sábado, fevereiro 28, 2009

Espinho & Rosas (8)

Ia jurar que não ouvi José Sócrates referir-se à investigação judicial do Freeport, que, de resto, como todos sabemos, está em segredo de justiça... Bom, ainda bem que não jurei.

Contributo do João

Espinho & Rosas (7)

Em resumo, "tudo corre bem. As pessoas sorriem. Estão bem dispostas. O PS é um partido feliz e isso nota-se". Palavra de Deus (o trocadilho mais irresistível da blogosfera).

Contributo do João

Espinho & Rosas (6)

Como hipótese meramente teórica, suponhamos que alguém encomendava a lobotomizado um relatório sobre o Congresso do PS.

Contributo do João

Espinho & Rosas (5)

Inacreditável, meus senhores. Há em Espinho congressistas com os sapatos castanhos e o cinto preto... E os jotas? Andam com All Stars clássicos ou daqueles axadrezados?

Contributo do João

Espinho & Rosas (4)

O Paulo Pinto Mascarenhas diz que o congresso tem sido uma "sensaboria" e dá como exemplo um militante que celebra a obra feita: "Foram eles - Guterres e Sócrates - que lançaram a A23!"

Ah, caro Paulo, como o entendemos. Congresso catita seria aquele que discutisse "o socialismo no contexto teórico-fenomelógico da crise do neoliberalismo". Mas estes socialistas são tramados - insistem em falar de coisas reais, enfim, do dia-a-dia.

Contributo do João

Qual, se somos tantos?

Anda Pacheco Pereira a suar as estopinhas para fazer crer que há um jornalismo situacionista e José Manuel Fernandes, com uma simples pergunta, destrói todo o esforço do filósofo de Rio Maior:

Amanhã não será notícia

Edmundo Pedro elogia energia e determinação de Sócrates.

Professores a tempo inteiro

Ricardo Santos Pinto, um professor que, no 5 Dias, consegue a proeza de rivalizar com o notável Carlos Vidal, tem-se consumido a atacar a política de educação do Governo. Percebe-se melhor o que o move, quando se sabe que um pilar essencial da política educativa é a escola a tempo inteiro: “Devido à minha actividade profissional, paralela ao ensino (...)”.

Uma boa notícia

A sondagem da Marktest, hoje divulgada pelo Semanário Económico, contém uma boa notícia: o PSD sobe 3,9 por cento, à custa do CDS-PP, que cai para um valor quase residual (4,1 por cento). O PSD atinge 28,8 por cento das intenções de voto, uma marca que se situa no patamar conseguido por Santana Lopes nas últimas eleições legislativas. Remover agora Ferreira Leite parece difícil de justificar.

♪ Alan Price


Between Today and Yesterday


Jarrow Song

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

O outro lado da chicana

Mas não são só os partidos políticos que a Dr.ª Manuela não tem em grande conta. A líder do PSD também olha para os membros de qualquer governo da mesma forma que Cavaco Silva olhava: meros ajudantes — portanto, uns incapazes de defender os interesses do país.

A Dr.ª Manuela, herdeira de uma certa forma de fazer política, pode não ter reparado, mas a verdade é que esta manobra primária de chicana contém um elogio implícito ao actual primeiro-ministro. Os actos involuntários valem mais.

Um fim-de-semana sem democracia já a contentava

Não há democracia representativa sem partidos políticos e os congressos são o momento mais importante da actividade partidária — não porque sejam uma festa (como disse a Dr.ª Manuela), mas porque são o espaço próprio para os partidos poderem fazer as suas opções.

Ao atacar Sócrates por querer estar presente no congresso do seu partido, Ferreira Leite revela em que conta tem os partidos políticos, incluindo o próprio PSD. Aliás, a sua concepção não se distingue da visão dos líderes que a precederam: Cavaco nunca ocultou uma certa repugnância pela actividade partidária, Barroso trocou São Bento por Bruxelas assim que pôde, Santana fala ciclicamente na saída do PSD…

No fundo, é o regresso à fórmula de sempre, numa versão minguada: a Dr.ª Manuela acha mesmo que o Eng. Sócrates deveria “suspender a democracia” durante um fim-de-semana para participar numa reunião informal com o objectivo de “pôr tudo na ordem”.

Viagens na Minha Terra

Espinho & Rosas (3)

A chatice é que "estamos proibidos de fazer de fazer muitas coisas lá dentro..."

Contributo do João

Espinho & Rosas (2)

Mas o que é que eu tenho que fazer mais para ser paineleiro na TVI? O pino? Mas isso eu já faço...

Contributo do João

Espinho & Rosas

Em Espinho, quem não é socialista onde é que pode ser encontrado? No bar, obviamente.

Contributo do João

Leituras

• Manuel Caldeira Cabral, Todos somos suspeitos:
    “Os casos jornalísticos que evolveram José Sócrates partilham algumas características comuns. A primeira é que todos se referem ao passado e nenhum à sua actuação como primeiro-ministro. A segunda é que todos são baseados em evidência dificilmente aceite em tribunal e em nenhum é clara a acusação feita a José Sócrates. A terceira é que em quase todos estiveram envolvidos aspectos da vida pessoal. A quarta é todos terem alimentado notícias por mais de uma semana, embora, em muitos casos, nada de relevante, novo ou diferente tenha surgido nas semanas subsequentes.

    Embora algumas destas características já tenham surgido em anteriores casos, não foram a prática corrente no passado. Muito menos aplicadas à vida dos anteriores primeiros-ministros. Nenhum de nós soube grande coisa sobre a forma e preço pelo qual Sá Carneiro, Mário Soares, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso ou Santana Lopes compraram as suas casas. Se estas foram compradas mais caras ou mais baratas que as dos vizinhos.”
• Nouriel Roubini, É hora de nacionalizar os bancos insolventes:
    “Há quatro métodos para sanear o sistema bancário, que se confronta actualmente com uma crise sistémica: recapitalização dos bancos, de par com a compra dos seus activos tóxicos por um "bad bank" estatal; recapitalização, de par com garantias governamentais - depois de uma primeira perda por parte dos bancos - dos activos tóxicos; compra pelo sector privado de activos tóxicos, com uma garantia estatal (o actual plano do governo dos EUA); e nacionalização incondicional (ou "recuperação judicial pelo Estado" se não gostarem desse termo grosseiro) de bancos insolventes e sua revenda ao sector privado depois de terem sido saneados.

    Dos quatro métodos, os primeiros três apresentam sérias deficiências (…).

    Assim, a nacionalização pode ser, paradoxalmente, uma solução mais favorável para os mercados: eliminará os accionistas ordinários e preferenciais das instituições claramente insolventes e possivelmente os credores sem garantias se a insolvência for de larga escala, ao mesmo tempo que representará uma carga menor para os contribuintes. Pode também resolver o problema da gestão dos activos tóxicos dos bancos, através da revenda da maioria dos activos e depósitos - com garantia estatal - a novos accionistas privados depois de um saneamento dos activos tóxicos (como foi o caso da opção tomada na falência do banco Indy Mac).

    A nacionalização também resolve o problema dos bancos de importância sistémica, isto é, dos bancos demasiado grandes para falirem, e que, por isso, precisam de ser resgatados pelo governo com um elevado custo para os contribuintes. Com efeito, o problema agravou-se, porque a actual abordagem levou os bancos débeis a comprarem bancos ainda mais débeis.”

A ver aviões

O Presidente da Câmara do Porto, à falta de obra e de ideias para a cidade, insiste em disparar para o lado. E - que falta de pontaria... - acerta sempre nos pés.

Hoje, voltou ao seu tema preferido: "Sob gestão de uma ANA privatizada, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro não vai estar ao serviço da economia da região. Vai estar ao serviço do financiamento de um novo aeroporto de Lisboa, com reflexos mais do que negativos para toda a Região Norte".

Antes de dizer tais barbaridades, o Dr. Rui Rio poderia falar com qualquer economista, que lhe diria o seguinte:
    1. O aeroporto do Porto, um dos melhores da Europa na sua categoria, sofreu profundas obras de remodelação pagas pela ANA com os lucros do... aeroporto de Lisboa.
    2. Actualmente, o aeroporto do Porto está em forte crescimento, beneficiando de uma gestão integrada com o de Lisboa.
    3. Se uma empresa tiver dois aeroportos (um pago e outro por pagar), e tiver à sua frente gestores inteligentes, tentará maximizar a utilização de ambas as infra-estruturas. A essa empresa interessar-lhe-á o lucro global, que, obviamente, só será conseguido potenciando cada aeroporto naquilo que ele tiver de melhor (no Porto, por exemplo, as suas valências regionais e de ligação à Galiza).
Qualquer economista, mesmo de segunda categoria, poderia explicar isto ao Dr. Rui Rio. Ahhh... mas o Dr. Rui Rio é economista?

