Sábado, Dezembro 31, 2011

A importância de se chamar Álvaro ou a política do croquete



No mesmo dia em que o ministro Paulo Portas se desdobrou em desmontar a tese da diplomacia do croquete em preparação do seminário diplomático da próxima quarta feira, o que o Governo fez ao Álvaro é elucidativo.

Toda a gente percebeu que o ministro da Economia não foi tido nem achado na privatização da EDP. Nunca soube de nada, não acompanhou o processo e não teve nenhuma da informação que circulou entre Vítor Gaspar, Passos Coelho/Miguel Relvas, a Parpública e a EDP. O ministro que tutela a energia e a indústria não teve qualquer voz nem nas questões do preço da venda da participação do Estado nem no projecto industrial dos concorrentes para a EDP — nem sequer nas contrapartidas que eram oferecidas para a economia portuguesa. E já nem o Governo disfarça muito: se bem se recordam, foi a secretária de Estado do Tesouro que esteve no briefing do Conselho de Ministros, sem a presença de nenhum membro do Governo da área da economia.

Ontem, então, foi a cereja em cima do bolo: a cerimónia importante foi realizada no Ministério das Finanças, quem falou foi o ministro Vítor Gaspar e o ministro Paulo Portas lá esteve a vincar quem manda na diplomacia económica. Depois, os chineses foram a São Bento e lá esteve também o ministro das Finanças. Por fim, houve o momento do croquete, num almoço no Hotel Tivoli e adivinhe-se quem o governo lá mandou... exactamente, o ministro Álvaro. A coisa foi de tal forma artificial e de circunstância que nem o secretário de Estado da Energia esteve presente. Mandaram o secretário de Estado dos Transportes tomar conta do Álvaro.

O ano está a acabar e se calhar é o momento apropriado para alguns ministros se questionarem se aquele apelo de Passos Coelho para a emigração não lhes é dirigido. É que parece.

Está bonita a festa, pá [11]



Citação da entrevista do n.º 2 do CDS ao i, na qual ainda teve tempo para empurrar pela borda fora o Álvaro:
    “Na Economia, por exemplo, alguém duvidará que o António Pires de Lima daria um extraordinário ministro da Economia?”

Viagens na Minha Terra

RSI: Mitos e realidades



Infografia de Nuno Oliveira no Facebook (via Nuno Serra)

Céus...



Até Lima, o ajudante do pequeno grande arquitecto no outrora luminoso Sol, considerou que a mensagem de Natal de Passos Coelho não tinha pés nem cabeça. Mas o DN, indiferente à queda das vendas do jornal, está decidido a fazer concorrência ao Povo Livre. Por cada trânsfuga que se muda para os gabinetes ministeriais, outro se alevanta na secção laranja do DN?

Da série "Frases que impõem respeito" [684]


Dado o preço de mercado agora, acho que foi barato.
      Cao Guangjing, presidente executivo da China Three Gorges, sobre a aquisição da participação do Estado português na EDP, deitando um balde de água fria sobre o spin governamental de que se tratou de um negócio extraordinário para Portugal [€3,45, quando, em Novembro de 2007, o preço das acções da EDP era de €4,61]

Acção propositada contra o Serviço Nacional de Saúde

Bom artigo de Francisco Ramos na página 27 do Expresso de ontem:
    "Face ao desempenho do SNS, nos resultados em saúde e na despesa, a opção política de penalizar o sector é imerecida e injusta. E, como diria o diácono, não havia necessidade..."
O artigo pode ser lido na íntegra aqui, clicando na imagem.

Ter lucros noutras áreas de negócio através da sua presença nos media

• Alberto Arons de Carvalho, A RTP e a televisão digital terrestre [hoje no Público]:
    ‘A recente decisão de suprimir a publicidade comercial na RTP (50 milhões em 2010) demonstra mais uma vez que o custo dos serviços públicos de rádio e de televisão não constituía o fundamento da privatização. Afinal esta resulta de uma ou da conjugação de várias razões: preconceito ideológico contra o serviço público; profunda ignorância sobre as deliberações de diversas instâncias europeias, todas elas subscritas por Portugal, sobre o papel do serviço público na era digital; instrumentalização - recorde-se a mentira do "1 milhão de euros por dia"... - da RTP como exemplo emblemático de empresa com um custo alegadamente exorbitante e descontrolado; ou cumprimento de uma promessa feita pelo Governo a uma ou a mais empresas, que anseiam pela entrada no negócio da televisão.

    Já muito se disse sobre as graves consequências da privatização de um canal da RTP na diversidade da oferta televisiva, na saúde financeira e na própria qualidade dos conteúdos das empresas de comunicação social, na sustentabilidade da indústria audiovisual portuguesa, de que a RTP tem sido um dos eixos fundamentais, e no direito dos portugueses a uma comunicação social plural e diversificada. Acrescente-se agora que, de acordo com vários indícios, além dos dois operadores privados de televisão, cujos proprietários, objectivos editoriais e comerciais e sucessos e insucessos passados são transparentes e bem conhecidos (Impresa e Prisa/Media Capital), o país se arrisca a ver, como terceiro operador privado ou como um dos seus parceiros proeminentes, uma empresa de que não se conhecem os verdadeiros proprietários, aparentemente escondidos num longínquo offshore, para quem o negócio televisivo será, bem mais do que uma fonte de lucros directos, sobretudo um instrumento de lobby e de influência empresarial e política... Ou seja, enquanto a Impresa e a Media Capital ambicionam ter lucros na sua actividade nos media, essa nova empresa pretenderá ter lucros noutras áreas de negócio através da sua presença nos media...’

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Desvio, qual desvio?



Os dados revelados pelo INE sobre as Contas Nacionais relativas ao 3.º trimestre põem definitivamente por terra as teses do Governo sobre o suposto desvio colossal.

Não consta qualquer derrapagem na despesa e em lado algum há indícios da despesa com o pessoal ou dos consumos intermédios estarem acima do previsto. Antes pelo contrário, o INE confirma que a despesa com remunerações das administrações públicas cai 6,9% nos primeiros 9 meses do ano e o consumo final cai 9% nesse mesmo período.

O défice acumulado no final do 3º trimestre era de 8.635 M€, o que corresponde a 6,8% do PIB. Não se compreendem assim as afirmações dos responsáveis políticos de que o défice de 2011 seria superior a 8% sem medidas extraordinárias (cf. Passos Coelho a 13 de Dezembro e Vítor Gaspar a 20 de Dezembro), porque tal implicaria que as contas públicas estariam aí sim completamente descontroladas neste 4º trimestre.

Ainda assim, há que ter em conta que o défice dos três primeiros trimestre foi muito afectado por efeitos — esses, sim — absolutamente extraordinários, como o do buraco da Madeira. O único contributo do actual Governo para a execução orçamental dos primeiros nove meses foi a criação de uma narrativa que, contrariando a promessa realizada por Passos Coelho, tentou imputar ao Governo anterior o pretexto para algumas medidas. Quanto à prometida redução de despesa, como é sabido, o Governo não teve coragem de pôr em prática nada nos primeiros meses do seu mandato.

Esta narrativa criada, absolutamente criada, pelo Governo quis dar lastro a um Orçamento do Estado para 2012 injusto e injustificado.

Tal como agora se prova que em 2011 era perfeitamente dispensável o corte no subsídio de Natal.

A política deste Governo não é necessária, é uma opção ideológica para empobrecer os portugueses e desmantelar o Estado Social.

Ainda que mal pergunte… [80]


Ainda que mal pergunte, a que se deve a proeminência de Eduardo Catroga na cerimónia de privatização da EDP que as três televisões deram em directo? Será que, como se diz no futebol, isto anda tudo ligado?

