segunda-feira, novembro 30, 2009
Da série "Claustrofobia Democrática" [3]
Um anónimo com H grande
Emissão de dívida pública…
… se foi pago com cartão de crédito.
Ai o rebuliço que seria se Sócrates tivesse reservado 22 quartos para duas noites no Hotel Cascais Mirage, a fim de aí pernoitar na companhia de “alguns dos seus colaboradores”, incluindo o mordomo.
Da série "Claustrofobia Democrática" [2]
Ao resto do País chegam, escassamente, as suas sábias palavras, nem que seja com uma semana de atraso, que isto da claustrofobia exige muitas manobras de dissimulação.
Felizmente que o Jornal de Negócios não cita todos os articulistas de província que escrevem exactamente o contrário de Henrique Neto - não haveria papel ou pixels que chegassem...
Bons ventos, agora ao contrário
Assim se vê a fama do CC [6]
José Ferreira Marques: «O Miguel Abrantes é visita de casa.
Miguel Morgado: «A ver — Pacheco Pereira sobre um certo "blogue" [sem link] (...).
Da série “Claustrofobia Democrática” [1]
A direita viu neste episódio a possibilidade de criar um caso. No meio das carpideiras do costume, uma lamúria prendeu-me a atenção: aquela em que se acusa o Diário Económico de se ter afastado da sua vocação de “jornal do capitalismo” para se transformar num “Pravda do regime, a juntar a uma colecção cada vez maior [sic].”
Fiquei de olho no jornal. Soube agora que, entre outros, são novos colunistas do jornal José Eduardo Moniz, que dispensa apresentação, e Paulo Marcelo, aquele membro da comissão política do PSD com nome de futebolista brasileiro do Paços de Ferreira. Os ayatollahs cá do burgo assim: não se ensaiam nada para emitir fatwas.
Alguém que põe os pontos nos is
Que existe um alvo a abater já tínhamos percebido há muito tempo. Que isso seja dito de uma forma tão franca é a grande novidade
Assim se vê a fama do CC [5 - edição especial para analfabetos]
Planeta 51
Assim se vê a fama do CC [4]
Valupi: «Se entendi correctamente o libelo, este blogue atenta contra o fôlego democrático porque é bom demais. E se é bom demais… qualidade tamanha só pode significar uma coisa: anda ali mão do Governo. Os pressupostos pachequianos não enganam nem se enganam, qualquer actividade que sobressaia e paire acima da média não é natural – é marosca do Engenheiro. Por mim, acredito.
domingo, novembro 29, 2009
Leituras
- • Emídio Rangel, Oposição brincalhona
• Fernanda Palma, Conservação de escutas
• Ferreira Fernandes, O desbragado do Churchill nunca foi escutado?
• Paulo Baldaia, Governo ou Executivo?
• Pedro Adão e Silva, Juntos, contra
Mais uma oportunidade perdida
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A entrevista também pode ser ouvida no Rádio Clube Português, uma emissora da Media Capital, que é controlada pelos amigos socialistas da Prisa...
Reverentes, reverentes sim
E tiveram resposta: a ausência do Presidente teve a ver com "compromissos de agenda anteriormente assumidos". Quais? O Público não perguntou. Esquecimento, certamente.
Da série "Frases que impõem respeito"™ [384]
- ‘Isto faz-me lembrar o Maradona, que jogava muito bem, mas levava porrada porque tinha uma forma muito irritante de fintar, ridicularizava os adversários, isso enervava. O Sócrates é assim. É muito bom naquilo que faz e irrita muito, ficam furiosos. O Sócrates suscita nos adversários uma raiva. ’
- Mário Lino, entrevista ao Económico (28.11.09)
sábado, novembro 28, 2009
Vidas com história, proposta de reportagem magazinesca
Estas reportagens sobre casos de vida, em tom magazinesco, ficam sempre bem ao fim-de-semana. E Paulo Pinto de Albuquerque já merece. Tem-se esforçado tanto...
Estas mentes que nos "informam" [2]
Um dia destes, explicava Miguel Sousa Tavares, na TVI, que as escutas às conversas entre José Sócrates e Armando Vara, por serem ilegais, não deveriam ser divulgadas.
"Conversas privadas", insistia MST, enquanto alertava para os perigos que adviriam para a democracia da divulgação pública de conversas privadas.
Foi nessa altura que o pivô, Pedro Pinto, o interrompeu:
- - Mas ó Miguel, conversas privadas? Trata-se de conversas entre um primeiro-ministro e o administrador de um banco público...
O 25 de Abril e o cavaquismo¹
Eu sei que Cavaco cantarolou Grândola, Vila Morena na campanha presidencial, mas isso foi tudo na reinação. Pedir agora ao Presidente da República para presidir ao colóquio promovido para assinalar o décimo aniversário da morte de Melo Antunes é pedir-lhe o impossível. Se os organizadores da homenagem à personalidade maior do 25 de Abril lessem as Selecções Reader’s Digest, teriam tido ocasião de se aconselhar com Pacheco Pereira: “O 25 de Abril termina com o cavaquismo.” A gente sabia, mas as confissões são mais saborosas.
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¹ Post com o alto patrocínio das Selecções Reader’s Digest, que constam dos disputados arquivos da casa.
sexta-feira, novembro 27, 2009
Isto não vai acabar bem [Nova série – 18]
Bacelar Gouveia diz querer acabar com as práticas “de sindicatos de voto” na distrital de Lisboa do PSD; Carlos Carreiras, que se recandidata, responde que os responsáveis por essas “más práticas” são os apoiantes do primeiro. E o actual presidente da distrital vai mais longe: “Eu não tenho nenhum saco de votos. Mas se a questão fosse essa — e foi uma indução pouco frontal —, a verdade é que foram os mesmos sacos de votos que elegeram a doutora Manuela Ferreira Leite presidente do partido e presidente da distrital de Lisboa”.
