Sexta-feira, Setembro 30, 2011

Bruxelas informa



No Jornal de Negócios:
    Amadeu Altafaj (na foto) reconheceu que os números hoje conhecidos são piores do que Bruxelas desejaria, mas acrescentou que também são um pouco enganadores e "exageram o real grau de derrapagem", designadamente porque a revisão em alta do défice se deve sobretudo ao "deslize" orçamental na Madeira, e disse acreditar que os números no segundo semestre deste ano serão melhores que os do primeiro semestre.

Sol explica ao Sol a “vitória efémera”

José António Lima, porta-voz da trupe mendista no Sol, escreve hoje uma croniqueta descabelada contra o PS por não ter ido atrás da populista criminalização do chamado enriquecimento ilícito (podendo a posição do PS ser lida aqui). Acontece que, nesta edição do Sol (p. 4), são recolhidas opiniões de alguns conceituados juristas:
    • Magalhães e Silva, que considerou uma “vitória efémera” a aprovação na generalidade dos três projectos apresentados, sustenta que seria “inconcebível que o Tribunal Constitucional permitisse a condenação penal com base em qualquer dos projectos”;
    • Vital Moreira não podia ser mais acutilante: “Na Inquisição é que os acusados tinham de provar a sua inocência, e não os acusadores”;
    • Paulo Mota Pinto, deputado do PSD que já foi juiz do Tribunal Constitucional, afirma que os projectos aprovados lhe “suscitam sérias dúvidas, quer no plano da sua conformidade constitucional, quer no da conveniência político-criminal”.
Perante este elenco de abalizadas opiniões, bastaria ao adjunto do pequeno grande arquitecto Saraiva — para não dizer disparates — dar uma vista de olhos pelos artigos que o seu próprio jornal iria publicar na edição de hoje. Infelizmente, tal como acontecia quando a dupla Saraiva & Lima aparecia no cabeçalho do Expresso, o Sol não é propriamente um semanário, mas uma federação de jornalistas em que cada um dá o que tem — e alguns só têm para dar a voz de outros.

“O normal funcionamento da justiça”



O ex-líder do PSD Marques Mendes, outrora homem de confiança do presidente da Câmara de Oeiras, que o fez presidente da Assembleia Municipal (única eleição que ganhou) e figura de proa da Universidade Atlântica, não disfarçou o seu júbilo ingrato quando soube que Isaltino Morais foi detido. Naquele seu estilo de pequena metralhadora falante, disse logo na TVI24 que “é o normal funcionamento da justiça”.

Felizmente, são raros os casos em que a justiça funciona assim, emitindo um mandado de detenção para o cumprimento de pena antes do trânsito em julgado da sentença condenatória e emendando a mão logo no dia seguinte.

Parece que Marques Mendes é jurista, mas, pelos vistos, percebe pouco da poda. Talvez fosse melhor cultivar mais o silêncio.

Vítor Gaspar perde qualidades

Hoje, Vítor Gaspar chegou tarde à conferência de imprensa. Disse que, até às 21 horas, o relatório sobre a dívida escondida da Madeira iria constar do sítio do Ministério das Finanças. A essa hora nada estava publicado. Será que, afinal, o relatório ainda estava a ser trabalhado?

Porque é que o ministro das Finanças não disse qual o montante de dívida que será imputado às contas públicas de 2011? Porque é que deu azo a que se confundisse no mesmo dia as contas das administrações públicas e o desvio na Madeira?

Morrer na praia

Tanto contorcionismo para morrer na praia.

Sócrates (e/ou a família) contra a Livraria Barata (a grande conspiração)

Se a lógica da batata, vulgo "estupidez", pagasse imposto, este Falcão resolvia-nos o problema da Madeira.

Défice: estudar antes de falar


É bom ter opiniões e é importante discutir, mas não deveria ser necessário mentir, pois não? O que César das Neves diz só tem um problema: não é verdade. Não há, com efeito, nenhum agravamento do défice, mas sim uma redução de défice do Estado de 10,4, como o INE sublinha:
    “(…) o défice das AP [Administrações Públicas] situou-se no 1º semestre de 2011 em cerca de 6995,4 milhões de euros (8,3% do PIB). No semestre homólogo do ano anterior, este défice foi de 8728,7 milhões de euros (10,4% do PIB).”

A “moderação” no acesso à saúde

Não foi certamente por falta de oportunidade que o ministro da Saúde não disse a quanto ascenderá a “actualização” das taxas moderadoras. Os valores hoje postos a circular podem ser apenas spin do ministro da propaganda para, a seguir, fazer aceitar uma taxa moderadora “mais em conta”. Em todo o caso, os portugueses estão a ser empurrados para o co-pagamento no Serviço Nacional de Saúde — o que a Constituição proíbe.

Lutas de poder chegam à comunicação social

        'Mais recentemente, e não me quero alongar, a Comissão para a Internacionalização e Desenvolvimento entregou o seu relatório ao Governo e deu uma conferência de imprensa em que foram fornecidos todos os documentos, bem como respondidas todas as perguntas dos muitos jornalistas presentes. Resultado, a notícia dessa tarde era: o AICEP ficará na dependência do MNE. Tal é uma grosseira distorção do que foi dito e está escrito.

        Em abono da verdade, no dia seguinte, houve quem tivesse feito o trabalho de casa e o relatório apareceu nos jornais de forma acertada. Mas entretanto, para a comunicação mais imediata, rádios, jornais da Net, a notícia errada já não foi corrigida. Foi asneira? Foi alguma agência que colocou a "notícia"? Foi erro premeditado? Tudo é possível, prefiro pensar que foi apenas asneira.
          Campos e Cunha, hoje no Público

O artigo de opinião de Campos e Cunha no Público de hoje é bem elucidativo da guerra de poder(es) dentro do Governo. Pode ser uma guerra surda, mas o líder do PP não pára de pressionar publicamente Passos Coelho para poder ficar com a tutela da AICEP e dos fundos de internacionalização. Ainda que o relatório "técnico" não o diga, Paulo Portas insiste numa estratégia de facto consumado. Ou será que alguém é tão ingénuo como Campos e Cunha para pensar que as notícias publicadas um pouco por todo o lado decorrem de uma asneira generalizada dos jornalistas?'

Nunca conseguiriam suspender a democracia



Porque, na verdade, nem sequer sabem o que é democracia.

Primeiro os votos

• Pedro Silva Pereira, Primeiro os votos:
    ‘Entendamo-nos: ao contrário do que alguns pretendem, na Madeira não está apenas em discussão o despesismo, o endividamento ou a obra feita pelo dr. Jardim. O que está em causa é uma questão de grave e continuada ilegalidade na gestão financeira regional e que não tem, segundo as autoridades estatísticas, qualquer precedente ou paralelo conhecido em Portugal. Que se façam eleições na Madeira sem que as implicações desta situação sejam inteiramente conhecidas dos eleitores é absolutamente lamentável. E que tantos prefiram a velha receita de fazer mais leis "para que isto não se repita" em vez de tratar de fazer cumprir, já neste caso, as leis que existem só contribuirá para reforçar o mesmo sentimento de impunidade que paira sobre múltiplos outros atropelos ao regular funcionamento das instituições democráticas madeirenses.

    Que tem a dizer disto tudo o Senhor Presidente da República? Muito pouco. Diz que cada um tem o seu estilo de fazer política. O Presidente, que é da República, nunca teve muito a dizer sobre a Madeira.’

À conversa com Rui Calafate

Como só os espíritos dogmáticos são insensíveis aos elogios vamos agradecer com um desafio e uma ironia:
    Scribendi recte sapere est et principium et fons:
    Rem tibi Socraticæ poterunt ostendere chartæ,
    Verbaque provisam rem non invita sequentur.