Contributo do João

A palavra aos leitores - "LAMA NA VENTOÍNHA"

    "O Público voltou a colocar “on line” - e debaixo de título relativo a audição de Charles Smith - a devassa que fez à aquisição de casa por parte de Sócrates e que o mesmo Público apresentou como “jornalismo de investigação” há precisamente 7 dias.

    Ou seja, como a ventoinha estava sem produto que se visse necessário à “incriminação” de que falou o Provedor do Leitor do Público – o jornal foi buscar lama antiga e aí temos novamente aberta uma cloaca velha.

    Neste andamento ainda ressuscitam antiga fotografia do Expresso onde famoso empresário aparece de braço pousado no ombro da viúva do antigo patrão…
    "
      Manuel T., Santa Maria da Feira

E viva o Twitter!

Carlos Rodrigues Lima: «@LucianoAlvarez Pacheco abandonou a "campanha negra"? Eu que pensei que a "cabala dada não se olha o dente"»

♪ Jim Hinde


Shout Down the Wind:
Songs of Peace, Protest, And Patriotism



Shout Down the Wind

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Há dinheiro, prontos

O PSD montou hoje o circo em Braga para pôr as “PME's no centro da política económica”. Tinha-me comprometido a falar das 20 propostas da Dr.ª Manuela (mais cinco do que as do Dr. Mendes), mas outros assuntos se foram sobrepondo. Fica para amanhã: uma a uma (ou quase).

Da leitura das propostas da Dr.ª Manuela fica-se com a ideia de que se trata de medidas avulsas, desconhecendo o PSD, porventura, que algumas constam de programas do Governo em execução — e que até foram criticadas quando foram enunciadas. E que essas propostas, pelos custos elevados que implicam, mostram que, afinal, não é verdade que não houvesse dinheiro para nada, como garantia a pés juntos a Dr.ª Manuela.

Ataque súbito de situacionismo

Pacheco Pereira fartou-se hoje de elogiar na Quadratura a acção do Governo durante estes quatro anos.

A palavra aos leitores

Contributo de Manuel T., de Santa Maria da Feira, sobre a "ECONOMIA REAL" [3]:
    "Logo no primeiro dia da semana, pelas sete e pouco da manhã, quando chegaram os pimeiros trabalhadores ao café vizinho da fábrica, para a cavaqueira que faz acordar de vez e até dá força para mais um dia no duro, se notou que ali havia coisa: portaria sem a segurança habitual, portôes fechados, tudo apagado, nenhum barulho de máquinas que têm de aquecer um bocado antes de cairem as oito horas...

    Uma espreitadela rápida à casa-quinta do patrão deu logo para ver, com tudo tão fechado, silencioso e meio escuro, que se tinha posto ao fresco.

    Comunicada a ocorrência ao sindicato, a mensagem foi simples e clara: a gente vai já para aí, é preciso que toda a gente não arrede pé de junto do portão da fábrica ...
    Ao meio da manhã já não faltavam tarjas, bandeiras, cartazes e toques de telemóvel de camaradas da classe operária, nem jornais, rádios e televisões...

    Entretanto fez-se logo ali um plenário, apalavraram-se as intervenções que seriam metidas nos directos da televisão e, chegada a hora, uma trabalhadora lamentou ter dado os melhores trinta anos da sua vida a uma fábrica que nunca deu prejuízo e agora foi fechada nas costas das pessoas, o delegado sindical considerou ilegal o fecho de uma fábrica a que não faltam encomendas, matérias primas e máquinas modernas, e o dirigente sindical exigiu medidas do governo.

    Desmobilizada a concentração, a Veva perguntou à Tona:

    - Se temos encomendas e a fábrica por nossa conta, porque é que não andamos como aquelas trabalhadoras lá de cima do Minho, a quem o patrão delas fez o mesmo há uns anos e elas assumiram a produção até hoje?

    - Se o sindicato não falou disso – esclareceu a Tonas - é porque não é por aí que nós defendemos os nossos postos de trabalho e os nossos direitos...

    (Na televisão, um “defensor dos trabalhadores” reclama medidas políticas, económicas e sociais de ataque à crise – mas esquece os tempos em que “auto-gestão” e “controlo dos meios de produção” eram apresentados como escadas para o “sol” redentor...
    Outros tempos!)
    "

A palavra aos leitores

Um leitor não identificado numa caixa de comentários:
    “Acabei de ouvir o Vital Moreira na TVI 24. Fosga-se até que enfim! O Vasco P. Valente meteu a viola no saco. É que mentir e ser desmentido, é lixado.
    Fosga-se ainda, porque pela primeira vi na TVI uma "coisa" que segue as regras do jornalismo.”

A auto-estrada rosa que, afinal, é laranja

O Público, perdão, o PSD inventou agora uma auto-estrada rosa, um luxo socialista.

Olhando atentamente para o mapa que o PSD distribuiu na Assembleia da República, facilmente se percebe que, se auto-estrada do luxo existe, ela foi lançada precisamente pelo PSD, mais precisamente pela Ministra de Estado e das Finanças de Durão Barroso, que assinou por baixo a construção da auto-estrada Porto-Oliveira de Azeméis. Provavelmente, porque o PSD achava, na altura, que essa seria a melhor maneira de servir aquelas populações.

Mas, se continuarmos a olhar para o mapa, percebemos que a auto-estrada do luxo desce por aí abaixo, substituindo o IC2 (antiga EN1), entre Oliveira de Azeméis e Coimbra, eliminando, dessa maneira, uma das estradas que mais vidas ceifou nas últimas décadas - é que o IC2 está transformado numa estrada quase urbana de grande densidade de tráfego.

Nesse troço, a auto-estrada do luxo vai beneficiar directamente os concelhos de Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha, Anadia e Coimbra, que de cor-de-rosa pouco têm.

Mas olhemos melhor para o mapa. A partir de Coimbra, e até Tomar, a auto-estrada do luxo inclina-se para o interior e vai tirar do isolamento os seguintes concelhos: Miranda do Corvo, Penela, Ansião, Figueiró dos Vinhos, Alvaiázere, Ferreira do Zêzere e Tomar. Também eles muito pouco rosa...

De Tomar para baixo, o mapa só existe ainda na cabeça dos estudiosos da São Caetano...

Antes de voltar a mostrar o mapa da auto-estrada cor-de-rosa, talvez não fosse má ideia a Dr.ª Manuela falar com os autarcas dos concelhos acima mencionados. Para perceber que não, essa auto-estrada não é para viajar de Lisboa para o Porto, ou vice-versa. Essas estradas, porque de várias se trata, destinam-se a servir, em condições similares às das populações do litoral, os portugueses do interior, que já pagaram com os seus impostos as auto-estradas do litoral e ainda são obrigados a perder horas e vidas em estradas feitas para os (poucos) carros dos seus avôs.

Se falar com os autarcas acima mencionados, a Dr.ª Manuela é capaz de ter uma surpresa:
    Não, Senhora Doutora, para ir de Lisboa ao Porto, os senhores têm há décadas a A1, que agora até tem três faixas em quase toda a extensão. Estas são mesmo para nós, para as nossas empresas, para as nossas actividades... que não somos portugueses de segunda.

"Quem tem lucro não pode despedir"

João Pinto e Castro escreve sobre o último coelho que Louçã tirou da cartola: “Quem tem lucro não pode despedir”. As respostas para as questões que transcrevo estão aqui:
    «A ideia de que as empresas que têm lucro não deveriam poder despedir é mais um daqueles absurdos em que o Bloco de Esquerda é pródigo.

    De modo que à pergunta do José Castro Caldas: "Quem é capaz de discordar?", respondo sem hesitação que discordo eu.

    Pensem primeiro, se estiverem para aí virados, o que entendem exactamente por uma empresa ter lucro? Que teve lucro no ano passado? Que teve lucro no trimestre passado? Que teve lucro no mês passado?

    (…)

    Que pretende então dizer o Bloco? Que uma empresa que teve lucro no ano passado não poderá despedir no ano corrente? Como seria exactamente a lei que têm em mente se é que em mente têm algo para além do vistoso sound-bite?

    (…)

    Que deverá então fazer o seu gestor? Começar imediatamente a adaptar os diversos recursos de que dispõe tendo em vista a procura futura, ou esperar que a empresa mergulhe no vermelho para só depois fazer alguma coisa?

    (…)

    Mas não podem as empresas perder dinheiro durante algum tempo?