Com efeito, na apresentação da candidatura de Bacelar Gouveia, estiveram, entre outros, Helena Lopes da Costa e António Preto, arguidos em processos judiciais. Nada que incomode Pacheco Pereira, que foi apoiá-lo, dizendo ser “o exemplo da renovação de que o partido precisa”, sublinhando que o PSD necessita de ter à frente das suas estruturas “pessoas que tenham um prestígio social e profissional, para fora do partido”.
Como é sabido, Bacelar Gouveia é um santanista de sempre, tendo sido o mandatário da recente candidatura (derrotada) de Santana Lopes à Câmara de Lisboa — a mesma que levou Pacheco Pereira a transferir o seu recenseamento para Rio Maior, para não votar em Santana Lopes.
O leitor está a conseguir acompanhar as movimentações no seio do PSD, em particular a autobadalada coerência de Pacheco Pereira?
Assim se vê a fama do CC [3]
r: «Não quero acreditar que Pacheco Pereira, quando produz acusações desta natureza – “ desinformação, selvajaria na blogosfera e nos comentários dos sites - queira ou sugira voltar aos tempos da censura. Mas que parece, lá isso parece.
Filipe Nunes Vicente: «[Valupi]costuma fazer uma boa análise quando não está chamar nomes a toda a gente (privilégios do anonimato). É mais sólido e completo do que o Câmara Corporativa ( que se reduz muito a legislação e interpretação) e menos preso à lalangue modernaça do que o Jugular.
Estratégia de Lisboa: educação e formação
Na realidade, não há qualquer surpresa nesta informação, uma vez que se para muitos países os cinco objectivos fixados para 2010 (reduzir a 10% ou menos o abandono escolar; reduzir em pelo menos 20% os jovens com mau desempenho em literacia; fazer as taxas de conclusão do secundário atingir os 85%; aumentar em pelo menos 15% os licenciados nas áreas da matemática, da ciência e da tecnologia; fazer com que 12,5% da população adulta participe em acções de aprendizagem ao longo da vida) seriam (era há muito sabido) sempre difíceis de atingir (exceptuando o relativo aos licenciados nas áreas da matemática, da ciência e da tecnologia, que foi alcançado), para Portugal seriam, na sua maioria, praticamente impossíveis – realidade que notícia ignora por completo.
Mais importante, por isso, é saber como evoluiu o desempenho de Portugal nestes indicadores. Ora, os quadros seguintes mostram como Portugal está, em quatro dos cinco indicadores, num processo de franca recuperação (procurar o ponto PT no quadrante “catching up”). No outro indicador (licenciados nas áreas da matemática, da ciência e da tecnologia), Portugal está bem colocado e tem cimentado a sua posição de liderança (foi, entre 2000 e 2006, o país que mais cresceu na percentagem de jovens licenciados nas áreas da matemática, ciência e tecnologia).
Viagens na Minha Terra
- • João Pinto e Castro, O endividamento explicado às crianças
• Tiago Tibúrcio, Presunções
• Vital Moreira, Dúvida
• Val, Às armas
• jmf, Preliminares
• Miguel Marujo, O segundo parágrafo (revisitado)
• João Galamba, Aguentem aí os cavalos
• f., trigo roxo
• Isabel Moreira, Parece que temos mais uma "agenda escondida"
• António P., O jornalismo de investigação é muito caro e as empregadas de limpeza dos Tribunais são mais baratas
• Lutz Brückelmann, Investigue-se!
• Miguel Carvalho, Portugal com subidas muito acima da média na Educação
• Paulo Pedroso, Sobre respeito pela separação de poderes por parte do sindicato dos juízes, estamos conversados
• O Jumento, Escutas
• Pedro Marques Lopes, Não sei mesmo
• Ricardo Sardo, Sindicalismo radical
• Tiago Tibúrcio, Pedrgulhos
• Val, Espionagem política – III e IV
• Vital Moreira, Elucidativo
• Sofia Loureiro dos Santos, Credibilidade informativa
• João Galamba, Uma pergunta que faz todo o sentido
• Paulo Pedroso, O voyeurismo manhoso e a baixa política
• Mário Lino, Uma escola pública mais qualificada
• Miguel Marujo, Transparências
• Vital Moreira, Um pouco de direito constitucional
Assim se vê a fama do CC [2]
Mais contributos para a suspensão da democracia por seis meses
Esta semana ficou marcada por duas declarações que, pela sua gravidade, vale a pena recuperar. Primeiro, foi Jerónimo de Sousa que, referindo-se às escutas ilegais a Sócrates, defendeu que “seria muito grave que quaisquer formalismos legais determinassem a anulação definitiva de matéria de prova” e que se devia procurar manter “essas provas para processos futuros”. Depois, o inefável Aguiar Branco veio cobrir a parada do secretário-geral do PCP, sustentando que “ninguém é obrigado a aceitar um cargo político”, mas que, ao assumi-lo, “aceita o escrutínio das suas conversas”.
Tinha-me escapado a declaração de Jerónimo. Mas é também para isso que servem os artigos de opinião. Com efeito, este é o tema da crónica de hoje de Pedro Adão e Silva no i: O Gulag pode ser aqui.
Assim se vê a fama do CC [1]
Eduardo Pitta: «Eu conheço o Miguel Abrantes e posso garantir que ele é uma pessoa.
Ana Vidigal: «Cuidado com o "blog mau"!