    [Horácio, Ars Poetica 309-311]

    Afonso

Não convence nem serve, em suma

• Vasco Pulido Valente, Os 100 dias [hoje no Público]:
    '(...) O que não se viu ainda foi um plano de reforma coerente, claro e compreensível. Não há um plano para a reforma da administração central, não há um plano para a reforma da administração local, não há um plano para a reforma do sector empresarial do Estado, não há um plano para a reforma da Saúde. Não há um plano para nada. Os ministros cortam aqui e cortam ali, extinguem isto e aquilo ou fundem alhos com bugalhos: talvez bem, talvez mal. Infelizmente, essa grande actividade parece uma caçada aos pardais. No meio da confusão não se distingue um objectivo, um método, um propósito. Cada um atira para onde lhe dá na gana ou trata do sarilho do dia. É escusado procurar uma ordem. E o dr. Passos Coelho, com a sua suavidade e simpatia, não se explica e de quando em quando contribui mesmo para aumentar a confusão.

    Os ministros, coitados, não ajudam. O ministro das Finanças, com o seu pequeno ar de contabilista melancólico, não chega a ninguém. O ministro da Economia, que escreveu um livro pedante e pueril, anunciando que, se o deixassem, iria rapidamente limpar a casa, desapareceu num mundo que ele não conhece. A sra. ministra da Justiça continua remota e misteriosa. E o sr. ministro Relvas, sem qualquer autoridade que o país reconheça, ocupa quase sozinho o palco, e gesticula e berra, provavelmente sem consequência. Em conjunto, o Governo, entre a súplica e a bravata, entre uma fé espúria no futuro da Pátria e ameaças de tragédia, não convence. Passos Coelho é um homem resoluto à procura do compromisso e da "unidade". E um homem hesitante à procura de firmeza e respeito. É muito capaz de perder pelos dois lados.'

♪ No adeus a José Niza [7]

 
Música de José Calvário
Voz de Paulo de Carvalho

Portugal faz parte do Conselho de Segurança da ONU: qual é a posição do Governo em relação à Palestina?

• Fernanda Câncio, ONU de papel:
    ‘É "só" simbólico aceitar o Estado palestiniano como membro da ONU? Não resolve nada? É certo: não é mágico. Trata-se apenas da admissão formal de dignidade e existência, a certificação de que para a ONU e para o seu Conselho de Segurança israelitas e palestinianos valem o mesmo. E esse, claro, é o problema.

    Os EUA vão vetar; Portugal, a crer nos trocadilhos tontos do PM - com "paz" e "papel" (peace e piece of paper), dizendo que quer a primeira e não o segundo - votará contra ou abster-se-á. É só um papel? Os tratados de paz assinam-se em papéis; as mais de 130 resoluções sobre Israel do Conselho de Segurança são papéis. Propor aos palestinianos um estatuto de "Estado observador", à semelhança do que goza o inexistente Vaticano - ou seja, uma espécie de cortesia sem direito de voto - é, além de insultuoso, a afirmação de que a ONU (criada por um papel, já agora) não considera a existência efectiva, igual, de um Estado palestiniano a não ser que Israel, o ocupante, o país que lhe manda as resoluções para o lixo, conceda. O Hamas agradece.’

Não confundam tudo, sff

Quem foi detido para cumprir pena foi o ex-autarca do PSD Isaltino Morais e não o governante do PSD Alberto João Jardim. Às vezes, no turbilhão das notícias, as pessoas têm tendência para baralhar tudo.

Não querendo interromper as celebrações (?) dos 100 dias de governo

nem as sondagens conexas, queria só chamar a atenção para uma notícia discreta no Expresso online: PS é o único a subir este mês.

Quinta-feira, Setembro 29, 2011

Viagens na Minha Terra

“Estudar vale a pena para ganhar mais dinheiro”, lema do ministro da Educação

Estudar vale a pena para ganhar mais dinheiro”, foi o conselho dado pelo ministro Nuno Crato aos “estudantes” matriculados na Universidade de Verão do PSD. Fernando Alves recorda estas palavras esta manhã na TSF, numa crónica a não perder [via Ana Matos Pires].

Títulos

No dia em que o Governo aprova um conjunto de restrições que irá permitir que as receitas provenientes das taxas moderadoras quadrupliquem, qual é o título que reproduz adequadamente o teor das alterações introduzidas: Governo aprova redução das isenções no acesso à saúde ou Famílias com rendimentos até 1.240 euros isentas de taxas moderadoras?

Rectificação

Tinha escrito aqui que, apesar de o Governo ter escolhido como tema do debate quinzenal a “estratégia económica”, Passos Coelho se tinha esquecido de a enunciar no hemiciclo. Enganei-me.

A verdade é que o Álvaro se antecipou, descrevendo a “estratégia económica” numa síntese só ao alcance dos predestinados: “Se tiverem um projecto de investimento que não está a andar, por culpa do Estado, digam directamente e garanto-lhes que trataremos disso rapidamente.”

Espera-se agora que seja aberto concurso para o recrutamento da equipa de estafetas que irá coadjuvar o Álvaro e pôr na ordem esses calaceiros que trabalham no Estado.

Mais um uppercut no SNS



As receitas provenientes das taxas moderadoras ascendem a 100 milhões de euros. O nosso Rocky Marciano quer quadruplicar esse montante. Para isso, vai aumentar o valor das taxas a pagar, acabar com algumas isenções e reintroduzir "moderação" no acesso aos internamentos e cirurgias, cujas taxas tinham sido revogadas pelo anterior governo.

Segundo o Diário Económico, o diploma que foi hoje aprovado em Conselho de Ministros não aumenta as taxas moderadoras — regula-as.

Crato & Nogueira em plano inclinado

Professores invadem Ministério da Educação. Duas observações:
    • Nuno Crato pode não chegar ao Natal como ministro, apesar de ter como atenuante a circunstância de a balbúrdia a que se assiste ser habitual quando o Ministério da Educação é entregue ao PSD (desde os tempos de Cavaco);
    • Mário Nogueira está a falhar como controleiro.

Uma “justa causa” em que cabe o “motivo atendível” (ou a revisão dissimulada da Constituição)

• Rui Pereira, Sem justa causa:
    ‘Fracassada a tentativa de dispensar a justa causa no despedimento, surgiu uma proposta que, sem revisão constitucional, pretende alcançar idêntico objectivo. A ‘vantagem’ do método está à vista. Bastará a maioria parlamentar que apoia o governo para promover a alteração legislativa, não sendo necessária a maioria de dois terços exigida para a revisão constitucional.

    Fora da revisão constitucional, este argumentário carece de adaptações. Em sede de legislação laboral, tem-se dito que não se quer substituir a justa causa pelo motivo atendível, mas tão--só alargar a justa causa. Esta passaria a englobar a diminuição de produtividade do trabalhador - em geral e não apenas nos casos de alteração tecnológica ou mudança de posto de trabalho. É legítimo concluir, porém, que se está a tentar obter sem revisão aquilo que não se conseguiu em sede de revisão. O que caracteriza o conceito de justa causa é uma componente subjectiva, de culpa do trabalhador. A generalização de um critério objectivo desvirtua o conceito e a sua designação. Por essa razão, creio que a proposta viola o artigo 374º, nº 2, da Constituição.

    Além disso, o contrato de trabalho não é um contrato qualquer, como reconhecem as mais diversas correntes do pensamento contemporâneo, desde a doutrina social da igreja até à social-democracia ou ao marxismo. O contrato de trabalho está ao serviço do livre desenvolvimento da personalidade humana e tem uma óbvia dimensão comunitário-pessoal.

    É este contrato que permite ao trabalhador realizar direitos tão relevantes como o direito à saúde, à maternidade ou à família e confere ao empregador o poder disciplinar. Não podemos confundi-lo com uma compra e venda. Fazê-lo, num país em que o desemprego e o trabalho precário crescem na proporção em que as prestações sociais diminuem, seria dramático.’

100 dias do Governo do Presidente


Imagem de JSG/Lusa


O Presidente da República deu ontem uma entrevista a celebrar os 100 dias do Governo. É legítimo. O Presidente foi o padrinho que levou este casamento do PSD e do PP ao altar. Comemorar a efeméride só lhe fica bem, mas, depois, nas diversas questões deveria ser absolutamente rigoroso, como é apanágio dos professores universitários.