    (…)

    A teoria económica tradicional encara o lucro apenas como o prémio do risco, mas eu tenho boas razões para acreditar que o lucro é antes de mais uma garantia de futuro.

    Quero eu dizer com isto que uma empresa que não gera lucros (…).»

♪ Baby Gramps



Porter's Love Song To A Chamber Maid



[Caro jmf, já tinha convidado esse senhor a actuar no palco do CC. Convido-o a ouvir também Baby Gramps.]

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Mão na anca e aí vou eu

Quando o PSD decide recorrer à arruaça, é certo e sabido que pode contar com Ana Manso. Se a deputada e vereadora já dera um ar da sua graça quando atirou uns piropos de fino recorte a Paulo Portas, os seus 15 minutos de fama vieram-lhe nas últimas eleições europeias:
    “À frente da lista do PS temos um homem sem categoria [Prof. Sousa Franco]. E não é por lhe faltar alguma coisa em termos físicos" [Lusa, 31.05.2004].
O PSD incumbiu agora Ana Manso de ir alimentando a chicana na Câmara da Guarda e a deputada parece andar encantada da vida: insinua, ameaça com o Ministério Público — que, por acaso, já lhe poderia ter dito ao ouvido que não trata de assuntos com 20 anos — e, por mais que lhe satisfaçam os caprichos, lá vai inventando pretextos para aparecer na TV.

Hoje, a indignação era motivada por as suas palavras, a lembrar o Diácono Remédios, não serem audíveis, segundo diz, numa gravação. A próxima reunião do executivo camarário da Guarda irá, por isso, ser dedicada, para sossegar a deputada e vereadora Ana Manso, a avaliar a qualidade do sistema de som municipal. Elegeram-na, aturem-na.

"É preciso dizer a verdade aos portugueses" (em directo de Bruxelas)

Certos políticos fazem política com base no que viram no jornal da manhã. Viram o Rangelito hoje no Parlamento? Triste figura...

Esses políticos, quando abrem o jornal da manhã e lêem "Bruxelas aplaude resposta à crise do Governo português", viram a página e fingem que não percebem.

Não faz mal. Nós fazemos o trabalho por eles.

Eis, então, o que a Comissão Europeia aprovou hoje em Bruxelas e que propõe à apreciação do Conselho:
    The Portuguese government adopted significant discretionary fiscal measures in response to the economic downturn. The stimulus package for 2009 adopted in December 2008 is in line with the European Economic Recovery Plan (EERP) agreed in December 2008 by the European Council and represents an adequate response to the economic downturn. This package yields a temporary support to economic activity in 2009 and will be discontinued in 2010. It mainly focuses on investment, support to firms and exports and support to employment and social protection. This budgetary effort is intertwined with a frontloading of EU funds of almost ½% of GDP, which is neutral for the budget balance. These measures add to other measures amounting to a total of 0.4% of GDP that had already been announced over the course of 2008 to support households and firms. The stimulus package is timely, targeted and temporary and the measures broadly respond to the main policy objectives in terms of the short-term challenges posed by the downturn. In addition, the package includes various structural measures that support the longer-term policy reform agenda, to the extent that they can help enhancing potential GDP growth, strengthening competitiveness and employment as well as supporting incomes of disadvantaged groups, for instance by financing upgrades of physical infrastructure or reducing personnel hiring costs. These measures are related to the medium-term reform agenda and the country-specific recommendations proposed by the Commission on 28 January 2009 under the Lisbon Strategy for Growth and Jobs. Financial operations are also outlined in the programme, notably subsidising credit lines for corporations and the speeding up of commercial debt payments by the government to the private sector (financed mainly by the recourse to financial debt).

Contributo do João

"É preciso dizer a verdade aos portugueses"




Contributo do João

Grandes mistérios do Universo [55]




De quem são os terrenos

à volta do novo aeroporto?

Leituras

• Dieter Dellinger, A crise actual e os Ciclos de Kondratieff:
    “No passado mês de Setembro fez 70 anos que o regime comunista de Moscovo assassinou um dos grandes génios do Século XX. Trata-se do economista Nikolai Dmytriyevich Kondratieff, executado numa prisão de Moscovo em 1938 após oito anos de tortura e prisão, o que envergonha todos os marxistas.

    A Kondradieff se deve a descoberta dos ciclos longos. Para o efeito, estudou as variações nos mercados do carvão e aço e a sua ligação com as fases em que se produzem inventos e as em que estes são aproveitados nas novas técnicas.”
• João Rodrigues, Afinal, o que é utópico e o que é realista?:
    “Um dos grandes méritos de Polanyi é demolir, recorrendo à História e à Antropologia, o mito de que os mercados são instituições de geração espontânea, que emergem naturalmente se o Estado se retirar da esfera dita económica. Nada poderia ser mais ilusório. Os mercados são construções políticas e sociais passíveis de múltiplas configurações e com limites historicamente variáveis e contestáveis. Nada está alguma vez garantido e fechado neste campo. A expansão das forças de mercado à escala global é sempre o resultado de um laborioso processo de construção de hegemonia ideológica e de engenharia política estatal, que não é obviamente neutro do ponto de vista da distribuição de recursos, de poder e de oportunidades entre os diferentes grupos sociais e do ponto de vista dos comportamentos e dos valores prevalecentes.”

A palavra aos leitores

De e-mail de Manuel T., que acompanha o texto que hoje enviou para o CC: (...) assevero que essa história apenas traduz a realidade de uma pessoa concreta e não é mera ficção:
    "ECONOMIA REAL – 2

    Veio de relativamente longe já que a estrada é quase toda feita de curvas, pouco mais do que criança, à procura do que não havia, nem há, no torrão natal: trabalho certo, ordenado garantido, segurança, qualidade de vida suficiente, independência para não dever nem esmolar favores, considerações e respeito.

    Atracou-se primeiro a bancada e depois a máquina de multinacional nórdica de “shóios”, um primor de empresa: cantina e bar, médico e enfermeiro, batas de uma só cor para cortar vaidades e manias, uma limpeza extrema, casas de banho esmeradas como balcão de cozinha e chuveiros com água quente e fria, um exemplo, um luxo para a zona.

    Tinha um número para marcar o ponto que andava pelo meio dos dois mil e quê trabalhadores, homens e mulheres, dessa empresa de quem se ouvia, em plena crise do Cemitério de Santa Cruz – Timor, estar em expansão na Indonésia e aí pagar um caldo ao fim da manhã e umas moedas na mudança de mês.

    Mais ou menos por essa altura, a multinacional começou a encolher, pé ante pé, e ela, olhando largo e concluindo pelo encerramento da fábrica a prazo nada longo, aproveitou para se pôr ao fresco, negociando uma indemnização que ajudou a esbater os encargos com a construção de casa própria.

    Livre, que é como quem diz, começou a bater às portas das senhoras e dos senhores das vizinhanças para saber se não estariam precisados de mulher capaz de limpar por dentro, compor jardins na frente das vivendas e agricultar a terra das traseiras.

    Como em anos anteriores que já vão bastantes, nesta altura em que já vai sendo tempo de semear as batatas, manhã cedo ela mete-se no pequeno carro a caminho de mais um compromisso, até à uma da tarde respeita a clientela com luvas, galochas e enxada sem parança, recebe o já interessante custo da dura jorna e depois vai à vida dela, tratar do que é dela: marido, filhos e casa.

    E a crise? – pergunta a antiga colega de fábrica que nunca mais trabalhou fora.
    – Se muitos trabalhassem como eu! – responde sem erguer a coluna dobrada sobre a terra onde uma a uma enterra as batatas de semente…
    "

♪ M. Ward



Post-War

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Como atirar lama – instruções para principiantes

    1.º Coloca-se, discreta e cirurgicamente, a lama num ventilador.

    2.º Aguarda-se, pacientemente, pelo momento certo.

    3.º Quando esse momento chega, liga-se o ventilador na força máxima e desata-se a disparar lama em todas as direcções.

    4.º Aguarda-se que a lama seque.

    5.º Quando o alvo está suficientemente imundo, desliga-se lentamente o ventilador. Afinal de contas, o objectivo já foi conseguido: a lama ficou bem colada ao alvo.

    6.º O servicinho está completo, logo, é hora de esconder o equipamento.
Esta notícia revela que chegámos à fase 5. O ideal para um bom enlameamento é que, uma vez disparada a porcaria, a coisa nunca se chegue a esclarecer, que morra pelo caminho, de preferência com base num qualquer motivo formal ou erro processual. O dano, esse, já ficou feito. E quanto menos se apurar, quanto mais dúvidas ficarem no ar, tanto melhor.