A tragédia portuguesa

• Pedro Adão e Silva, A tragédia portuguesa:
    ‘(...) o essencial dos problemas que enfrentamos não é nem culpa de Sócrates nem resulta de termos vivido acima das nossas possibilidades. Enquanto o tempo se encarregará de afastar estas explicações, a crise continuará por cá, mostrando a sua natureza persistente e fazendo emergir o emaranhado de causas que a provocou. Para o ano, o Governo já não poderá responsabilizar Sócrates pelo desvio colossal que ocorrerá na receita fiscal (provocado por uma queda do produto superior aos 3% agora estimados) e dificilmente alguém será capaz de, perante um país empobrecido e com desemprego muito elevado, enveredar por um discurso de responsabilização moral, em que se procura culpabilizar os portugueses pela situação em que se encontram. O Governo ficará entregue à sua soberba.’

Lições de 2011

• Fernanda Câncio, Lições de 2011:
    ‘Terceira: parece que já se pode concluir com toda a certeza que, ao contrário do que BE e PCP tanto repetiram, o PS no governo não é igual ao PSD e ao PP. Pena que toda a gente, mesmo a que já suspeitava, tenha de pagar, e com língua de palmo, a aula prática. (…)

    Mas, claro, podemos não precisar mais de partidos. Se o golpe de Estado europeu que está a substituir a democracia representativa por um império "dos mercados" vingar, seremos governados por "especialistas". E, quinta lição, parece que é mesmo possível fazer isso sem enfrentar grandes indignações e resistências. Se calhar, andamos a levar o desígnio de Passos tão a sério que nos cremos - e queremos - pobres até no espírito.’

Quinta-feira, Dezembro 29, 2011

A ver o OE-2012 a passar



Cavaco Silva deixou passar o prazo para enviar ao Tribunal Constitucional o Orçamento do Estado para 2012, que criticou por violar princípios básicos. A sua promulgação deve ser o próximo passo.

E o excedente para injectar na economia vai para...



Há dias, para contrariar a posição do PS de que haveria margem para devolver metade do subsídio de Natal confiscado, Passos Coelho garantia o seguinte: " — Excedente de 2 mil milhões é para injectar na economia". Hoje, através do Diário Económico (p. 14), sabe-se que o sorvedouro se chama Madeira.

Welcome to the jungle


Por onde anda o ministro da Administração Interna? E Paulo Portas não diz nada?

Da série "Frases que impõem respeito" [683]


Pergunta-se alhos e o ministro responde bugalhos.
      Rui Paulo Figueiredo, deputado do PS, em comentário à resposta dada pelo Álvaro a um requerimento a pedir esclarecimentos sobre a intenção do Governo de dispensar nas empresas públicas de transportes "cerca de dois mil trabalhadores em 2012, correspondendo a cerca de 25 por cento do total de trabalhadores"

Viagens na Minha Terra

Debate de ontem na SIC-N

Nicolau Santos e Pedro Adão e Silva antecipam Conselho de Ministros: as mudanças nas leis do Trabalho e na lei das rendas, o desprezo a que o Governo vota a concertação social e outros problemas que nos cairão em cima em 2012.

O regresso do santanismo

A directora-geral do Orçamento demite-se em desacordo com o Governo¹: parece que esta dirigente queria continuar a controlar a despesa pública de acordo com a metodologia estabelecida, mas o ministro das Finanças quer mudar o sistema em vigor. A directora-geral bateu com a porta, aparentemente por não estar disposta a torturar números.

_________
¹ Chamada de atenção do leitor Victor C.

Olha...

… afinal nem era uma má ideia.

Leitores

Duas curtas notas a propósito do ranking dos jornais diários portugueses (vendidos em banca), citado pelo Eduardo Pitta:
    • A secção laranja deu cabo do DN (e pirou-se para os gabinetes ministeriais);
    • O CC já é tu-cá-tu-lá com o i, um jornal cada vez mais relativo.

Imagine-se se não fosse uma associação cristã…



O ex-dirigente do PSD António Pinto Leite, que é presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), diz que a legislação laboral deveria ser alterada para permitir às empresas baixarem salários.

Soares em entrevista ao DN

É lamentável se o DN não colocar on-line a extensa entrevista dada hoje por Mário Soares:
    Choca-o esta política em que se fala de que é preciso o empobrecimento do país?
    Absolutamente. Trata-se de um erro fatal. Sem desculpa!
    Este momento marca definitivamente o afastamento ideológico entre o PS e o PSD?
    Não se pode dizer isso porque há muita gente do Partido Social Democrata que, como se sabe, está muito crítico pela forma como este governo tem estado a governar. Sem uma estratégia clara para o futuro.

Ambos, ambos, ambos

José Pacheco Pereira sobre o funcionamento interno do PSD [hoje na Sábado]:
    ‘O aparelho [do PSD] detém todo o poder e quase não há respiração fora dele. No Governo, mais do que o primeiro-ministro, funciona o ministro do aparelho em tudo o que é sensível, movimenta interesses e lugares, posiciona para o futuro. Muita gente pensa sempre com aquela complacência de achar que há quem faça e há quem seja enganado, ou não saiba, ou não conheça. No caso vertente, a formação do primeiro-ministro e do seu principal executor é exactamente a mesma. Podem ter a certeza absoluta de que ambos, ambos, ambos, sabem de tudo. Fizeram-se lá e sabem muito bem como se fizeram.’

“Ou aos agentes desses negócios?”

Mário Soares, Vender as ‘Jóias da Coroa’ [hoje na Visão]:
    ‘O Governo, ao que se diz, prepara-se para privatizar, vendendo não a grupos portugueses, mas ao estrangeiro e a empresas, curiosamente, nacionalizadas, empresas portuguesas de valor estratégico, como: a EDP, a REN, uma parte da RTP, a GALP, a CP, as Águas de Portugal, a ANA, a TAP, os CTT, etc. Para onde vai o dinheiro recebido? E com o que ficaremos de sólido? Serve isso a Portugal ou é tão só para agradar à troika? Ou aos agentes desses negócios?’

“No dia em que Álvaro cair, não se esqueçam: o bode expiatório é o canário na mina”

• Miguel Gaspar, O ministro em forma de heterónimo [hoje no Público]:
    ‘Álvaro Santos Pereira está a pagar, em lume brando, uma culpa maior do que a sua responsabilidade. Não está em causa o falhanço da estratégia de um ministro, que é suposto responder pelo crescimento económico, a luz no fundo do túnel dos apóstolos da austeridade. O que está em causa é o falhanço estratégico de todo um Governo.Não é o ministro da Economia e do Emprego (e de mais não sei quantas coisas) quem tem a culpa por o crescimento não ser a luz ao fundo do túnel mas sim o calcanhar de Aquiles de uma estratégia global. Sendo um dos menos influentes ministros deste Governo, Álvaro Santos Pereira tem um peso incomensuravelmente mais limitado na definição dessa estratégia do que o todo-poderoso Vítor Gaspar, que vários jornais elegem como figura do ano, à frente do primeiro-ministro Passos Coelho e cuja reputação de corta-subsídios não o afasta do topo dos rankings de popularidade dos ministros... Os bodes expiatórios são óptimos biombos para esconder a realidade.’

Que é isso da “democratização da economia”?

