terça-feira, dezembro 30, 2008

Manobras recorrentes

O Presidente da República promulgou hoje, terça-feira, o Orçamento do Estado para 2009, depois de “fonte de Belém” (não desmentida) ter segredado ao Sol que Cavaco o iria pôr em causa.

Percebe-se a manobra: Cavaco tem o proveito (o efeito das manchetes) sem ter os custos (ter de assumir as consequências).

Esta manipulação grosseira da comunicação social é um truque velho. Por exemplo, em 2006, quando se verificou uma falta de quórum no Parlamento, o Presidente mandou dizer pelo Expresso que ia puxar as orelhas aos deputados. Depois, népia. Veja-se:





PS — As jornalistas do Sol não teriam a obrigação de identificar a “fonte de Belém” que as utilizou nesta manobra grosseira?

Contributo do João

“Vetar um Orçamento?”





«“Vetar um Orçamento? Só em circunstâncias muito, muito excepcionais”. As palavras são de Cavaco Silva, ainda durante a campanha para as presidenciais, em entrevista ao Diário Económico. “O Orçamento do Estado é um instrumento fundamental para a política do Governo, é discutido em detalhe na Assembleia da República. Se houver alguma coisa que o Presidente da República ache que não vai no bom sentido, o que ele deve fazer é falar com o primeiro-ministro”, defendia o actual chefe de Estado em Janeiro de 2006.»

Da série "Frases que impõem respeito" [248]

    “Discordar do cardeal Ratzinger é o meu direito, mas em noite de consoada parece-me um pouco excessivo.”

Viagens na Minha Terra (act.)

    Pedro Magalhães, Outlier: sobre o Estatuto dos Açores:

      “1. A apreciação que o Presidente fez do Estatuto na sua comunicação ao país de ontem (assim como na do Verão passado) não deixa margem para dúvidas: sem nunca usar o termo, não há dúvida que o Presidente entende que o Estatuto é inconstitucional. Se assim entende, então não pode argumentar que fez "tudo o que estava ao [seu] alcance para defender os superiores interesses do Estado". Não fez uma coisa: solicitar ao supremo intérprete da constitucionalidade das leis que faça o seu trabalho em relação uma lei que o PR entende ser inconstitucional.

      2. Ao não o fazer, abre caminho a uma série de interpretações - todas provavelmente ilegítimas, mas não por isso menos possíveis de tentar fazer vingar na opinião pública - sobre a sua actuação, nomeadamente a de que suspeita que o Tribunal não apoiaria a sua interpretação ou até de que suspeita que o Tribunal seria influenciado pelos interesses partidários que criticou na sua comunicação. Ao não pedir a fiscalização, o Presidente, mesmo que involuntariamente, desvaloriza o TC.”

Leituras

• António Correia de Campos, Ponto final:
    “Na avaliação do desempenho político do Governo no ano que finda sobressaem duas críticas: que o Governo tardara em reconhecer a crise internacional, que a sua arrogância irrita os parceiros e inibe a consensualidade. Vejamos cada uma destas críticas.”
• Pedro Adão e Silva, Um Presidente em busca de um papel:
    “Estamos perante o cenário ideal para do fim da cooperação estratégica passarmos a uma crescente oposição entre Belém e São Bento.”

♪ Low



Sunflower

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Açores

(Duas breves notas porque tenho um trabalho para entregar amanhã)

1.º O Presidente da República esqueceu-se de explicar por que, estando em causa uma norma que considera inconstitucional, não pediu a sua fiscalização preventiva.

2.º O Presidente da República, ao considerar “absurda” a solução adoptada pela Assembleia da República, permite-se julgar actos de outro órgão de soberania, colocando-se acima dele, o que em termos constitucionais parece um absurdo.

E a CGD não intervém no Público para salvar os postos de trabalho?

Dados hoje divulgados pela Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação:
    “Com vendas muito semelhantes, o PÚBLICO e o "Diário de Notícias" registaram, no entanto, tendências contrárias, com o diário da Sonae a manifestar a única queda do segmento [diários generalistas] (menos 0,6 por cento) e o DN a melhorar 11,3 por cento.”

Desemprego made in USA

Conselheiro económico de Obama alerta que desemprego nos EUA pode atingir os 10% em 2009. Se a isto se juntar a circunstância de se tratar do país com a maior população prisional do mundo…

♪ Alice Smith



New Religion

domingo, dezembro 28, 2008

Luminoso Sol

O pequeno grande arquitecto é uma voz muito escutada na São Caetano à Lapa.

PS — Esfalfa-se tanto Pacheco Pereira a procurar mostrar que o Governo é que manipula os media

A bisnaga e os ovos

Não me parece sequer um acto de indisciplina. Vi o vídeo da escola do Cerco e a ideia com que se fica é a de alguma informalidade no trato na sala de aula, talvez potenciada pela conclusão do primeiro período, momento em que serão lançadas as notas.

A brincadeira não tem lá muita graça, mas compará-la à história dos ovos, ou mesmo considerar que a exibição de uma pistola de plástico é mais grave, revela que há professores que perderam o contacto com a realidade — ou que baralham a mão direita com a mão esquerda. Devem andar a blogar de mais.

Leituras

♪ LeRoi Jones (Amiri Baraka)



Who Will Survive America?

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Quadra natalícia no Público



No dia 23, a primeira página do Público noticiava que os conselhos executivos das escolas “revoltam-se” contra o Ministério da Educação. Lá dentro, a notícia dava conta de um encontro de presidentes de 20 conselhos executivos. Há dias, li no Expresso que havia mais de 1.250 escolas…

Hoje, para ilustrar a brincadeira com a bisnaga de plástico, a imagem do Público é a deste Colt 45:


O bacalhau com todos afecta a imaginação?

