Domingo, Julho 31, 2011

Balanço do estado da comunicação social

    A liberdade está condicionada. Toda a comunicação social está nas mãos da direita. E está condicionada pelo sistema financeiro.”
      Mário Soares, em entrevista a Clara Ferreira Alves no Expresso (deste fim-de-semana)

Notícias da banca [6]



Fizeram propostas de aquisição do BPN o Montepio Geral, o BIC, o Núcleo Estratégico de Investidores (NEI) e um outro interessado cuja identidade não foi revelada.

O Governo já escolheu a que entidade entregar o BPN.

O Montepio Geral, uma instituição mutualista, foi preterido.

O NEI fez uma proposta acima de 100 milhões de euros, estando aberto a subir a parada e tendo-se comprometido a não fazer despedimentos. Foi também preterido.

A escolha do Governo recaiu no BIC, que ofereceu 40 milhões de euros e exigiu ao Estado que suporte as indemnizações por despedimento de cerca de metade dos 1500 trabalhadores do BPN.

O BIC, banco de capitais angolanos, é dirigido por Luís Mira Amaral, ex-ministro de Cavaco Silva. É o que se pode chamar uma supernomeação.

Notícias da banca [5]



Nogueira Leite abandona administração da Brisa após entrada na CGD, mas não se sabe nada acerca das suas funções no "Banco Onix, essa verdadeira referência do sistema bancário caboverdiano."

Notícias da banca [4]



As remunerações dos novos administradores da CGD só serão tornadas públicas após estarem definidas pelos órgãos próprios do banco.

Notícias da banca [3]



Correio da Manha (p. 23), de 30.07.2011
* O presidente da CGD, Faria de Oliveira, foi ministro durante o consulado de Cavaco.

Notícias da banca [2]


Correio da Manha (p. 23), de 30.07.2011

Notícias da banca [1]


Correio da Manha (p. 23), de 30.07.2011

Da série "Frases que impõem respeito" [635]


Que o povo esqueça os fariseus do CDS e que o povo não vá em conversas de falsos cristãozinhos.

O oásis da Caixa

Os cofres vazios do "monstro que se arrasta" e o cofre cheio - O portal do Governo tem os nomes e cargos da administração da CGD mas não os seus vencimentos. Porquê tal excepção? [editorial de hoje do Público]:
    ‘Onde não há nenhum fogo, pelo menos até ver, é na Caixa Geral de Depósitos. Depois das polémicas nomeações de há dias, o portal do Governo veio, ao contrário do que se comprometeu, divulgar nomes e cargos da equipa, mas não os seus "vencimentos brutos", como fez com todos os outros. Porquê? Porque, naturalmente, a Caixa não há-de ter problemas de tesouraria. Ao contrário das Forças Armadas, ou das muitas empresas privadas que se empenham para sobreviver e pagar salários. Ou dos milhões de portugueses que vão fazer cortes dolorosos nas suas despesas domésticas.

    Conclusão: no ventre do "monstro que se arrasta", há, pelos vistos, monstros que não só não se agitam de tempos a tempos, por impulso de alma nenhuma, como jazem saciados num poder a que poucos mais é permitido. Com o cofre cheio, entre tantos cofres vazios.’

Ministério da Educação: já se sente a mão de Crato



Ministério suspende novas turmas para adultos: "Por causa do adiamento, há mais professores sem componente lectiva. E, por falhas na informação, está instalada a confusão."

Sábado, Julho 30, 2011

Não tem nada que enganar

Descubra aqui por onde anda José Sócrates.

A CGD que se cuide...



Brisa falha estimativas.

Num país normal, não rolariam cabeças num jornal dito de referência?



Ontem, o Público tinha esta manchete absolutamente tonta (para não dizer que o Zé Manel tinha reassumido por 24 horas a direcção do jornal). O próprio Passos Coelho desmentiu a “notícia”.

Hoje, o Público coloca o desmentido feito por Passos Coelho num cantinho muito escondido.

Sobre 'o despautério que caracterizou a escolha da nova administração da Caixa'

• Pedro Adão e Silva, AINDA AGORA COMEÇOU [hoje no Expresso]:
    'Que tenham sido precisas apenas semanas para o Governo deitar fora as suas promessas mais emblemáticas é sinal de que Passos Coelho não estava preparado para governar e que o que era prometido não era para ser levado a sério. Só assim se explica que, após a subida de impostos, o Governo se tenha entretido na criação de novas estruturas orgânicas e a repartir o conselho de administração da Caixa por uma coligação das sensibilidades políticas da coligação PSD/CDS/Belém que nos governa. Para quem se propunha diminuir a despesa e pôr fim à partidarização do Estado, estamos conversados.'

Da série "Onde é que eu já vi este filme"

Manuela Moura Guedes já fez escola e já tem um seguidor: nem mais nem menos António Nogueira Leite. Toca de fazer barulho que eles agacham-se logo...
    Afonso

“Desvio colossal”: quem lançou a mentira e que efeitos pretendia?

• São José Almeida, E passou um mês [hoje no Público]:
    ‘O primeiro-ministro prometeu que nunca responsabilizaria o anterior Governo. Com ele não haveria nunca uma frase do tipo da de Durão Barroso: "Estamos de tanga!" Mas numa reunião do conselho nacional do partido a que preside, o PSD, um assessor do primeiro-ministro veio dizer aos jornalistas que, dentro da sala e perante os seus companheiros, Passos Coelho justificara a necessidade de criar um imposto extraordinário com a existência de um "desvio colossal" nas contas do Estado.

    A tese do "desvio colossal" vai fazendo o seu caminho oficiosamente. E varia entre um e dois mil milhões de euros consoante o dia. Isto, sem que ninguém explique aos cidadãos de quanto é mesmo o buraco e em que ministérios e serviços é que as contas do Estado foram apanhadas a descoberto. Quando o efeito perverso de culpabilização do anterior Governo já está feito, o ministro das Finanças aparece a explicar que afinal, nas palavras de Passos Coelho, entre "desvio" e "colossal" havia uma série de palavras que mudam em absoluto o significado do que foi dito. Conclusão: não era o "desvio", mas o "esforço" que seria "colossal". A explicação de Vítor Gaspar foi, aliás, um momento de propaganda extraordinário a encimar um episódio de propaganda de excelência. Ou seja, oficialmente não há responsabilização do PS pelo buraco das contas. Na prática, para a opinião pública, a operação de transferência de culpas foi feita de forma exímia.’