Falta de meios

As figuras mediáticas do Ministério Público costumam justificar a sua ineficácia com a “falta de meios”. Admita-se que é verdade. Mas então essa justificação deveria “servir” para explicar a circunstância de não se atingir os objectivos globais previstos, mas não para desculpar o insucesso em processos concretos. Não foi até constituída uma equipa especial para investigar o caso Carolina/Pinto da Costa — com os resultados fantásticos que se conhecem?

Viagens na Minha Terra

A palavra aos leitores

    "Segundo o Público - um sortudo no que toca a apanhar frases bombásticas - o cineasta Fonseca e Costa acha que o Instituto do Cinema e Audiovisual configura o “dirigismo puro, digno do estalinismo”, vê a Cinemateca Nacional como uma coutada de Bernard da Costa e não está disponível para dar confiança à “rapaziada” que visto isso tem a função de seleccionar os projectos interessados em financiamento público.

    Lido o Público como JMF pretenderá, a coisa é assim: um governo sem sensibilidade artística e democrática, nomeou gente da sua laia para tratar dos dinheiros públicos destinados ao cinema e daí resultou a ressurreição do “estalinismo” – jargão que abana sempre as janelas fechadas e esfria as colunas vertebrais até aí sossegadas no esquecimento.

    Aceitando que o cineasta Fonseca e Costa tem as suas razões, eu, que entre António Lopes Ribeiro mais António Silva e o cinema português feito nos últimos trinta e cinco, só vi duas ou três fitas nacionais, tal a minha incapacidade para gramar modernidades – não tiro nem acrescento ao vício intelectual português de reduzir quase tudo a chavões que pouco nada dizem à generalidade dos portugueses; chavões usados quer por artistas que adorariam viver mais ou menos a expensas do OE, quer por artistas que entendem que o seu caminho e meta não pode ficar dependente do Estado.

    Perante o estrondo produzido por Fonseca e Costa, logo prontamente ampliado pelo prestimoso Público, recordo que em 2006 o cinéfilo nacional ignorou quase completamente a estreia de filme de realizador da geração de Fonseca e Costa – fita que apesar de ter recebido 648.500 € do então ICAM, ou seja, do erário público, só mereceu a atenção de 493 espectadores.

    Contrariamente à palavra de ordem das filmagens, “acção” – aqui tudo não passou de “conversa” descarregada sobre pares remetidos ao estatuto de “adversários e inimigos de estimação” (problema que, na actual conjuntura - mais do que previsivel quando em Dezembro último muitas empresas fecharam para pontes e férias – conta pouco ou nada aos olhos de quem efectivamente sofre a crise económica).

    (Como hoje é dia de carnaval, ninguém levará a mal que sobre as previsões metereológicas do director do Público se aceite que, afinal, o tempo vai mesmo aquecer, porventura até esquentar, mas lá para finais de Abril próximo...
    )"
      Manuel T., Santa Maria da Feira
    "José António Saraiva indigna-se, no Sol do passado Sábado, por o Parlamento ter aberto uma comissão de inquérito ao BPN quando o caso está em investigação pela justiça. Será que também se indignou com as comissões de inquérito ao BCP, a Camarate e a tantos outros casos igualmente em investigação pela justiça???
    Pensando bem, quanto ao BCP não me admira que tenha sido contra, já que é um dos principais accionistas do Sol…
    "
      Saul D.
    "(...) o director do SOL está indignado. Então não é que o Parlamento anda a investigar o caso BPN e não investiga o seu grande “furo jornalístico” no caso Freeport? Como tamanha “injustiça” não encaixa no mega-ego saraiviano e não dá jeito nenhum ao sócio (do SOL) Joaquim Coimbra (que, por acaso, também é accionista de referência da SNL e do BPN), José António Saraiva descobriu a pólvora: «ao falar-se de Dias Loureiro desviam-se as atenções do caso Freeport»!

    Afinal é tudo uma tramóia socialista para distrair da grande investigação do SOL. E o coitadinho do Dias Loureiro não passa de uma vítima, um peão nas mãos destas tácticas de desinformação, arrastado para a lama só para não se dar importância às manchetes do SOL…
    "
      João Mário C.

Leituras

• Camilo Lourenço, Por que Cavaco vai sair mal do "affaire" Dias Loureiro:
    “Sendo assim, por que o mantém no cargo? Porque Loureiro esteve do seu lado, no PSD, e porque foi, alegadamente, uma das pessoas-chave nos financiamentos da campanha presidencial (como se diz nos bastidores)? Não sei. Mas é tempo de Cavaco acordar. Até porque quer passar mais cinco anos em Belém.”
• Tim Hartford, Querido Economista:
    “O meu namorado ganha um pouco mais do que eu e temos uma vida desafogada. Estamos ambos nos trinta e poucos, mas tenho medo que, quando tivermos três filhos e ao fim de dez anos depois a viver comigo, ele fuja com uma mulher mais nova. Acha que devia casar com ele?
    C.M., França”

Da série "Frases que impõem respeito" [272]

    “Mas sou livre e adoro a Liberdade, sempre conjugada com a Responsabilidade.”
      Pedro Santana Lopes, explicando que “Elogiar a SIC no seu primeiro aniversário, era assim como que um pouco herético, ou, pelo menos, um pouco abusador, sendo membro do Governo

Acerca do centralismo democrático

    “O José Goulão é um grande nome do jornalismo. A sua honestidade em relação à questão palestiniana, custou-lhe sempre muito dinheiro e trabalhos perdidos.

    No meu tempo de funcionário do Partido [PCP?], convidávamo-lo muitas vezes para debates sobre temas de política internacional. O pessoal adorava-o e acho que ele também gostava de vir discutir connosco.

    Houve um dia que o Albano [Nunes?] me ligou e disse que não tinha mal nenhum convidarmos o Goulão, que era militante do Partido, mas que o mais correcto era indicarmos o tema à Secção Internacional e eles indicarem-nos o camarada que viria… Não o vejo desde então.”

A superioridade moral dos comunistas

Aqui está uma solução bem conseguida para protestar contra o polícia que seguiu à risca os ensinamentos de D. Eurico Nogueira e do cónego Melo: rasurar o quadro de Courbet, não vá o diabo tecê-las.

♪ Dream A Little Dream Of Me


Zooey Deschanel


Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

Doris Day

Mama Cass Elliott

Zooey Deschanel

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Mas, afinal, o que é o chico-espertismo?


Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes-Benz?


Pode ser classificado como chico-espertismo (à séria) um comentador político (de TV) receber uma parte dos seus honorários em espécie, eximindo-se assim ao pagamento de IRS (embora a lei preveja também a tributação dos rendimentos em espécie)?

A palavra aos leitores - "ECONOMIA REAL"

    "Esteve vinte e quê anos no estrangeiro, nos sapatos, o que deu para fazer uma casa e um pé de meia para regresso mais ou menos sossegado.

    Finalmente em casa, quando rendimento e juros começaram a escorrer como água ribanceira abaixo voltou a atracar-se aos sapatos com os dois filhos e duas noras, mais uma filha e o genro, aproveitando maré boa que permitia a fábricas de cem operários distribuir encomendas por chafarricas de dez instaladas em caves, garagens e cobertos tão provisórios quanto definitivos.

    A coisa foi andando conforme as encomendas de lá de fora que entretanto secaram e agora dão muito à rasca para manter a fábrica maior.

    Sem trabalho, muito mais velho do que novo, coabitando com algumas mazelas próprias da passagem por país onde a sede andava à solta, vivendo ele e a mulher de pequena pensão atribuída pelo Estado Português, ouve todos os dias gente a prometer e a reclamar apoios para as micro, pequenas e médias empresas – e pergunta-se:

    — De que é que estão a falar? Como é que eles me vão dar dinheiro, se não tenho encomendas e as que já tive eram de outros? E se não posso arriscar-me a chamar a filharada outra vez para o mesmo que não deu para mais!

    (Na televisão, um rapaz fardado de líder partidário acha que o aumento do desemprego é uma lição política e não uma tragédia que a todos deve preocupar sem calculismo ou hipocrisia.)
    "
      Manuel T., Santa Maria da Feira

Vale tudo, até tirar olhos

Ao menos, a blasfémia deveria ter como limite a dignidade do próprio blasfemo (e não a do visado, para não ser entendida como censura), sobretudo quando se assina na qualidade de professor universitário.

Dupont & Dupond. Ou será Pinóquio?

A Dra. Manuela tinha umas coisas para dizer sobre a Função Pública. Como os funcionários públicos até têm andado satisfeitos, havia que encontrar um mote adequado.