Descubra as diferenças:

Afinal, era isso

As coisas — o silêncio, as gaffes, a falta de vontade de apresentar uma nesga de alternativa —, às vezes, têm explicações bem mais simples do que parece:
    "Manuela Ferreira Leite, embora tendo pretendido equiparar o seu rendimento ao de um vice-primeiro-ministro, recebe mais do que José Sócrates, primeiro-ministro do Governo de Portugal. E, caso fosse eleita para chefiar o executivo nas legislativas de 2009, ficaria a ganhar ainda menos do que agora, pois a lei não permite acumular vencimentos no sector público com as reformas."
Contributo do João

♪ Ursula Rucker¹



Supa Sista (unplugged)


__________
¹ Faz parte de um conjunto de sugestões do Minilogue.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Mensagens de chefes de Estado no final do ano

A minuta está aqui.

Viver acima das possibilidades


His Vanguard & Vox-Turnabout Recordings 1958-1970
[BOX SET] [ORIGINAL RECORDING REISSUED]

Kind of Blue: 50th Anniversary Collector's Edition


The Complete 1961 Village Vanguard
Recordings [BOX SET] [LIVE]

♪ Niels-Henning Ørsted Pedersen



A Felicidade

quarta-feira, dezembro 24, 2008

terça-feira, dezembro 23, 2008

Bom Natal


C-i-t-i-g-r-o-u-p




A propósito do Parecer à Conta Geral do Estado de 2007, falou-se hoje do negócio do Citigroup: "A operação realizada em 2003 pela então ministra, Ferreira Leite, continua a fazer-se sentir nas contas". Vamos ver se estes dias meio mortos favorecem a leitura dos pareceres elaborados pelo Tribunal de Contas relativos aos anos de 2003 e 2007.

SIC-N

João Duque é o economista de serviço à SIC-N. Sendo ele professor na área de gestão e não na de economia, será assim tão complicado arranjar alguém que perceba do que está a acontecer no mundo que se disponha a ir mandar uns bitaites à televisão?

O meu programa é a inacção e daqui não saio…




Até o ortodoxo FMI está contra a Dr.ª Manuela. Olivier Blanchard, economista chefe do FMI, em entrevista ao jornal Le Monde, chamou hoje a atenção para a necessidade de os Estados aumentarem a despesa pública sob pena de a situação económica se transformar numa “Grande Depressão” como a da década de 1930.

Uma síntese da entrevista está disponível no Diário Económico:

    • O relançamento deve ser feito "pelo aumento das despesas públicas", através de programas de obras de construção de pontes ou de renovação de escolas, em vez da diminuição das receitas públicas, como "reduções de impostos que as famílias estão tentadas a transformar em poupança de precaução".

    • "Por agora, uma expansão orçamental de dois por cento parece suficiente. Mas se as circunstâncias o exigirem, é preciso que os Estados estejam prontos a fazer mais, três por cento ou mais, se necessário".

    • Eventuais baixas de impostos ou "cheques" aos contribuintes devem "ter por alvo as populações vítimas do desemprego ou sobreendividadas", que os gastarão logo, contribuindo para a retoma da actividade económica.

    • A baixa temporária do IVA adoptada no Reino Unido "não é uma boa ideia", porque dois por cento do IVA a menos não representam "um real incentivo a gastar".

    • "Se a reparação do mercado do crédito privado levar demasiado tempo, é preciso que os Estados estejam prontos a substitui-lo, pelo menos parcial e temporariamente", sugerindo a compra de notas de tesouraria emitidas pelas empresas, "como faz a Reserva federal norte-americana".
Parece que o programa de inacção proposto por Manuela Ferreira Leite só é defendido na Marmeleira. E que o aviso de Teixeira dos Santos no sentido de a banca apoiar as PME não é tão descabido como alguns pretenderam fazer crer: a Reserva federal norte-americana já compra notas de tesouraria emitidas pelas empresas...

O caso Santana

Morais Sarmento a Falar Claro:
    “Esperemos que a este primeiro prejuízo não se some o prejuízo a que nós assistimos do Pedro Santana Lopes, devolvido ao protagonismo público: o que ele fez foi acabar com Luís Filipe Menezes. Pode haver um risco de voltarmos a ter Pedro Santana Lopes como, não o candidato à Câmara de Lisboa, mas outra vez o protagonista decisivo num PSD de Manuela Ferreira Leite, onde Pedro Santana Lopes, em princípio, não estaria. Então aí a confusão ainda é maior.”

Viagens na Minha Terra


Miguel Baltazar



    • Pedro Sales, Olhar para o Restelo e chamar-lhe Portugal:

      “Alguém pensa que é possível as famílias decidirem por si próprias diminuir o consumo? Renunciar às segundas casas? Deixar de passar férias no Brasil ou no México? Abdicar de ter um ou dois carros, dois ou três computadores, três ou quatro televisões? Desligar o aquecimento e o ar condicionado? Reduzir o consumo de máquinas de lavar, de frigoríficos e de bimbys? Abandonar o carro particular e utilizar os transportes públicos? Ninguém o fará. A não ser que a isso sejam forçados pelo desemprego, pelo corte de créditos, pelos aumentos de preços e pela diminuição de rendimentos.” António Barreto, Público, 21 de Dezembro de 2008.

      O último artigo de António Barreto fez-me recordar uma das milhentas variações das anedotas do menino Zezinho, desta vez com um menino muito rico a quem a professora pediu para escrever uma redacção sobre a pobreza. O menino, que não conhecia ninguém com dificuldades económicas, quanto mais pobre, esforçou-se e escreveu. “A minha família é muito pobre. O jardineiro é pobre. O motorista é pobre. A empregada é pobre. A professora de piano é pobre. O técnico da piscina é pobre. Somos todos pobres. Ser pobre é muito triste”. A diferença é que António Barreto escreve as suas redacções no Público.