Cylon: «Como parece encher de raiva o mesquinho e ordinário Pacheco Pereira - diz que quem escreve aquilo é um membro do governo, que passa a vida a defender o PS -, ao ponto de este lhe dedicar a edição do seu programa na SIC, é porque deve ser bom. Recomenda-se vivamente.
Luís M. Jorge: «Nesse jantar não tive o prazer de encontrar alguém que respondesse pelo nome de Miguel Abrantes - a menos que a memória me escape, coisa sempre possível dada a abundância das minhas incursões na restauração.
quinta-feira, novembro 26, 2009
Implosão “em tempo real” na Quadratura
A despeito de vir a rebolar para a direita há muitos anos, Pacheco Pereira tinha um capital político invejável, que resultava de não ter cedido em questões de princípio: a sua oposição a processos de intenção, a sua defesa intransigente do Estado de direito.
Com a entrada de Manuela Ferreira Leite na São Caetano, encontramos, de um dia para o outro, um Pacheco Pereira que renega tudo o que anteriormente defendia: a sua política faz-se agora apenas através de processos de intenção; meio atordoado, exige que o Estado de direito seja deixado de pousio para alçar o PSD a São Bento.
Estas cambalhotas, quando estão em causa questões de princípio, costumam ser mortais — politicamente falando, claro.
O PCP por quem o conhece por dentro
O interesse social (democrata) das escutas ou a velha luta da ciência (jurídica) contra o charlatanismo
Com uma argumentação que faria corar de vergonha qualquer mediano estudante de Direito, Albuquerque tem sido sempre apresentado pelos media como “académico”. Hoje, percebe-se melhor o que o move: o ex-juiz é militante do PSD e candidata-se a vice-presidente da distrital de Lisboa do PSD, essa estrutura de má fama na qual decorre (?) um processo de averiguações para apurar a existência de pagamentos a “militantes” nas eleições internas. Entre os apoiantes de Albuquerque, estão António Preto e Helena Lopes da Costa, para só falar nos que têm andado ultimamente nas bocas do mundo. Estamos conversados, não?
Da série "Frases que impõem respeito"™ [383]
- ‘Quando aceitamos um cargo político, aceitamos o escrutínio das nossas palavras, das nossas conversas. ’
- José Pedro Aguiar-Branco, nas jornadas parlamentares do PSD
Leituras
- ‘Notoriamente, a senhora não estava moldada para as peripécias em que se viu envolvida. O Pacheco Pereira, seu mentor e condestável, defendia o nada como única realidade, e outros apaniguados, na vã esperança de obterem uma qualquer mantença, foram-lhe no encalço, com jubiloso alvoroço.
(…)
A dr.ª Manuela Ferreira Leite suscita a minha compaixão porque se condenou a sofrer humilhações e vexames inomináveis. Mas a verdade é que essas violências, simbólicas e reais, ilustram a história do PSD.’
- ‘Extraordinário seria que as pessoas exigissem factos antes de acreditar. Mas olhem à volta, leiam, ouçam - o normal é suspeitar. E isso tem-nos bastado.’
- ‘(…) os dados não estão todos lançados. Falta cuidar da estratégia de saída.’
quarta-feira, novembro 25, 2009
Acima dos partidos e da luta partidária
O Presidente da República procedeu hoje a uma mini-remodelação em Belém. Quando se esperaria que Cavaco removesse definitivamente Fernando Lima, eis que Cavaco estraga com mimos o operacional da inventona das escutas.
Mas as surpresas não ficaram por aqui. O Presidente de todos os portugueses continua a recrutar os seus assessores no PSD. Agora, foi buscar Ana Zita Gomes para assessora de imprensa. Veja-se o que consta do curriculum¹ da jovem Ana Zita (cuja profissão é, segundo diz, “assessora”) e que faz da ex-deputada do PSD boa moeda:
- • Deputada à Assembleia da República;
• Vereadora da Câmara Municipal de Lisboa (em substituição);
• Secretária Geral da JSD;
• Presidente do Congresso Nacional da JSD;
• Directora de Informação da JSD;
• Conselheira Nacional do PSD;
• Membro da Direcção da Associação de Estudantes do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.
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¹ Arquivo da Assembleia da República vasculhado pelo CC.
Asfixia democrática…
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¹ Descaradamente plagiado daqui.
Mudança de epígrafe
Suponho que ninguém levará a mal que faça, agora, publicidade ao próprio CC, sublinhando que se trata de um blogue recomendado por José Pacheco Pereira.
O elogio ao trabalho, feito por Pacheco Pereira, é reconfortante, mais ainda por vir de alguém que não é seguramente um exemplo nessa matéria, quer em termos académicos, quer até em termos blogosféricos. E o CC, ao destacar o elogio que nos chega da Marmeleira, está também implicitamente a homenagear os seus próprios leitores, que não se limitam a um envio, a modos que burocrático, de fotografias do banco do jardim de Santo Amaro.
Estas mentes que nos "informam" [1]
E a decência?
O delito de opinião segundo Pacheco¹
- ‘Tudo na longa manutenção de prisão preventiva de Mário Machado é estranho e aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia.’
- Pacheco Pereira entre átomos e bits
Compreendendo embora o afecto do filósofo da Marmeleira pelo líder dos skinheads, a verdade é que Pacheco tem um problema complicado com a realidade.
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¹ Não lhe chamaria arquivo, mas memória.
A ignorância da apologia [2]
Acontece que não resulta das recentes violações do segredo de justiça — partindo do pressuposto de que não estamos em presença de mais um mero caso de envenenamento da opinião pública — uma apreciação diferente do casal Moniz/Guedes da que Sócrates já dera na entrevista à RTP: é “evidente que o casal não era do agrado do primeiro-ministro José Sócrates”. Tratando-se de uma conversa privada entre duas pessoas que eram amigas, é de admitir que o primeiro-ministro não se tenha referido à Sr.ª Guedes nestes exactos termos: — Ó Armando, confesso humildemente que não tenho pela Sr.ª D. Manuela uma elevada estima pessoal.