• Francisco Assis, Construir os caminhos da democracia em 2012 [hoje no Público]:
    ‘Comecemos pelo anseio de democratização da economia. O que poderá significar tal desígnio? Aumentar a justiça social na distribuição dos rendimentos e dos sacrifícios? Proporcionar condições igualitárias no acesso a operações de financiamento de potenciais investimentos privados? Atribuir novas oportunidades a grupos sociais mais desfavorecidos? Investir mais na educação, no incentivo à inovação e na formação ao longo da vida? Não creio que qualquer uma destas preocupações tenha perpassado pela cabeça do primeiro-ministro. O que quis dizer foi coisa bem diversa. Na sua mente democratizar a economia significa liberalizar, privatizar, desproteger, promover o recuo de tudo o que é público, impor um outro modelo de relacionamento laboral, subordinar a sociedade à lógica do mercado. Não estamos longe do célebre "capitalismo popular" dos anos Thatcher.’

A sinistralidade rodoviária

• Rui Pereira, Alcoolemia:
    ‘(…) é indiscutível que fizemos progressos consideráveis nos últimos trinta anos. Seguindo sempre o mesmo critério de contabilização (mortos no local do acidente ou a caminho do hospital), passámos de mais de 2500 vítimas anuais, na década de oitenta, para menos de 1000 (em 2010, 741, que sobem para 937 quando adicionamos as pessoas que morrem no prazo de trinta dias). Nesta evolução não há mistério – o crescimento da rede de auto-estradas, o aumento da segurança das viaturas e as acções de prevenção e fiscalização repartem o mérito dos progressos.’

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

Durão Barroso: “Enquanto houver uma criança em lista de espera nos hospitais não haverá Ota”

“Se existe um escandaloso ‘job for the boy’, este não podia ser mais flagrante”

A um tal Andrade foi garantido lugar no conselho de administração do agrupamento complementar de empresas que irá gerir a Cinemateca, a Companhia Nacional de Bailado (CNB) e os teatros nacionais de São Carlos, D. Maria II e São João.

Jorge Salavisa, que foi presidente do Opart - Organismo de Produção Artística (a empresa pública que hoje gere o São Carlos e a companhia de dança) e que já dirigiu o Ballet Gulbenkian e a própria CNB, Maria José Fazenda, presidente do conselho científico da Escola Superior de Dança, e coreógrafo Paulo Ribeiro, entre outros, ainda não acreditam na escolha de Francisco José Viegas, que pode não ter dinheiro para fazer seja o que for na Secretaria de Estado da Cultura, mas que não deixa os seus créditos por mãos alheias.

João Villalobos, ex-blogger e um dos múltiplos “adjuntos para a comunicação” de Francisco José, balbuciou uma desculpa esfarrapada — o tal Andrade já havia implicitamente confirmado o job.

PUB.


Um ataque à família pelo autodenominado “partido da família” (ou onde chega a vergonha quando não há sensibilidade social)

A denúncia do deputado António Serrano do PS é da máxima importância e gravidade. O Ministério da Saúde acaba de publicar a Portaria n.º 311-D/2011 com os critérios de verificação da condição de insuficiência económica dos utentes para efeitos de isenção de taxas moderadoras e “esqueceu-se” do conceito de família.

O que se diz sobre o cálculo do rendimento do agregado é que se trata do “rendimento médio mensal, dividido pelo número de pessoas a quem cabe a direcção do agregado familiar, seja igual ou inferior a 628,83 Euros(1,5 vezes o valor do Indexante dos Apoios Sociais)”.

Ora não há qualquer consideração para o número de dependentes, parecendo nomeadamente que o Governo entende que o rendimento médio do agregado é igual para um casal sem filhos ou para um casal com três filhos (e respectivas despesas).

É uma vergonha, inaceitável, nomeadamente num governo que integra o CDS-PP, que, sem pudor, se apelidou do “partido da família” e que fazia chicana política sobre o valor fiscal de um filho ou de um ascendente a cargo.

Por outro lado, este critério é tanto mais errado quanto a própria lei da condição de recursos (Decreto-Lei n.º 70/2010, de 16 de Junho) tem uma abordagem diferente, quando refere, no artigo 5.º, que “[n]o apuramento da capitação dos rendimentos do agregado familiar, a ponderação de cada elemento é efectuada de acordo com a escala de equivalência seguinte:


O Governo não precisava de inventar a roda, mas limitou-se a alimentar o rolo compressor que esmaga as famílias portuguesas.

Mas que gente tão eficiente, que tinha tudo estudado



Aguiar Branco prometeu resolver a situação dos Estaleiros de Viana do Castelo, como uma rápida pesquisa no Google revela, até ao fim de Setembro; depois até ao fim de Outubro; depois até ao fim de Novembro; depois até ao fim do ano; agora, adia para 2012.

Leitora atenta

Carta de uma leitora do Expresso em resposta à entrevista de Miguel Relvas publicada na edição de 17 de Dezembro do semanário (enviada por Luísa M.):

Quebra-cabeças para as férias de Natal

1.ª Fase (vale três pontos)
      ‘Chegámos ao fim do ano mais importante dos últimos tempos e entramos no ano mais decisivo da próxima década.’
A quem se deve esta pérola:
    • Américo Thomaz?
    • Pedro Santana Lopes?
    • Gilberto Madaíl?
    • Duarte Marques?
    • Álvaro?
    • Miguel Relvas?
2.ª Fase (vale dois pontos)

Se ainda não descobriu, e sabemos que se trata de uma escolha difícil tendo em conta as hipóteses colocadas, acrescentemos mais um naco de prosa, eliminando dois dos nomes sugeridos:
      ‘Se há povo para o qual não há missão impossível, esse povo é o nosso. Temos uma das línguas mais faladas do mundo, o melhor treinador e o melhor jogador de futebol, a empresa que lidera o mercado das energias renováveis, gestores de topo nas maiores multinacionais, centenas de empresas de tecnologia que vendem soluções aos sectores mais exigentes, inventámos a via verde e o transístor de papel, temos os melhores sapatos, o mobiliário mais exclusivo, o fado, o maior mar para explorar, o melhor peixe, a melhor culinária, as praias e as mais belas ondas, a melhor luz, somos o povo mais acolhedor que existe, e até temos o melhor bolo de chocolate do mundo.’
Quem escreveu este naco de prosa:
    • Pedro Santana Lopes?
    • Duarte Marques?
    • Álvaro?
    • Miguel Relvas?
3.ª Fase (vale um ponto)

Continua sem conseguir descobrir o autor destas pérolas? Retiremos, então, mais duas figuras e acrescentemos um último naco deste manjar apetitoso:
      ‘(…) os nossos professores e estudantes têm de ser ainda melhores, os médicos, os advogados, os padeiros, os electricistas, os artistas, os vendedores, os pais e os filhos têm que ser ainda melhores pais e filhos, os amigos terão de ser ainda mais amigos.’
Quem escreveu isto:
    • Duarte Marques?
    • Miguel Relvas?
É bem provável (e compreensível) que esteja indeciso quanto à resposta. Confira aqui o seu prognóstico. E, depois, se achar que vale a pena aprofundar o conhecimento acerca desta personalidade, leia isto.

"Um homem alquebrado, de rosto fechado e descaído, exausto e confuso, conferindo ao discurso uma futilidade patética"

• Baptista-Bastos, Passos em volta da exaustão:
    ‘O primeiro-ministro foi às televisões, admitindo-se, com modesta expectativa, que iria sossegar a nação. Não sossegou ninguém. Surgiu um homem alquebrado, de rosto fechado e descaído, exausto e confuso, conferindo ao discurso uma futilidade patética. Entre o apelo à confiança e a surpreendente declaração sobre a necessidade de se "democratizar a economia", com o concurso do povo, nada do que disse produziu o mínimo estremecimento de emoção. O dr. Passos não motiva, não congrega, não aquece nem arrefece. E é cada vez mais visível o esforço que faz para convencer aqueles dos outros e os próprios que o cercam.