    • CLeone, Sobre comunicação e política
    • Eduardo Pitta,
    2009. UM DESASTRE? PORQUÊ?
    • jmf, “
    Esgotado
    • João Lisboa,
    NOTÍCIAS DE INSPIRAÇÃO CRISTÃ (IV) (& outras)
    • João Tunes,
    DIALOGAR É PRECISO
    • Lília Bernardes,
    Opus "Day" e Copus Night
    • Luís Grave Rodrigues,
    O Milagre
    • Luís M. Jorge,
    Cartas de amor
    • Miguel Cabrita,
    Caricaturas
    • Miguel Marujo, Há quem queira trocar
    • Rui Pena Pires,
    Dados anómalos, hipóteses reformuladas
    • Tiago Barbosa Ribeiro,
    Novilíngua
    • Tomás Vasques,
    Autocrítica
    • Vital Moreira,
    Obrigações

“Crime de lesa majestade”

    “Em 1987, propus que a esquerda se coligasse para conquistar à direita a Câmara Municipal de Lisboa e, na altura, o líder do PS, o Dr. Vítor Constâncio, e as pessoas que o rodeavam – entre as quais Manuel Alegre – achavam que isso era um crime de lesa majestade, porque não podia haver alianças com o PC, nem com os pequenos grupos de esquerda, que hoje formam o Bloco de esquerda.”

Política (fictícia) e economia (real)

A gente abre os jornais nas páginas da “Política” e descobre que há no PSD cavaquistas, marcelistas, mendistas e o diabo a sete. Passa-se em seguida às secções de “Economia” e não se consegue descobrir a mais ténue divergência entre as mesmas personagens que se esfola(va)m nas páginas da “Política”. Estará esta gente apenas a representar no palco da política?

A águia e as galinhas

Já que estamos em época de fábulas (a raposa e o corvo, a cigarra e a formiga, etc.), veio-me à memória o que Lenine disse dos detractores de Rosa Luxemburgo: ela, apesar dos “erros cometidos”, subia tão alto como um águia, enquanto eles nunca conseguiriam elevar-se mais alto do que as galinhas.

Vem isto a propósito das intervenções públicas que tenho lido dos “senadores da República”. Ainda ontem, o Jornal de Negócios trazia uma entrevista a Eanes, na qual, para explicar “a situação policrísica em que vivemos”, o general despejava a habitual pilha de banalidades e evidências. A gente lê estas coisas e convence-se de que trinta anos de democracia apenas produziram um “senador”: Mário Soares.

Da série "Frases que impõem respeito" [247]

    «A noção de que Ferreira Leite "está de passagem" é razoavelmente consensual no partido.»
      Ana Sá Lopes e Eva Cabral (no DN)

♪ Bob Gibson



Box of Candy (And a Piece of Fruit)

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O PSD visto por dentro

Máxima para lidar com o inner circle: “Nunca contes tudo a mais do que uma pessoa.

Forrobodó

Sempre que leio notícias do forrobodó nos CTT no tempo do PSD, vem-me à ideia que este Carlos Horta e Costa é o mesmo que foi secretário-geral do PSD no consulado do Prof. Marcelo e membro da comissão política de Marques Mendes. Mas devo ser eu, que já estou lelé da cuca, a fazer confusão, com certeza. Os media — amordaçados pelo poder rosa — não deixariam de associar a coisa, se fosse verdade.

Viagens na Minha Terra

Da série "Frases que impõem respeito" [246]


Miguel Baltazar



    “O processo contra Joana Morais Varela, afastada das funções de directora no passado dia 6 de Novembro, segue os seus trâmites.”

A palavra aos leitores

De um e-mail do leitor Francisco Ribeiro:
    “(…) não acha ser oportuno colocar a opinião dos seus leitores as contradições da justiça?
    Veja estes dois casos:

    a)- O procurador do MP diz na Parlamento que o MP não está preparado para o crime económico. Quem lê Graça Fonseca (para alem dos meios e das leis da justiça) fica completamente siderado com tais afirmações;
    b)- Diz o DN: Supremo considera HAVER ERRO PROCESSUAL, voltando tudo à estaca zero, com esta decisão 3 presumíveis criminosos são postos em liberdade. Quem são os responsáveis judiciais por esse erro, que põe delinquentes na rua? Quem responde por futuros crimes que venham ocorrer?

    Gostava que tratasse do tema.”

♪ The Bobs



Christmas in Jail

domingo, dezembro 21, 2008

Cristo numa lufa-lufa




Quando comenta, o Prof. Marcelo tira o cachecol (e o blusão de motard):
    «Marcelo Rebelo Sousa, comentando, num primeiro momento a possibilidade de Santana Lopes ser o candidato do PSD a Lisboa, escreveu (18 de Outubro, no "Sol") que discordava completamente dessa solução para a CM Lisboa e que essa escolha tinha sido a decisão mais grave tomada até então pela actual líder. Esta semana, depois da confirmação oficial, disse: "É o melhor candidato que o PSD pode apresentar, tem experiência autárquica e ideias para a cidade." Ou seja, Cristo continua a descer à Terra sempre que é preciso...»
PS — João Marcelino estava, de facto, imparável: “Pacheco Pereira não é um observador isento. É um político, mesmo que agora só em part-time. Já teve cargos oficiais no PSD. Participou em campanhas. Faz parte de um lobby que tem interesses, como o revelou na pele daquele senhor muito excitado, de máquina fotográfica na mão, a registar os passos de Manuela Ferreira Leite no dia da tomada de posse. Sinceramente, às vezes, como neste caso, parece-me que Pacheco Pereira perde o sentido do ridículo e se julga um observador neutral, descomprometido. Não o é. Nem ao nível das ideias nem dos interesses que representa e persegue.”

Crime de peculato de uso

Os dirigentes sindicais e “independentes” não dão descanso aos professores. Agora estão a ser convocados para uma outra forma de luta: o envio de um “Postal Aberto” ao Presidente da República, para o qual já existe uma minuta para que os professores não percam tempo com mais esta carga burocrática.