Chamou-se então o Picanço, Bettencourt de sua graça.

Lá dentro, gizaram a coisa. Cá fora, falaram.

Mata um: "As empresas [de outsourcing] são escolhidas a dedo, não há concursos específicos e fica tudo bastante limitado naquilo que era a independência da administração pública", diz a Dra. Manuela.

Esfola o outro: "Desmantelamento da administração pública que leva a que cargos dirigentes são preenchidos por `aparatchiks´ políticos", replica Picanço.
Mas, aparentemente, a Dra. Manuela não levou a sério tudo o que o Picanço lhe disse. E, por isso, deixou logo ali uma ressalva, não fosse ser apanhada em mais uma das suas célebres "gaffes": "Toda a legislação que está a ser gizada, alguma aprovada outra ainda não, mas as ideias subjacentes à legislação aprovada..."

Uma especialidade em que o PSD se está a notabilizar: se não foste tu, foi o teu irmão; se não for assim, há-de andar lá perto... O que é preciso é falar verdade, mesmo que seja mentira.

Nota: as notícias só não esclarecem se o Picanço — vogal da Comissão Política do PSD de Marcelo — aproveitou para pôr as quotas em dia.

Contributo do João

Da série "Frases que impõem respeito" [271]¹

    “Gente normal, mantendo com a realidade uma relação normal, sem doenças psicológicas notórias, já se vê muito pouca. É quase uma raridade”.
      José António Saraiva em reflexão introspectiva e (auto-reflexiva?) na Tabu (de 07.02.2009)
_________
¹ Sugestão de Pedro V.

O Migalhães

Ainda Pacheco está na fase de que o Magalhães só prejudica as crianças, já o investigador em biotecnologia leva o combate para o terreno da economia: “Note-se que a única coisa que a JP Sá Couto faz é pequenas adaptações ao Classmate PC. Isto é, o maior efeito do estímulo neste caso é a importação de computadores.”

Por acaso, li no suplemento Economia do Expresso desta semana (p. 20) que a incorporação nacional do Magalhães já é de 37 por cento (em equipamento e software), prevendo-se a sua venda em sete países da América Latina, dez de África e outros três da Europa (Alemanha, Bélgica e Roménia). Não me parece assim tão mau para a balança comercial.

Que Thomas?

Quando o outro confundiu More e Mann, não vi PP tão abespinhado. Mas há um outro PP que sobe a parada: o seu voto nas directas do PSD foi influenciado pela “densidade” dos competidores. O discurso articulado da Dr.ª Manuela está aí nos registos áudio para o comprovar. Um partido de intelectuais incompreendidos, é o que é.

OSCARS 2009

Quando acordei esta manhã, foi Lauro António que me deu conta do que se passara durante a madrugada: OSCARS 2009. Depois, passei por aqui para ir vendo as caras.

Associações espúrias

Continuo a receber e-mails devido ao erro que cometi neste post, ao dizer que Mário Cristina de Sousa não foi ministro de Guterres. Foi, de facto, como se pode ver aqui. Ao chamar à página principal, um comentário de JC Megre, pensava eu ter corrigido o erro.

Em todo o caso, tendo-se depois Mário Cristina de Sousa associado à trupe de Santana Lopes, não se percebe a alusão a Guterres por parte da TVI. Seria a mesma coisa que alguém, referindo-se a Mussolini, se lembrasse de o tratar por “sindicalista revolucionário”.

Os xicos-espertos

Marcelo Rebelo de Sousa, com a finura e elegância que se lhe reconhece (Francisco Pinto "lélé da cuca" Balsemão que o diga), resolveu apodar José Sócrates de xico-esperto. Um minuto ou dois da mais completa sacanice - nas entrelinhas, pelo que diz e pelo que deixa subentendido, pelas comparações que fez, o que Marcelo quis dizer, e toda a gente entendeu, foi outra coisa bem diferente. Digamos que o nosso pequeno Maquiavel encontrou uma forma altamente ardilosa de pôr lama no ventilador - Louçã, Pacheco, Rangel e outros têm muito a aprender com este homem.

É óbvio que o Público não poderia deixar passar um ataque de carácter desta natureza a José Sócrates. Por isso, as palavras de Marcelo são reproduzidas com recurso a áudio e tudo (incluindo um agradecimento à "cortesia da RTP", esse expoente do situacionismo...). Obviamente, o Público teve o cuidado de cortar o início do raciocínio de Marcelo, em que ele garante, questionado precisamente sobre as notícias do Público, que não senhor "não há campanha", até porque, se a houvesse, "seria imbecil".

Chamarem-lhe "imbecil" nas páginas de que é dono é que o Fernandes nunca admitiria. Isso não.


Contributo do João

A palavra aos leitores - "PANDEMIA"

    «Ainda que numa suposta entrevista, como é o caso do programa televisivo que envolve Maria Flor Pedroso e Marcelo Rebelo de Sousa, tem-se como imperativo, até como marca de carácter pessoal e profissional, que ambos não ignorem ou escamoteiem qualquer elemento essencial ao tratamento das questões que debatem.

    Ora, ao perguntar a Marcelo Rebelo de Sousa o que pensava da compra de apartamento por José Sócrates, “com um desconto de 50% abaixo” do custo pago por outros compradores de similares fracções no mesmo prédio – Maria Flor Pedroso fiou-se no Público, esqueceu-se de outro noticiário que entretanto veio desmentir esse jornal, largou suspeição sobre negócio particular da pessoa que só anos depois passou a ser o primeiro e último responsável pelo Governo do Pais, e deu a “deixa “ a Marcelo Rebelo de Sousa para o “professor” fazer o que é velho e relho nele: intriga e facada política.

    Marcelo Rebelo de Sousa, que passa por mais do que muito bem informado, também estava obrigado a saber que essa questão da Maria Flor Pedroso estava inquinada – mas se há coisa de que o “professor” gosta é de águas turvas (que, não as havendo, ele trata logo de as agitar quase sempre como gato escondido com rabo de fora).

    Tirando a contaminação que Marcelo Rebelo de Sousa é há muito e desde sempre – e que obriga a perguntar que raio de País se consente dar crédito a semelhante “professor” – será que Maria Flor Pedroso também já foi atingida pela “pandemia anti-socrática” que grassa por Lisboa com vários epicentros jornalísticos, embora o principal esteja no diário de Belmiro de Azevedo e de José Manuel Fernandes?!...
    »
      Manuel T., Santa Maria da Feira

♪ J. Tillman


Vacilando Territory Blues

Firstborn

domingo, fevereiro 22, 2009

Pipocas




Tarde de domingo, num grande cinema de Lisboa. Todas as salas esgotadas. À entrada, um monte daquilo. Pelos vistos, nem dado...


Contributo do João

“Assim, está bem”, ter-se-á sussurrado na Marmeleira

Em Aveiro, cerca de 20 manifestantes seguravam um grande cartaz alusivo ao desemprego. O primeiro-ministro correu a certa altura um único perigo: temeu-se que os manifestantes, pela sua escassez, deixassem cair o grande cartaz.

As televisões, as tais que Pacheco Pereira acusa de situacionismo sempre que mostram de perto as rugas da sua amada líder, transformaram logo os 20 manifestantes em 100 e converteram a manifestação no episódio maior de uma visita preenchida por reuniões de trabalho com autarcas e gestores de empresas.

Leituras

• Fernanda Palma, Eutanásia:
    “O Código Penal prevê o homicídio a pedido, baixando a pena máxima para 3 anos de prisão, quando alguém age determinado pelo pedido sério, instante e expresso da vítima. É uma atenuação significativa, tendo em conta que as penas máximas dos homicídios simples e qualificado são de 16 e 25 anos.”
• Nuno Brederode Santos, SUPOSTOS INDÍCIOS DE UM ALEGADO CARNAVAL:
    “Mais forte é a convicção do Ministério Público em Torres Vedras. Aí, uma mãe de Bragança descaída no mapa lobrigou pecado gordo nas fotos de umas senhoras carenciadas, pelo menos daquele mínimo de roupa que assegura uma razoável dose de Islão na Cristandade. Cidadã vigil, queixou-se ao Ministério Público local, reclamando que fôssemos todos poupados à irredimível afronta da "pornografia" (numa extensão conceptual que nos torna todos culpados na banheira). Tiro e queda: proibindo a infâmia no escassíssimo tempo disponível, o pescoço da nossa virtude foi subtraído à guilhotina da nossa luxúria. Realista e folião, o autarca responsável disse aos media da sua surpresa, alimentou o folhetim e, muito institucionalmente, barafustou por requerimento. De um dia para o outro, um (ou uma?) jornalista tentou em vão contactar a ministra da Educação e eu próprio não consegui um comentário, nem do sócio mais antigo da Academia Almadense, nem sequer do dr. Vale e Azevedo. Só que a opinião pública fora já mordida pela cascavel da crítica mordaz. Pelo que o pronto recuo da autoridade - que o autarca, com cifrões no lugar das meninas (e falo das dos olhos) - se desnudou no que era: o baixar da ponte levadiça ao sitiante. Mas o procurador-geral, que foi à Madeira asseverar, para nossa tranquilidade, não haver lá mais corrupção do que no resto do País, explicou que o caso, afinal, era o MP estar em campanha eleitoral - coisa mística em que é melhor não interferir (mesmo quando ela interfere connosco). Mesmo sem a Barbarella, o episódio sugere que é Carnaval.”
• Paul Krugman, Una década con Bernie:
    “La semana pasada, la Reserva Federal publicaba los resultados del último Sondeo sobre Finanzas de los Consumidores, un informe trienal sobre los activos y las deudas de las familias estadounidenses. La conclusión es que básicamente no se ha creado ninguna riqueza desde el comienzo del nuevo milenio: el valor neto de la familia estadounidense media, ajustado a la inflación, es ahora menor que en 2001.”