    (…)

    A verdade é que o presidente do CDS possui grande presciência política e as suas faltas em actos públicos talvez sejam um sinal de prudência e de distanciação de muitos actos do Governo. Enquanto o dr. Passos fala, fala e não diz nada, e dá entrevistas umas atrás das outras, numa fastidiosa rotina de vacuidades, o seu parceiro de aliança afasta-se, com um recato que lhe não é próprio, ele, tão dado à fotografia, à imagem, à primeira fila.’

A pastelaria de Braga

• Ferreira Fernandes, O tão português caso da pastelaria:
    ‘(...) Quando abriu há três anos, tinha horário das 07.00 à meia-noite, mas sofreu uma providência cautelar por parte de um morador do prédio, magistrado do Ministério Público, e o tribunal encurtou o horário para as 09.00-21.00. Segundo o dono da pastelaria, Sérgio Lima, a GNR não larga a porta, bastando dois minutos de demora no fecho para o levarem ao posto no Sameiro e lavrarem o auto de notícia, onde perde uma hora. (…) 16 autos em três meses dá mais que um por semana. Um tal zelo da GNR revela uma influência que eu não tenho, mas alguém tem. Era isso que eu pedia para se resolver em quatro dias: dizer ao posto da GNR do Sameiro que os portugueses são todos iguais.’

Terça-feira, Dezembro 27, 2011

Da série "Frases que impõem respeito" [682]

É um erro político incentivar os portugueses a emigrar.
      Frei Sales Diniz, director da Obra Católica Portuguesa das Migrações, que chama a atenção para a circunstância de os impostos dos portugueses estarem a ser usados para formar jovens que depois vão ajudar a crescer os países para onde emigram

A crise que era só portuguesa



Le Monde, amanhã

Regresso

O Tiago Barbosa Ribeiro regressa à blogosfera e mostra que não descurou o trabalho de casa.

Mas para que serve uma Armada assim?

Rodrigo, há por aí tantos “auditores de Defesa Nacional” e nenhum lhe explica que os interesses dos consumidores podem estar subsumidos nos interesses nacionais a salvaguardar, mas que há outras questões a ter em conta?

Não está mal...

... seis mil euros mensais para o director artístico do Teatro Nacional D. Maria II.

Viagens na Minha Terra

“Esta política não tem nada a dizer sobre o futuro”

• Pedro Silva Pereira, Compreender 2011:
    ‘A demagogia triunfante esforçou-se por virar as coisas ao contrário e fazer do alegado "despesismo" do Estado a causa do risco de "não haver dinheiro para pagar salários e pensões". Mas se em 2011 o Estado teve mais receita e menos despesa do que no ano anterior, está bem de ver que o risco de ruptura teve outra origem: a impossibilidade de, em plena crise financeira, continuar a aceder aos mercados para o financiamento corrente da dívida pública, com o apoio prometido do BCE (como sucede hoje com a Itália ou a Espanha) - e essa impossibilidade foi consequência directa da rejeição do PEC IV.

    Esta opção teve custos elevados, mesmo para além do próprio pedido de ajuda externa, que levou ao Memorando de Entendimento com a troika. Mas cumpriu o seu objectivo político: proporcionar eleições antecipadas, para uma mudança de Governo.

    Se já antes o PEC IV tinha sido rejeitado em nome do argumento, hoje ridículo, de que a direita era "contra o aumento dos impostos", a campanha eleitoral do partido vencedor girou em torno de uma promessa mil vezes repetida: austeridade contra "as gorduras do Estado", não contra as pessoas. Compreende-se bem que os portugueses tenham votado na esperança de melhorar as suas vidas.

    Só que a promessa não era para cumprir, como agora se vê. Obtidos os votos, o novo Governo PSD/CDS lançou o mais violento pacote de austeridade "contra as pessoas" de que há memória - sem disfarçar a intenção deliberada de ir "além da troika". Obcecado pela austeridade e disposto a utilizá-la como instrumento de uma agenda ideológica adversa ao Estado Social, do Governo só se ouve uma palavra de ordem: parar. E, de facto, está a parar o Estado e está a parar a economia. Consultam-se as Grandes Opções do Plano para 2011-2015 ou o Orçamento para 2012 e vê-se que o Governo prevê para o próximo ano uma recessão de -2,8%, embora já admita que será pior. Mas quando se procura a previsão para a economia em 2013, não há lá nenhuma. Nem boa, nem má. E talvez isto seja o pior de tudo: esta política não tem nada a dizer sobre o futuro.’

‘Que os jornalistas deixem de servir de pés de microfone e interpelem os políticos quando eles prometem coisas como "democratizar a economia"’

José Vítor Malheiros, Desejos de Ano Novo [hoje no Público]:
    ‘Podíamos ainda desejar que os jornalistas deixassem de servir de pés de microfone e interpelassem os políticos quando eles prometem coisas como "democratizar a economia". E que continuassem a perguntar até ter respostas. E que pedissem explicações para as contradições que encontrassem nas respostas. E que deixassem de tratar a propaganda do Governo como factos e as propostas das restantes forças políticas como inexistentes.’

Taxas moderadoras desajustadas

• Adalberto Campos Fernandes, E se não tivéssemos subscrito o MoU?:
    ‘(…) nem sempre as reformas estruturais mais duradouras dependem apenas de um mero impulso restritivo. Dois exemplos: a persistência de milhares de cidadãos sem médico de família ou a aplicação de taxas moderadoras desajustadas, face à natureza da relação entre a oferta e a procura, podem comprometer a eficácia das medidas no médio prazo.’

Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

Recordam-se dos polícias não fardados na manifestação de 24 de Novembro?

O assunto não morreu.

E assim a Cabrita pôde dedicar-se em exclusivo ao estripador de Aveiro



Na inimitável croniqueta que escreve na página 3 do outrora luminoso Sol, o pequeno grande arquitecto descreve como escapou a uma carreira de larápio de futuro incerto.

Diz Saraiva que, nos anos 60 do século passado, os estudantes fugidos à guerra colonial se entretinham a roubar livros em Paris. Ele, à cautela, colocou o problema à consideração superior:
    "Uma noite, em conversa com o meu pai - que nessa altura também vivia exilado em Paris -, falei-lhe do assunto e ele respondeu:

      - Essa justificação é puramente oportunista ["roubar é revolucionário"]. Para todos os efeitos, trata-se de um roubo. E uma pessoa não deve roubar, não por causa dos outros, mas por respeito para consigo própria.

    Nunca esqueci esta lição. Se porventura estivesse tentado a ‘subtrair’ um livrito na Gibert ou na Joie de Lire, a tentação morreu ali."

Sábado, Dezembro 24, 2011

Com o desemprego a subir em flecha…

Notícias da claustrofobia democrática

• Nuno Azinheira, Palavras, palavras...:
    ‘Miguel Relvas devia ter o seu próprio canal. Tipo Oprah Winfrey. Um canal em que pudesse dar asas à sua imaginação, em que ensaiasse os seus discursos ou reinventasse um certo Conversas em Família de outros tempos. É que Relvas é, por estes dias, um verdadeiro "sempre em pé". Liga-se a RTP1 às 08.45 e lá está Relvas a falar do serviço público de televisão. Liga-se a SIC Notícias às 13.15, vê-se Relvas em mangas de camisa a falar sobre o conselho de ministros extraordinário. Se se mudar de canal, e às 18.20 sintonizarmos no cabo a TVI 24, lá vemos Relvas a falar da crise e da necessidade dos portugueses corresponderem "aos grandes desafios do futuro". Às 20.00, lá está o ministro Relvas na SIC a falar da venda da EDP aos chineses. Ainda não tentei, mas qualquer dia não resisto a picar a SIC Mulher às 22.30. Confesso que tremo de medo de o ver no MasterChef australiano, ou, uma hora mais tarde, ao lado do "Emplastro", no Porto Canal. Até se pode questionar se o Governo tem sabido comunicar bem a sua mensagem. Mas se alguma coisa está a correr mal, não é seguramente por falta de mensagem...’