Com esta iniciativa, pretende-se, depois de “desejar a Vossa Excelência e família um Santo Natal e um Feliz Ano Novo”, apelar à intervenção do Presidente para exercer “a sua influência junto do Governo, no sentido de dar voz ao nosso descontentamento generalizado face às políticas ignóbeis seguidas pelo actual Governo.”

Percebe-se o sentido do “Postal Aberto”, nem que seja numa segunda leitura mais atenta. Mas a razão deste post é outra: sendo disponibilizado o número do fax de Belém para o envio do “Postal Aberto”, importa alertar os professores para a circunstância de que não convém dar uso à maquineta do fax das escolas, pois a utilização de bens públicos para fins particulares é, na opinião do legislador, crime.

E o João Ratão assinou?




Todos sabemos que não estiveram 120 mil professores na "maior manifestação de sempre" e que nem todos os que lá estiveram eram professores.

A forma de luta que se segue é um abaixo-assinado. Será amanhã entregue um no Ministério da Educação com 60 mil assinaturas. Não se tratando de um documento seguindo os formalismos do direito de petição, em que as pessoas têm de estar devidamente identificadas, trata-se de puro folclore. Só admira que não tenham conseguido mais assinaturas.

Os professores andaram centenas de quilómetros para participar numa manifestação e para enviar o seu nome pela Internet só metade se dispõe a isso? 120.000? 60.000?

O que não está na entrevista

António Cluny, presidente vitalício do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, deu mais uma longa entrevista. A única novidade que nos trouxe é que vai deixar o cargo de presidente do sindicato. Não sabemos se a justiça sobreviverá a tão dura provação. Não vemos ninguém do gabarito de Cluny para continuar a sua obra.

O prémio de consolação é que agora o nosso procurador-geral adjunto poderá dedicar muito mais atenção aos processos que lhe são distribuídos no Tribunal de Contas, corrigindo a ideia do insuspeito ex-presidente deste organismo, Juiz Conselheiro Alfredo José de Sousa, que disse que o Ministério Público tem uma actuação “passiva”.

Talvez seja esta falta de resultados que explica o invariável silêncio de Cluny sobre o seu próprio trabalho. Fala com à vontade de processos crimes, do Estatuto do Ministério Público e dos desígnios da justiça, mas sobre a actividade do Ministério Público no Tribunal de Contas — moita carrasco.

Da série "Frases que impõem respeito" [245]

    “(…) se levarmos a sério o que Manuel Alegre está a dizer - eu tomo-o a sério, mas não sei se ele se toma a si próprio”.
      Pacheco Pereira, em entrevista ao Público, 21 Dez 2008

Contributo do João

Pior é impossível




Pacheco Pereira já anunciou que vai mudar o local de recenseamento para Santarém. Este oportuno anúncio revela várias coisas que ignorávamos sobre o filósofo da Marmeleira.

Em primeiro lugar, mostra que Pacheco tem uma crença cega na simplificação de procedimentos do actual governo, uma vez que se referiu logo ao Simplex como meio de se salvar desta nau “comandada” pela sua amada líder.

Em segundo lugar, significa que Pacheco considera que o seu companheiro de partido Santana Lopes é imbatível, ou seja, que não há ninguém pior do que ele. Só assim se compreende que Pacheco tenha resolvido mudar o local de recenseamento sem saber sequer quem é o candidato em que irá votar, uma vez que Moita Flores, aparentemente menos satisfeito com a Dr.ª Manuela do que ele, ainda não decidiu se se recandidata.

Por fim, Pacheco Pereira concluiu que o desempenho de Manuela Ferreira Leite não depende de actos e decisões políticas: a Dr.ª Manuela é séria e ponto final. Se só diz asneiras, se é tacticista ou se cai no mais puro oportunismo para se aguentar à frente da nau em que ele faz o papel de grumete desorientado, tanto faz. O que interessa é que a senhora é séria, como revelam as suas rugas, os seus silêncios e os seus dichotes inconvenientes.

Cabecinhas pensadoras

    “Já repararam que nem todos os Portugueses conhecem ou estiveram tão perto de ilustres figuras da Politica e da nossa Sociedade: Manuel Maria Carrilho – Vicente Jorge Silva – Francisco Louçã – Carvalho da Silva – Pedro Santana Lopes – Manuel Alegre - Vitor Baía - Hermínio Loureiro - Paulo Portas - Etc, etc.”

Leituras

• Fernanda Palma, 'Lisbon Story':
    “É sintomático – e tem um significado simbólico – que o crime tenha ocorrido em Lisboa, por detrás do Mosteiro dos Jerónimos, na antiga Casa Pia. Esta morte faz soar o alarme de uma ‘Lisbon Story’ – pedindo emprestado o título de um filme de Wim Wenders, mas parafraseando, sobretudo, o filme de Robert Wise e a obra musical de Leonard Bernstein, ‘West Side Story’.

    Nesse musical, o drama ‘Romeu e Julieta’ é adaptado aos tempos modernos. A luta entre gangs leva à morte de um jovem, enquanto na música de Bernstein ecoa a fatalidade de um destino social que impede a felicidade individual.