Disse, por exemplo, que "não podemos esquecer que a elaboração do programa de ajustamento de Portugal feito pelo Banco Central Europeu, pela Comissão europeia e pelo Fundo Monetário Internacional levou mais de um mês a elaborar". Mas vamos lá a ver: os trabalhos com a troika começaram no dia 11 de Abril e terminaram a 3 de Maio.

Como é que Cavaco diz que demorou mais de um mês?

E alguém acredita que seja tão complicado um plano para o resgate financeiro da Madeira como foi elaborar um documento para o país que, quer se queira ou não, vai muito para além da consolidação orçamental?

O Presidente da República tem de arranjar argumentos mais sólidos se quer apoiar a reeleição de Alberto João Jardim.

100 dias

A sondagem das sondagens: "confiança dos consumidores volta a estar próxima do mínimo histórico".

Programa de emergência social (2.ª fase)



E os contemplados em tempos de austeridade são:
    • José Pedro Correia de Aguiar -Branco, Ministro da Defesa Nacional
    • Miguel Bento Martins Costa Macedo e Silva, Ministro da Administração Interna
    • José de Almeida Cesário, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas
    • Juvenal Silva Peneda, Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna
    • Paulo Jorge Simões Júlio, Secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa
    • Cecília Felgueiras de Meireles Graça, Secretária de Estado do Turismo
    • José Daniel Rosas Campelo da Rocha, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural
    • Marco António Ribeiro dos Santos Costa, Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social
    • Vânia Carvalho Dias da Silva de Antas de Barros, Subsecretária de Estado Adjunta do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

♪ No adeus a José Niza [6]


Poema de António Aleixo
Voz de Adriano Correia de Oliveira

INA (1979-2011)

Através do Despacho n.º 12990/2011 do secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros — Luís Marques Guedes, esse mesmo que um dia quis que a Assembleia da República instituísse o “Dia Nacional do Cão”) —, foi hoje extinto o INA. Vale a pena reler o texto que António Correia de Campos escreveu no Público sobre o papel do INA.

A ocultação como modo de ser



A ocultação do plano para a Madeira é política e moralmente equivalente à ocultação das dívidas por parte de AJJ/Governo Regional.

Uma vez mais vemos aqui a direita em todo o seu esplendor: cínica no discurso, hipócrita na atitude e imoral na acção.
    Afonso

É possível, numa contenda, ambas as partes estarem cobertas de razão? Sim, nos combates na lama. Neo e velhos extremistas furiosos de todo o mundo, uni-vos! (*)



Divirta-se (ainda) mais aqui.


(*) copyright do título: Vidal, Renato et al inc.

Quarta-feira, Setembro 28, 2011

Crato e os 500 euros

A explicação de Nuno Crato para tirar o prémio de 500 euros aos melhores alunos – tiro mas dou às escolas – é reveladora de um carácter escorregadio e pegajoso.

As escolas e as direcções deviam dar uma lição básica de ética a um Ministro sem estatura moral e entregar os prémios a quem, com mérito, os conquistou e a eles tem direito.
    Afonso

Ainda que mal pergunte… [57]

O tema hoje escolhido pelo Governo para o debate quinzenal na Assembleia da República era a estratégia económica. Para o efeito, até o Álvaro se sentou ao lado de Passos Coelho. Ao fim de cerca de duas horas de debate, alguém reteve uma única ideia de qual é a “estratégia económica” do Governo para o país?

Álvaro no Prós e Contras

Dispenso-me de o citar porque as passagens mais patéticas estão publicadas por todo o lado. Digo apenas que foi um espectáculo ridículo e risível, sem dúvida, mas perigoso, muito perigoso. Por quem se tomará ASP? Pelo novo Marquês de Pombal?? Um ministro que julga que pode mudar a realidade à velocidade e com a facilidade de um copy/paste ou é um lunático ou é um pateta… ou, quem sabe, uma espécie de superpateta.
    Afonso

Disse alguma coisa? Não… está só a falar...

Ouvi, hoje, a explicação de PPC sobre a AICEP e a diplomacia económica. Ainda que mal pergunte: alguém ficou a perceber alguma coisa?

Uma característica pouco notada em PPC – e típica destas personalidades políticas forjadas nas escolas partidárias - é que ele fala apenas para dizer palavras.

Sucede que este uso da linguagem é efémero. Tem, como sabe quem sabe mas não sabe quem está refém do sortilégio, a duração exacta do encantamento…
    Afonso

O homem que matou Liberty Valance



Seguro apresentou hoje várias propostas no debate quinzenal (esta, por exemplo). Estranhamente, um aspecto relevante das declarações do secretário-geral do PS não teve eco na comunicação social: os efeitos fiscais da ocultação das dívidas da Madeira.

Ora as empreitadas de obras públicas estão sujeitas a IVA. Tendo havido ocultação das dívidas, das duas uma:
    • Ou os empreiteiros fizeram os registos contabilísticos das operações, liquidaram o IVA e remeteram as facturas para a entidade estatal e, nesta hipótese, a sonegação da informação é da total responsabilidade do Governo e dos serviços públicos madeirenses;
    • Ou houve omissão da facturação e não foi liquidado IVA, estando em presença de infracções fiscais, com a agravante de haver conivência da entidade estatal, a qual é responsável pela cobrança dos impostos.

A ocultação das dívidas poderá ter efeitos no âmbito do IVA e do IRC. E poderemos estar perante crimes fiscais. Analisando as trapalhadas da Madeira sob esta óptica, António José Seguro pode ter feito xeque-mate a Alberto João Jardim.

— Angela, eu não arredo pé

Barroso vai apresentar projectos para criar "eurobonds". Aqui chegados, temos o primeiro-ministro português, contrariando os interesses do seu próprio país, a fazer companhia a uma Sr.ª Merkel cada vez mais só.

Da série "Frases que impõem respeito" [652]


No vamos a permitir que un monopolio público acabe en manos de un monopolio privado.
      Cristóbal Montoro, coordenador económico do PP (espanhol), sobre a privatização de 30% da Sociedad Estatal de Loterías y Apuestas del Estado, contrariamente ao que a coligação de direita quer fazer em Portugal com os monopólios públicos

O PES em português



Foi publicado hoje o decreto-lei que altera o regime de licenciamento e fiscalização da prestação de serviços e dos estabelecimentos de apoio social, de modo a permitir a “simplificação e agilização dos regimes de licenciamento das respostas sociais”. Traduzindo para português, a partir de agora, “crianças, jovens, pessoas idosas ou pessoas com deficiência” já podem ser amontoados em creches, lares, etc., como acontece às sardinhas em lata. A isto chama-se plano de emergência social.

Falou de mais? Quando? Na Assembleia ou na RTP quando criticou Jardim?




      O Sr. Primeiro-Ministro: Sr.ª Presidente, se a Câmara me permitir, há uma resposta simples que gostava de dar ao Sr. Deputado Francisco Louçã e que ocupa pouco tempo. O relatório de avaliação da situação na Madeira será conhecido este mês de Setembro e, durante este mês de Setembro, será desenhado ainda um programa de ajustamento macroeconómico para a Madeira.
        Debate Quinzenal, Assembleia da República, 14/09/11

Passos Coelho, quando estava na oposição, exigiu que o acordo com a troika fosse discutido e aprovado antes das eleições legislativas. Como é possível que, em relação à Madeira, apareça hoje a remeter para as calendas gregas as medidas draconianas que o povo madeirense vai ter de suportar para pagar os gastos da oligarquia de Alberto João Jardim, como o heliporto e a marina do Funchal?