O ventríloquo

A democracia portuguesa, cansada de 30 anos de vida activa, passou à pré-reforma e entregou-se à arte dos ventríloquos. É verdade, passou a falar através de Paulo Rangel. O povo não confia no primeiro-ministro José Sócrates e escolheu dizê-lo através de Paulo Rangel.

A voz categorizada deste deputado dispensa eleições e quaisquer consultas populares. Disse, está dito. Só falta tirar as consequências e colocar no cargo de primeiro-ministro, dispensando eleições, a Dr.ª Manuela. Com o próprio Rangel, de preferência, como ministro de Estado.

Pressões e impressões

O procurador-geral da República afirma hoje ao Correio da Manhã que ninguém se atreve a pressioná-lo. Ficamos mais descansados. Certamente o presidente da República e o primeiro-ministro, que o nomearam, poderiam ter essa tentação, mas agora não o irão fazer. Valha-nos isso, para nos salvar dos políticos.

A palavra aos leitores - "Domingo"

    "Estava eu à espera que o puré ficasse entre o morno e o frio, para não chatear a cova de um dente entretanto extraído – aproveitando o tempo para me perguntar por alma de quem é que o Hugo Chavez foi convidado para vir ao Congresso do PS e para me responder que ao lado de Sócrates anda gente que percebe pouco de País, de Governo e de PS – quando a vizinha me entrou pela porta dentro, esbaforida, dizendo-se danada e apontando para o Jornal da Tarde da RTP 1, perguntou:
    - Vocês estão a ver aquilo? Durante a semana é fecho de fábricas, desemprego, manifestações, protestos, miséria... e hoje é só carnavais, festas, farras e despesas até mais não de que ninguém faz contas...
    Sugerimos:
    - Queixe-se ao JMF ...
    - Quem é esse? – perguntou a vizinha.
    - É o director daquele jornal que lhe foi oferecido no supermercado.
    - Mas esse – voltou a perguntar – é homem para ouvir e enfrentar a realidade?!..
    "
      Manuel T., Santa Maria da Feira

I Am A Rock

sábado, fevereiro 21, 2009

Da série "Frases que impõem respeito" [270]

    “Nada me move nem a favor nem contra a família Sócrates. Limito-me a ser alérgico a injustiças. E acho que o caso 'Casa Pia' chega e sobra para preencher a quota disponível de 'delírios jurídicos' por um século.”
      Herman José, no 24 Horas (21 Fev.09), após explicar que comprou dois apartamentos no edíficio Heron Castilho e garantir que o preço pago por um apartamento que tanto preocupa uma resma de folhas que se publica em Lisboa correspondeu aos valores praticados na época

Contributo do João

Passatempo de fim-de-semana

O Correio da Manhã publicou hoje uma coisa a que chamou de "entrevista" a Manuela Ferreira Leite.

Na realidade, como qualquer leitor poderá verificar aqui, trata-se apenas da transcrição de uma sessão de media training conduzida na São Caetano à Lapa por um fulano chamado António Ribeiro Ferreira, que o Correio da Manhã, com uma certa dose de humor, apresenta aos seus leitores como "jornalista".

Para passatempo de fim-de-semana, propomos aos nossos leitores que identifiquem no extracto da entrevista que a seguir reproduzimos quais são as frases do "jornalista" e as frases da entrevistada. Depois, os leitores podem ir verificar o original publicado on-line. A seguir, para entretenimento familiar, sugere-se que alguém leia em voz alta excertos da entrevista (perguntas e respostas, aleatoriamente) e que os ouvintes tentem adivinhar se esses excertos são perguntas ou respostas. Vão ver que passam um fim-de-semana divertido. Melhor que ir ao circo. Eis um extracto:

- Conhece bem o que se passa no País em termos sociais. Não acha obsceno e chocante para as pessoas que o Governo continue a fazer grandes eventos de propaganda a propósito de tudo e de nada?
- Eu não só acho obsceno e chocante como acho que o Governo vai ter de ser confrontado com essa questão. Porque não é possível que os dinheiros públicos andem a ser delapidados em festas de propaganda. Eu acho que é algo sobre o qual o Governo terá de vir a dar explicações.
- É que não há um arrepiar de caminho. Todos os dias há mais situações.
- Não há um arrepiar do caminho. Ouça uma coisa. É que se não for isso não é nada. Eu percebo a posição do Governo. Este Governo vive à custa dos anúncios e se esses anúncios não têm um grande impacto e uma grande visibilidade então nós diríamos que não havia absolutamente nada. As pessoas ficam envolvidas e empolgadas, em algumas delas, simplesmente com os sound bites e os anúncios. Se não houver muito barulho com os anúncios no dia-a-dia percebe-se que não há rigorosamente nada. Nem mesmo estas medidas em relação ao apoio às empresas. Se nós falarmos com os empresários eles não sentem nada.


Contributo do João

Viagens na Minha Terra


André Salgado



    Porfírio Silva, o método do Público:

      “O método do Público é simples: pega-se num tipo de situação que se sabe existir por aí; percorre-se a vida de um cidadão que se quer perseguir até encontrar um ponto onde eventualmente poderia ter ocorrido essa situação; juntam-se alguns elementos que sugerem que esse cidadão a perseguir poderia, se fosse o caso, estar envolvido numa situação dessas; dá-se nome ao cidadão; embrulha-se tudo e publica-se, com muita fé na falta de espírito crítico da maioria dos leitores. E dos eleitores. O Público aplica esse método, com persistência, ao cidadão José Sócrates. É o método cobarde de sugerir sem afirmar nada de realmente criticável, confiando em que a imprecisão da reprodução e a nebulosa da má-língua transformem num crime aquilo que, preto no branco, não é nada. O método do Público, que é um método de fazer política, é um método cobarde. Sujo. É o método de "se não podes vencer com as armas democráticas, mata a democracia se for preciso". E depois queixam-se da má fama da política. E não se queixam dos políticos frustrados disfarçados de jornalistas?”

    • Aviador, Sexy Sócrates Descongela Ana Lourenço
    • Eduardo Pitta,
    AS COMISSÕES
    • f.,
    aritmética e outras métricas
    • Hugo Mendes,
    Carnaval
    • jmf,
    Fundação Pingo Doce/Barreto
    • João Pinto e Castro,
    À espera
    • Paulo Ferreira,
    Já agora que estamos com a "mão na massa"...
    • Rogério da Costa Pereira,
    A febre de sexta à noite
    • Rui Pena Pires,
    Dos maus usos da comparação (entre outras coisas)
    • Vital Moreira,
    Haja decência e Escrutínio

"(…) foi o meu herói quando era criança"




Já não há crianças assim. Agora só pensam nos gormitis.

♪ Northern Portrait



I Give You Two Seconds to Entertain

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Brechas nas Linhas de Torres [2]

Já as críticas ao filme parecem ter sido feitas por quem não pôs os pés no cinema. A magistratura do Ministério Público, lembra Osvaldo Castro a Joana Amaral Dias, “goza de autonomia em termos constitucionais e a sua verticalização hierárquica tem como vértice o PGR...

Há um outro argumento que talvez possa ser mais convincente. Não é muito reconfortante que a Joana esteja tão atormentada quanto o filósofo Tunhas: “Não é preciso ter lido La Boétie para nos darmos conta da monstruosa multiplicação de tiranos, tiraninhos e tiranetes que se verifica por aí e da facilidade da servidão voluntária. Basta olhar à volta e ver como, ajudado pela situação económica, o medo das pessoas dizerem o que pensam cresceu de forma exponencial.