    É urgente inflectir esse destino de violência. Mas não é só no discurso repressivo que está a solução. A chave encontra-se, principalmente, no âmbito das políticas sociais.”
• Francisco Peregil, El hombre que estafó al universo:
    “El enorme fraude de Bernard Madoff tiene una explicación: su habilidad, el exceso de confianza de sus millonarios clientes y el pésimo control de los reguladores”.
• Loureiro Santos, De que sorri Bush?:
    “Os EUA tiveram de aceitar um tratado que não desejavam com o Iraque para a continuação das forças americanas no país. Ele exprime os termos de uma derrota negociada.”
• Manuel Sanchis i Marco, Deflación: ¿la puntilla de la recesión?:
    “Cuando la banca absorbe toda la liquidez que se le facilita, el Gobierno debería acelerar las acciones de gasto público antes de que la financiación mediante deuda empiece a constituir un problema. El anuncio del presidente del Gobierno de aumentar el gasto en inversión pública respeta la regla de oro de las finanzas públicas, estimula la demanda y ayuda a ahuyentar el espectro de la deflación. Pero el gasto social, aunque sea útil para mantener el consumo, es ineficaz si acaba transformado en puras rentas, como son, por ejemplo, las ayudas a jóvenes para alquileres. Sería necesario actuar en sectores donde dicho gasto se transforma en demanda efectiva, seleccionar bien las obras públicas como los trasvases, el AVE y centrales nucleares y aligerar las reglas de contratación pública.”
• Nuno Brederode Santos, As nossas culpas [hoje com o DN não disponível on-line]:
    “(…) não basta [os accionistas da Sociedade Lusa de Negócios] já serem defendidos no seu bom nome, por mero reflexo da defesa dos depositantes. Querem ser inocentados expressamente e indemnizados até ao último tostão por terem perdido a cautela que já todos sabemos branca (se não falsa). As eventuais culpas de Oliveira e Costa e outros não lhes pagam os prejuízos (ou a mera frustração de ganhos), mas se todos acorrerem a pagar isso resolve-se. Não importa que caiba à Assembleia Geral de accionistas escolher os gestores da sociedade e apreciar, em última instância, a sua gestão. Não vem ao caso que tenham aprovado as contas anuais sem fazer perguntas, enquanto o dinheiro afluía. É irrelevante que os Conselhos Fiscais e os auditores que eles escolheram tenham sancionado essa gestão. Mas, sobretudo, não conta que a regulação tenha em vista a defesa dos utentes: clientes, fornecedores, depositantes – todos os que alegadamente a supervisão não terá defendido da sociedade. Houve ali “falha de Estado” e o Estado tem de pagar, até que o último milhão do accionista seja salvo pelo último cêntimo do contribuinte.

    Era interessante que a tese tivesse pés para andar. Isso diria muito sobre o nosso Direito e/ou sobre a nossa Justiça. Mas se Cadilhe acreditasse nisso, era a própria sociedade quem accionava o Estado.”
• Paul Krugman, La insensible guerra europea:
    “Esta es la situación: la economía se enfrenta a la peor depresión que ha sufrido en décadas. La respuesta habitual a una crisis económica, recortar los tipos de interés, no está funcionando. Las ayudas gubernamentales a gran escala parecen la única forma de parar la caída en picado de la economía. Pero hay un problema: los políticos conservadores, aferrándose a una ideología pasada de moda, y puede que apostando [equivocadamente] por que sus electores están relativamente mejor situados para capear el temporal, están impidiendo que se tomen medidas.”
• Stuart E. Lucas, ¿Estamos locos?:
    «Como miembros de familias inversoras y expertos en gestión de la riqueza patrimonial a veces nos hacemos esta pregunta: "¿Estamos tan locos como para confiar los activos que tanto nos ha costado ganar a instituciones financieras que, en conjunto, han perdido cientos de miles de millones de euros y han sacudido los pilares sobre los que descansa nuestro sistema financiero global?"»
• Thomas L. Friedman, Dos países, un sistema:
    “¿Qué nombre recibe ofrecerle a un trabajador que sólo gana 10.000 euros anuales una hipoteca sin ninguna señal y sin tener que pagar nada durante los dos primeros años para que se compre una casa de 525.000 euros, y luego juntar la hipoteca con otras cien en bonos -a los que Moody's o Standard & Poors dan la calificación más alta- para vendérselos a bancos y fondos de pensiones de todo el mundo? Eso es lo que nuestro sector financiero estaba haciendo. Si eso no es la típica pirámide, entonces ya me dirán.”

♪ Gayla Peevey



I Want a Hippopotamus for Christmas

sábado, dezembro 20, 2008

Viagens na Minha Terra

Um país esmagado pelo Estado?

Receita pública em percentagem do PIB dos países da UE, Noruega e Islândia (2007):


Fonte: Eurostat


Ler aqui.

Da série "Frases que impõem respeito" [244]

    “O PSD é hoje uma federação de câmaras, dominada por senhores feudais, em que o rei (neste caso, a rainha) não passa, no fundo, de uma irrelevância.”
      Vasco Pulido Valente, cujo artigo no Público de hoje pode ser lido aqui.

A palavra aos leitores

Leitor do CC: “Os teus gostos musicais são mesmo muito conservadores, para não dizer que são uma merda.”

E de Mariah Carey Valentina, gosta?




No one ken to ken to sivmen
Nor yon clees toju maliveh
When I gez aju zavateh na nalechoo more
New yonooz tonigh molinigh
Yon sorra shooo yes ee shooo, ooo
Ken leee
Tulibu dibu douchoo
Ken leee
Tulibu dibu douchoo
Ken leee
Ken leee meju more.

♪ Sufjan Stevens



Wolverine

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Leituras




• Fernanda Câncio, A DERROTA DE PACHECO:
    «Como pôde Pacheco Pereira enganar-se assim a respeito de alguém que conhece há tantos anos, política e pessoalmente? É Manuela Ferreira Leite uma assim tão boa actriz ou foi Pacheco Pereira que, desejoso de acreditar ter enfim encontrado a criatura perfeita para dirigir o PSD por interposta pessoa, se enganou a si próprio? Certo é que, esgotado o seu prazo de utilidade como propagandista da "seriedade" e "credibilidade", o homem que mais incensou a rectidão da líder, o seu carácter tão tão superior ao dos outros candidatos, as suas tão extraordinárias experiência e visão políticas e lhe guardou a vitória numa terna fotografia de groupie, viu prescindidos os seus serviços. Como ri Menezes, como ri Santana do seu arqui-inimigo. Como ri Passos Coelho, a quem chamou "velho jovem", a quem acusou de ser nada mais que um aparelhista e reduziu a "uma imagem" (e que era a Ferreira Leite das "nobres rugas" nos close-ups da RTP senão uma imagem?).