O assunto morre aqui. Porque se trata de uma conversa privada. E porque a lei não permite que, sem autorização do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, sejam escutados o presidente da República, o presidente da Assembleia da República e o primeiro-ministro.
Que tem isto tem a ver com o envolvimento de Paulo Portas no processo da Universidade Moderna? Para os mais desmemoriados, é bom recordar (por exemplo, aqui e aqui) como as peripécias do ex-ministro da Defesa foram convertidas, através de um artifício, num crime semipúblico, que, segundo o próprio magistrado do Ministério Público, que logo a seguir aparece como alto quadro dos CTT, "poderiam integrar, muito em abstracto, a prática do crime de infidelidade, previsto e punível pelo artigo 224 do Código Penal". Crime semipúblico que exigiria apresentação de queixa por parte dos sócios da Amostra, por acaso subalternos de Portas. Foi por isto que a coisa morreu, assim, ali (em termos jurídicos).
Não é preciso andar anos a fio a coçar-se pelos Passos Perdidos para perceber que o cu não tem nada a ver com as calças.
terça-feira, novembro 24, 2009
Todos aos abrigos nucleares
Como se prepara a opinião pública [2]
- ‘"O CSM informa [de] que o juiz de instrução criminal de Aveiro António Costa Gomes comunicou que é falsa a notícia veiculada pela comunicação social no passado fim de semana, segundo a qual aquele juiz se teria recusado a cumprir a decisão do presidente do Supremo Tribunal de Justiça no âmbito do chamado processo Face Oculta", disse hoje aos jornalistas o vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM), Ferreira Girão.’
Da série "Frases que impõem respeito"™ [382]
- ‘Acho que o PSD faz falta e que se deve ajudar’.
- Mário Soares, quando questionado acerca do artigo hoje publicado no DN
A ignorância da apologia
Isto não vai acabar bem [Nova série – 17]
• Síntese das jornadas parlamentares do PSD:
- «“Não estamos aqui para cumprir os mínimos. Que ninguém espere isso de nós. Neste período tão difícil para o país, temos de fazer a diferença”, avisou [Aguiar Branco]. Nessa altura, na sala, estavam presentes cerca de metade dos deputados eleitos. De Manuela Ferreira Leite, nem rasto. A líder só chegaria pela hora do jantar (…).»
- Do Porto a Lisboa, de Setúbal a Braga, passando pela Guarda e por outras distritais, o país laranja quer apressar o enterro da testa-de-ferro de Pacheco na conspiração contra Menezes. Para o pequeno baronato, o PSD está “moribundo” (Marco António, que nos chega do Porto) ou mesmo “órfão” (Bruno Vitorino, a voz de Setúbal), sendo preciso “acordar Ferreira Leite e fazê-la ver o mal que estar a fazer ao partido”.
- ‘(…) o caos que se instalou no PSD – um partido sem liderança efectiva, movido por pequenos ódios e enrodilhado nas mais inverosímeis intrigas, que parece ter como principal objectivo transformar-se naquilo que já é: uma agremiação inútil de figuras menores, de ambições miúdas e de improváveis vaidades. Encontrar um chefe, no meio desta balbúrdia institucionalizada, é naturalmente um feito impossível de concretizar. Só por milagre. E mesmo assim!’
Viagens recentes ao Aspirina B (que faz quatro anos)
Justiça à moda de Aveiro
segunda-feira, novembro 23, 2009
Isto não vai acabar bem [Nova série – 16]
Parece que não há um só assunto sobre o qual o PSD — leia-se, a elite — tenha uma posição única. A própria Dr.ª Manuela vacila entre as posições bushianas de Pacheco e os artifícios gelatinosos de Marcelo. Até quanto à data e aos preparativos para embalsamar a dita senhora, há divergências não negligenciáveis.
Perante o caos instalado, o pequeno baronato encheu-se de brios, saiu à rua e anda por aí à solta. Que ninguém se esqueça que Marco António, reeleito há dias com 98 por cento dos votos, é o lídimo chefe da maior e mais influente distrital do PSD. Isto deve querer dizer alguma coisa.
Coisas do outro mundo
- • ‘joaopcastro: Sugestão: Pq é que a SIC-N não experimenta juntar Medina Carreira, Pacheco Pereira e Rui Santos no mesmo programa? Título: "Nó Cego".’
• ‘pedro_sales: Alguém achou por bem que eu devia seguir a desgraça com 2 pernas que assina tuga dos pequeninos. Aviso à navegação. Não percam tempo com isso’.
• ‘JMF1957: Uma das razões por que a Justiça está como está são as leis que saiem [sic] da Assembleia. Como a última alteração do Processo Penal’.
Alienação total
Quem não tem cão caça com gato
Atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher
1. Não, João, o pequeno grande arquitecto já havia contado, há uns largos meses, esta estória, estava a campanha do Freeport no auge. E já então ele dizia que o caso se tinha passado há muito tempo.
2. O pequeno Saraiva recuperou-a agora, o que faz supor que estão a esgotar-se as munições da campanha. Mas houve uma pequena alteração no guião da estória: antes jurava a pés juntos que Vara era alheio à tramóia; agora, diz o contrário, o que revela a consistência da coisa.
3. Mas o que é verdadeiramente espantoso na entrevista do Correio da Manha é o pormenor de Saraiva afirmar que o Sol foi comprado por “angolanos” e o entrevistador não se dar ao trabalho de querer saber que raio de misteriosos “angolanos” são esses que suportam, na hora actual, a campanha negra.
