Como o próprio título do artigo o sugere, o que está em causa é a independência dos juízes (“A greve e a independência dos juízes”). Baptista Coelho alerta-nos: “Não devemos ter ilusões.”
Ao invés de dar ouvidos ao dirigente sindical, que liderou uma greve que não se deveu apenas “a questões de cariz sindical”, o poder político anda a incomodar os magistrados com “as férias judiciais e os serviços sociais [que] não passam naturalmente de temas menores.” O objectivo do poder político é óbvio: uma “estratégia [que] passa, antes de mais, pelo puro entretenimento da opinião pública.”
Houve eleições há oito meses. Ou Baptista Coelho diz quais foram as medidas entretanto promulgadas — já que o artigo é totalmente omisso quanto a isso — que puseram em causa a independência dos juízes, ou Baptista Coelho está a faltar à verdade. Ó Sr. Dr. Juiz, desembuche lá…
PS — Há uma terceira hipótese para justificar esta gritaria da ASJP: perdidas as batalhas das férias judiciais e dos serviços sociais, o dirigente sindical Baptista Coelho está apenas a simular a leste para evitar novas derrotas a oeste. É que os principais privilégios dos magistrados nem sequer foram tocados… Na verdade, houve muito “sangue” para tão poucos “despojos”.