Três Gargantas: EUA, Europa e Brasil

La china Three Gorges entra en EDP para saltar a EE UU, Europa y Brasil.

"O aumento das dívidas públicas foram uma consequência da recessão económica e não a sua causa"

• Robert Skidelsky, O Euro numa zona cada vez mais pequena:
    'A última cimeira europeia foi um desastre. Tanto o Reino Unido como a Alemanha jogaram o jogo errado: o primeiro-ministro britânico David Cameron isolou o Reino Unido da Europa, enquanto a chanceler alemã Angela Merkel isolou a Zona Euro da realidade.

    Se Cameron tivesse levado à cimeira uma agenda para o crescimento económico, poderia ter-se batido por algo real e não lhe teriam faltado aliados. Pelo contrário, aceitou a agenda de austeridade de Merkel – que o seu governo está a implementar de forma independente – e escolheu vetar a proposta de um novo tratado europeu para a proteger o centro financeiro de Londres. Esta decisão agradou aos eurocépticos do Partido Conservador de Cameron mas não ofereceu nada para contrariar a medicina letal prescrita pela dama de ferro alemã.

    O acordo alcançado em Bruxelas exclui qualquer possibilidade de uma gestão keynesiana da procura para combater a recessão. Os défices orçamentais “estruturais” estarão limitados a 0,5% do PIB, com sanções (ainda não conhecidas) para os infractores.

    Esta é a cura errada para a crise da Zona Euro. A doutrina Merkel parte do princípio que a crise resulta da irresponsabilidade dos governos e, assim, apenas uma regra “dura” sobre o orçamento pode evitar que estas crises voltem a acontecer.

    Mas a análise de Merkel está totalmente errada. Não foram os défices excessivos que provocaram o colapso económico de 2007 e 2008 mas sim a excessiva concessão de créditos por parte do sector bancário. O aumento das dívidas públicas foram uma consequência da recessão económica e não a sua causa. O que deveria ter sido integrado na estrutura institucional da União Europeia era uma regulação financeira mais dura e não uma austeridade orçamental permanente. E tem havido poucos sinais no sentido de endurecer a regulação financeira.'

Fils a papa

• José Pacheco Pereira, Um Natal triste [hoje no Público]:
    ‘São estas as decisões deste Natal, de um Natal triste. Há uns imbecis nos blogues que acham que falar dos problemas concretos das pessoas que não são fils a papa, publicitários, gente de glamour, neoliteratos, assessores de várias eminências, yuppies sem mercados, consultores, advogados de sucesso, é neo-realismo. A única coisa que se lhes pode perdoar é não saberem o que a palavra significa, mas tudo o resto não e perdoável nem mesmo com muito "espírito de Natal".

    É particularmente irritante, e socialmente perigoso, que acrescentem à miséria uma lição moral do género "têm o que merecem porque viviam acima das suas posses", todos contentes com a purga moral do país pelo empobrecimento. O empobrecimento pode ser inevitável, mas deixem de lhe atribuir qualquer valor catártico e vender como nova propaganda que, no dia em que estivermos mesmo muito pobres, vai começar a nova aurora económica, a ascensão de uma economia de sucesso, livre do Estado, competitiva e dirigida por uma "nova geração" liberal e desempoeirada.

    Sim, sim, tretas. Sem mão-de-obra qualificada, com mercado interno deprimido ao limite, sem classe média, sem capacidade de poupar e com o país cheio de tretas. Sim, sim, tretas.’

♪ Natal (só até aos quatro anos?) [7]

        "Só há prenda para a mais nova, as outras já não são crianças. Os adultos este ano não têm presentes porque não há meios para isso".

        "Não me vou endividar para estimular a economia."


Chet Baker
Silent Night

Por que razão o FAL é descartável?

Mais do que as setinhas apontadas ao céu, é a fundamentação que impressiona:


Hoje no DN

Sexta-feira, Dezembro 23, 2011

Atirar a pedra e esconder a mão atrás da troika

• Pedro Adão e Silva, A TROIKA DO BENFICA [hoje no Expresso]:
    ‘O mais provável é que o Governo resista e se mantenha surpreendentemente popular porque existe a perceção de que quem governa de facto é a troika. O Governo é apenas um executor, com escassa margem de manobra de um memorando ao qual estamos presos. As visitas da troika, com as sistemáticas conferências de imprensa em que um conjunto de técnicos age como governantes, só reforçam a sensação. Esta narrativa tem um efeito imediato: ao mesmo tempo que desresponsabiliza Passos Coelho pelas medidas impopulares, funciona como auxiliar externo para uma agenda ideológica que de outro modo seria impossível de aplicar. A ideia que passa é que a culpa é da troika e a austeridade é imposta desde fora. O Governo vai fazendo pela vida.

    (…)

    O problema é que o memorando com a troika é, também, o que dele quisermos fazer. Pode ser alterado (já o foi diversas vezes), tende a ser utilizado como um instrumento de reforço da legitimidade do Governo e funciona como cortina de fumo — permitindo ao Executivo realizar o desejo nunca escondido de ir além da troika, sem ser penalizado. Acontece que os efeitos económicos e sociais desta receita serão tão dramáticos que chegará o momento em que à troika deixará de estar associada boa publicidade. Nessa altura, o Governo ficará sem a proteção de que agora tem gozado. Por sua conta e risco, a ilusão de popularidade evaporar-se-á.’

O mentiroso de Massamá



Hoje no Expresso [rapinado à Shyznogud no twitpic]

"Empobrecer. Emigrar. Morrer?"

• Nicolau Santos, Empobrecer. Emigrar. Morrer? [hoje no Expresso]:


Rapinado à Shyznogud no Facebook

Mentir com os dentes todos para “ir além da troika



• Pedro Silva Pereira, O desmentido:
    ‘Pronto, está esclarecido: era mesmo mentira. O ministro das Finanças explicou no Parlamento que a decisão de criar o imposto que cortou o equivalente a metade do 13º mês foi uma opção livre do Governo e não o resultado de uma imposição da troika, ao contrário do que tinha sugerido o primeiro-ministro numa das suas recentes entrevistas televisivas.

    (…)

    A troika, já se percebeu, tem "as costas largas". Mas não pode aceitar-se esta permanente tentativa do Governo de confundir as suas próprias escolhas com os compromissos assumidos com a troika. A verdade é esta: este absurdo imposto extraordinário sobre o 13º mês não está no Memorando de Entendimento negociado com a troika em Maio, tal como não está lá o aumento do IVA da energia e da restauração para os 23%; nem os aumentos de 25% nos transportes públicos; nem o aumento para o dobro das taxas moderadoras; nem a regra da consolidação orçamental feita em 2/3 do lado da despesa; nem a eliminação dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos pensionistas em 2012 e 2013; nem a eliminação do escalão de 12,5% no IRC; nem a proibição dos incentivos fiscais para o projecto de mobilidade eléctrica da Nissan; nem o limite de 8 a 12 dias para as indemnizações por despedimento. Como bem disse o ministro das Finanças - e escolho também as palavras - vai nisto tudo uma "opção". Uma opção do Governo.’