Para Romana Borja Santos, que escreve a notícia no Público, é que eu não encontro um argumento. Vá-se lá saber porquê, a jornalista estava hoje desconsolada: “Até ao fecho desta edição não foi possível contactar o Ministério da Educação.” Talvez amanhã diga o que queria perguntar à 5 de Outubro. Eduardo Pitta também ficou curioso.

Brechas nas Linhas de Torres [1]

Não é um filme com um enredo excitante: às primeiras cenas, descobre-se o final. E conta-se em poucas linhas. Uma cidadã das Linhas de Torres reagiu mal a uns refegos em cartolina num Magalhães em contraplacado da Sonae Indústria. A magistrada do Ministério Público de turno, inspirada por uma “fotografia desfocada” carregada em mão pela tal cidadã das Linhas de Torres, exarou de supetão um despacho a proibir a exibição da lingerie (em cartão, recorde-se). O presidente de câmara eleito pelo PS fez render o peixe, parecendo trocar de bom grado o duvidoso humor municipal pela publicidade ao evento local. Ao ouvir o país a rir à gargalhada, a procuradora revogou o despacho, deixando a cidadã das Linhas de Torres desconsolada e o país preocupado com a leveza das decisões do Ministério Público.

O Twitter também serve para anunciar novas campanhas (2)

José Manuel Fernandes:Porque [sic] será que anda tudo tão ansioso? É como se houvesse electricidade no ar. E não me parece que seja por causa do Carnaval.

Tadinho... Depois da pólvora seca do "aquecimento", vem agora com a electricidade. Deve ser estática, tadinha.

Contributo do João

Retractação na hora

Saldanha Sanches, o corajoso ex-militante maoista, meteu os pés pelas mãos na SIC-N. Disse literalmente que, entre os últimos ministros da Justiça, apenas Aguiar Branco está acima de toda a suspeita. Quando foi confrontado por Teresa Caeiro com o significado da afirmação, começou a meter os pés pelas mãos e disse que Celeste Cardona e Alberto Costa não estão à altura do cargo (“não são adequados”).

Eis um caso de incontinência verbal, que uma pequena indemnização simbólica a que Saldanha foi sujeito no passado transformou em conversa de troca-tintas.

(Post corrigido)

Jornalismo à Guedes

A patroa da TVI acabou de tirar um coelho da cartola: um advogado de nome Gandarez seria genro de Mário Cristina de Sousa, “ministro da Economia de António Guterres”. Que me lembre, Guterres teve três ministros da Economia: Augusto Mateus, Joaquim Pina Moura e Luís Braga da Cruz.

O tal Mário Cristina de Sousa é uma figura ligada à trupe de Santana Lopes, tendo sido, salvo erro, mandatário de Santana na sua candidatura à presidência da Câmara de Lisboa.

Comentário de um leitor:
    «A propósito da Guedes.

    Quem a ouve é que deve ter "medo"...
    Aquela "coisa" é assustadora!
    Não há regime em Portugal que sustente uma "camafeu" daqueles, só mesmo os "nuestros ermanos", por enquanto.

    Este comentário, despretensioso, não foi publicado pelo "Portugal dos Pequeninos", censura diria eu, do "Joãozito" de Portugal.
    »
Comentário de JC Megre:
    "Mário Cristina de Sousa foi ministro da Economia de António Guterres. É verdade. Era antes Presidente da EDP."

Da série "Frases que impõem respeito" [269]

    “Já fui durante seis anos.”
      Elisa Ferreira, em resposta à questão “Podia ser ministra de José Sócrates?” [Diário Económico, 19.02.2009, p. 45]

♪ Damien Jurado


And Now That I'm in Your Shadow

Hoquiam

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

O Twitter também serve para anunciar novas campanhas

José Manuel Fernandes:Uma previsão: isto vai aquecer nos próximos dias. E não por causa do excesso de CO2...

Comentário de Manuel T.:
    "(...) Quanto à previsão do JMF: é facto que em Março as coisas vão mesmo aquecer - a não ser que a mereologia seja uma batata..."

"Escrever e pagar para publicar"

Escrever e pagar para publicar, a crónica de Nuno Pacheco no Público de hoje, esgota-se aparentemente em Alberto João Jardim:
    “Escrever e ser pago por isso é uma coisa banal. Sucede a jornalistas, poetas, romancistas, historiadores e tantos outros. Mas escrever e pagar por isso é coisa que só pode acontecer a pessoas de uma certa craveira. Vejamos o exemplo de Alberto João Jardim. Por um único texto publicado num semanário terá pago, ou melhor, mandado pagar, a quantia de 5535 euros. Mais de mil contos, para abreviar as contas ao cidadão comum. E o que tinha o artigo de tão valioso para merecer tal dispêndio? Uma reflexão sobre um tema caro, a intolerância da esquerda. A coisa foi a julgamento, não porque seja crime pagar artigos ou sequer recebê-los, mas porque quem pagou não foi o jornal nem mesmo o autor, mas a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais da Madeira, que não era tida nem achada no assunto. A não ser por gerir uma parte dos cofres da ilha.”
Mas parece depreender-se de uma segunda leitura do título da crónica do Nuno Pacheco uma crítica interna à situação financeira do Público. As contas da Sonaecom, a publicar em breve, poderão esclarecer o alcance das palavras de Nuno Pacheco.

FENPROF – SMMP, a mesma luta!

António Cluny, presidente vitalício do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), tem aprendido muito com Mário Nogueira, secretário-geral vitalício da Federação Nacional dos Professores (FENPROF).

Com efeito, após a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa ter definido um “conjunto de objectivos de natureza qualitativa e quantitativa” a cumprir pelos magistrados do Ministério Público, o Dr. Cluny mandou publicar um editorial no qual considera que “[e]ste tipo de metas é indigno para qualquer magistratura.

Como eu havia escrito há dias, o Dr. Cluny aponta agora baterias para os seus colegas do Ministério Público. A avaliação é uma maçada — e ele sabe-o melhor do que ninguém.

PS — Graça Fonseca comenta aqui a reacção do Dr. Cluny.

É preciso falar verdade aos leirienses

Se não podemos ganhar nas eleições, vamos ganhando nas sondagens:


Clique para ampliar

in Jornal de Leiria, 12.02.2009, p. 56

O jornalismo de Guedes

Bem que me lixaste, Daniel, com essa: não sei o que te diga.

Leituras

• Dani Rodrik, Em breve: Capitalismo 3.0:
    “A economia mista do pós-guerra foi construída e gerida ao nível dos Estados-Nações, e precisava de manter à distância a economia internacional. O regime Bretton Woods-GATT implicava uma forma "superficial" de integração económica internacional que exigia o controlo das entradas de capitais internacionais, que Keynes e os seus contemporâneos consideravam crucial para gestão da economia doméstica.

    Aos países era exigido que assumissem apenas uma liberalização comercial limitada, com muitas excepções em sectores socialmente sensíveis (agricultura, têxteis e serviços). Isto deixou-os livres para construírem as suas próprias versões do capitalismo nacional, desde que obedecessem a poucas e simples regras internacionais.

    A actual crise mostra o quão longe nos afastamos deste modelo. A globalização financeira, em particular, lançou a confusão com as antigas regras. Quando o capitalismo chinês se encontrou com o capitalismo americano, com poucas válvulas de segurança a funcionar, deu origem a uma mistura explosiva.”
• Marina Costa Lobo, As escolhas de Manuela:
    “E no caso de Manuela houve escolhas importantes que foram erradas do ponto de vista da sua credibilidade. Tanto nas políticas como nas pessoas.

    No que toca às políticas, o oportunismo político de embaraçar o governo tem vindo a sobrepôr-se a um posicionamento ideológico mais coerente que porventura seria menos antagónico do governo mas poderia ser mais congruente com o seu eleitorado de base. E mais credível do ponto de vista da imagem da líder. Ferreira Leite tem cedido ao impulso anti-governo, seja no caso das avaliações dos professores, seja no caso do código do trabalho. Ao fazer isso não se distingue dos partidos que têm vocação permanente de oposição e por isso não precisam de assumir posições de responsabilidade.

    Mais fundamentalmente talvez, todos sabíamos que apesar da euforia precoce com que os comentadores de direita saudaram a chegada à liderança de Manuela Ferreira Leite, ela tinha um problema, que era ganhar o partido, onde apenas 38% dos votantes a apoiaram. O que até hoje não aconteceu. Ferreira Leite não conseguiu verdadeiramente mobilizar massa crítica à sua volta. Poderíamos dar como exemplo o anúncio de Sampaio e Mello para liderar o gabinete de estudos que acabou por não se concretizar.