Ainda que mal pergunte… [56]

Lendo o PREMAC, ainda que mal pergunte:
    Para que é que é preciso, ainda por cima numa época de contenção em que são propostas extinções e fusões perfeitamente absurdas, uma Direcção-Geral de Política do Mar, uma Direcção-Geral de Recursos Naturais e Serviços Marítimos e ainda um Instituto Português do Mar e da Atmosfera??? Há aqui algum fetiche com o mar, não? Mas serão mesmo precisos 3 organismos distintos para lidar com o mar? E será isso eficaz?

    Por que é que é extinta a Direcção-Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo e se mantêm todas as outras Direcções-Regionais de Cultura? Acaso Lisboa e Vale do Tejo deixou se ser uma região? Ou este Governo não conhece a diferença entre serviços centrais e regionais?

    Por que é que na Educação acabam as Direcções-Regionais mas na Saúde, não só se mantêm todas as Administrações Regionais, como aparentemente continuam a ter o estatuto absolutamente incompreensível de institutos públicos? Já no Ministério da Agricultura e do Ambiente co-existirão duas estruturas regionais em paralelo: as Direcções Regionais de Agricultura e as CCDR's...

    Ou seja, num Ministério (Educação) desaparecem todos os serviços regionais. Noutro, que até já nem é Ministério (Cultura), acaba-se com um dos serviços regionais, mantendo-se todos os demais. Noutro ainda (Agricultura), permanecem duas redes autónomas de serviços regionais. Qual é a coerência de tudo isto?

    Por que é que se diz que vão ser extintas as empresas na área da Cultura quando, na verdade, o que vai acontecer é que entre elas vai ser criada uma nova entidade, de seu nome "agrupamento complementar de empresas" (que não substitui, antes pressupõe a existência das empresas agrupadas, o que significa que o resultado líquido desta manobra não é menos mas sim mais estruturas)?

    Paulo F.

Quando os cortes se fizerem sentir

Há por aí gente muito excitada com as sondagens agora divulgadas. Pedro Magalhães faz uma breve comparação na fase de arranque dos últimos governos (“100 dias”), sobre a qual vale a pena meditar.

De resto, como Helena Garrido sublinha, a procissão ainda vai no adro: “Foram cem dias a fazer a parte fácil. O mais difícil ainda está para chegar, o teste em que Portugal mostra que, de facto, não é a Grécia.” E é inevitável que, mais tarde ou mais cedo, as pessoas se apercebam desta constatação de Helena Garrido: “Lamentavelmente ainda continuamos a ver os lóbis a lutarem para ficarem com as rendas que durante as últimas décadas extraíram dos contribuintes e os mais fortes, nas empresas como na Administração Pública, a lançarem os cortes sobre os mais frágeis.” Quando os cortes se fizerem sentir.

Rolar a grande velocidade em plano inclinado


Os alunos já não moram aqui


Ministério cancelou prémios de 500 euros a dias de entregá-los aos melhores alunos do país:

Mistérios da comunicação

Rui Calafate, para além de santanista, é, ao que diz, consultor de comunicação. Sustenta ele sobre o actual governo: “Não tem sido um governo forte em comunicação, mas também não se esperava que fosse. Pedro Passos Coelho não liga muito a estas coisas (…)”. Que leva um tipo da área da comunicação a dizer uma monstruosidade destas que pode afectar irremediavelmente a sua reputação no meio?

Liberalismo à tuga

O Governo em funções é, indiscutivelmente, o Governo mais (neo-)liberal que Portugal já conheceu. Mas, como qualquer formato televisivo importado, a versão doméstica deixa bastante a desejar em comparação com o original.

Passos Coelho, Miguel Relvas e os seus apaniguados gostam do rótulo liberal e aplicam-no em doses fartas, mas é um liberalismo a martelo, adulterado, que vai levando uns “jeitos” à medida que vai dando jeito. Na verdade, aquilo de que o actual Governo dá provas é de um liberalismo improvisado e provinciano, um liberalismo de conveniência que nada tem a ver com os fundamentos teóricos do pensamento liberal. Senão, vejamos.

De acordo com a doutrina liberal, ao Estado deve caber um papel essencialmente regulador, de supervisão e garantia do correcto funcionamento do sistema. Quando os liberais clamam por menos Estado, na verdade o que desejam é um Estado menos interventivo na economia e menos prestador, mas mais presente e com maior autoridade na fiscalização do cumprimento das regras (de concorrência, de higiene, etc.). Até porque só haverá verdadeira igualdade de oportunidades se todos se pautarem pelas mesmas regras. E só o Estado poderá garantir o cumprimento dessas regras. Assim, o que se pretende é um Estado que faz menos e condiciona menos, mas que fiscaliza mais e melhor, no interesse de todos.

Ora, ao arrepio desta lógica, o actual Governo – na sua ânsia de cortar, cortar, cortar no Estado (seja nas gorduras ou no lombo) – decidiu pôr em causa estruturas e mecanismos absolutamente vitais do Estado-fiscalizador. Começou pelas Inspecções-Gerais, fundindo várias e eliminando a histórica IGAL [Inspecção-Geral da Administração Local], uma instituição indispensável para assegurar que os nossos autarcas não põem o pé em ramo verde, para salvaguardar a legalidade urbanística e para evitar a multiplicação daqueles casos que se arrastam nos tribunais. O Inspector-Geral teve a coragem de chamar a atenção para o monumental erro que esta decisão comporta e foi imediatamente exonerado, sem apelo nem agravo.

Mas a coisa não ficou por aqui. Soube-se entretanto que o Governo vai isentar as empresas de comunicar o horário de trabalho (ou, sendo esse o caso, a isenção de horário) dos seus empregados à ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho], assim inviabilizando – na prática – qualquer possibilidade de controlo do cumprimento das regras legais relativas à duração do trabalho.

E ainda mais recentemente tivemos outro exemplo do liberalismo de fachada deste Governo: o Álvaro anunciou que o aumento da electricidade não será de 30% mas muito menos e que em breve divulgará o valor exacto. Então mas não era suposto os preços da electricidade em Portugal serem fixados por um regulador independente, a ERSE? Onde estão, agora, os arautos da independência dos reguladores? Onde estão aqueles que, no passado, se rebelaram por supostas interferências do Governo na fixação do preço da electricidade? Onde estão os “verdadeiros liberais”? Não se encanitam agora com esta intromissão do Governo num domínio claro de intervenção do regulador?

Pois é, liberais quando convém…
    Paulo F.

♪ No adeus a José Niza [5]


Quando (2005)
Poema de Sofia de Melo Breyner Andresen
Voz de Kátia Guerreiro

Terça-feira, Setembro 27, 2011

Começou o desmembramento do SNS



Presidente da administração do Hospital Curry Cabral demitiu-se - em causa cortes no financiamento dos transplantes.

Nuclear: "espírito de aventura" era só o que nos faltava



O Álvaro, menos de 12 horas depois de ter dito que a energia nuclear “é uma possibilidade”, vem dizer que “ninguém está a pensar apostar no nuclear neste momento”. Mas, tal como Passos Coelho, que na noite das eleições garantiu que iria “transformar as dificuldades em aventuras”, o ministro da Economia (e de mais um monte de coisas) deixa cair uma frase enigmática: “entendemos que temos de ter um espírito de aventura” [cf. o vídeo]. Era mesmo só o que nos faltava: um aventureiro ao leme.

PS — Desde ontem, quando anunciou no Prós & Contras que o Governo iria lançar um programa de 100 milhões para empregos, que o Álvaro anda aos ziguezagues. Hoje, ao fim da tarde, o secretário de Estado do Emprego teve de chamar os jornalistas para conter os estragos já efectuados pelo Álvaro. Tudo leva a crer que volte a desaparecer da circulação durante mais três meses.

O negócio da água

Primeiro, anunciaram que a Águas de Portugal seria privatizada. Agora, preparam-se para subir o preço da água. Mas, atenção, o encarecimento da água não tem nada a ver com a anunciada privatização do monopólio natural: é apenas para o povo em geral tomar consciência de que “este recurso tem de ser devidamente valorizado”.

Juncker: — Pedro, porta-te como um homem, porque a zona euro não é a JSD!