Até tu, Luciano?

• Luciano Amaral, Défices:
    ‘A humanidade ainda está para conhecer planos de austeridade bem sucedidos que não sejam acompanhados por qualquer saída instantânea de crescimento económico – normalmente, a desvalorização cambial que agora não podemos fazer. Talvez tenhamos já entrado no ciclo infernal da austeridade que gera recessão, que gera austeridade, que gera recessão... Não é coisa para acabar bem.’

“Three Gorges, Three Gorges, o nome diz-me qualquer coisa...”

• Ferreira Fernandes, Uma EDP no fundo do túnel:
    ‘Ainda bem que Roosevelt não poupou em investimentos. A ironia é que o dia de ontem começou aí.’

♪ Natal (só até aos quatro anos?) [6]

        "Só há prenda para a mais nova, as outras já não são crianças. Os adultos este ano não têm presentes porque não há meios para isso".

        "Não me vou endividar para estimular a economia."



Gerry Mulligan & Dave Brubeck
Santa Claus Is Coming to Town

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

Está bonita a festa, pá [10]

Há dias, Hélder Amaral, vice-presidente do grupo parlamentar do CDS-PP, deu uma entrevista à TSF, na qual denunciou, aparentemente numa autocrítica, que “os partidos não podem ser agências de emprego” e, de caminho, lá foi defendendo que, no Caldas, se fazia bem em “começar a pensar em substituto de Portas”.

Hoje, o Menezes-filho-do-pai, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, também em entrevista à TSF, entendeu pressionar Cavaco Silva, acusando-o de, em relação “a algumas medidas que este Governo estava a tomar” se referir a elas de “forma algo leviana”. Empolgado, o Menezes-filho-do-pai ainda teve tempo para dar uma canelada em Paulo Portas, ao afirmar que “gostava de ver o ministro Paulo Portas mais activo e presente politicamente.”

O Menezes-filho-do-pai não é rapaz para pular a cerca sem autorização superior.

E a salvaguarda do interesse nacional vai-se com os anéis?


Hu Jintao, o novo patrão da EDP


O Governo decidiu vender a participação do Estado na EDP à China Three Gorges, uma empresa pública. O mesmo governo que não quer o Estado a gerir empresas entrega a sua participação na EDP ao Estado chinês. Decididamente, a ideologia dos estarolas da São Caetano de São Bento tem muitos alçapões.

A questão que agora se coloca é: sendo a EDP um activo estratégico, como é que, numa situação como esta, se defende o interesse nacional? Fernando Medina explica, em declarações à TSF que podem se ouvidas aqui, o que está em causa.

Acresce que, como hoje lembrou Carlos Zorrinho, quando a lei das privatizações foi aprovada, “o PS propôs, conseguiu e saudou o Governo por ficar incluído expressamente uma regra de se apresentar no prazo de 90 dias um conjunto de normas estratégicas que tinham de ser salvaguardadas para a alienação das empresas”.

Ora, segundo Zorrinho, “esses 90 dias terminaram a 17 de Dezembro, mas o Governo não elaborou [ainda] nenhuma lei e também recusou uma proposta do PS no sentido de que houvesse um acompanhamento mais forte das privatizações por parte da Comissão Eventual de Acompanhamento do Programa de Ajuda Financeira a Portugal”, numa alusão a um projecto de resolução dos socialistas reprovado pela maioria PSD/CDS na semana passada.

O Governo vai entregar a sua participação na EDP sem que estejam aprovadas normas de salvaguarda do interesse nacional?

“Austerity set to increase inequality in Portugal”

• Peter Wise no Financial Times:
    ‘According to a report this month by the Organisation for Economic Co-operation and Development, income inequality in Portugal is the highest in Europe. Sociologists and welfare groups fear that next year’s austerity budget, the harshest in living memory, together with record unemployment and a contracting economy, will widen the gap even further.

    A new study for the European Commission by the UK’s Institute for Social and Economic Research says the austerity measures implemented in Portugal in 2010 were “clearly regressive”, causing the poorest families to give up a bigger share of their disposable income than wealthier households.’

♪ Natal (só até aos quatro anos?) [5]

        "Só há prenda para a mais nova, as outras já não são crianças. Os adultos este ano não têm presentes porque não há meios para isso".

        "Não me vou endividar para estimular a economia."

A outra face da moeda

Temos um Governo que, pela voz do primeiro-ministro, insta os desempregados a emigrarem. Quando se esperaria que o "outro" PSD — o que está na oposição — se demarcasse desta confissão de impotência, eis que aparece Paulo Rangel, aríete do "outro" PSD na última batalha eleitoral laranja, a querer tão-só "operacionalizar" a política de desistência do Governo, com a criação de uma agência para a emigração. O PSD não tem emenda.

O ciclo político




• Paulo Trigo Pereira, O ciclo político [hoje no Público]:
    ‘A gestão do ciclo político significa que após as eleições tomam-se medidas mais duras do que as que seriam necessárias, e logo antes das próximas tenta-se dar alguma folga e alguma benesse de que os eleitores gostem. O ciclo político é marcado pelas datas das eleições e nada tem a ver com o ciclo económico, pelo que muitas vezes a sua gestão tem efeitos prejudiciais na economia. Desde a segunda maioria absoluta de Cavaco Silva como primeiro -ministro (que teve como mestre Alan Peacock em York), passando por Durão Barroso, José Sócrates e agora Passos Coelho, que os governos têm praticado a gestão dos ciclos. No presente essa gestão traduz-se em sobrestimar o défice público de 2011.

    Comecemos pelo mais simples, embora ainda envolto em alguma, mas pequena, incerteza. O défice público em contabilidade nacional, o que é relevante para nós portugueses, para a troika e o Eurostat situar-se-á em 2011, sem o fundo de pensões, e com as informações conhecidas, perto dos 7% do PIB, ou seja, em 1200 milhões de euros. Isto é, cerca de 2000 milhões a mais relativamente aos 10.000 milhões a que nos comprometemos. Este valor obtém-se a partir das próprias projecções do Governo relativamente ao crescimento dos juros em Dezembro, a um cenário de quebra, usual neste mês, do excedente da Segurança Social, estabilidade do saldo dos fundos e serviços autónomos e ligeira deterioração das contas das administrações regionais e locais, já tendo em conta o "buraco" da Madeira. O valor do défice em 2010 foi de 9,8% (INE), pelo que houve uma melhoria, mas os 7%, estão claramente acima dos 5,9% a que nos comprometemos em 2011, e sobretudo os 7% são o que deve servir de referência ao valor de 4,6%, que é o objectivo para 2012. Assim, o esforço de consolidação orçamental em 2012 será de 2,4% do PIB.

    Consideremos agora a receita do fundo de pensões que, como é já claro para todos, aumentará a dívida implícita do Estado, bem como a despesa pública em pensões nos anos vindouros. O impacto no saldo deste ano não é claro, pois se do lado da receita se sabe que andará pelos 6000 milhões (3,5% PIB), do lado da despesa não se sabe exactamente o que acontecerá. Se houver o encaixe total sem acréscimo de encargos, o défice reduzir-se-ia para 3,5% do PIB. Porém, se ao acréscimo de receita estiver associado um aumento de despesa em 2011 de metade desse valor, o défice reduz-se apenas para 5,25% (por exemplo, se a ACSS pagar aos Hospitais EPE, 3000 milhões, para estes saldarem as suas dívidas a fornecedores).