A palavra aos leitores — “Desequilíbrios”

De um e-mail enviado por Nuno Santos Silva:
    O mesmo Governo que quer reduzir (ou eliminar) as indemnizações que as empresas devem aos trabalhadores quando os despedem sem justa causa, não mexe nas indemnizações que os trabalhadores (se não cumprirem o pré-aviso) devem às empresas quando estes se despedem...

Sexta-feira, Julho 29, 2011

Da série “Eu sou um homem de palavra” [5]

Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro.

      Pedro Passos Coelho, no encerramento do fórum de discussão "Mais Sociedade", no Centro de Congressos de Lisboa, em 30 de Abril de 2011, garantindo que o PSD quis "vasculhar tudo" para ter contas bem feitas e, "relativamente a tudo aquilo que o Governo não elucidou bem", procurou "estimar", preferindo fazê-lo "por excesso do que por defeito"

Quanto ao corte nos salários, o roubo de metade do subsídio de Natal está aí para quem estivesse iludido. Quanto aos despedimentos, a festa começa pela administração indirecta do Estado.

A todos aqueles que diziam que Passos Coelho era desconcertante, porque durante a campanha falara verdade aos portugueses, ainda não os ouvi a comentar estas primeiras medidas. E estou naturalmente a pensar nos jornalistas e comentadores políticos.

A interpretação autêntica

O site das nomeações está mais do que incompleto. Onde estão, por exemplo, os currículos e os vencimentos dos 11 administradores da CGD? O tal banco do Estado que tem como vice-presidente um vice-presidente do Conselho Nacional do PSD e como administrador um ex-secretário de Estado do Mar que só ficou conhecido pelas suas trapalhadas?

Passos Coelho prometia bem: “A nossa preocupação não é levar para o Governo amigos, colegas ou parentes, mas sim os mais competentes. Isto não é desconfiança sobre o partido, mas sim a confiança que o partido pode dar à sociedade”.

Passos Coelho não foi capaz de cumprir, tendo vergado aos barões (porque o aparelho laranja não é para aqui chamado). Penso que se justificaria que o ministro de Estado e das Finanças viesse fazer a interpretação autêntica, que pode ser esta que me agrada particularmente:
    O Sr. Primeiro-ministro falou de competentes, de partido e de sociedade mas no meio disse mais algumas coisas, pelo que alguns pensaram que foi dito que seriam escolhidos os mais competentes, mesmo fora do partido, para trabalhar melhor para a sociedade, mas todos sabem que isso não faria qualquer sentido pelo que alguém deve ter guardado o vídeo em que o que realmente foi dito é: ‘A nossa preocupação não são os mais competentes, mas os que mais trabalham para o partido mas isto não vai lá só com os nossos amigos, colegas ou parentes, pelo que temos de disfarçar e não criar desconfiança na sociedade.’

Vítor Gaspar na Comissão de Orçamento e Finanças (3)

A intervenção de Pedro Silva Pereira sobre o “desvio colossal” e a criação do imposto celerado:

Emagrecer o Estado (a luta continua)

De manhã, Passos Coelho disse no Parlamento que tinha nomeado 11 motoristas. No site do Governo, porém, estavam 14 nomeações. Foi, por isso, necessário rectificar a verdade. Adivinhem que número prevaleceu?

O Negócios online, que conta a história, transcreve as palavras do assessor de Relvas: José Sócrates tinha 24 motoristas. O número de motoristas nomeados por Passos Coelho (11) pode vir ainda a mudar.
Notem bem: Sócrates tinha 24 motoristas - reza a lenda que era um para cada hora do dia... -, mas Passos não tem nem um motorista, ele apenas nomeia.

Entretanto - de acordo com o site do Governo - há ministérios que ainda não nomearam motoristas, nem secretárias. O site não esclarece, porém, se os motoristas foram substituídos pelo passe social e se os ministros se auto-secretariam.

Enfim, a coisa promete.

Vítor Gaspar na Comissão de Orçamento e Finanças (2)

Eis a segunda intervenção de João Galamba, sobre a não tributação dos dividendos:

Até tu, Zé Manel?



"A escolha da nova administração da Caixa foi o mais desastroso passo em falso do Governo desde que tomou posse" [hoje no Público].

O Governo declarou guerra aos trabalhadores (e é bom capacitarmo-nos disso)



A ideia é acabar com o conceito clássico de indemnização, dizem eles.

Quando Camilo transforma a mentira em falta de experiência

• Camilo Lourenço, Como a falta de experiência penaliza o Governo:
    ‘O problema é que a falta de traquejo político levou-o, num dos pontos mais importantes (redução para 10 do número de dias por cada ano de trabalho), a meter os pés pelas mãos. Desmentindo as informações veiculadas pelo próprio Ministério a este jornal, ao autor desta coluna e ao jornal "i", TSF e RR.

    Em condições normais, uma medida desta importância teria sido apresentada pelo próprio ministro. O problema é que Álvaro Pereira também não tem traquejo político. E assim o Governo meteu-se num beco sem saída: depois do desmentido de ontem, como vai Pedro Martins (e o seu ministro) assumir, em 2012, que é preciso ir mais longe na redução das indemnizações por despedimento?’

Emagrecer o Estado (aula prática)

Ao fim de um mês de governação, Passos Coelho já nomeou:
9 secretárias
14 motoristas.

♪ No adeus a Amy Winehouse [5]


Mark Ronson feat. Daniel Merriweather
Stop Me
Alguém saberá indicar onde - na Lei-Quadro do SIRP e/ou na Lei de Segurança Interna - foi a jornalista do Público encontrar a expressão "a comunicação de dados para empresas privadas pode acontecer em casos em que prevaleça o interesse estratégico do Estado", ou algo equivalente, na qual sustenta a sua "notícia".

“Que modelo é este?”

• Daniel Amaral, Portugal 2012:
    ‘(…) Vamos cortar em tudo: no consumo, no investimento e no produto; no emprego, na educação e na saúde; nos salários, nos subsídios e nas pensões. Lembrei-me do Eça: se V.Exas. nos cortam tudo, que poderemos nós cortar a V.Exas?

    O corte que mais me preocupa é o do investimento. Medido em percentagem do PIB, este indicador representava 27% em 2000 e era dos mais altos da Zona euro. Depois foi caindo, caindo, e em 2010 estava reduzido a 19%. A cumprirem-se as actuais projecções, o percurso mantém-se e chegará aos 16% em 2012, um número arrepiante. Como o investimento é o principal motor do crescimento económico, adivinha-se o abismo para que nos estão a empurrar.’