    O homem que ontem dizia, na Quadratura do Círculo da SIC Notícias, ponderar votar em Santarém em vez de em Lisboa para não ter de encarar a hipótese de pôr a cruz em Santana sofreu uma das maiores derrotas da sua dupla condição de político e comentador. Não seguramente a primeira - tem aliás o simbolismo trágico de um prémio de carreira. Um prémio ao contrário, como ao contrário estava o símbolo do PSD nos seus escritos anti-Menezes e anti-Santana. Ao virar de pernas para o ar a seta do partido nesses tempos que julgou esconjurar e que regressaram com o rosto da sua candidata, Pacheco Pereira estava afinal a fazer o auto-retrato. Mas triste triste é que a sua derrota não seja a de um justo que nunca quis sujar as mãos, de um romântico que nunca se fez à intriga. Triste é que ele tenha realmente querido e tentado, e seja mesmo e sobretudo falta de jeito.»

As sete maravilhas de Lisboa




Dizem que é populista, mas ele deixou obra.

A palavra aos leitores - "ESTA RTP1"

De e-mail do leitor Manuel T.:
    «Quando o 25 de Abril apareceu, a minha tropa havia terminado no dia anterior em unidade localizada a meio da Linha de Cascais. Depois regressei à “província ou paisagem” e por cá fiquei até agora, danando-me de cada vez que da capital a comunicação social nos impinge figurantes, figurinhas e figurões e danando-me cada vez mais por sentir que entre nós só um poder não é escrutinado, porque não o quer por si mesmo e porque não admite que tal lhe seja feito: o jornalismo encarteirado por um Sindicato para quem a Liberdade pode ter variações entre Cuba e Espanha, por exemplo.
    Há bocado – via telejornal da RTP1 - acabei de saber que o senhor Procurador Geral da República foi ao Parlamento dizer que o Ministério Público não sabe como lidar com o “crime económico” e acabei de prescindir desse noticiário depois de ver uma “turba” de fulanos e de fulanas visto isso profissionais do jornalismo, correndo atrás de uma criança que graças à Justiça “anda e ciranda” sem parar entre pai biológico e progenitor adoptivo.
    Ontem o filme foi outro: havendo um jurista a acusar uma prestimosa senhora de escamotear documento essencial ao processo Casa Pia, senhora essa sempre disponível para lavrar sentença antes de julgamento, eis que na peça jornalística fornecida à demais comunicação social não consta que alguém, jornalista, se tenha abeirado da senhora para explicar a sua atitude açambarcadora...
    Como anda muita gente esquecida da velha conclusão:”aberta a boca, ou entra mosca ou sai asneira” e ignorante de que a informação é uma das actividades mais exigentes do mundo – vou ali e venho já, mas sem que antes diga, como o Eça: “Não temos gente”.
    Ah, queria eu dizer que a informação da televisão pública está claramente a caminho da indigência – entre cavalheiros pagos a peso de oiro para ler bisbilhotices, mexericos e afins, e damas igualmente pagas para a mesma leitura mais conversa que varia profundamente conforme os comparsas que é preciso promover e os estorvilhos que é forçoso afrontar, diminuir e atarantar.
    Ou seja, “não há pachorra”...»

Coisas Simples©



Contributo do João

O perigo amarelo passou




A CMVM denuncia ao Ministério Público OPA dos chineses ao Benfica.

A palavra aos leitores

Ainda sobre a entrevista de Judite de Sousa a Manuel Alegre, um comentário do leitor Teófilo M.:
    “Vamos lá por partes.

    Pedir à Judite de Sousa para ser imparcial, será o mesmo que pedir ao Fernando Seara que o seja em relação ao Benfica, que o Cavaco o faça com Dias Loureiro, que a Manuela Ferreira Leite o faça com Santana Lopes, que o Menezes o faça com Rui Rio, que o Portas o faça com o Nobre Guedes, que o presidente do Benfica o seja em relação ao presidente do FCP e por aí adiante.

    A comendadora Judite de Sousa, é apenas mais um produto do jornalismo nacional, parcial q.b., toda sorrisos para quem lhe apetece, completando-lhes até as falas ou os erros de raciocínio, e por outras uma autêntica besta-fera, que ataca de todos os lados cercando a vítima de molde a esta nem sequer poder dar um rumo à sua dissertação.

    O Zé aplaude/engole, conforme as preferências clubísticas e ela lá embolsa mais uns cobres à custa de todos nós, cumprindo uma missão totalmente diferente da que pretendíamos... mas é este o País que temos, e nem pensem em tirar a senhora do poleiro, pois choveria certamente a acusação de ingerência na direcção de informação, como se fosse de informação e não pura propaganda o que a senhora vem praticando.”

Prémio Sá Lopes 2008

É mais reconfortante o reconhecimento em vida do que póstumo:

"Enquanto vou"

Pacheco Pereira admitiu, na Quadratura do Círculo, recensear-se no distrito de Santarém só para não ter que votar em Santana. Pelo caminho que as coisas estão a tomar, talvez seja melhor que Pacheco Pereira não se precipite no local de recenseamento. Ou vá procurando saber se a morada do Consulado em Estrasburgo ainda é a mesma.

Contributo do João

Vira-casaca

Mensagem de Natal de Manuela Ferreira Leite (17.12.2008):
    “(…) em democracia há sempre soluções para os problemas que temos de enfrentar.”

Ainda não percebi quais os media que o Governo manipula

    “Quando não há notícias inventa-se qualquer intriga, como faz o Diário de Notícias, uma espécie de órgão não oficial da candidatura permanente de Pedro Passos Coelho, que é sempre retratado como uma das grandes figuras da política portuguesa, com presença assídua na primeira página, vá-se lá saber porquê. Basta ver os blogues onde os jornalistas do Diário de Notícias exprimem as suas opiniões políticas para perceber o empenhamento político. Mas os leitores não mereciam uma declaração transparente de interesses?”
      Pacheco Pereira (na revista Sábado de ontem, pp. 10-11)

Viagens na Minha Terra

♪ Grinderman



Nick Cave baralhou (em 2006) e deu de novo (em 2007):

Electric Alice

quinta-feira, dezembro 18, 2008

“Afogai-me depois quando tornar”

                "Ai ondas! (outra vez diz) vento, mar,
                Não me afogueis, vos rogo, enquanto vou;
                Afogai-me depois quando tornar".