Jean Claude Juncker, presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro do Luxemburgo, não subscreve a opinião do primeiro-ministro português sobre um eventual segundo resgate a Portugal.

Viagens na Minha Terra

e já agora

Esta gente pensa que ninguém tem memória?




    “A nossa crise não é culpa da crise internacional. O Governo falhou todas as previsões económicas.”
      Carlos Moedas, conselheiro económico de Passos Coelho, em 13 de Maio de 2011
    “As pessoas em Portugal não vêem o que se passa no dia a dia lá fora, com números negativos a sair todos os dias nos Estados Unidos da América, e ao termos esta incerteza, obviamente que os cenários (macroeconómicos) têm de ser modificados, mas não por não estarmos a fazer o que temos de fazer, mas sim pela situação internacional.”¹
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¹ Chamada de atenção do leitor Fernando T., a quem agradeço.

Se isto não é alta política, o que é a alta política?



Foi ontem apresentado o relatório da Comissão Braga de Macedo sobre a internacionalização das empresas portuguesas. A análise do documento fica para mais tarde. Mas, depois de tanto rir com algumas pérolas, digam lá se isto não é alta política:
    • «A disponibilização do local das reuniões e audições na chamada “sala de crise” da Residência Oficial incluiu vários almoços de trabalho, muito apreciados» [p. 3];

    • Nuno Fernandes Thomaz é o único defensor acérrimo da possibilidade de Paulo Portas ficar a mandar na AICEP. De forma brilhante e eloquente, como é seu estilo, este administrador da CGD defende a posição do ministro do CDS-PP da seguinte forma: «Trata-se apenas de integrar a AICEP no MNE - facto que todos os colaboradores desta entidade iriam agradecer. Mencionei que também a promoção de Portugal devia “andar de braço dado” com o MNE, passando este ministério a promover sectores e marcas portuguesas sem gastar fortunas colossais em várias marcas Portugal como no passado recente. Dei apenas como exemplo a possibilidade de usarmos RP’s com milhões de seguidores nas redes sociais para vendermos sectores e marcas portuguesas: Ronaldo a abrir garrafa de vinho “made in Portugal” e a mostrar rolha de cortiça “made in Portugal”» [p. 18];

    • A única câmara de comércio ouvida foi a Câmara de Comércio e Indústria Árabe Portuguesa. É impressão minha ou é aquela em que Ângelo Correia tem grande influência?

    • A audição no sector da Energia circunscreveu-se ao Eng.º Pedro Sampaio Nunes — o homem do nuclear. Vamos exportar o quê?

Nuclear "é uma possibilidade"



Diz-nos o Álvaro: “Acho que as empresas já passaram a fase do debate”. Por outras palavras:
    • O Governo já debateu com as empresas, sem que ninguém soubesse, a hipótese de apostar na energia nuclear;
    • O Álvaro entende que não é necessário “debater” este matéria com as pessoas.
A ligeireza com que se atira o barro à parede a ver se pega é assustadora.

A tal central de comunicação



Alda Telles: “Miguel Relvas lidera claramente uma equipa de especialistas em comunicação”.

♪ No adeus a José Niza [4]


Poema de António Gedeão
Voz de Adriano Correia de Oliveira

"Para umas centenas de lugares vazios"

• Pedro Tadeu, Passos e o Presidente do Irão valem o mesmo:
    ‘Na quinta-feira passada o Presidente da República Islâmica do Irão, o senhor Mahmoud Ahmadinejad, foi dizer enormidades sobre o Holocausto e o 11 de Setembro à Assembleia Geral das Nações Unidas. Em protesto, representantes dos Estados Unidos, de países da União Europeia e de mais alguns Estados saíram da sala. O homem falou para lugares vazios.

    No sábado passado, o primeiro-ministro do Governo da República Portuguesa, o doutor Pedro Passos Coelho, foi dizer umas banalidades no mesmo púlpito. Ninguém protestou. Aliás, não havia alguém para protestar. O homem falou também para umas centenas de lugares vazios. Viu-se na TV.’

"A solidariedade nacional quer dizer antes de mais que a austeridade vale para todos e que nenhuma região pode viver à custa das outras"

• Vital Moreira, À custa alheia [hoje no Público]:
    ‘(…) entre nós as duas regiões autónomas detêm mais poderes do que os estados federados em alguns Estados federais e gozam de uma situação financeira singular, visto que: a) retêm todas as receitas tributárias nelas geradas; b) não contribuem em nada para as despesas gerais do País (que são suportadas exclusivamente pelos contribuintes do Continente); c) beneficiam ainda de substanciais transferências financeiras do orçamento nacional (exclusivamente alimentado pelos mesmos contribuintes); d) têm acesso privilegiado a fundos da União Europeia, como "regiões ultraperiféricas" que são.

    Se a condição insular e a situação ultraperiférica merecem a devida compensação pelos sobrecustos associados (transportes, energia, etc.), nada porém legitima uma tal acumulação de privilégios financeiros, pelo menos a partir de determinado grau de desenvolvimento das regiões. E muito menos se justifica a existência de consideráveis reduções de carga fiscal de que gozam os seus residentes, sobretudo em matéria de IVA e de IRC, que somente a abundância de meios permite. E ainda menos se pode admitir que, apesar de todas as ajudas financeiras exteriores, as regiões autónomas ainda se permitam incorrer em endividamento excessivo, pondo em causa a estabilidade das finanças públicas de toda a República.

    É evidente que as vantagens financeiras descritas são comuns às duas regiões autónomas. Mas as situações não são idênticas. Os Açores sofrem de maior grau de insularidade (mais ilhas) e de perifericidade (maior distância), estão mais atrasados e não entraram na espiral de despesismo e de endividamento da Madeira. Além disso, não padecem do défice democrático da Madeira e não se dedicam a insultar os continentais, que contribuem para o seu orçamento. E finalmente não se entregam a vigarizar as contas e a esconder responsabilidades financeiras, como agora se verifica na Madeira. (...)’

Grande é a poesia, a bondade e as danças.../Mas o melhor do mundo são as crianças



Evo Morales rompe con sus bases indígenas en Bolivia



Da série "Frases que impõem respeito" [651]


É preciso dar pancada em quem ofende o povo madeirense.
      Alberto João Jardim, em mais um arraial de campanha, no qual assumiu o compromisso de “continuar a lutar contra o Estado central até a Madeira conseguir os seus direitos

Segunda-feira, Setembro 26, 2011

Relvas, o trambiqueiro



Esta notícia do Público, escrita pelo insuspeito Luciano Alvarez, é reveladora da têmpera de Miguel de Relvas:
    1. Depois de Passos Coelho se ter comprometido a divulgar a auditoria às contas da Madeira no mês de Setembro, Miguel Relvas vem anunciar, na prática, o adiamento do apresentação da auditoria e , sobretudo, do pacote de austeridade que virá a ser tomado para garantir a solvabilidade da Madeira.

    2. Para justificar este adiamento, o extraordinário Relvas argumenta que foi o Governo que denunciou publicamente as dívidas ocultas da Madeira. Nada mais falso. A primeira dívida, de cerca de 500 milhões de euros, foi referida pela Comissão Europeia. As restantes através de um comunicado conjunto do INE e do Banco de Portugal.

    3. Os comentadores da direita têm batido na tecla de que Passos Coelho já retirou a confiança política a Alberto João Jardim. Miguel Relvas vem agora dizer que espera que o PSD vença as eleições regionais. Quem é “candidato” a presidente do governo regional, quem é? É preciso que Passos Coelho, na sua qualidade de presidente do PSD, diga aos eleitores madeirenses em quem aconselha que eles votem. Somos todos ouvidos.

A palavra aos leitores - "Olha a contenção!"

De e-mail enviado pelo leitor Carlos F.:



    ‘A crise não é igual para todos. A cada dia que passa o Governo dá (maus) exemplos de despesismo e de decisões arbitrárias. Lembram-se de um candidato a primeiro-ministro que falava num Governo de poucos elementos, com redução do pessoal dos gabinetes (em que apenas um ou dos assessores não seriam oriundos da Administração Pública), com corte nas consultadorias, etc..