Voltaram a enganar-se. Esta é a manchete do Inimigo Público


Quinta-feira, Julho 28, 2011

Vítor Gaspar na Comissão de Orçamento e Finanças

O ministro das Finanças foi ouvido, na terça-feira, 26 de Julho de 2011, na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento, sobre a criação da sobretaxa extraordinária a aplicar aos rendimentos sujeitos a IRS auferidos em 2011.

Eis o primeiro conjunto de questões colocado por João Galamba:


Despedir, despedir, despedir



• Emídio Fernando, Ordem para despedir:
    ‘Enquanto o Governo hesita em assumir claramente que defende uma lei laboral mais flexível que facilite os despedimentos individuais, é bom recorrer ao pensamento do ministro Álvaro Santos Pereira que, entre tantas tutelas, é o máximo responsável pelo Emprego. Sem véus, sem tabus, e sem dúvidas, o actual ministro escrevia isto, em Dezembro de 2010 (já prevendo que iria haver um novo governo em breve).

    "É mais do que evidente que uma das reformas que será levada a cabo nos próximos tempos é a reforma das leis laborais. E não, não estou a falar de somente de tornar os despedimentos mais baratos. Estou mesmo a pensar (oh heresia!) numa maior flexibilização dos despedimentos individuais. A verdade é que, para o bem ou para o mal, uma flexibilização das leis laborais é simplesmente inevitável, quer seja com este governo (se assim for forçado pelos nossos parceiros europeus), quer seja com o próximo governo (o mais provável)."

    O artigo completo, com análise filosófica sobre os despedimentos, as medidas que devem ser tomadas e respetivas propostas, pode ser lido aqui: sem mitos, de facto.’

Deve ser o pulo do lobo...

Ainda sou do tempo em que as viagens dos governantes se traduziam num empurrão às empresas portuguesas. Que pena não termos agora notícias da celebração de contratos, de investimentos, de exportações. Paulo Portas andou por Angola, Moçambique, Brasil e ainda deu um salto ao Peru, outro parceiro fundamental para a economia portuguesa. Quais os resultados desta diplomacia económica? Zero. Ao menos, viajou em executiva.

SMS

Olá Pedro. Queres dar um saltinho até ao Algarve? Podemos brincar à típica corrida ‘quem chega primeiro à toalha'... Bjs

♪ No adeus a Amy Winehouse [4]

Quarta-feira, Julho 27, 2011

Da série "Frases que impõem respeito" [634]

Não compreendo como é que o sócio de uma sociedade de advogados pode ser administrador de uma empresa que é sua cliente.
      Pedro Rebelo de Sousa, mano do célebre Prof., na sua qualidade de presidente do Instituto Português de Corporate Governance, dias antes de ser nomeado administrador da Caixa Geral de Depósitos, banco que é cliente do seu escritório de advocacia [citado hoje na pág. 20 do Público]

Na banca lusa, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma

Rui Machete, ex-presidente da Assembleia Geral da SLN/BPN, é o novo presidente da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos.

Da série "A ver se eu entendi bem"



Escreve o jornal Público, com chamada de primeira página: ... (se) o convite se destinou à vice-presidência executiva então o ministro não tinha competências para tomar a iniciativa. De acordo com os estatutos da instituição (CGD) e as regras da boa governação a eleição para este cargo compete aos membros da administração e não ao accionista (p. 20).
O mesmo jornal cita ANL: “O convite que recebi foi para vice executivo... Ainda hoje afirmei isso.”
O Jornal de Negócios, entre outros, cita ANL: “... agradeço muito os apoios ao desafio que o PM (primeiro ministro) me fez. O ministro das finanças e o PM escolhem a equipa...”
Portanto:
Quem convidou não teria competência para o fazer nos termos em que o fez;
O convidado confirmou os termos impróprios do convite;
O convidado denunciou quem o convidou em eventual violação dos estatutos e das regras;
O indigitado Presidente da instituição cujos estatutos terão sido violados confirmou os factos.
Temos, assim, um convite impróprio, um convite confirmado e reconfirmado, estatutos violados, e ‘violação consentida’ pela instituição e ... tudo como dantes quartel general em Abrantes!!!!
Estão a gozar connosco.
O património e capital da CGD, que se saiba, não é privado é público. Ora este Governo teve um mandato do povo e dos contribuintes para governar, não para abusar, como é, flagrantemente, o caso em apreço.
    Afonso

Quando o regulador passa a regulado — e ninguém se incomoda

• Nuno Garoupa, Caixa Geral de Depósitos:
    ‘Quite surprisingly, the appointment of a new administration for the state-owned banking corporation CGD has emerged as priority. CGD operates in a highly regulated industry. The Bank of Portugal is the regulator. CGD is the largest bank in Portugal. The government selects the one who regulates to manage the one who is regulated. Economists call this the revolving door problem in regulation. Hundreds of papers in the economics of regulation and public choice address the perverse effects of the revolving door behavior in politics. Nobody in Portugal, but literally nobody seems to be worried about it. Remarkable! More remarkable when there have been accusations of regulatory failure against the Bank of Portugal (due to BPN and BPP scandals a couple of years ago).’

    Paulo F.

Impossível viajar no tempo

Depois desta conclusão de um físico chinês, não nos resta outra solução a não ser lutar contra este governo que quer desmantelar o Estado Social.

Cavaco e Marco António, a mesma luta!

Cavaco só se esquece de dizer que, para garantir a sustentabilidade das instituições de “cariz social”, o dinheiro sai do Orçamento do Estado.

O Governo tira da cartola os armazéns infantis

As regras para a construção de creches obedecem a estudos para garantir condições às crianças que acolhem. O ministro da Solidariedade e da Segurança Social entende que essas regras são questões burocráticas, que urge contornar.

Assim, para o actual governo, as regras são para simplificar, não para cumprir: onde antes era necessário que as salas tivessem um pé direito de dois metros, poderemos passar a ter 197cm, 186cm, 143cm…

O actual governo não se dispõe a criar mais creches, mas em acomodar mais 20 mil crianças nos espaços existentes. Ainda haveremos de ver Mota Soares a defender que as crianças podem fazer a sesta em pé. É tudo uma questão de ultrapassar burocracias, transformando as creches em acolhedores armazéns.