    A um nível mais micro, os valores da última coluna dos dados da Tabela 1 deveriam estar todos em 100% em Dezembro. A um mês do fim do ano os Fundos e Serviços Autónomos, caso consigam manter o excedente orçamental, serão o único subsector que cumprirá os objectivos. A receita extraordinária do fundo de pensões vai tapar os desvios, face ao objectivo de redução do défice, do Estado, da Segurança Social (que apresenta ainda um excedente, mas está claramente a deteriorar a sua situação) e da administração regional e local, em particular da Madeira. A Tabela 2 mostra que os serviços integrados do Estado pouparam 1699 milhões, e isso deve-se essencialmente ao aumento da receita corrente (leia-se IVA, IRS e IRC) e a uma diminuição da despesa de capital. A maior poupança do Estado foi, contudo, nos cortes das transferências para outros subsectores.

    Os dados apresentados reforçam as minhas convicções em relação à política da utilização do fundo de pensões. Dado que a receita líquida extraordinária necessária é de 2000 milhões em 2011, há margem para pagar dívidas este ano e para contabilizar parte da receita em 2012, desta forma podendo reduzir total ou parcialmente o corte de subsídios. A obstinação e incapacidade de negociação deste Governo em fazer entender à troika que a receita extraordinária em 2012 reduziria a recessão, com o mesmo efeito na dívida pública e no défice de 2012, deixa-me perplexo.’

    Pedro T.

El País: "... en un consejo desmoralizador y revelador, que se busquen empleo en otro sitio."

Portugal desvela sus recortes.

Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

Contributo para a transparência



Remuneração da entrada do Estado nos bancos não passará pela Assembleia da República.

A coligação dos aflitos

‘É preciso melhorar a política de comunicação’: esta ladainha muito frequente entre os aflitos e os desiludidos com PPC tem razão de ser — um bom embrulho ajuda mas só até àquele momento em que se começa a ver a coisa tal qual ela é.
    Afonso

Última hora: política de comunicação do Governo

Fontes bem informadas garantiram ao CC que no âmbito da nova política de comunicação o Governo vai instalar na Presidência do Conselho de Ministros um serviço especializado de censura. Estará, aliás, para breve a publicação em Diário da República do aviso de abertura de um concurso para censores.

A missão do novo organismo: garantir que, doravante, todas as declarações de PPC serão submetidas a censura prévia, não vá, em próxima entrevista, lembrar-se de propor aos jovens licenciados desempregados o recurso ao suicídio assistido.
    Afonso

Ainda que mal pergunte… [79]



Na Alemanha já houve investigação, confissões, julgamento, sentença e pena. E em Portugal?

Curiosa, muito curiosa, esta correlação entre letargia judicial (selectiva) e chegada da direita ao poder. É certamente obra do acaso…
    Afonso

Estado Social ou “sopa dos pobres”?


• João Cardoso Rosas, Socialismo e Estado social:
    ‘Em quarto lugar, creio que no Portugal actual tanto a direita como o PS estão de acordo na necessidade de reformar o Estado social, adaptá-lo à riqueza que o país produz e às mudanças demográficas. No entanto, aquilo que a historieta acima contada visa encobrir é que não há apenas um caminho para essa reforma e que seria o da transformação do Estado social numa espécie de "sopa dos pobres" (eventualmente distribuída pelo ministro dos assuntos sociais no seu carro de oitenta mil euros). Aquilo que se espera do Partido Socialista é uma forte reacção à estratégia do actual Governo nesta matéria. O PS deve ser sensível às exigências de austeridade, mas tem de perceber que o Governo pretende outra coisa: manter apenas uma ‘safety-net' muito baixa, o que equivale à destruição do Estado social.’

"Vale a pena é falar no primeiro-ministro. Quem é ele? De onde vem? Para onde vai? E o que quer?"

• Pedro Lains, Passos Coelho e o futuro:
    'Não vale a pena falar nos homens do PSD que ajudaram a construir a vitória, nos tanques de pensamento e nos comentadores televisivos que estenderam o tapete vermelho, nem em reuniões desconhecidas entre grupos de interesse, de maçons ou outros. Vale a pena é falar no primeiro-ministro. Quem é ele? De onde vem? Para onde vai? E o que quer? Vale a pena porque nos ajuda a pensar melhor.

    Este exercício não é fútil no nosso sistema democrático, que, aliás, pouco se destaca na Europa. Por todo o lado são os futuros primeiros-ministros que fazem os cartazes eleitorais, que fazem as promessas. E, depois, são os primeiros-ministros que anunciam as grandes decisões, as grandes medidas, as ambicionadas soluções.

    Quem é Passos Coelho? Segundo se pode ler da parca informação conhecida, era um jovem que dinamizava grupos e era seguido. Um rapaz popular, um líder. Mas isso não chegava. Precisava de ideias.'

O que pode salvar o euro?

• Joseph E. Stiglitz, O que pode salvar o euro?:
    ‘A procura de uma resposta clara e simples remete-nos para as discussões que se seguiram às crises financeiras que eclodiram no mundo. Depois de cada crise, surge sempre uma explicação, explicação esta que cai por terra ou se revela inadequada sempre que surge outra crise. A crise na América Latina nos anos 80 foi provocada por empréstimos elevados; mas isso não explica a crise do México em 1994, atribuída ao baixo nível de poupanças. Em seguida veio a crise do leste asiático, uma região com um elevado nível de poupanças, sendo que a explicação foi atribuída aí à "governança." Mas isto também não fazia muito sentido, uma vez que os países escandinavos - países com a governança mais transparente do mundo - sofreram uma crise dias antes.

    E existe curiosamente um fio condutor que une todos estes casos e a crise de 2008: sectores financeiros mal comportados e incapazes de avaliar a credibilidade e gerir o risco como deviam.’

CDS-PP, o partido do contribuinte

• Santana Castilho, Era uma vez a confiança [hoje no Público]:
    ‘Tenho à minha frente duas cartas assinadas pela presidente do Conselho Directivo do Instituto da Segurança Social. Numa, a incompetente presidente comunica a um cidadão (a quem os serviços que dirige reconheceram, anteriormente, isenção legal de contribuir para a segurança social) que lhe foi fixada, oficiosamente, a obrigação de pagar, todos os meses, a quantia de 186,13 euros, por ter tido, em 2010, um rendimento de... 600 euros. Na outra, da mesma bestial natureza, outro cidadão (com actividade legalmente suspensa e reconhecida como tal pela repartição de finanças da sua residência) é informado que a brincadeira a que a senhora preside lhe fixou uma mensalidade de 124,09 euros, por ter tido, em 2010, um rendimento de... 3.975. A primeira vítima pagaria 2.233,56 euros, por ter ganho... 600. E a segunda pagaria 1.489,08, isto é, quase metade do que ganhou, o que, apesar de tudo, a torna credora da arbitrária generosidade oficiosa: 600 pagam 2.233,56, mas 3.975 "só" pagam 1.489,08. É público que foram emitidas milhares de cartas deste teor (outra, denunciada neste jornal, aplicava a mesma chapa de 186,13 euros a um falecido em 1998). Quando a leviandade desta sócia do CDS foi branqueada com uma referência simples "a erro que vai ser corrigido", foi-se, definitivamente, a confiança no ministro que a tutela, correligionário da mesma agremiação.’

♪ Natal (só até aos quatro anos?) [4]

        "Só há prenda para a mais nova, as outras já não são crianças. Os adultos este ano não têm presentes porque não há meios para isso".

        "Não me vou endividar para estimular a economia."