    No entanto, o exemplo cabal da não-liderança do PSD por parte de Ferreira Leite foi a forma como se escolheu o candidato daquele partido à presidência da Câmara de Lisboa. Depois de se ter assumido na campanha das directas como uma alternativa ao modo de fazer política dos anteriores líderes, nomeadamente Santana Lopes e Menezes, Ferreira Leite provou que tudo o que tinha dito poderia ser desdito, sucumbindo às pressões do próprio Santana Lopes e supostamente da concelhia de Lisboa.

    Se ela própria apoia uma candidatura do seu mais aguerrido ex-rival, os eleitores poderão razoavelmente pensar que esta nova liderança não marca uma viragem em relação às anteriores chefias do PSD, e portanto não merece subir nas sondagens.”

Ascensão e queda do situacionismo

Os jornais dos últimos dois dias rebentam pelas costuras com os planos da Dra. Manuela para combater a crise.

Como de costume, os jornais papam o que lhes vendem - ora publicam atabalhoadamente os rabiscos que a São Caetano lhes enviou por mail; ora publicam esses mesmos rabiscos, puxando para lead a ideia (!) soprada por um dos tais marketeers contratados por Branquinho. Fazer contas sobre o impacto (seja no défice, seja na economia real) das propostas, comparar a sério as propostas da Dra. Manuela com aquilo que o Governo já está a fazer, ou simplesmente tentar perceber se entre as propostas da Dra. Manuela e o testamento do Dr. Mendes há alguma vírgula de diferença... isso é que não. Devem estar à espera que o Miguel faça tudo....

Certo, certo é que há dois dias que o Dr. Pacheco não encontra nada de suficientemente situacionista nos jornais para dar conta aos seus leitores.

Curiosamente, isto acontece na semana a seguir ao Expresso ter dado conta de que, na São Caetano, há influências que crescem e outras que... se eclipsam.

Pelos vistos, ganhou a tendência infiltrada, aquela que faz exactamente aquilo que a Dra. Manuela acusa o Governo de fazer - anúncios. Com a agravante de que a Dra. Manuela anda por aí a reanunciar coisas já anunciadas por outros.

Quem perdeu parece ter sido a facção psico-conspirativa, aquela que defendia a tese, exposta publicamente pela própria Dra. Manuela, de que o PSD não poderia anunciar proposta alguma, sob pena de o Governo ir logo a seguir copiá-la.

Pelo sim pelo não, talvez não fosse má ideia a Dra. Manuela ir pensando numa terceira via...


Contributo do João

Thank you




    «Folheando o P2 de hoje, deparo-me com o seguinte título:

    Um think thank para melhorar as instituições públicas

    Uma gralha, sorri. Passei os olhos pelo artigo:

    “A família que criou o Grupo Jerónimo Martins quer partilhar o muito que tem recebido da sociedade e decidiu criar um think thank.”

    “a família optou por uma espécie de think thank. Mas não exactamente um think thank, como os muitos que existem na Europa e nos Estados Unidos. “Por regra, os think thanks prosseguem uma agenda política ou ideológica específica”, explica António Barreto, que presidirá à administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos”

    Confundido, pensei: Este jornalista não sabe escrever think tank!

    Depois reparei melhor no nome do autor do artigo.

    “Por José Manuel Fernandes”

    Nãa, o mundo é que deve estar enganado.»


Contributo do João

Na apresentação da 2.ª edição de “Mudar de vida”




Consta que Marques Mendes entrou hoje na São Caetano em passo estugado e disparou para a Dr.ª Manuela, parafraseando Marcello Caetano: “o pior é que, nas suas propostas, o que é bom não é original e o que é original não é bom.”

Mas a Dr.ª Manuela sossegou o irrequieto Mendes: — Calma, Luisinho, estou apenas a fazer a apresentação da 2.ª edição do seu livro. Não tinha nada para propor para a crise.

Nota — Espero poder amanhã (hoje) ter tempo para pegar nas propostas da Dr.ª Manuela rapinadas a Marques Mendes.

Os rissóis da D. Albertina




É difícil discordar de Tomás Vasques. Mas convinha então que a D. Albertina afixasse num quadro as regras da casa para conhecimento dos seus estimáveis clientes. E depois há o problema daqueles “liberais à moda antiga” que entendem que o SNS não deve suportar os custos do tratamento de doenças que os “utentes” poderiam ter evitado. Acho, pensando melhor, que é preferível manter a ASAE.

♪ The Moldy Peaches



Anyone Else But You

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Os consumidores têm as costas largas

O presidente do Grupo Sonae afirmou hoje que não haverá despedimentos na Sonae, deixando, contudo, um aviso que os empregos serão mantidos se houver consumidores.

O Fernandes, por exemplo, tem o posto de trabalho garantido. Consumidores para o pasquim não faltam. Entregue, de borla, nas caixas do Continente, como se fosse um folheto de saldos.


Contributo do João

Saraiva Martins, coleccionador de cromos

Com ar robusto e telúrico, José Saraiva Martins, antigo defensor da causa dos santos no Vaticano, apareceu e disse: a homossexualidade “não é normal”.

Causa estranheza que este cardeal — padroeiro, por definição, da causa dos anormais, ou seja, dos santos — se encarnice tanto contra aqueles que julga anormais. Ocorrem-me só duas perguntas:
    1.ª Achará Saraiva Martins que o celibato, a que ele presumivelmente se sujeita, é normal?
    2.ª No caso de ser anormal, acha que é mau por ser anormal?
Admito que estas perguntas são menores. Mas há outra dúvida que me invade: onde foi que, nos Evangelhos, Saraiva Martins procurou inspiração para fazer diatribes contra os “anormais”?

Público & TVI

    «Nunca alinhando nas teses da cabala e das campanhas negras, pode dizer-se, de um modo geral, que a Comunicação Social andou bem e que até fez algum trabalho de investigação. O mesmo não aconteceu com o jornal ‘Público’, com as velhas guerras contra Sócrates, que mancham a sua isenção e credibilidade e com a TVI do casal Moniz. O que a TVI e Manuela Moura Guedes têm feito, no jornal das sextas-feiras, é perseguição pura e dura a Sócrates, não é jornalismo. O casal Moniz serve-se deste órgão de Comunicação Social poderoso para fazer campanha política. É arrepiante o que se passa às sextas-feiras nesta estação, com as peças montadas e articuladas ao sabor dos comentários da pivô do jornal. Este jornal da TVI está transformado numa máquina para triturar Sócrates e para assassinar o seu carácter, sem respeito pelas garantias básicas deste cidadão, que também tem direito ao seu bom-nome. Sem prejuízo da veracidade dos factos sobre o caso Freeport, a informação não pode ser feita a qualquer preço.

    Os olhos, o rosto, o fácies, os trejeitos na cadeira e a incomodação de Manuela Moura Guedes são escandalosamente visíveis. E estes também são elementos estimáveis na apreciação de uma informação séria, isenta e responsável, o que não é o caso. Incomoda este espectáculo.

    E, quando assim é, Sócrates tem razão.»

Viagens na Minha Terra

A palavra aos leitores

    «QUE SE PASSA?!

    Através da Lusa, o Jornal de Notícias faz saber, pelo menos desde as 14h40 m, que Belmiro de Azevedo foi dizer ao Fórum para a Competitividade que em Portugal “há uma crise de líderes” que vai da governação aos partidos, e dos empresários aos sindicatos.

    Fui ao Público confirmar – e nada.

    Não houve jornalista disponível para ir reportar sobre o Fórum e Belmiro de Azevedo?...

    Ou o cavalheiro disse coisas que não interessam? – até porque sabidas…

    Ou no jornal anda grande azáfama porque há fontes para contactar e fugas de informação para trabalhar? – visando-se voltar a titular grosso e prosar gordo sobre caso-incêndio que é conveniente manter em vistosa combustão…

    Ou estará em curso um enorme esforço da redacção no sentido de amanhã brindar os leitores com notícias fantásticas?

    Aguardemos – primeiro porque José Manuel Fernandes também está investido em funções de liderança e segundo porque o jornal da Sonae pretendia liderar como “referência”…

    Assim ou de outra maneira, não sei que “critério editorial ou jornalístico” pode o Público invocar para nos coarctar o direito de sabermos o que pensa e diz Belmiro de Azevedo, mormente nesta época bastante destinada à apresentação de contas pelas empresas.
    »
      Manuel T., Santa Maria da Feira