“O brilho acumulado desde 1995” foi-se

Pedro Carvalho observa, no Diário Económico, que o Estado perde 2,7 mil milhões em 60 minutos. Num artigo em que se não entende o fio condutor, vale a pena prestar atenção aos dois primeiros parágrafos:
    ‘O accionista Estado entrou ontem, por volta das 15h00, na histórica assembleia-geral da Portugal Telecom com 500 acções douradas avaliadas em 2,8 mil milhões de euros.

    São 500 acções douradas que davam ao Estado o poder equivalente a de um accionista maioritário, ou seja, com 50% mais uma acção. Uma hora depois, o mesmo Estado saída com as mesmas 500 acções, mas a valerem, a preços de mercado, uns míseros três mil euros. Uma hora bastou para que as 500 acções douradas perdessem todo o brilho acumulado desde 1995, altura da primeira fase de privatização da PT.’

Habituem-se

Primeiro, foi o Álvaro, agora o Vítor: inexperientes e precipitados, têm por hábito fazer umas leis, seguidas por rectificações, por clarificações, por correcções...

Ainda que mal pergunte… [51]



Perante o escândalo sem precedentes que está a ocorrer na Caixa Geral de Depósitos, cabe perguntar: o regulador, ou melhor, o governador do Banco de Portugal está de férias a ler o Rei Pasmado?
    Afonso

Sócrates terá passado ao largo de Chipre?

Moody's rebaja la nota de Chipre a un suficiente alto: "Chipre ha pasado de un notable a un suficiente alto. La agencia de calificación Moody's ha rebajado la calificación del país basándose en tres pilares básicos. Por un lado, la situación fiscal del país, el incremento de la crispación política y el riesgo material de que a medio plazo los bancos chipriotas necesiten ayuda estatal debido a su exposición a la deuda griega. Así, la agencia de calificación rebaja la nota de Chipre desde A2 hasta la Baa1, dos escalones menos y perspectiva negativa."

♪ No adeus a Amy Winehouse [3]


Gabriella Cilmi
Sweet About Me

De rerum natura

A coligação que temos:
PSD na linha da frente. CDS na logística e na diplomacia...
Huuummm... A coisa promete...
    Afonso

A palavra aos leitores

Nuno Santos Silva chama a atenção para o facto de, na legislação a que faz referência o despacho de Assunção Esteves, não estar prevista a possibilidade de “uso pessoal” da viatura oficial que foi atribuída a Mota Amaral, pelo que o despacho da presidente da Assembleia da República é ainda mais chocante:
    ainda na esperança que Mota Amaral rejeite o uso pessoal da viatura oficial que lhe foi concedida por Assunção Esteves, noto que o "uso pessoal" não consta dos diplomas legais nem da resolução da AR.

    Aqui está o link para o despacho de Assunção Esteves (o seu primeiro, por sinal...)”.

Circo do Crespo (2)

O vídeo da SIC permite ver melhor o debate entre Alfredo Barroso e Teresa Caeiro, vice-presidente da Assembleia da República.

Terça-feira, Julho 26, 2011

Circo do Crespo

Vale a pena ver o debate entre Alfredo Barroso e Teresa Caeiro, vice-presidente da Assembleia da República. Um leitor enviou-nos o vídeo.

Ainda que mal pergunte… [50]



Com o que está a passar-se na CGD é caso para perguntar se o espírito BPN se apossou da CGD. No creo en brujas, pero que las hay, las hay...
    Afonso

Da série "Frases que impõem respeito" [633]

Esta foi uma má estreia do ministro das Finanças porque não foi capaz de justificar aquilo que devia ser óbvio: o Governo apresentou um desvio de dois mil milhões na execução orçamental, mas ainda estamos à espera que faça uma demonstração do desvio, um desvio que toda a gente procura e ninguém encontra.

      Pedro Silva Pereira, na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República, na primeira audição de Vítor Gaspar

Um luxo chamado subsídio de Natal


Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos? Há, mas Cavaco não estava, em Março, a pensar nos que se dão ao luxo de receber subsídio de Natal.

Está tudo bêbado ou quê?



No i:
    ‘Outra entrada inesperada na CGD foi a de Nuno Fernandes Thomaz, para administrador-executivo, defendida por Paulo Portas, que assim garante a representação do CDS/PP nos órgãos do banco estatal. Recorde-se que Nuno Fernandes Thomaz, que foi secretário de Estado dos Assuntos do Mar no governo de Santana Lopes, chegou a defender, durante a campanha de 2005, um Museu da Bíblia no Norte e a construção de um parque temático como a Eurodisney no Sul de Portugal. Ontem, vendeu a sua posição na ASK e pediu a demissão dos cargos que desempenhava.’

De rerum natura

Como todos os governos com grande percentagem de neófitos este também começou imbuído de uma espécie de espírito messiânico. Durou pouco. Bastou um mês e aí temos, em todo o seu esplendor, a direita pura e dura: a pedir sacrificios à maioria para financiar os interesses da minoria afluente e privilegiada. Que não falte o ânimo e a lucidez ao novo líder do PS e...
    Afonso

Intermezzo

O Secretário de Estado da Cultura existe mesmo ou está apenas escalado para mestre de cerimónias?
    Afonso

Depois do assalto à Caixa, ninguém estranharia ver um porco a andar de bicicleta



Eduardo Cintra Torres revelou um dia por que Mário Crespo deixou subitamente de ser jornalista: o apresentador da SIC teria debaixo de olho o cargo de adido de imprensa na embaixada de Portugal em Washington, mas o desejo não se concretizou. Desde então, assistimos todos àquelas cenas permanentes que, de tão tristes, se tornaram cómicas.

Mário Crespo continua a agir, hoje em dia, como se estivesse num estúdio no palácio da São Caetano. Alimentará ainda o sonho de se mudar para o outro lado do Atlântico? E se não for adido na embaixada, poderá estar a pensar ser correspondente da RTP, lugar que está desocupado desde o regresso à pátria de Vítor Gonçalves? Mas a RTP não tem, entre os seus muitos jornalistas, quem queira ser correspondente nos Estados Unidos, sendo preciso ir contratar alguém fora da empresa?

PS — As coisas de que a gente se lembra quando está a folhear a revista Única e depara com um artigo sobre Mário Crespo.

Ainda que mal pergunte... [49]

Os banqueiros já perderam a paciência com este governo? É que se não perderam, parece...
    Afonso

"BMW, modelo 320, com a matrícula 86-GU-77, para uso pessoal"

O Presidente da República força a demissão de Mota Amaral de chanceler do Conselho das Ordens Nacionais e a Assembleia da República é que paga.