Um ponto que é um nó cego
Na última edição da homilia que Balsemão lhe arranjou na SIC Notícias [o vídeo deve estar disponível por aqui nos próximos dias], Pacheco Pereira dedicou espaço nobre ao Câmara Corporativa.
A avaliar pelos erros de análise ao CC, deixem o PSD entregue ao homem e vão ver onde vão parar...
Café Helena, autocarro Matos
Helena Matos é "o café" e "o autocarro" em que Manuela Ferreira Leite passa antes de ir para o Parlamento.
O Sol encoberto
Isto vem o dizer agora o director do Sol.
Estranho é que, tendo à disposição as páginas do seu próprio jornal, e tendo a oportunidade de, com a publicação da história, tentar influenciar os dois actos eleitorais referidos, não o tenha feito. Muito estranho mesmo...
Um caso para a psicanálise
domingo, novembro 22, 2009
Da série "Frases que impõem respeito"™ [381]
- ‘Há uma estranha coincidência entre os ritmos eleitoral e de investigação’.
- João Correia, secretário de Estado da Justiça, ao DN, a propósito do processo Freeport
‘Validar escutas ilegais e não controlar o segredo de Justiça, isso sim, compromete a investigação’
- ‘A competência do presidente do Supremo abrange os casos em que as referidas entidades são só parceiros de conversa. Não há nenhuma razão para outra solução. A única particularidade resulta da impossibilidade de autorização prévia do presidente do Supremo quanto a escutas fortuitas. Mas persiste a sua competência para determinar a transcrição ou a destruição dos elementos que lhe devem remeter, à luz de uma norma especial que prevalece sobre as restantes.
Em teoria, subsiste o problema de saber se, durante uma escuta ilegal, surgirem indícios da prática de um crime, eles podem ser utilizados como prova. Esse é um problema comum a qualquer escuta ilegal, ao qual se dá sempre uma resposta negativa, sob pena de se pactuar com atropelos de direitos fundamentais. Por isso, o artigo 125º do CPP determina que as provas que impliquem violação desses direitos sejam nulas e não possam ser utilizadas.
Este regime vale para crimes que podem ser, em abstracto, objecto de escutas. Os conhecimentos fortuitos só podem ser utilizados se a escuta for legal, o crime a investigar a admitir e for indispensável para a prova, como dispõe o artigo 187º do CPP. Nada disto significa uma ponte para a impunidade, porque é sempre possível desencadear uma investigação contra quem é suspeito.
Validar escutas ilegais e não controlar o segredo de Justiça, isso sim, compromete a investigação.’
¹ Professora Catedrática de Direito Penal.
Como se prepara a opinião pública
• Ferreira Fernandes, Resolvido O Caso do Microfone Direccionado:
- ‘Os estucadores estendem as suas invenções na talocha e com a colher atiram argamassa, só um bocadinho de cada vez, a ver se pega. Há-de pegar, porque eles sabem do que a casa gasta. Dez mil euros, microfones direccionais, raio de acção de 40 metros... - os jornalistas adoram pormenores. Isca engolida, há que manter as doses: dia sim, dia não, mais uma colherada. Nesta fase, um processo é como na maionese, não se pode parar. Bem servidos, há sempre jornalistas que comem tudo. Um dia, no caso da Joana, aquela menina algarvia que desapareceu, uma jornalista contou as últimas palavras da menina, atirada contra a parede... Em tribunal, o desaparecimento ficou nebuloso, só houve condenações porque houve confissões logo desmentidas, nada se soube e sabe do que aconteceu. Mas as últimas palavras da Joana ficaram preto no branco...
Voltando ao meu processo. A 5 de Novembro, havia gravações de Vara a pedir dez mil euros. Hoje, sabe-se que nunca houve gravações. A minha sentença: há investigadores e/ou jornalistas mentirosos no Caso das Falsas Gravações de Vara dos Dez Mil Euros. São curtas as conclusões do meu processo, mas têm o mérito de se basearem em factos.’
Leituras
- ‘Quem poderá confiar em gente que nada tem a propor senão o caos? Gente que acha que a luta política se pode basear numas conversetas privadas e em descobrir quem é amigo de quem. Gente que besunta a política de intriga e insultos.’
- ‘Enquanto o país brama contra a justiça e a corrupção (os jornais de ontem só quase falavam disso), no centro do regime, o PSD apodrece. A derrota eleitoral e a permanência de Ferreira Leite não contribuíram, como era de prever, para uma transição regular e ordeira. Pelo contrário. A intriga ferve por toda a parte: nas distritais, no Parlamento, na direcção. Personagens completamente desconhecidas vieram à superfície na sopa turva de uma guerra civil interminável, enquanto diariamente se fazem e desfazem alianças sem programa, nem propósito e no Instituto Sá Carneiro (pobre Sá Carneiro) algumas criaturas de outro mundo se preparam para descobrir o qual é afinal a verdadeira "identidade" do partido. Não se consegue imaginar uma situação mais catastrófica.’
A palavra aos leitores
- '1 – Ainda os trabalhadores não tinham chegado para o plenário e já a eurodeputada distribuia comunicados: nada de aprovar o que quer que seja, a culpa é do governo e idem da câmara – mas a imprensa destacada para o local não viu nem ouviu e os trabalhadores não ligaram ...
2 – O “jornal i” mais do que garante que Marcelo Rebelo de Sousa já aceitou ser líder do PSD a partir de Janeiro – mas nada disse da próxima prédica dominical do Professor, nem das questões que a “moderadora” poderá colocar sobre a tal grantia, nem do futuro propagandístico do candidato a expensas da RTP 1, ou seja, do erário público ...