    E, depois, o que é que vemos? Vemos, por exemplo,
    adjuntos de secretários de Estado a ganhar mais 50% do que o previsto! A ser assim, onde param as reduções previstas para toda a função pública, onde pára o exemplo, onde pára a contenção? Ninguém pára o Ministério do Álvaro.’

Fustigadíssimos, ó companheiro... quem somos nós para o contrariar?

Luís Filipe Menezes, hoje na Antena 1:
    ‘Os portugueses estão a ser fustigadíssimos com uma política fiscal super-agressiva, talvez a mais agressiva dos últimos 100 anos, em que todos os dias todos os impostos aumentam, em que o último ordenado do ano vai ser sacrificado em 50%. E, no entanto, temos feito muito pouco no que diz respeito ao ataque à fraude fiscal e à evasão fiscal. E as questões mais banais do quotidiano, seria bom que no próximo Orçamento do Estado se decretasse que a frase “o senhor quer factura?” era proibida em Portugal; o senhor entra num transporte público, o senhor entra num restaurante, o senhor entra numa grande superfície comercial, daquelas que vendem milhões e todos perguntam, nalguns casos até já nem perguntam -, quase todos perguntam se o senhor quer factura’.

A lógica é uma cena que não me assiste©

Poderá haver mil e uma razões para extinguir repartições de finanças: poupança de recursos, expansão da rede informática que torna prescindível um balcão em cada terra, necessidade de transferir funcionários para a inspecção tributária, etc., etc.. O que certamente não tem lógica é o argumentário desta arrastadeira de Relvas: se o problema é a falta de pessoal, afectam-se funcionários; se não é possível impor uma adequada segregação de funções, recorre-se a outros mecanismos de controlo interno. Quem te manda a ti, arrastadeira, tocar rabecão?

A cacofonia governamental

1. Allegro ma non troppo, poco maestoso

PM/PPC: 2012 será o ano do fim da crise
MF/VG: o pior está para vir
MAAP/MR: não são necessários discursos alarmistas

2. scherzando

PM/PPC: o tgv está suspenso
ME/ASP: mais do que a alta velocidade, o mais importante é ter um serviço de alta prestação...

3. fugato

MNE/PP: ... tirem-me deste filme...
    Afonso

Viagens na Minha Terra

    • Pedro Soares de Albergaria, A lógica é uma cena que não me assiste:

      ‘(...) Há qualquer elo lógico em falta na opinião acima transcrita. Vejamos miudamente: quando alguém se candidata a beneficiário de rendimento social de inserção está a reclamar uma prestação do Estado; inversamente, quando o Estado acciona penalmente alguém por alegado (note-se: "alegado" e não provado, pois a prova nos países civilizados vem depois da acusação; sendo chato, um mínimo de "juridiquês" é em qualquer caso indispensável para perceber os contornos fenomenológicos e legais do) "enriquecimento ilícito" está a "pedir" alguma coisa a um cidadão - está a pedir que lhe "entregue", por uma ou outra via, a diferença entre o que aquele cidadão estava em condições (lícitas) de auferir e o que ele efectivamente percebeu. Por outro lado, este ónus do cidadão - e em todas soluções propostas é o cidadão quem, na prática, terá de suportar o ónus de provar a proveniência lícita dos seus rendimentos - não tem como reverso, no caso de não ser satisfeito, a não concessão de uma prestação pelo Estado (como sucede no caso do RSI), mas sim uma sanção penal: multa, prisão, etc. (se bem que em certa medida as penas também possam ser consideradas "prestações" do Estado; mas prestações peculiares: resolvem-se num mal e não num bem para o destinatário delas*). (…)’

    • A.R., Mãos limpas, mãos sujas
    • Carlos Barbosa de Oliveira,
    Diz-me com quem andas...
    • Eduardo Firmino,
    O compromisso de Cavaco
    • Estrela Serrano,
    A “receita” kafkiana do ministro das Finanças
    • FNV,
    RETRIBUIÇÃO
    • Francisco Seixas da Costa,
    Bancas
    • Irene Pimentel,
    Espiões na Costa do Sol portuguesa durante a II Guerra Mundial
    • Rui Curado Silva,
    Medina Carreira em registo tasca vínica
    • Rui Peres Jorge,
    O que Gaspar não disse sobre o que os portugueses pensam
    • Sofia Loureiro dos Santos,
    O ónus da prova
    • Teófilo M.,
    Governar para o défice

A ignorância é muito engraçada



Leio aqui que Miguel Relvas esteve na apresentação do livro “Histórias da JSD”, que reúne relatos de vários autores sobre a sua passagem pela Juventude Social-Democrata desde 1974 até hoje. Entre os autores estão Miguel Relvas, que foi secretário-geral da JSD, e Pedro Passos Coelho que foi presidente do movimento.

Ainda pensei que o PSD tivesse o bom senso de mandar recolher todos os exemplares. Mas não. Os estarolas da São Caetano de São Bento acham que a ignorância é uma coisa muito pitoresca. Só assim se compreende que o episódio relatado por Passos Coelho seja o que se passou uma assembleia dos jotas, em que ninguém (incluindo o próprio Passos Coelho) percebeu que quem a dirigia estava a confundir “quórum” com “cloro”.

Álvaro embasbacado

O aumento do preço dos passes sociais e dos bilhetes não é solução para os transportes públicos. A Federação da Área Urbana de Lisboa do Partido Socialista propõe um modelo de financiamento alternativo que tem como objectivo “repor os preços dos bilhetes e dos passes sociais aos níveis do início do ano”, antes dos aumentos de Agosto.

Enriquecimento injustificado

António José Seguro explica hoje no DN o voto do PS sobre o enriquecimento ilícito:
    'O combate à corrupção é uma prioridade da agenda política do PS. O que o PS não aceita é que um cidadão português seja preso sem que tenha sido apresentada prova do crime de que é acusado. Não aceita o PS, e estou certo de que não aceita a maioria dos portugueses. Aceitar esta inversão do ónus da prova constituiria um retrocesso civilizacional.

    O combate à corrupção, como é reconhecido internacionalmente, trava-se com uma abordagem global, multifacetada, em várias frentes. Um combate que, não menosprezando aperfeiçoamentos legais, deve ser acompanhado da dotação de meios eficazes e operacionais para o cumprimento da actual legislação de combate à criminalidade económica e financeira. Foi nesse sentido que o PS apresentou na Assembleia da República uma proposta que sancione rendimentos e patrimónios injustificados. Fê-lo com preocupações de eficácia e de operacionalidade, respeitando a Constituição da República Portuguesa. De uma forma muito clara e sucinta relevo as ideias-base da nossa proposta:- considerar como crime declarações falsas ou ausência de declarações sobre rendimentos e património dos políticos e de altos cargos públicos; - congelar a favor do Estado os rendimentos e património sem justificação e avançar com investigação criminal pelo Ministério Público.

    Deste modo, através de um processo muito eficaz e imediato, o Estado salvaguardava os seus interesses e acautelava eventuais subterfúgios que permitissem a fuga de património e rendimentos. Um outro dado inquestionável é o de que a proposta do PS não corre o risco de ferir a Constituição e, por isso mesmo, poderia ter aplicação imediata. Acresce que é pretensão do PS alargar estas medidas a outros agentes públicos e responsáveis que agem em nome do Estado. No entanto, estas propostas foram chumbadas pelo PSD, CDS, PCP e BE. Fizeram-no por mero jogo partidário. Quiseram passar para a opinião pública a ideia de que o PS não está interessado no combate à corrupção. Falsidades.