Depois de Santana ter sido a escolha para Lisboa, a cereja em cima do bolo, do ponto de vista do PS, seria a opção por Pacheco Pereira para cabeça de lista nas eleições para o Parlamento Europeu. Juntar outro resistente à “Europa” às conhecidas reservas do CDS, do PCP e do BE deixaria o PS como o único partido que aposta no projecto europeu.

É Natal sempre que um homem quiser




Ó Filipe, quem é que está sitiado?

A palavra aos leitores - A Judite, novamente…

Manuel T., que de vez em quando envia e-mails para o CC, teme poder estar a "incomodar". Não só não incomoda como a sua participação só enriquece o CC:
    «“Doce e radiante”, como dizia canção do antigamente, Judite de Sousa acaba de conceder tempo de antena a Manuel Alegre – que aproveitou para repetir o já noticiado pelos jornais e para evitar que ficasse a ideia de que tem segundas intenções no trajecto político que anda a fazer ao lado de gente de esquerda cujo objectivo é esvaziar o PS.

    O olhar pasmado da senhora deu resposta a uma questão fulcral que ficou por colocar, ou seja, que soluções concretas e objectivas tem Manuel Alegre para os problemas da Administração Pública, Educação, Saúde, Emprego, Segurança Social e por aí fora – pergunta e resposta que, de certo, não interessam aos portugueses (isso na perspectiva da jornalista e dos políticos que acedem a participar em programas onde os telespectadores são considerados, logo à partida, ou como néscios que comem tudo ou como ignorantes que nãopercebem nada).

    Portanto - a bem do jornalismo isento, imparcial, independente, sério e responsável – na Televisão custeada pelo Povo a Dona Judite serve, conforme os seus convidados, ou triângulos de biscoitos ou quadrados de azia.

    No “casino desse tipo de jornalismo e de informação”, perdida a “linha”, prossigamos para “bingo” – ou seja, os governos seren feitos e desfeitos por entrevistadoras, repórteres, cronistas e opinadores vários...

    Uma dúvida: foi para este “país de castas, corporações, habilidosos e espertos” que o 25 de Abril foi feito?»

A política segundo a São Caetano




Pacote autárquico: a Santana segue-se a candidatura dos Malucos do Riso. Não é um post a tentar ter graça.

Adenda — Também Cecília Carmo, jornalista do pontapé na bola, e Hernâni Carvalho, jornalista talhado para acompanhar o crime, são possíveis candidatos a autarquias da zona de Lisboa. O PSD abastece-se no showbiz.

Grandes frases ilustradas


Terramoto de Lisboa de 1755



    “Santana Lopes vai ter oportunidade de terminar a obra que iniciou”.
      Castro de Almeida, coordenador do PSD para as autárquicas, a apresentar os candidatos à presidência das câmaras municipais de Braga, primeiro, e Lisboa, depois

Contributo do João

♪ Bon Iver


Emma, Forever Ago

Flume

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Manuel Alegre e o Banco Privado Português [2]


Clicar para ler o panegírico ao BPP [Agência BBDO]



Quem diria que o insuspeito homem de esquerda — da verdadeira, a da Bayer —, sempre pronto a atacar qualquer suposto desvio à linha justa e a fazer uma ampla coligação com os órfãos de Trotsky, Brejnev e Enver Hoxha, seria capaz de acreditar no capital financeiro? Ai o maroto, ainda por cima precisamente em relação ao “banco das grandes fortunas”?

Pois é, de Manuel Alegre seria de esperar tudo — menos isto. Cantar Che Guevara em poesia, desancar o PS, caçar perdizes ou coelhos em ambiente bucólico, declamar com voz grave Os Lusíadas, etc., etc., etc., é habitual e ninguém se surpreende. Mas, no meio de tudo isto, Manuel Alegre ainda ter tempo para nos alertar para os perigos de salvar bancos, quando por “um par de Purdeys” (as Roll-Royce das espingardas) andou a cantar loas ao banco de João Rendeiro, mostra um amor desmesurado pela caça — e uma profunda convicção de que em política não há memória.

Manuel Alegre e o Banco Privado Português [1]

Extractos da intervenção de Manuel Alegre na Aula Magna:
    “Dante reservou os lugares mais quentes do Inferno para aqueles que em tempo de crise moral se mantivessem neutros. Suponho que há neste momento muitos lugares reservados. Para os neutros e para os cúmplices. E sobretudo para os que andaram a apregoar as delícias da mão invisível e da auto-regulação do mercado e agora recorrem à intervenção do Estado para socializar as perdas e preservar os seus bancos, as suas fortunas e os seus privilégios.”

    “Coragem para estar ao lado dos desempregados e desfavorecidos e não para, à custa dos dinheiros públicos, salvar um banco privado que administra grandes fortunas.”

    “Um grande português chamado Antero de Quental falou do socialismo como protesto moral contra a injustiça e a exploração. Foi há muito. Mas continua a ser uma boa inspiração para todos nós. Os explorados, os oprimidos, os deserdados da vida foram e são a razão de ser da esquerda. É por eles que estamos aqui, não pelas grandes fortunas, desculpem-me a insistência, do Banco Privado Português.”

Tivemos os nossos arrufos quando ele era o “Cavaco Silva do avesso




    «Em resposta à crítica que Francisco Louçã lhe fez sexta-feira de que fazia campanha "em cemitérios ou beijando estátuas", Manuel Alegre acusou hoje o candidato apoiado pelo BE de ser o "Cavaco Silva do avesso" e de ter feito "os seus principais combates contra a esquerda", levando, por vezes, "à derrota da esquerda".