3 – Grande alarido matinal na diversa comunicação social a propósito de papelada que apareceu nas costas do Tribunal de Justiça de Lisboa, coisa visto isso ilegal que também transgride a confidencialidade de processos e direitos de pessoas – alarido que não deu para saber se havia gente a ver-se ao espelho, se era anedota para rir, se anda alguém a tratar-nos como idiotas desmiolados ...
4 – Um dia depois de diversa comunicação social ter noticiado a acusação de que Oliveira e Costa iria ser alvo, o Ministério Público notificou o homem daquilo que já era sabido – e sobre a violação do segredo de justiça e a promiscuidade entre justiceiros e jornaleiros, nada...
5 – Finalmente sabemos das verdadeiras razões de tanta acutilância jornalística: é de interesse público denunciar quem se recusa a pagar as dívidas de jornais e revistas, até porque malvadez de espécies que nasceram na província (que não abrange o distrito de Leiria onde nasceu António José Saraiva) e subiram ao poder em vez dos amigalhaços com quem se almoça e janta - espécies essas tão provincianas quanto, imagine-se, Álvaro Costa Leite, Américo Amorim, Belmiro de Azevedo, Henrique Neto, Ilídio Pinho, Ludgero Marques, Rui Nabeiro e tantos outros...
6 – O arquitecto José António Saraiva, director do Sol, disse à TSF, pelas 13 horas e 59 minutos do passado dia 20, que um fulano próximo de Sórates se oferecera para ajudar ao pagamento das dívidas do jornal, contra o abafamento de noticiário lesivo do Primeiro-Ministro - cena de que absolveu Armando Vara ...
O mesmo arquitecto, em entrevista concedida ao Correio da Manhã, disse que essa oferta fora feita por dois indivíduos e que o pagamento poderia passar pelo Armanda Vara que no BCP cuidava do crédito concedido ao mesmo jornal ...
Que vale este duplo depoimento – que primeiro fala de um e depois de dois “negociantes”, que no princípio absolve Vara e depois incrimina Vara?
Isto diz de pessoas? De carácter? De jornalismo?...'
sábado, novembro 21, 2009
Recados para dentro
Isto é o Daniel, antes de mais, a enviar recados para o Bloco de Esquerda, que não parece querer dar-lhe ouvidos.
Baço
- ‘A escolha de Herman Van Rompuy e Catherine Ashton não deveria surpreender ninguém que acompanhe a União nos últimos anos. Já de há muito tempo que os chefes de governo aceitam apenas como perfil dos cargos liderantes da União personalidades desconhecidas, baças, que em nenhuma circunstância têm força e autoridade política próprias para empalidecerem a sua igualmente frágil liderança política.’
- Pacheco Pereira, na edição de hoje do Público
Leituras
- ‘A verdade é que a polícia, o Ministério Público e o juiz de Instrução que participaram na intercepção, gravação e transcrição das escutas em que interveio o primeiro-ministro, agiram e continuam a agir na violação reiterada da Lei e contra os princípios do Estado de Direito. Deixemo-nos de rodriguinhos jurídicos com que alguns juristas disfarçam a sua militância política, citando a Lei: "Compete ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça... autorizar a intercepção, a gravação e a transcrição de conversações ou comunicações em que intervenham o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República ou o primeiro-ministro e determinar a respectiva destruição..." (artigo 11º do Código de Processo Penal)
Qualquer cidadão dotado de literacia mediana não terá dúvidas quanto ao sentido da lei, tão clara é a sua expressão: não é apenas a colocação em escuta dos telefones dos titulares dos órgãos de soberania visados na lei que exige autorização do presidente do STJ. Essa autorização é exigida quanto à "intercepção, gravação e transcrição" de conversas em que "intervenham" o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República e o primeiro-ministro. E não se pense que só estes titulares de órgãos de soberania estão sujeitos a regras especiais. Estão-no também os próprios magistrados.
Resulta, portanto, da Lei, que logo que uma conversa em que intervenha o primeiro-ministro seja interceptada, não pode a mesma ser mantida, sendo proibida a sua transcrição, sem autorização do presidente do Supremo. Sendo também este magistrado o único competente para apreciar em definitivo se a conversa contém prova de crime imputável ao primeiro-ministro. Ora, as autoridades que dirigem o Inquérito, usurpando a competência do presidente do Supremo, permitiram-se manter em seu poder escutas em que interveio o primeiro-ministro, durante vários meses, continuando a gravá-las, sem o consentimento da autoridade competente. A lei é também clara ao considerar como crime a intercepção, gravação ou mera tomada de conhecimento do conteúdo de conversas telefónicas sem consentimento. (artº 194º Nº 2 do Código Penal).
Tarde e a más horas, as escutas chegaram ao PGR e ao presidente do Supremo; ambos consideraram que não existem indícios de crime e o segundo considerou-as nulas e ordenou a sua destruição. Ao que diz a comunicação social, a ordem do presidente do Supremo continua por cumprir. Não é isto a subversão do Estado de Direito? Polícias, agentes do M.P. e um juiz que actuam contra a lei e não cumprem uma decisão do presidente do Supremo?
É claro que a prática destas ilegalidades conduziu a outro crime que diariamente é praticado na mais absoluta impunidade: o crime de violação do segredo de justiça. Os jornalistas cúmplices neste tipo de criminalidade já divulgaram alegados tópicos das conversas criminosamente guardadas e não tardará que apareçam as suas transcrições, obviamente por motivos de ordem política. O sistema de justiça afunda-se neste lamaçal arrastando na enxurrada a já pouca credibilidade do regime.