    Comportamentos lamentáveis destituídos de sentido de Estado. Em Julho, no primeiro debate com o PM, disponibilizei o PS para a criação de um forte consenso interpartidário para o combate à corrupção. Mas a maioria PSD/CDS ignorou a nossa disponibilidade e excluiu, deliberadamente, o PS desse consenso nacional. Lamento afirmar, mas chegou à altura de o dizer: este comportamento (da maioria PSD/CDS) parece tornar-se num padrão de comportamento político. Pode corresponder a objectivos partidários, mas enfraquece o interesse nacional. Um padrão que pode sair muito caro a Portugal.

    A nossa proposta alternativa é séria. Somos oposição responsável e construtiva. Apresentámos uma proposta corajosa. Equilibramos o objectivo fundamental de sancionar o enriquecimento sem justificação (partilhado pelo PS, sem margem para qualquer dúvida) com meios eficazes em respeito pelos mais sólidos princípios constitucionais do mundo ocidental: presunção da inocência e, no crime, o ónus da prova pertence a quem acusa. A Constituição consagrou princípios que resultam da nossa evolução civilizacional e apreendidos pelo poder constituinte. A previsão constitucional não é o princípio da história. É a consagração de uma experimentada cultura de vida em sociedade. É aliás uma consagração de princípios liberais, na verdadeira acepção do termo, de protecção do indivíduo perante abusos do Estado. É uma defesa das pessoas, das suas liberdades e da sua dignidade.

    A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (UNCAC) foi nesse sentido quando estabeleceu que cada Estado deve combater o aumento significativo do património de um agente público para o qual ele não consegue apresentar uma justificação razoável face ao seu rendimento legítimo, no respeito pela sua Constituição.

    Foi isso que o PS fez. Com grande rigor. O PSD e o CDS trocaram o Estado de direito e o respeito por princípios civilizacionais por apelos mediáticos que apenas conduzirão a medidas ilusórias, continuando a alimentar a descrença dos portugueses no empenho político para o combate à corrupção. A corrupção é inimiga do Estado de direito e enfraquece o nosso regime democrático, ameaçando também o nosso desenvolvimento económico. Merece largo consenso nacional e muita seriedade na sua abordagem. O PS reafirma que até ao final do ano continuará a apresentar propostas e desencadeará iniciativas que acabem com o "passa culpas" entre poder político e judicial, resistindo aos apelos populistas que, tomando a parte pelo todo, desresponsabilizem quem deve ser responsável. Os diagnósticos estão feitos. Ainda durante este mês iniciaremos um conjunto de reuniões com os representantes dos operadores judiciários, investigadores e organizações não governamentais, com vista a estabelecer um amplo compromisso nacional, sério e eficiente, respeitador dos direitos fundamentais, de combate à corrupção. Agiremos com sentido de responsabilidade e determinados em acabar com opacidades que apenas contribuem para suspeições generalizadas sobre a vida pública. A transparência é a chave para esta reforma.'

Cem dias de Governo da direita

Pedro Silva Pereira: há "uma obsessão do Governo em ir para lá do memorando da troika - e esta obsessão corre o sério risco de ser totalmente desadequada face às actuais circunstâncias da economia internacional, porque cria condições para o agravamento da recessão na pior altura".

♪ No adeus a José Niza [3]


Poema de Manuel Alegre
Voz de Carlos do Carmo

E qual é a posição do Governo português?

As bandeiras dos pecadores da dívida deveriam ser colocadas a meia-haste, como sustentou Oettinger? Segundo a Sr.ª Merkel, tem de se ir ainda mais longe: arriar as bandeiras.

Sempre com o Passos trocado na parada




Paulo Portas disse: “Como português estou interessado na ideia dos ‘eurobonds', se fosse alemão teria algumas dúvidas, mas como europeus temos de fazer um esforço de aproximação”.

Ora Passos Coelho parecia pensar como português — “'eurobonds' para combater agências de rating” — até ao dia em que a Sr.ª Merkel o convocou para uma reunião. Não querendo arreliar a senhora em causa, o primeiro-ministro português (ou lá o que ele é) veio de Berlim a pensar “à alemão”: “Acompanho em grande medida aquilo que disse a senhora Merkel. Não podemos olhar para um princípio de obrigações europeias como uma forma de resolvermos os problemas que temos agora de excesso de divida”.

Isolado no seu próprio país, um desorientado Passos Coelho descobre que é preciso reparar o erro colossal cometido: já não quer dar um passo em frente (que seria a criação dos eurobonds); agora, quer dar dois passos em frente, com a adopção de “mecanismos mais duradouros e solidários”.

No meio desta desorientação generalizada, não admira que o nosso Moedas tenha ido à Assembleia da República confessar que sobre estas questões — designadamente a criação de eurobonds — o Estado português não tem uma “posição oficial”. Antes pelo contrário, como se observa.

Uma nota matinal

O caso Madeira/AJJ passou a caso Madeira/AJJ/Relvas.

Primeiro uma ocultação assumida, depois uma ocultação presumida, agora uma ocultação anunciada.

Ainda que mal pergunte: a ocultação é um trabalho técnico ou um trabalho político? ...

Em conclusão: Relvas apoia Jardim.
    Afonso

E os crimes fiscais ninguém investiga? (2)

Crimes fiscais terão penas mais graves já no próximo ano, lê-se no Diário Económico. Mas importa sublinhar que as normas em vigor são mais do que suficientes para investigar os efeitos fiscais da ocultação das dívidas na Madeira.

O programa eleitoral do PSD fazia alusão ao despedimento de funcionários públicos?

Hélder Rosalino, secretário de Estado da Administração Pública: “Não podemos excluir a hipótese de despedimentos”.

«Hoje, de facto, estamos no PEC VII, sem que se conheça qualquer “desvio colossal” que o justifique»

• Pedro Adão e Silva, CUSTA A PERCEBER [sábado no Expresso]:
    '4 de Fevereiro de 2010 Numa comunicação ao país em tom grave, Teixeira dos Santos apela aos partidos para que, no dia seguinte no Parlamento, não aprovem um conjunto de alterações à Lei das Finanças Regionais. Para o ministro das Finanças, o que estava em causa era suficientemente grave. Num contexto em que Portugal tinha necessidade imperiosa de controlar o endividamento, "não faz qualquer sentido que as regiões autónomas, em particular o Governo Regional da Madeira, vejam aumentadas as transferências que recebem do Orçamento do Estado e vejam alargadas as condições para se endividarem ainda mais". No dia seguinte, PSD e CDS, coligados com PCP e BE, votariam favoravelmente as alterações à lei. Em finais de Agosto deste ano, começou a ser conhecido o buraco financeiro na Madeira, bem como o conjunto de violações grosseiras do Estado de direito cometidas pelo Governo Regional para ocultar a voragem da dívida.

    23 de Março de 2011 O Parlamento chumba em bloco o PEC IV. Para Passos Coelho, o novo pacote de austeridade era inaceitável porque “se limitava a pedir sacrifícios redobrados aos portugueses”. Desde Junho, o Governo apresentou três subidas de impostos e nenhum corte nas “gorduras do Estado”, as tais que não acarretariam mais sacrifícios para os portugueses. Hoje, de facto, estamos no PEC VII, sem que se conheça qualquer “desvio colossal” que o justifique, para além do efeito combinado da ocultação das contas da Madeira e do caso de polícia que é o BPN. Entretanto, esta semana, na primeira entrevista desde que tomou posse, Passos Coelho revelou que “as despesas públicas em saúde, em educação, nos apoios sociais (...) somam grande parte dos impostos” e que, por isso, “não é possível fazer no curto prazo uma reestruturação da despesa”. No fundo, duas constatações elementares que nunca haviam ocorrido a alguém que andava há décadas a preparar-se para ser primeiro-ministro.

    8 de Maio de 2011 A desvalorização fiscal é apresentada no programa eleitoral do PSD como solução milagrosa para aumentar a competitividade da economia portuguesa. A crer em Passos Coelho, o PSD tinha estudos que permitiriam diminuir a TSU e encontrar soluções compensatórias para a diminuição de receitas da segurança social. Álvaro Santos Pereira defendia mesmo “uma descida substancial da TSU em 10 ou 20 pontos percentuais”. Depois de Vítor Gaspar ter desvalorizado um par de vezes a viabilidade de uma descida eficaz da TSU, Passos Coelho, ainda na entrevista à RTP, sublinha que se trata de um compromisso constante do memorando de entendimento. O que era um ‘game changer’ para a nossa economia, passou a ser apenas mais uma medida que temos de aplicar porque a isso somos obrigados.