    "O dr. Francisco Louçã está a fazer ataques pessoais pouco compatíveis com a ética de esquerda. Ele ataca muito o dr. Cavaco Silva, mas às vezes parece o dr. Cavaco Silva do avesso", afirmou, acrescentando que Louçã está nesta campanha à "procura de tostões e de uns votinhos para disputar outras campanhas".

    O dirigente socialista afirmou-se ainda "cansado da falta de rigor intelectual e das lições de moral que Francisco Louçã pretende dar a toda a gente".»

Direita unida

Há uma hipótese de o CDS-PP recuperar nas próximas eleições autárquicas o vereador que perdeu em Lisboa. Mas os Liparis e os Prôas vão ter de explicar muito bem explicadinho às bases por que têm de se contentar em ser deputados municipais (embora com direito a senhas de presença nas reuniões mensais da assembleia municipal).

A estratégia do BE explicada às criancinhas




A sessão da Aula Magna” poderá — “baralhando e dando de novo” — permitir “uma alternativa política de esquerda que recuse a simples gestão do sistema neoliberal (sic)”. Nuno Ramos de Almeida tem noção de que se trata de uma tarefa ciclópica — mas “possível”.

Para isso, há que apontar baterias para “uma convergência de votantes e activistas da esquerda do PS, do Bloco e do PCP”, a qual, é bom de ver, só se consegue se “uma fatia significativa dos activistas do PS” voltar as costas… ao PS. Portanto, o primeiro objectivo a atingir é uma cisão no PS.

O segundo objectivo é retirar a maioria absoluta ao PS: “Este novo pólo não tem que ganhar eleições para conseguir mudar a política portuguesa, basta-lhe, numa primeira fase, retirar a maioria absoluta ao PS e pesar mais do que 20 por cento para transformar radicalmente o quadro parlamentar.

O terceiro objectivo, “numa primeira fase”, é procurar atirar o PS para o colo da Dr.ª Manuela, segundo uma estratégia de “quanto pior, melhor”: “O antigo dirigente do PS Pedro Adão e Silva comentou no Diário de Notícias que esta eventual nova força política só terá como resultado atirar o PS para os braços do PSD e tornar o bloco central uma realidade governativa. É isso negativo? Creio que não.

Nuno Ramos de Almeida está a revelar-se um excelente tradutor do pensamento de Louçã. Só por o dizer sem filtros já lhe devemos estar gratos.

Viagens na Minha Terra

Da série "Frases que impõem respeito" [243]

    “Francisco Louçã tem uma tendência para uma certa superioridade em relação à esquerda”.

Ou vais para a câmara, ou vais para o parlamento

Ainda o porta-voz do PSD não tinha acabado de anunciar o candidato por Braga e já o Professor Marcelo garantia que Santana é "objectivamente" o melhor candidato para Lisboa. Pelo cenário de fundo, não se percebia se Marcelo falava na qualidade de comentador de serviço, de conselheiro nacional, de professor jubilado, ou de conselheiro presidencial. Mas Marcelo não dá ponto sem nó. Como não embarcará certamente na cantiga de se candidatar à Assembleia Municipal do Celorico da avó Joaquina, e eliminada toda a concorrência pela via da jurisdição exclusiva (*) da doutora Manuela, o Professor fica na pole position para o day after. Jesus não desce à terra todos os dias, mas está sempre de olho no PSD.

(*) exclusiva do verbo excluir; ou vais para a câmara, ou vais para o parlamento.

Contributo do João

Salvar os bancos?

    A intervenção dos Estados permite limitar as perdas e absorver parte delas para manter a economia à tona. A um período de recessão fraca deverá suceder um difícil período de baixo crescimento. O custo final da crise deverá pois conduzir a uma redução do crescimento, com consequências sobre o emprego e o poder de compra, bem como ao reforço da pressão fiscal, preço para salvar os bancos. Ou seja, a perdas irrecuperáveis em consequência do excesso de crédito anterior. É pagar caro, na verdade! Mas será um custo infinitamente menor do que o que pagámos com a terrível depressão económica, com todo o seu cortejo de misérias, que o mundo conheceu na sequência da crise de 1929.
      Michel Aglietta, La crise. Pourquoi en est-on arrivé là? Comment en sortir? [citado (e traduzido) por Rui Pena Pires]

Candy Jail



Silver Jews

Shannon McClean

terça-feira, dezembro 16, 2008

Doutora Manuela, a autarca

A doutora Manuela decretou hoje no Conselho Nacional que, quem for candidato autárquico, não pode concorrer nas legislativas. O que faz crescer o suspense acerca de qual a autarquia de eleição da doutora Manuela.

Contributo do João

“Posição substantiva consciente”




O respeitável e mobilizador líder do grupo parlamentar do PSD, Paulo Rangel, apareceu e disse: o PSD optou pela abstenção no caso do Estatuto dos Açores e essa é uma “posição substantiva consciente”. Nem sabe Rangel até que ponto tem razão nessa qualificação da sua “posição política”.

Para um grupo parlamentar, cujos deputados se baldam à razão de 40 por cento por votação, a abstenção é mesmo a melhor “posição substantiva consciente”. É que assim ninguém nota as ausências no grupo parlamentar. Abstendo-se, o PSD não conta — nem para um lado nem para o outro. E jamais a sua líder lhe voltará a puxar as orelhas, pedindo contas pelas ovelhas tresmalhadas.

É evidente que, depois de por duas vezes ter aprovado o Estatuto dos Açores (na Assembleia Legislativa dos Açores e na Assembleia da República), a abstenção do PSD, em vez de ser uma “posição substantiva consciente”, é uma manifestação de cobardia política de uma direcção que tem medo do PSD nas regiões autónomas, do Presidente da República e da própria sombra. Paz à sua alma.