Intermezzo

CGD… alla zingarese.
Começou a Caça à Galinha dos ovos D’oiro...
    Afonso

Uma Rapsódia Troikista

Aos trinta dias é o momento para uma estimativa rápida, qualitativa, do rating do Governo. Aqui vai:
    Agricultura, Ambiente, mar (ou lá o que é): o mar enrola na areia / ninguém sabe o que ele diz ....
    Educação (o resto não existe): onde é que o cuco põe os ovos?
    Economia, transportes, etc., etc., etc.: ... Eh pá, isto até é giro. Eu decido, eles, os políticos, explicam... (a lei de bronze dos ministros independentes)
    Segurança Social: a massa e os anéis já eram.... Se não se põem a pau nem os dedos lá ficam...
    Administração Interna: convites envenenados. Recomenda-se que em vez de assessores contratem provadores ...
    Assuntos Parlamentares: The Third Man ...
    Finanças: o oráculo do Paço. (Eu digo e repito, eles explicam... e assim se confirma a lei de bronze dos ministros independentes)
    Defesa: vou mas é de férias que isto não está para brincadeiras.
    Saúde: já teve melhores dias.
    Justiça: ainda a brincar às casinhas ...
    MNE: quanto mais longe melhor; quem gosta do calor que se meta na cozinha...
    PM: piangendo ... e ritardando...
    Ah, falta o do grupo dos trinta fiscais: Small Change got rained on with his own thirty-eight

    Síntese: uma Rapsódia Troikista.

    Afonso

Os bancos vão ter de perder dinheiro

• Pedro Santos Guerreiro, Os bancos vão ter de perder dinheiro:
    ‘Chegados aqui, é essencial perceber o que é hoje o Banco de Portugal. Já não é o "sindicato" dos bancos, como no passado. É o membro do Banco Central Europeu que tem mais de 40 mil milhões emprestados aos nossos bancos e é o interlocutor do FMI, que passa um terço do cheque da troika. É por isso que o Banco de Portugal tomou o controlo do Ministério das Finanças e, agora, da Caixa. Não é o Banco de Portugal: é a troika. Quem paga é a troika. Quem manda é a troika. E ainda bem. Porque o Governo parece, afinal, enclausurado no passado, desperdiçando a oportunidade de mudança da economia e cismando nos mesmos vícios: falta de corte de despesa, partidarização da Caixa - e falta de comando.

    Chegará a hora de vermos as vantagens e as desvantagens das nacionalizações parciais da banca. De repartir culpas. Mas uma trave continua mestra: a economia precisa de uma banca forte. E isso vai, muito provavelmente, exigir uma nacionalização temporária, que mudará para sempre a propriedade e a gestão da banca em Portugal, menos alinhada com o Estado e que lute pela poupança. E mais estrangeira.

    Como Sócrates dizia, o mundo mudou. E a banca, que sempre foi visionária, é quem está agora em negação. Vai ter de perder dinheiro. Vai ter de tirar as pequenas e médias empresas do espremedor. Vai ter de deixar de achar que a troika é idiota.

    Eis o grande paradoxo: os liberais é que defendem a entrada temporária do Estado nos bancos. Vai ser impossível explicar, mas a ajuda do Estado aos bancos não será a ajuda aos donos dos bancos. Ao contrário do que parece, isso é que vai trazer perdas para os seus accionistas. Por isso é que eles não querem. Por isso é que a economia precisa. Como veremos nos próximos meses.’

♪ No adeus a Amy Winehouse [2]

As coisas são o que são

Há um mês vivíamos melhor.

Afinal, há mesmo um desvio colossal

Segunda-feira, Julho 25, 2011

Iam-nos levando o ouro todo…

… e o Governo a assistir impávido e sereno.

O estranho caso de Thomaz



O seu mundo era uma “boutique financeira”, na qual detinha uma participação minoritária (menos de 11 por cento): livranças e coisas assim. A malvada da crise poderia tê-lo atirado para a desgraça. No entanto, como os deuses felizmente não dormem, administra agora o maior banco português.

Terrível Ângelo é o 25º mais poderoso da economia portuguesa

Ângelo Correia está no poder mesmo quando parece estar fora dele. Influencia em vez de mandar. Patrocinou a candidatura de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD e continua a surgir como comentador, nos jornais e na televisão. Sabe que isso lhe mantém a auréola de poder.

♪ No adeus a Amy Winehouse [1] (*)


Adele

(*) uma série sem o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos.

No elevador do Facebook (2)


[Uma frase que resume este texto.]

Amy Winehouse

A morte de Amy Winehouse vista por António Nogueira Leite, conselheiro económico de Passos Coelho, n.º 2 do conselho nacional do PSD e agora vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos:


Para ler na íntegra, sff

• Pedro Santos Guerreiro, O albergue espanhol:
    'António Nogueira Leite não vai sentir falta de escrever para o blogue "Albergue Espanhol". Porque acaba de entrar num. A administração da Caixa é uma combinação, explosiva e imprudente, de cabeças de cartaz.

    A nomeação da administração da CGD é muitas vezes o teste do ácido de um governo estreante. Para medir a sua partidarização. Para contar os "boys". Neste caso, isso é até o menos. O mais é a falta de experiência e os conflitos de interesses.

    Uma administração deve ser heterogénea mas consistente, de confronto mas leal. Isso exige coerência. E uma liderança forte. Na Caixa, esta escolha devia ser fácil: só há um accionista. Mas o Estado, sendo único, não é uno. Nesta administração está o homem do Presidente, o do primeiro-ministro, o do ministro das Finanças, o do ministro dos Negócios Estrangeiros e o dos Assuntos parlamentares. Banqueiros é que há poucos.

    (...)

    "Albergue espanhol" é uma expressão francesa para lugares confusos, onde se juntam pessoas de culturas diferentes e sem regras. A Caixa começa assim e começa mal. Porque no final disto tudo sobra uma enorme perplexidade: há de tudo neste "onze", de quem sabe muito de política, muito de banca de investimento, muito de mercado monetário, muito de Direito, muito de advocacia de negócios, muito de supervisão, muito de sistemas de pagamentos, muito de governo de sociedades. Na Caixa só não há é ninguém que saiba de uma coisa: de banca tradicional.'

E a São Caetano São Bento mantém-se em silêncio?



Director dos Assuntos Fiscais da Madeira acusado de fraude e branqueamento.