    Custa muito a perceber a razão por que os candidatos a primeiro-ministro se empenham em fragilizar as condições em que mais tarde vão exercer o cargo. Infelizmente, nunca saberemos se o fazem movidos por puro eleitoralismo ou se se trata apenas de impreparação.'

Domingo, Setembro 25, 2011

Da série "Frases que impõem respeito" [650]


Vamos ter alta velocidade, só não se chama TGV.
      Prof. Marcelo, na homilia dominical, explicando com um jogo de palavras a decisão de avançar com o TGV, o que deverá ser suficiente para evitar que a ejaculação precoce do deputado Amorim se converta em orgasmos múltiplos

Ainda o caso Madeira/AJJ

AJJ diz-se traído pelo PR e pelo Governo da República. Deixaram, diz ele, que se soubesse.

Pois bem, e ainda que mal pergunte:

Se AJJ tem razão de queixa, então, desde quando sabiam da ocultação?

É que se só souberam de véspera a queixa não tem sentido. E se souberam antes, como parece ser o caso, alguém está a mentir.

Teremos, portanto, um caso de ocultação das dívidas e um caso de ocultação do momento em que se tomou conhecimento da ocultação.

Isto já está a parecer um caso de polícia…
    Afonso

Nota sobre um Correio da Manhã

Um exemplo actual de que a ‘Truth itself becomes suspicious by being put into that polluted vehicle.’ (T. Jefferson, Political Writings, p. 275)

Acrescento, apenas, o seguinte: trabalhar e escrever em tal veículo é o primeiro passo no caminho da corrupção moral…
    Afonso

Agence France-Presse: “Um sismo na V República”


Socialistas vencem eleições para o Senado e começam a mudar o mapa político da França

E os crimes fiscais ninguém investiga?

António José Seguro em entrevista dada hoje ao Público:
    ‘(...) Eu fiquei satisfeito com a abertura de um inquérito por parte da PGR [à ocultação de dívidas do Governo Regional da Madeira]. Mas não percebo porque é que administração fiscal ainda não fez nada. Quando há ocultação de dívida, isso significa o quê? Há facturas? Há recibos? O IVA foi pago? (...)’

♪ No adeus a José Niza [2]


Música de José Calvário
Voz de Carlos Mendes

As razões do Correio da Manha


Três meses após Sócrates ter saído de São Bento, o Correio da Manha continua a conseguir fazer a média de uma manchete por semana com o seu nome.
Muito significativo é que nenhuma dessas manchetes tem, à luz dos mais básicos princípios da actividade jornalística, qualquer interesse público. Trata-se, ora de puras repetições, ora de construções rebuscadas sem qualquer sustentação na realidade.
Isso pouco importa. O Correio da Manha aplica a Sócrates a bitola que utiliza em todas as matérias que noticia. Isso diz mais sobre a vil tristeza do nosso espaço público (e as infinitas possibilidades da sua manipulação...) do que sobre Sócrates ou o Correio da Manha.
O que o Correio da Manha tem feito com Sócrates é do domínio da ilegitimidade, quando não da mais pura ilegalidade. É, por isso, chocante assistir ao silêncio cobarde de uma série de gente, sejam os pares da chamada comunicação social, sejam os actores políticos, os reguladores, enfim, o sistema judicial (e esta última parece uma piada, não é?).
O Correio da Manha - os seus autores e os seus proprietários - desenvolvem uma campanha negra contra Sócrates, cujas razões ultrapassam - têm de ultrapassar - o mero interesse jornalístico.
O facto de essa campanha se prolongar no pós-Sócrates não é, ao contrário do que se poderia supor, um mero gesto vingativo. Tem um alcance mais longo. É também um aviso à navegação, aos novos poderes: "percebem até onde podemos ir quando queremos alguma coisa?".
E é também nesse contexto - o de clara pressão, condicionamento, chantagem - sobre os órgãos legítimos da democracia que ainda menos se entende a complacência, o silêncio (e até o apoio tácito) do novo poder. Ou talvez não.

Da série "Gente que não se respeita a si própria"



Tráfico de João Botelho


Há precisamente quatro meses, Bagão Félix andava num corrupio para nos fazer acreditar que a TSU nos iria permitir aceder ao paraíso. Ele defendeu então que o Governo não deveria aumentar as taxas do IVA, mas em contrapartida financiar a baixa da TSU (a contribuição do patronato para a segurança social) tomando de assalto o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, que tem um saldo de dez mil milhões de euros.

Por outras palavras, Bagão quis atirar-se às pensões dos portugueses — e fê-lo com tanta convicção que, no mesmo dia, escreveu um artigo no Jornal de Negócios, deu uma entrevista ao Diário Económico e ainda teve disponibilidade para subir ao palanque do Conselho Superior da Antena 1 para falar ao povo .

Agora, com aquela cara que deus lhe deu, o mesmo Bagão Félix recusa que Portugal seja a cobaia do FMI, opondo-se, portanto, à adopção da TSU.

A selvajaria nas relações de trabalho

• António Perez Metelo, A espada:
    ‘Há umas 20 mil pequenas e médias empresas (com mais de 10 e menos de 500 trabalhadores por empresa), com o estatuto de excelência, que seguem as passadas das grandes. É este o exército, que continua a crescer a mais de 8% ao ano, e está a evitar maiores quedas da produção do país. E fá-lo, em regime de plena concorrência aberta com competidores externos, sem temer a comparação de produtividades. Só que este conjunto de empresas, moderno e competitivo, apenas emprega um terço dos trabalhadores por conta de outrem.

    Os outros dois terços estão nas restantes 40 mil PME e nas 290 mil micro-empresas, nas quais, as mais das vezes, patrões e 2 ou 3 empregados mal se diferenciam na repartição de tarefas. A gestão do pessoal... tem dias. Reina o empirismo, a gestão do curto prazo, o célebre 'desenrascar' à portuguesa. Cabe perguntar: os critérios alargados de justa causa de despedimento – não cumprimento de objectivos acordados ou quebra progressiva de produtividade – fazem algum sentido neste universo? Só vejo um: colocar uma espada de Dâmocles sobre a cabeça de 1,9 milhões de trabalhadores, para que produzam mais, com medo de serem postos na rua com pretextos incompreensíveis.’

Ele não fez isto sozinho



• Fernanda Câncio, Linda brincadeira:
    ‘A 30 de Novembro de 2006, foi aprovada no Parlamento uma nova Lei das Finanças Regionais. Estabelecia-se, "tendo em vista assegurar o princípio da estabilidade orçamental", limites ao endividamento de Açores e Madeira, que passavam a ser determinados em sede de Orçamento do Estado em termos "compatíveis com os conceitos utilizados em contabilidade nacional" e "tendo em consideração as propostas apresentadas pelos Governos Regionais". Determinavam-se ainda sanções por violações aos limites do endividamento, implicando estas uma redução nas transferências do Estado para a região, não podendo doravante, "sem prejuízo das situações legalmente previstas", os empréstimos a emitir pelas Regiões beneficiar da "garantia pessoal do Estado". Toda a oposição ao PS, à excepção do CDS-PP (que se absteve), votou contra. O presidente do Governo Regional da Madeira insistiu junto de Cavaco, então no seu primeiro ano de mandato como Presidente, para que vetasse o diploma, invocando a sua inconstitucionalidade (o Tribunal Constitucional, que o fiscalizou a pedido dos deputados do PSD, não concordou). A lei foi promulgada e entrou em vigor em Fevereiro de 2007; Jardim demitiu-se para voltar a candidatar-se a eleições e ganhar nova maioria absoluta. (…)’

A crise que era portuguesa