Isto foi possível em resultado da opacidade do sistema de justiça. Todos nós conhecemos os actores políticos, os seus percursos, as ideias que professam, os seus comportamentos políticos; e, muito importante, exercem o poder com base no voto popular, que é a regra da democracia. Que sabemos nós dos detentores do poder judiciário? Por onde andaram, que ideias políticas professam? E a pergunta fatal: qual a raiz do seu poder soberano? Com que legitimidade o exercem? Esta é a questão crucial com que, mais dia, menos dia, teremos de confrontar-nos.’
- ‘(...) é necessário que nos libertemos dos que, enquanto se entretêm a repetir que o cenário é negro, não conseguem vislumbrar nenhum caminho.’
sexta-feira, novembro 20, 2009
Os ficheiros da Marmeleira
A propósito de claustrofobia democrática¹
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¹ Título do post do PAS sobre a mesma intolerável situação.
Notícias sobre o Face Oculta? É só dividir por dez
Caução milionária para Penedos
Paulo Penedos, filho do presidente do conselho de administração da REN, alega que está na falência. A informação de que está afogado em dívidas foi dada pelo seu advogado, anteontem, ao juiz de instrução de Aveiro, depois de o Ministério Público ter proposto que lhe fosse aplicada uma caução de 250 mil euros.
A "realidade":
Paulo Penedos pode continuar a falar com o pai
O arguido do processo 'Face Oculta' Paulo Penedos pode continuar a falar com o pai, apesar dos dois estarem envolvidos no processo 'Face Oculta'. O Tribunal de Aveiro deu esta sexta-feira a conhecer as medidas de coacção do advogado.
Paulo Penedos está acusado de um crime de tráfico de influências e ficou sujeito às seguintes medidas de coacção: pagamento de uma caução de 25 mil euros, proibição de contactar com os restantes arguidos, à excepção do pai, José Penedos, proibição de contacar com funcionários da REN e de entrar nas instalações da referida empresa.
Quem se mete com as corporações, leva...
- ‘O Sporting tem sido prejudicado. Os árbitros e as estruturas da arbitragem não perdoam ao Sporting ter denunciado o chamado “sistema”. Ninguém me pode tirar o sentimento de que existe uma atitude corporativa por parte dos árbitros em relação ao Sporting. Não sei se é uma reacção consciente ou não — espero que não —, mas que se sente isso no clube, sente.’
- Entrevista de Miguel Ribeiro Telles à Tabu
Estará a oposição distraída?
Leituras
- • Daniel Amaral, A queda do dólar
• Fernanda Câncio, Eu, abaixo assinada, deploro
• Paul Krugman, Um mundo desequilibrado
• Pedro Adão e Silva, Exemplos
Pequeno contributo para futuras reportagens sobre os bastidores das pequenas e grandes empresas nacionais
quinta-feira, novembro 19, 2009
Isto já não vai lá com debate
Pacheco Pereira está calmamente, na Quadratura do Círculo, a explicar como as regras do Estado de Direito são um empecilho ao debate político.
Críticos de TV zarolhos
O Telejornal de hoje começou com aquilo a que, na gíria televisiva, se chama "falsa abertura": mostrou a chegada a Lisboa da Selecção Nacional (1 minuto), tema a que regressaria mais tarde, e depois foi ao que interessa - o proposta de alteração do Orçamento do Estado. Na SIC e na TVI, a abertura foi com o OE.
Os censores de serviço estavam atentos - lá está a RTP a fazer o frete ao Governo!
Atentem na notícia que aqui se reproduz (DN, 13.11.09) - a RTP1 (descontemos a RTP2...) deu sensivelmente o mesmo tempo e o mesmo número de notícias que a SIC e a TVI acerca do caso Face Oculta (e é pena a notícia não contabilizar as aberturas). Tudo para agradar ao Governo, certamente.
Um exemplo, por favor
“Artigo 377º-A
Enriquecimento Ilícito
2 – Se o enriquecimento previsto no número anterior, resultar de vantagens obtidas pela prática de crimes cometidos no exercício das suas funções públicas o agente será punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.”
- Projecto de lei do BE (com a sintaxe intacta)
Um reconhecimento prévio: o anúncio de que o BE apresentara uma nova iniciativa sobre o crime de enriquecimento ilícito foi hábil. Conforme foi divulgado pelo Público, ficou a ideia de que o BE teria dedicado os últimos tempos a construir uma solução jurídica que configurasse este novo crime de forma a não violar o princípio da não inversão do ónus da prova.
Vai-se a ver e o projecto de lei agora apresentado (o PJL 43/XI) é exactamente o mesmo que fora apresentado pelo BE na anterior legislatura (o 769/X).
Adiante. Admitindo, porém, que todos os contributos para este debate são positivos, há, pelo menos, duas questões que carecem de resposta clara.
A primeira pergunta que moscarda o espírito é que ilícitos podem estar aqui incluídos? São os crimes que já constam do Código Penal? Se assim for, existe alguma vantagem nesta estranha criminalização de crimes, a que aqui se procede? Se o objectivo é o agravamento da pena, não bastaria alterar a moldura penal no respectivo artigo?
A única alternativa lógica é, portanto, haver meios ilícitos de enriquecer que não estejam abrangidos por nenhum dos crimes do código. Neste caso, agradecia-se um exemplo. É que, na ausência deste, a única interpretação possível e lógica é que, de facto, se consagra aqui a inversão do ónus da prova.
Aí sim, este artigo faz pleno sentido, ficando o acusado com o ónus de provar a licitude da aquisição e, não o conseguindo, automaticamente provada a sua ilicitude. Assim, sim, caberiam aqui mais casos para além dos crimes já previstos no código, entendimento que é confirmado pelo n.º 2, que admite que o enriquecimento ilícito possa não resultar da prática de crime.