O acordo com a troika como o pé-de-cabra para desmantelar o Estado Social



    ‘A verdade é esta: Portugal só tem hipótese de ter sucesso se for diferente da Grécia. Se cumprir o acordo que celebrou, se o cumprir sem falhas, se o cumprir antes do tempo previsto, se o cumprir com vontade e convicção. Mais ainda: se formos capazes de ir mais longe do que o que está previsto no acordo, reformando ainda mais e com maior profundidade, aumentaremos o nosso grau de sucesso. Esta é a única estratégia que nos conduzirá à vitória [sic].’
      Marcelo dos pequeninos, no Correio da Manha, com a profundidade e a sofisticação a que nos habituou

Nogueira Leite surpreendido por não ser vice-presidente da CGD

Nogueira Leite diz-se vítima de uma “política palaciana”. É preciso muita força de vontade para servir a “causa pública”, dispondo-se a ganhar menos de metade do que recebe actualmente, apesar destas nebulosas tentativas para o impedir de se colocar ao serviço do seu país.

No elevador do Facebook


Domingo, Julho 24, 2011

Finalmente as instituições internacionais poderão confiar nas estatísticas portuguesas



Miguel Relvas já tutela o INE e preside ao Conselho de Estatística
    Pedro T.

A mentira colossal para justificar a sobretaxa colossal

• Nicolau Santos, DISSE DESVIO COLOSSAL? [ontem no Expresso]:
    '“Povo Livre”, jornal oficial do PSD, 13 de julho de 2011, pág. 9: resumo da intervenção do líder social-democrata naquele órgão. A meio do texto, com o subtítulo “Um desvio colossal”, segue-se a seguinte prosa: “Pedro Passos Coelho reiterou que o Executivo não se vai queixar da ‘herança’ do PS, porque está passado o tempo em que os governos passavam meses a queixar-se da ‘pesada herança’ que ‘ tinham recebido’, mas — disse — que não podia deixar de fazer uma observação final sobre o estado das contas públicas portuguesas. E esta observação é a do novo executivo, que encontrou um ‘desvio colossal em relação às metas estabelecidas’ para as contas públicas, o que causou aos membros do seu executivo ‘uma surpresa com a dimensão do desvio que encontraram em relação ao que o anterior Governo dizia’” (sic).

    Além do péssimo português, a pessoa que assina a prosa com as iniciais PL das duas uma: ou esteve na reunião e transcreveu o que ouviu; ou não esteve e escreveu com base no que saiu na imprensa. No primeiro caso está a desmentir o primeiro-ministro; no segundo esteve distraído e não tomou nota do bem humorado esclarecimento que o ministro das Finanças fez das declarações de Passos — e que o Presidente da República corroborou.

    Mas tirando este pequeno pormenor, o primeiro-ministro insistiu em reiterar que havia um desvio de €2,1 a €2,3 mil milhões se tudo continuasse como até agora. Contudo, os dados da execução orçamental até junho não só não confirmam como desmentem as afirmações de Passos Coelho. A troika fixou como meta para este período um défice de €5400 milhões. Ora esse objetivo é cumprido por larga margem, ficando quase €1500 milhões abaixo desse valor. É verdade que estamos na ótica da contabilidade pública e não da contabilidade nacional — a que conta para Bruxelas. Mas em primeiro lugar a troika sabia disso quando fixou os objetivos e em segundo a margem de manobra é tão grande que certamente acomodará as surpresas que possam aparecer, provenientes das empresas públicas, fundos e serviços autónomos, regiões autónomas e autarquias.

    O que daqui decorre é que o imposto extraordinário pode ser justificado como medida preventiva — mas não (pelo menos até agora) como panaceia para o tal “desvio colossal” das contas públicas que, face aos dados divulgados pela Direção-Geral do Orçamento, pura e simplesmente não existe. Seria bom, portanto, que Passos Coelho e o ministro das Finanças esclarecessem rapidamente esta questão. Para quem fala sistematicamente em transparência, neste caso há muita falta dela. E nada pior do que irem aos bolsos dos contribuintes com argumentos que a realidade desmente.'

O Código Penal português classifica como crime, no artigo 192º, quer a conduta de quem realizou as escutas quer a conduta de quem as divulgou

• Fernanda Palma, Escutas à inglesa:
    ‘Tem sido aflorada, por vezes, a ideia de que a liberdade de informação justifica a divulgação pública de elementos obtidos de forma ilegal – por exemplo, através de escutas ilícitas. Assim, o trabalho sujo precedente, feito por outros, seria branqueado em nome de um interesse legítimo ulterior e numa lógica de aproveitamento virtuoso dos resultados do crime.’

Lá isso é verdade

Carlos Carreiras, presidente da Distrital de Lisboa do PSD, deu uma entrevista à última edição do Sol. Eis uma passagem:

    Sol - O aparelho não tem uma conotação muito negativa, demasiado ligada ao clientelismo?
    Calos Carreiras - Hoje, quem invoca no sentido negativo o aparelho são todos aqueles que já estiveram à frente do aparelho. É-me inconcebível ver ex-presidentes do PSD a fazerem comentários permanentes e a atacar o partido. É o caso de Marcelo Rebelo de Sousa, de Marques Mendes, de Santana Lopes... mas já houve outros. Não foram capazes de passar para senadores e estão no espaço mediático como comentadores, pagos para isso e, para terem valor de mercado, têm de fazer críticas ao próprio partido e muitas das vezes em total incoerência com aquilo que foi a sua prática enquanto líderes partidários.

Da série "Frases que impõem respeito" [632]


Ele dizia: ‘Imagine-se Portugal a pagar a dívida com as baixas taxas de juro da Holanda.’
      Miguel Beleza, dando conta da forma como Vítor Gaspar o tentava convencer, era então Beleza ministro das Finanças, da importância do euro [relatado num longo panegírico do actual ministro das Finanças na última edição da Sábado (pp. 53-58]

Sábado, Julho 23, 2011

Belém, temos um problema!

"Num breve apontamento mais pessoal, não me passou despercebido o estado de abatimento físico do Ministro das Finanças, com um ar quase cadavérico, indicador de quem não consegue dormir há vários dias…"
Tavares Moreira, Quarta República

Nota acerca da “ida ao pote”



Jornal de Negócios (p. 14), 22 de Julho de 2011

Será que a indelével expressão “ida ao pote”, popularizada por Passos Coelho numa entrevista na televisão, significa apenas a ocupação, mais ou menos violenta, dos cargos que o Governo pode distribuir pela sua corte? Não acredito.

