ter para com os seus concidadãos um dever acrescido de honestidade. Por exemplo, essas pessoas sabem que as buscas (e o conteúdo das mesmas) estão abrangidas pelo segredo de justiça. E sabem que "as buscas", por serem feitas por autoridades policiais e judiciais, independentemente dos seus resultados concretos (que só conhecemos através de fugas controladas e direccionadas pelos agentes que as fazem...) conferem "veracidade" ao diz-que-disse, à suspeita rasteira, às "bocas" do homem da rua.

Porque, caro FNV, foi exactamente com este tipo de mecanismos, fora dos tribunais, à margem do Estado de Direito, sem qualquer possibilidade de defesa perante a enxurrada dos media, que foram "condenados" Leonor Beleza, Carlos Melancia, Carlos Cruz, Herman José, Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues, a mãe de Joana e os pais de Maddie...

Pelos vistos, isso é coisa que não o incomoda, caro Filipe. E isso surpreende-me.

Contributo do João

Leituras

• Ferreira Fernandes, É A POLÍTICA, ESTÚPIDO!:
    “Cada um deles era o que já se chamou O Homem de Davos - se o Australopithecus nos pôs de pé, o Homo de Davos pôs-nos a julgar que seríamos ricos. Pois bem, os grupos de Thain e Rubin faliram, o Merckle suicidou-se, o Raju tem o passaporte cassado por trafulhices na sua empresa... E tudo aconteceu entre a reunião de Davos de 2008 e a deste ano, sempre em fins de Janeiro quando àquela montanha lhe dá para a magia.”
• Pedro Adão e Silva, A grande compressão:
    “Quais são então os instrumentos disponíveis para termos um padrão de distribuição de rendimento mais justo? Não há pólvora por inventar. Como também nos revela a história da Grande Compressão, à subida das taxas de imposto para os 10% mais ricos correspondeu, por si só, uma distribuição de rendimentos mais equitativa. Para além dos efeitos redistributivos, há uma questão moral que se coloca em Portugal hoje: após tantos casos de gestão danosa com fraca preocupação com o bem comum, é aceitável que quem tenha um rendimento de cerca de 4.000 euros mensais esteja no mesmo escalão para efeitos de IRS do que quem recebe 20.000 euros? Como recordava Fernando Ulrich há uns meses, a actual conjuntura torna ainda mais premente a necessidade de taxar mais os que mais ganham, daí a necessidade de criar um novo escalão de IRS para os rendimentos muitíssimo elevados. Do mesmo modo que, para proteger mais as classes médias dos efeitos da crise, é fundamental que estas possam fazer deduções maiores com as despesas sociais do que quem se encontra no escalão mais elevado.”
• Vital Moreira, O regresso da “boa América” (a publicar na Aba da Causa):
    “Na agenda doméstica, toda a atenção vai ter de ser canalizada para o ataque à profundíssima recessão que assola o país e o mundo, em consequência da crise financeira desencadeada em 2007 e alimentada pela irresponsável política de "auto-regulação" dos mercados financeiros e de promoção do dinheiro fácil. O problema é que, com a necessidade de concentrar todos os esforços financeiros nessa frente - agravando exponencialmente o já elevado défice orçamental e o endividamento público dos Estados Unidos -, Obama vai ter de adiar ou reduzir os seus programas sociais, sobretudo em matéria de sistema de saúde e de protecção social.

    No seu discurso inaugural, Obama disse claramente que, embora não existindo alternativa ao mercado como instrumento de criação de riqueza, ele tende porém a sair dos eixos, na falta de um "olhar vigilante" (watchful eye). Conjugando esta óbvia condenação do "capitalismo laissez-faire" com as medidas já anunciadas para reformar a regulação no sector financeiro, incluindo no plano internacional, a conclusão é a de que os Estados Unidos podem vir a convergir com o modelo de uma "economia de mercado regulada", na tradição europeia. E se, apesar da crise, o novo Presidente ainda puder realizar o seu programa social, então não é temerário antecipar que os Estados Unidos venham também a ficar menos distantes do "modelo social europeu", embora nas suas versões menos exigentes.”

Central de Comunicação (2)




O Público apressou-se hoje a colocar a respectiva setinha para cima e a elogiar a adesão do Senhor Presidente ao Youtube, Vídeos Sapo e Flickr. Aquilo deve ser lá uma senha entre eles, uma praxe, uma espécie de "bem vindos ao clube". Ai se fosse o malandro do propagandista do Sócrates...


Contributo do João

Contra as pressões, marchar, marchar!

Por uma vez, confesso que estou de acordo com a Direcção do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. Publicou ela um comunicado em que se insurge contra as pressões no caso Freeport, assinalando que estas são tão mais surpreendentes quanto a PGR emitiu dois comunicados a confirmar que nenhum membro do actual ou de outro governo se encontra sob investigação, afastando assim qualquer conotação política do caso.

Este inteligente comunicado deu-me muito que pensar. Puxei pela cachimónia para perceber quem é que está a fazer pressões para que o caso ganhe conotação política. De memória, e à vista desarmada, aqui vai a lista dos principais culpados:
    • Felícia Cabrita, que se comporta como uma verdadeira agente provocadora, prejudicando o normal curso da investigação;
    • Pacheco Pereira, que passa a vida a tentar ligar o primeiro-ministro ao processo, transformando-o num caso partidário;
    • José Manuel Fernandes, que se serve de um jornal para extrair conclusões de cunho igualmente político-partidário sobre o caso;
    • Carlos Anjos, sindicalista da linha “unitária” da PJ, que se esfalfa a fazer declarações sobre um processo em segredo de justiça;
    • António Cluny, que contra a orientação do seu próprio sindicato, num raro caso de dupla personalidade, faz sucessivos comentários sobre uma pretensa interferência do primeiro-ministro por ele protestar contra os atentados ao seu bom nome.
Aqui vai uma sugestão para os ilustres sindicalistas do Ministério Público. Da próxima vez, para além do acutilante comunicado, não deixem de revelar os culpados pelos atropelos à independência dos tribunais. Não precisam de agradecer este generoso contributo…