É verdade que na exposição de motivos do projecto de lei se declara que cabe “ao Ministério Público, no âmbito dos seus poderes de investigação, o apuramento dos indícios necessários à acusação e a prova dos mesmos para efeitos de condenação”. No entanto, não estando este princípio vertido em qualquer passagem do articulado do diploma, isto mais não é do que “wishful thinking”.
E não ocorrendo a inversão do ónus da prova — como garante Francisco Louçã —, este artigo deixa pura s simplesmente de fazer sentido.
Pequena discordância
Tunhas, o infundado e modesto filósofo
Porquê?
Por causa das suspeitas "fundadas ou infundadas". Notem bem: "fundadas ou infundadas".
Um espanto!
Viagens na Minha Terra
- • A. Moura Pinto, A direcção do Público não lê o jornal que dirige
• Isabel Moreira, Ele há cada proposta...
• jmf, Bernardino Soares no Mundial-2010
• João Pinto e Castro, Quantos GRPs custa um Rolex?
• Laura Abreu Cravo, Sim
• Miguel Carvalho, OCDE diz que Portugal vai convergir com a Zona Euro
• Óscar Carvalho, Santa ignorância
• Pedro Rolo Duarte, Onde está Lima?
• Porfírio Silva, predadores?! (ou: descer aos infernos sem perder o pé)
• Tiago Tibúrcio, Ai, ai, que vou fazer uma comparação com os senhores maus
• Val, Pelos indícios os conhecereis
• Val, Espionagem política I e II
• Vital Moreira, Inconstitucional e oportunista
Querem ver que, por este andar, a Pátria ainda tem salvação?
A OCDE reviu hoje em alta o crescimento da economia portuguesa, apontando para uma recessão de menor dimensão em 2009 (-2,8%) e um crescimento mais acentuado no próximo ano, com o PIB a crescer 0,8% em 2010.
[Jornal de Negócios, 19.11.09]
quarta-feira, novembro 18, 2009
Heraclito, Manuel da Costa Andrade e as muralhas da cidade
Como sempre, Manuel da Costa Andrade invoca a sua qualidade de professor universitário, jura a sua honestidade e isenção intelectual e cita Heraclito — devemos bater-nos pela lei como pelas muralhas da cidade.
Vejamos então quais são as “muralhas da cidade”.
Segundo o artigo 11.º do Código de Processo Penal (CPP), “[c]ompete ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça (…) [a]utorizar a intercepção, a gravação e a transcrição de conversações ou comunicações em que intervenham o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República ou o Primeiro-Ministro e determinar a respectiva destruição (…)”.
Estas muralhas da cidade foram construídas pela Assembleia da República, à qual assiste toda a legitimidade democrática, independentemente da opinião que Manuel da Costa Andrade tenha sobre os deputados, sobre o escrutínio directo e secreto e a qualidade das leis. O único aríete que pode derrubar esta muralha é a Constituição da República, produto ainda mais relevante da vontade de um povo democraticamente expressa. Ora, nem Manuel da Costa Andrade, nem nenhum dos comentadores que, afanosamente, procuram argumentos para anular o disposto no artigo 11.º do CPP conseguiram engendrar um só argumento que seja a favor da inconstitucionalidade desta norma.
Todos sabem que este regime não serve para favorecer altas entidades que sejam suspeitas de crime. Serve para garantir a separação de poderes e preservar matérias de Estado. Por isso, abrange todas as conversações em que intervenham os titulares daqueles órgãos de soberania.
É verdade que pode haver escutas inopinadas e aí não é possível ser dada uma autorização prévia para a interceptação ou a gravação. Mas, quando isso suceder, deve haver uma comunicação imediata ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), ao qual incumbe determinar a transcrição ou a destruição das conversações. É isto que diz a lei, que devemos defender como as muralhas da cidade.
O que diz Costa Andrade esvaziaria completamente este regime. Na sua afirmação, há, desde logo, uma petição de princípio. Diz ele que não se pode questionar a validade das escutas que foram validamente concebidas. Costa Andrade utiliza uma expressão ambígua de propósito (“concebidas” quer dizer o quê?) e incorre num truísmo: ninguém pode invalidar escutas válidas.
Porém, o que está em causa é saber se as escutas foram “concebidas” validamente. Se a lei tivesse sido cumprida, logo que foi interceptada uma conversação do primeiro-ministro, deveria ela ter sido enviada ao presidente do STJ, para este ordenar a sua transcrição ou a destruição. Contudo, esta obrigação legal foi ignorada com soberana indiferença.
Manuel da Costa Andrade aplaude esta destruição das muralhas da cidade, apesar da sua erudita citação.
Efeito esquadra
Infelizmente, é uma luta de paciência. E na qual, paradoxalmente, estes casos mediáticos de corrupção podem ter um efeito altamente pedagógico, concorrendo para a formação de um juízo colectivo de censurabilidade de tais actos. Paradoxal, também, porquanto estes casos, que surgem também devido a uma maior maturidade da nossa justiça e, sobretudo, devido ao reforço dos meios ao serviço deste combate, acabam por dar visibilidade a estes crimes.
Num país historicamente complacente com a cunha e a “ajudazinha”, os casos de corrupção que começam, finalmente, a chegar aos tribunais contribuem para a percepção de que a corrupção está a aumentar, quando, na realidade, está é a ser mais eficazmente combatida. É o chamado “efeito esquadra”: crie-se uma esquadra num local que não a tinha e o resultado é o aumento das denúncias de crime.
É isto que explica que a percepção das pessoas relativamente a este fenómeno tenha, segundo o ranking da Transparency International (ontem divulgado), aumentado. Conforme é, aliás, explicado pela própria Transparency International relativamente ao ranking do ano transacto.






