Ella Fitzgerald
Jingle Bells

Terça-feira, Dezembro 20, 2011

Boys, 1 – Troika, 0

São vários casos assim, como o da Parque Expo: promete-se extinguir a empresa pública, nomeia-se um novo conselho de administração e não se fala mais no assunto.

Hoje, vem à baila a extinção da Parpública. O spin governamental adoptou um novo estilo: contrariando o memorando da troika que obriga à dissolução, durante o corrente ano, da empresa que gere as participações do Estado, sabe-se agora que a Parpública não é extinta, nem está prevista a data da sua extinção — mas apenas que começa a ser extinta… daqui a dois anos.

O spin dos estarolas é extraordinário, não é? Imagine-se se tivessem uma central de comunicação...

Se... (indo os estarolas além da troika)

Se cada médico de família tem mais de 1000 doentes;
Se há um milhão de portugueses sem médico de família;
Se acabaram as horas extraordinárias; e
Se os estarolas pretendem que cada médico veja mais 20% de utentes...

... chegaremos ao valor notável de cerca de 6-minutos-6 por doente.

Mentira colossal



      ‘Se não tivéssemos feito isso [aplicar uma sobretaxa sobre o subsídio de Natal] nem sequer nos tinham deixado utilizar os fundos de pensões para pagar o défice.’
      ‘Foi necessário recorrer à sobretaxa sobre o subsidio de Natal deste ano para que o país desse um sinal claro de que pretende emendar as suas contas públicas e só nessa circunstância é que o triunvirato - o FMI e a União Europeia - aceitaram a receita extraordinária dos fundos de pensões.’

Depois de a troika ter desmentido Passos Coelho e Paulo Portas, é o próprio ministro das Finanças que tira hoje o tapete a Passos e a Portas, garantindo que o corte de metade do subsídio de Natal de 2011 foi uma opção do Governo” e não uma imposição da troika.

O primeiro-ministro e o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros podem mentir ao país e nada acontece?

Estarolas da São Caetano de São Bento orgulhosamente sós

Da série “A Fenomenologia do Ser”¹ [7]




Em geral pode superar-se a ignorância com estudo e a impreparação com trabalho. Já quanto às várias capacidades e limitações que cada um recebe da lotaria genética nada há a fazer. É o Ser ou o Nada. L'Être et le Néant.

Vem isto a propósito do vasto conjunto de declarações recentes de PPC. Dispenso-me de as citar para não contribuir para A Náusea.

São declarações que vão da ignorância pura e simples (por exemplo, sobre as reformas), à impreparação, (por exemplo, o excedente), e que terminam na mais completa irresponsabilidade (por exemplo, a emigração). A questão não está só no respectivo conteúdo – que ora é vulgar, ora expõe as limitações, digamos, assim, por piedade, políticas – mas no facto de revelarem uma personagem que manifestamente não está à altura nem do cargo nem das responsabilidades que lhe foram confiadas.

Aquilo que já era evidente para alguns desde há algum tempo tornou-se, subitamente, evidente para a maioria dos observadores.

É o primeiro resultado da nova política de comunicação do Governo.
    Afonso
________
¹ Obra filosófica que o actual primeiro-ministro afirmou ter lido na sua juventude, desde então, perdida.

BULLSHIT

      ... the essence of bullshit is not that it is false but that it is phony. (p. 47).


Título : Da treta. Título original : On bullshit
Autor : Harry G. Frankfurt
Género: Ensaio. Tradução : Piedade Pires. ISBN : 972-99829-1-0. Páginas : 80


Um guia para compreender melhor a persona (non grata) que actua como PM.
    Afonso

Para além de andar agarrado às saias da Sr.ª Merkel, que pensa o Governo sobre o que se passa na Europa?

Le Monde, amanhã

Miserável

Este escroque salazarento está no sítio certo, junto aos Relvas, Figueiras, Correias e essa cangalhada toda.

Candidato ao Prémio Pessoa 2012




Sobre o convite de Passos Coelho para que os professores emigrem, o licenciado em ciência política Miguel Relvas fez a seguinte declaração:
    “Quem tem uma visão conservadora e desadequada da realidade não consegue acompanhar aquele que é o sinal dos tempos. (…) [A emigração] faz parte da nossa história. A nossa cultura, a nossa tradição e a nossa história demonstram que sempre que temos uma visão universalista nós temos sucesso.”

Um primeiro-ministro (?) que faz uma perninha como angariador de seguros

Entregar o pote da segurança social aos bancos e às seguradoras


• J. A. Vieira da Silva e Pedro Marques, O primeiro-ministro não falou verdade sobre as pensões:
    ‘Se não fosse o desgraçado convite à emigração dos professores qualificados, o que teria sobrado de mais relevante da entrevista do primeiro-ministro (PM) neste fim-de-semana seria a declaração infundada de que as pensões daqui a 20 anos serão metade das anteriores à reforma da Segurança Social.

    Uma declaração tão pouco rigorosa seria normal em algum comentador político pouco informado. Seria ainda expectável nalgum gestor de fundos de pensões, com interesse económico evidente na matéria. Já é incompreensível, e grave, tanta falta de rigor e verdade num PM.

    Senão vejamos o relatório independente, mais recente e rigoroso sobre a reforma dos sistemas de Segurança Social é o Joint Report on Pensions, da Comissão Europeia, de Dezembro de 2010. No que respeita ao valor das pensões, o indicador mais utilizado é a taxa de substituição líquida, que corresponde à relação entre último salário líquido e primeira pensão. No caso português, aquele relatório indica que a evolução será de 90% para cerca de 70% ao longo de 40 anos. Este valor de cerca de 70% é também confirmado pela OCDE, no seu relatório Pensions at a Glance 2011, colocando-nos ligeiramente acima da média da OCDE (69,2%, contra 68,8%).

    Trata-se, portanto, de uma redução de menos de metade do valor referido pelo primeiro-ministro, e isto para uma pessoa que se reforme daqui a quase 40 anos, quando o PM dava o seu exemplo pessoal, de alguém que se reformará daqui a apenas 20 anos, caso em que os valores são muito mais favoráveis.

    E ignorando também totalmente que os trabalhadores podem anular estes efeitos, prolongando a sua carreira, com um benefício de 1% por cada mês de trabalho depois dos 65 anos (o melhor incentivo no quadro europeu), ou descontando um pouco mais, para sistemas públicos ou privados de poupança individual.

    A reforma portuguesa da Segurança Social retirou Portugal do grupo de alto risco nos sistemas de pensões europeus, dando segurança as portugueses quanto às suas pensões e garantindo o seu aumento real sustentável, em função da evolução das carreiras contributivas e dos salários.’

Política da droga (2)



Numa altura em que o Governo de direita desmantela o IDT - Instituto da Droga e da Toxicodependência, têm de vir estrangeiros pôr em relevo o que foi feito nos últimos anos. Richard Branson veio a Portugal e relata o que observou no seu site [chamada de atenção do Nuno].

"As coisas não são assim porque sim. Nem se resolvem assim porque alguém unilateralmente o decidiu"

• José Maria Brandão de Brito, Sei que não vou por aí:
    'Abomino o irracionalismo monetarista que tomou conta da Europa, da mesma forma que rejeito todos os fundamentalismos e todas as ideias absolutas, que não admitem nem contraditório nem alternativa.

    Rejeito o saber absoluto alardeado por Merkel, a troika ou Gaspar, como se não houvesse outro caminho e fossem eles os detentores da verdade. Como se a chanceler alemã não fosse uma das responsáveis pelos extremos a que chegámos e o nosso ministro das Finanças, concordante, onde uma diz mata ele diz esfola, não devesse tentar fazer mais, pelo País, do que o que a troika manda.'