No mesmo dia em que o ministro Paulo Portas se desdobrou em desmontar a tese da diplomacia do croquete em preparação do seminário diplomático da próxima quarta feira, o que o Governo fez ao Álvaro é elucidativo.
Toda a gente percebeu que o ministro da Economia não foi tido nem achado na privatização da EDP. Nunca soube de nada, não acompanhou o processo e não teve nenhuma da informação que circulou entre Vítor Gaspar, Passos Coelho/Miguel Relvas, a Parpública e a EDP. O ministro que tutela a energia e a indústria não teve qualquer voz nem nas questões do preço da venda da participação do Estado nem no projecto industrial dos concorrentes para a EDP — nem sequer nas contrapartidas que eram oferecidas para a economia portuguesa. E já nem o Governo disfarça muito: se bem se recordam, foi a secretária de Estado do Tesouro que esteve no briefing do Conselho de Ministros, sem a presença de nenhum membro do Governo da área da economia.
Ontem, então, foi a cereja em cima do bolo: a cerimónia importante foi realizada no Ministério das Finanças, quem falou foi o ministro Vítor Gaspar e o ministro Paulo Portas lá esteve a vincar quem manda na diplomacia económica. Depois, os chineses foram a São Bento e lá esteve também o ministro das Finanças. Por fim, houve o momento do croquete, num almoço no Hotel Tivoli e adivinhe-se quem o governo lá mandou... exactamente, o ministro Álvaro. A coisa foi de tal forma artificial e de circunstância que nem o secretário de Estado da Energia esteve presente. Mandaram o secretário de Estado dos Transportes tomar conta do Álvaro.
O ano está a acabar e se calhar é o momento apropriado para alguns ministros se questionarem se aquele apelo de Passos Coelho para a emigração não lhes é dirigido. É que parece.



