Os que assim pensam como justificam que, por exemplo, António Nogueira Leite, segundo se lê no recorte do Jornal de Negócios acima reproduzido, vá ganhar menos de metade na Caixa do que recebe actualmente?

ADENDA: o teor dos muitos comentários feitos recomenda que, uma vez sem exemplo, não seja aberta a caixa dos comentários deste post.

Lições imorais


[Público, 23 Jul 11, link indisponível]

São José Almeida integra um grupo com pergaminhos na política, no jornalismo, na opinião pública portuguesa. Nesse grupo convivem comunistas, bloquistas e até alguns socialistas (vidé fenómeno Manuel Alegre) - enfim, gente que gosta de se apelidar "de esquerda" -, que têm como motivo agregador a aversão ao Partido Socialista enquanto partido de poder. Porque quando o PS vai para o poder já não é "O" Partido Socialista, é sempre outra coisa...
Na realidade, essas pessoas limitam-se a transmitir publicamente aquela que sempre foi a doutrina do PCP (mais recentemente adoptada na íntegra pelo Bloco de Esquerda), e que se resume à ideia de que sempre é preferível ter a direita no poder do que o PS. Até porque quando é o PS que está no poder o PS torna-se em "direita".
São José Almeida personifica essa corrente. De tal forma que, à semelhança de muitos outros que se dizem de esquerda, prefere as alianças tácticas com a direita, como aconteceu no triste consulado de José Manuel Fernandes à frente do Público, durante o qual São José Almeida foi um dos rostos da esquerda que deram bênção pública a um dos projectos mais fanáticos da direita portuguesa (vidé caso da inventona de Belém).
A presunção com que pretende dar lições ao PS é simplesmente patética.

O estranho caso de Manuela: não te fiz primeira-ministra, faço-te chanceler(ina)



      ‘Agora também se percebe melhor a atribuição da Grã-Cruz da Ordem de Cristo a Manuela Ferreira Leite no último 10 de Junho. Foi uma espécie de graduação antes de ser nomeada Chanceler do Conselho das Ordens Nacionais. Armada Cavaleira, pois. A vida palaciana segue sem interrupções.’

Medeiros Ferreira já nos havia chamado a atenção para a importância da “vida palaciana” (e até para o significado muito particular nos Açores do adjectivo “discreto”). Ficámos a saber que João Bosco Mota Amaral, ex-presidente da Assembleia da República, foi “substituído por Manuela Ferreira Leite no cargo de chanceler das Ordens Nacionais, três meses depois de ter tomado posse do cargo, em conflito com o Presidente da República.

Para além desta alusão no i, não dei conta de que a imprensa tivesse procurado aprofundar o que se passou. Como bem disse Cavaco Silva, temos “uma imprensa muito suave”. Para alguns, é.

Alguém ousará?



• Fernando Madrinha, IR ATRÁS do DINHEIRO [hoje no Expresso]:
    ‘(…) O caso [BPN] está na Justiça, mas uma pessoa interroga-se: bastará alguém ser condenado a uma pena de prisão para ser feita Justiça num caso como este e com as consequências que tem na vida de todos nós? Haverá Justiça se, não só os agentes da burla, mas os seus beneficiários, especialmente os que fizeram fortunas à conta dela, em certos casos a partir do nada, continuarem a gozar desses proventos? Não. Só há uma forma de fazer Justiça: ir atrás desse dinheiro e recuperá-lo para o Estado a fim de se abater aos milhares de milhões que todos já tivemos que pagar. Alguém ousará?’

Quando a bota não bate com a perdigota


Hoje no JN, p. 7

Ainda o vídeo colossal

Vi as imagens na SIC. Passos Coelho entra com uma gravata azul escura e fala do “desvio colossal” com uma gravata verde. Estarei a ficar daltónico (ou o líder do PSD tem um guarda-roupa na São Caetano para ir mudando de traje no decurso do conselho nacional)?

Força Ribeiro Ferreira, estás quase lá!


As opiniões e os factos

Pacheco publicou no seu blogue umas coisas da Visão (quem lê o CC anda sempre bem informado...) e pôs a garotada passista, perdoem a redundância, em alvoroço (sabem quais são os blogues, não sabem?). Andam nervosos, como nós os percebemos...

E enquanto Pacheco aguarda pelo site das nomeações - aconselhamos vivamente a posição de sentado, com inclinação a tender para o horizontal) - pode ir consultando o Mentirómetro, uma excelente iniciativa para a sistematização do passismo.

Sexta-feira, Julho 22, 2011

Rebelo de Sousa, Fernandes Thomaz, etc., etc.

Hoje no i


Entretanto, já se conhecem os contemplados. A repartição do bolo entre o PSD e o CDS é um escândalo, não acham? O que diriam se algo parecido fosse feito pelo PS?

Fahrenheit 451 (em reposição)



O PSD pode fazer apresentar os vídeos que quiser, mas ainda não conseguiu mandar queimar todos os exemplares do Povo Livre, órgão oficial da São Caetano, no qual se faz referência à utilização por Passos Coelho da expressão “desvio colossal”:




O André Salgado explica tudo muito bem explicadinho.

Um vídeo colossal


O vídeo a que o Miguel já aludiu suscita diversas perplexidades (além destas). Por exemplo:

a) no PSD, no Governo e noutros locais e ocasiões em que Passos Coelho discursa "à porta fechada", não será melhor os participantes confirmarem se a reunião está a ser gravada, sob pena de qualquer afirmação ali proferida poder ser utilizada para finalidades menos legítimas?
 

b) como pode a RTP garantir peremptoriamente que a expressão "desvio colossal" não foi proferida nessa reunião? a RTP teve acesso à gravação integral da reunião?
 

c) percebe-se agora melhor a manchete do Sol da semana passada; esta gente sabe do que fala e sabe o que anda a fazer:

E Portas já não está preocupado com os pensionistas?


DN

E o Eduardo Cintra Torres já reagiu?

A RTP passou — hoje — em exclusivo o vídeo do Conselho Nacional do PSD — de 12 (doze) de Julho — e está em condições de garantir: Passos Coelho nunca falou em "desvio colossal".

A televisão oficial do Governo tem acesso a vídeos internos do PSD que mais ninguém conhece e que só são divulgados após Bruxelas dar um puxão de orelhas a Passos Coelho.

Alguém me sabe dizer se Eduardo Cintra Torres já se pronunciou sobre este caso?

Um estarola no seu labirinto



Passos Coelho mandou o assessor de imprensa lançar a atoarda. Depois, deixou a coisa a marinar, tendo obrigado o ministro das Finanças a fazer interpretações pessoais do que terá dito. Voltou a falar do assunto em Vila Real, dando a ideia de que confirmava o que o seu assessor de imprensa dissera aos jornalistas. Quando é finalmente apertado por Bruxelas, dá o dito por não dito: Passos Coelho nega “buraco colossal” nas contas públicas. O primeiro-ministro (ou lá o que é) não deveria pedir desculpa por esta manipulação grosseira, que se arrasta desde o dia 13?

Já chegámos à Renânia do Norte-Vestfália?

Pedro Passos Coelho terá dado indicações para a Parpública vender ao grupo de energia alemã RWE (que opera nas áreas da electricidade e do gás) o bloco de acções da EDP ainda nas mãos do Estado português.

Fornecidas por quem?

• Ferreira Fernandes, Não temos Murdoch mas temos pior:
    ‘(...) No fim, Jon Stewart suspirou de alívio: a América estava muito melhor do que a Inglaterra. Sorte a dele, não a minha. Em Portugal, não há jornais que de forma sistemática pagam a bandidos para fazer escutas ilegais, é verdade. Mas não é por moral, é por falta de dinheiro dos jornais. O que não os impede de terem acesso a informações obtidas ilegalmente, por exemplo, em segredo de justiça. Fornecidas por quem? É isso que faz mais grave o nosso caso. A máfia de Murdoch, por muito máfia, é clara nos seus propósitos: ganhar mais dinheiro e poder. A nossa é difusa, nem lhe conhecemos as intenções.’

«O meu próprio plano para "salvar o euro e a Europa”»

        «Os resultados da cimeira decisiva estão aí. Não vejo melhor maneira de os apreciar do que cotejá-los com o meu próprio plano para "salvar o euro e a Europa".»
E não se arranja uma assessoria para o Vasco Campilho, que já anda nesta vida há muito mais tempo que o Moedas?

Gralhas

Proposta para reduzir indemnizações chega ao Parlamento com gralhas: o Álvaro faz as coisas em cima do joelho. Lá no blogue dele, a gente compreendia. Enfim, ele andava chateado, farto da neve, precisava de dar nas vistas para arranjar um poiso. Mas as questões de Estado, ainda por cima quando estão em causa interesses vitais dos trabalhadores, não podem ser tratadas com esta displicência.

Temos no Governo uma direita radical que aspira a uma subversão do Estado de direito democrático e social consagrado na Constituição

• João Cardoso Rosas, Verão quente:
    ‘Temos no Governo uma direita radical que, de uma forma mais ou menos explícita, aspira a uma subversão do Estado de direito democrático e social consagrado na Constituição - que, aliás, quer rever de forma profunda. Do outro lado temos uma esquerda igualmente radical e passadista que, por muita razão que tenha em algumas teses, torna-se estéril pela sua recusa em participar plenamente na "democracia burguesa", refugiando-se em modelos do passado. A direita faz agora o papel da esquerda em 1975 e a esquerda radical o papel da parte da direita então saudosista do Estado Novo.

    (…)

    O que se espera da nova liderança do PS? Em primeiro lugar, que não se deixe aprisionar pela chantagem da direita radical que tudo faz para nos convencer que o PS, porque assinou o memorando de entendimento, tem de concordar com tudo aquilo que o Governo faz. Em segundo lugar, que vigie com redobrada atenção a acção deste Governo, denunciando inverdades e o incumprimento de promessas eleitorais. Em terceiro lugar, que mostre rigor analítico e apoie o Governo naquilo que ele possa fazer bem, como por exemplo na luta contra a corrupção e o enriquecimento ilícito (aliás, uma das bandeiras de António José Seguro). Em quarto lugar, o PS deve recusar, ou então vender muito cara, qualquer mexida na Constituição. Em quinto lugar, o PS tem de fazer vencer na sociedade portuguesa um novo discurso sobre a crise, mostrando o seu carácter complexo e sistémico e negando a visão simplista e meramente contabilística da direita. Em sexto e último lugar - por falta de espaço -, o PS deve dialogar muito mais com outros partidos europeus críticos em relação à actual gestão da crise, não só os partidos da área da social-democracia, mas também os Verdes, por exemplo na Alemanha.’

Os portugueses também merecem um pedido de desculpa por parte de todos os intelectualmente desonestos que personalizaram a crise num homem



Luís Rego escreve hoje uma interessante crónica no Diário Económico: “Portugal é o grande vencedor e o grande derrotado”. A Europa deve um pedido de desculpas a Portugal por nos ter deixado chegar até aqui, mas os portugueses também merecem um pedido de desculpa por parte de todos os intelectualmente desonestos que personalizaram a crise num homem e a solução num virar de tabuleiro político. Eles sabem que não é assim. Eis um extracto do referido artigo:
    ‘Portugal tem hoje razões para ficar muito satisfeito com esta decisão do Eurogrupo mas, à luz daquilo a que foi sujeito nos últimos meses, também teria razões para pedir uma indemnização à zona euro.

    A começar pelos juros astronómicos a que teve de suportar mas não só: muito provavelmente não teria sido obrigado a pedir ajuda externa o que implicou um rombo irreparável na sua reputação na zona euro.’

Há pois o lucro, mas há também campanhas sujas

• Fernanda Câncio, 'Omertà':
    ‘(…) não era preciso sabermos que se faziam escutas ilegais naquele jornal para percebermos que a única coisa que lhe interessava eram escândalos, crimes e estórias de alcova. Isso é jornalismo? De acordo, por exemplo, com o Estatuto de Jornalista português - lei da República, sabia? -, não. Mas, fosse o NOW português, quem acredita lhe seria decretada a natureza não jornalística e retiradas as carteiras de jornalista aos respectivos funcionários? Afinal, não faltam por cá práticas semelhantes, santificadas em nome da "liberdade de expressão", mas, na verdade, fruto de uma coisa apenas: a determinação do lucro. (...)’

♪ Grandes duetos e encontros memoráveis [5]


De tanto leva "frechada" do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê?
"Táubua" de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furá

Teu olhar mata mais do que bala de carabina
Que veneno estriquinina
Que peixeira de baiano
Teu olhar mata mais que atropelamento de "automóver"
Mata mais que bala de "revórver"