Terça-feira, Novembro 30, 2010

Há cada coincidência


Ontem no Porto; hoje no Público


Já repararam que o assessor de imprensa do candidato Cavaco é o mesmo que era assessor de imprensa da candidata Ferreira Leite? Há cada coincidência.

Isto está uma miséria


Evolução dos juros da Itália a 10 anos
[Retirado daqui]


A seguir à Espanha, Itália e Bélgica juntam-se agora ao grupo de risco, já com Sarkozy a dizer que a França não se situa “dans la même catégorie” que a Irlanda ou Portugal. Estamos quase no ponto em que na zona euro se safam apenas a Alemanha (deixando cair o Leste), a Holanda e a Áustria.

Ainda assim, o célebre estratega da Marmeleira escreve hoje na Sábado que tem “poucas dúvidas” de que a subida dos juros da “nossa dívida” se deve ao Governo.

PS — A credibilidade de Pacheco pode ser verificada neste vídeo made in Rodrigo Moita de Deus, no qual o estratega aposentado da Marmeleira diz, com o intervalo de uma semana, tudo e o seu contrário. Ele anda a saber das novidades ao mesmo tempo que nós.

Passos Coelho: — Desta vez, não meti os pés pelas mãos, disse o que tinha a dizer, topam?!



João Lemos Esteves é militante da JSD e tem um blogue alojado no site do Expresso, no qual escreveu um excelente post de análise da entrevista de Passos Coelho a Clara Ferreira Alves. Discordo apenas do post scriptum.

Vamos por partes.

Escreve João Lemos Esteves:
    “Qual foi, então, o erro de Passos Coelho? Afirmar que estará preparado para governar com o FMI. Acreditando que Passos Coelho não é tão naif para achar que tais declarações iriam passar despercebidas, teremos de concluir que pretendeu deixar uma mensagem política - a de que está convicto da inevitabilidade da intervenção do Fundo Monetário Internacional. Ou seja, o líder da oposição, numa altura em que é necessário reunir esforços para o país evitar intervenções de organismos internacionais, dá a entender que a ajuda externa é uma fatalidade!

    Mais: Passos Coelho matou a sua estratégia. É que - recordemos! - o Orçamento foi viabilizado pelo PSD para acalmar os mercados internacionais e, por esta via, evitar a vinda do FMI. Apenas por essa razão - o PSD, como a actual direção política faz questão de recordar à exaustão, discorda das soluções constantes da Lei do Orçamento. Perguntamos: então, se a vinda do FMI é muito provável e é um cenário que não devemos diabolizar, por que razão se viabilizou o OE 2011, discordando dele? Para evitar vinda do FMI? Aparentemente, segundo o líder do PSD, o resultado da não viabilização seria exactamente o mesmo...”
O que João Lemos Esteves diz é inatacável e põe a nu a hipocrisia que o PSD vem revelando.

Já o que escreve no post scriptum parece revelar alguma ingenuidade:
    Cresce nos políticos portugueses a tendência pró-FMI. Razão: diz-se que os políticos portugueses, enredados nos seus interesses e passado, não serão capazes de tomar as medidas adequadas para equilibrar as nossas finanças. Será que não percebem que estão a atestar a sua própria incompetência?
Com efeito, a “tendência pró-FMI” existe de facto e está a crescer, como salienta João Lemos Esteves. Não creio no entanto que esta tendência resulte de haver políticos que se sintam incompetentes (problema técnico), mas de ser útil aos interesses que esses políticos representam a visita do FMI. Para os bancos e grupos económicos, o FMI significa acesso mais fácil a financiamento. A dureza das medidas que o FMI costuma impor aos países em que intervém seria apenas sentida sobre quem trabalha por conta de outrem.

Neste sentido, Passos Coelho não teve um momento infeliz na entrevista que deu a Clara Ferreira Alves. Ele disse o que os interesses que ele representa queriam que fosse dito. Não estamos em presença de uma questão neutra.

¿Por qué no te callas?

E porque é que Carlos Costa não se cala? Decididamente, ou o antigo chefe de gabinete de Deus Pinheiro na Comissão Europeia está deslumbrado com a circunstância de ser governador do Banco de Portugal ou faz parte daqueles que querem, à viva força, trazer o FMI para Portugal.

O combate ao despesismo segundo o Dr. Portas

É bonito ver a súbita preocupação de Paulo Portas com os gestores e os assessores. Voltemos a 2002-2004. O país estava de tanga. Portas comprou dois submarinos por mil milhões e, em dois anos, fez 16 (dezasseis) nomeações para um gabinete-sombra de “Ministro de Estado”, onde colocou, às custas do contribuinte, o estado-maior do Largo do Caldas. Assim, a par das nomeações para o seu gabinete enquanto ministro da Defesa, Portas teve um outro gabinete apinhado de gente como ministro de Estado, que é apenas uma espécie de cargo honorífico para distinguir o visado no elenco governamental. Eis a lista (acreditando ser exaustiva) do gabinete do ministro de Estado no primeiro Governo PSD-CDS (não menos interessante as nomeações para o segundo Governo PSD-CDS):

DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE N.º 109 — 2002-05-11 (seis nomeações)
DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE N.º 116 — 2002-05-20 (duas nomeações)
DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE N.º 120 — 2002-05-24 (uma nomeação)
DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE N.º 125 — 2002-05-31 (uma nomeação)
DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE N.º 150 — 2002-07-02 (uma nomeação)
DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE N.º 67 — 2003-03-20 (uma nomeação)
DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE N.º 291 — 2003-12-18 (duas nomeações)
DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE N.º 18 — 2004-01-22 (uma nomeação — PPM sai das listagens do IEFP)
DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE N.º 71 — 2004-03-24 (uma nomeação)

Entre os nomeados, está o inevitável PPM, esse assessor de porra nenhuma que agora se faz passar por jornalista:

♪ O monstro alemão [3]


Klaus Schulze

Segunda-feira, Novembro 29, 2010

Integrado, disse ele

Cavaco disse à PIDE que estava “integrado” no salazarismo...

A psicose provoca a perda de contacto com a realidade


Há coisas extraordinárias, não há? Um sujeito, que aparentemente tem a carteira de jornalista, vem publicamente pedir ao site WikiLeaks que lhe forneça elementos sobre uma só pessoa – o primeiro-ministro de Portugal.



Veja-se se o tal sujeito, antigo assessor de Paulo Portas, tem coragem para perguntar se nos milhares de mensagens enviadas para Washington não há referências ao ex-ministro da Defesa, que era tão amigo de Rumsfeld.

Da série "Frases que impõem respeito" [531]


Zapatero e Sócrates - ambos com minorias governamentais a precisar de apoios - estão a tentar, pelo menos, dar passos decisivos na direcção certa, sob difíceis condições políticas e económicas.

Frankfurter Allgemeine, aguardando-se agora que Passos Coelho volte a dar uma entrevista a este jornal de negócios para desmentir os progressos obtidos

Bloco central? Vade retro satana!

Mas vale a pena ouvir a conversa entre Pedro Adão e Silva e Pedro Marques Lopes.

Vai uma aposta que a oposição não falará, nos próximos tempos, do turismo?


* Imagem pedida de empréstimo a Luís Paixão Martins, que a foi buscar ao Jornal de Notícias.

O canhão de Solimão

• António Correia de Campos, O canhão de Solimão:
    Quem siga alguns “media” em Portugal não reconhece o País em que vive. Quem conhece e viaja pelo País, não reconhece o que tais órgãos transmitem.

    No início da semana de debate do Orçamento na especialidade, os "media" exacerbavam infelizes declarações do líder da Oposição, descrendo dos números da execução orçamental do ano em curso, como se vivêssemos na Grécia, há cinco ou dez anos atrás; na véspera e no dia da aprovação do OE 2011, um facto de enorme carga simbólica e substantiva em governação minoritária, muitos jornais já se deliciavam com os mexericos de uma virtual remodelação do Governo; a mesma ocasião, segundo o modelo comunicacional do Tribunal de Contas, foi escolhida para divulgar uma "auditoria" ao aeroporto de Beja, prontamente desmentida como carregada de erros, julgamentos parciais e as habituais conclusões "arrasadoras" para o Governo (informação fielmente reproduzida por um dos nossos jornais de referência, como se de uma verdade lapidar se tratasse, sem referência a audição do contraditório, à qual só deu espaço no dia seguinte, depois do mal irreversível). Em momentos de crise, como a que atravessamos, em vez de união e focagem no essencial, praticamos a nostalgia do reles. Onde pára a noção de serviço público? Não haverá melhores momentos para "tesourinhos deprimentes"?

Canção para o Festival da Eurovisão

A falta que Dias Loureiro faz…

No Reino da Dinamarca

Pina Moura diz que é nestes momentos que se medem as convicções. Acho que é neste e nos outros momentos. E é por isso que há retratos que não ficam famosos.

♪ O monstro alemão [2]


Tangerine Dream

Viagens na Minha Terra

Para lá da Linha Maginot

Domingo, Novembro 28, 2010

Marinho e Pinto reeleito



    Espero que Marinho Pinto tenha conseguido ontem a sua reeleição para bastonário dos advogados portugueses. Porque nunca antes alguém conseguiu, como ele, incomodar a paz podre da Justiça e da advocacia dos interesses e ser, nesta sociedade gravemente doente, uma voz livre, desalinhada, sem medo.
      Miguel Sousa Tavares, ontem no Expresso

O cabotino que a direita inventou para falar em seu nome



Um amigo enviou-me uma mensagem em que dizia: “Absolutamente imperdível o texto de João Duque sobre o filme “Inside Job” no Expresso. Está no Cartaz (pp. 36-8).” Concluía assim: “E fica tudo mais claro.” Valeria a pena transcrever na íntegra o texto, mas não tenho paciência para tanto. Fica aqui uma passagem:
    Quando Charles Ferguson trata a remuneração dos gestores, por que razão acha ignóbil e mefítico o ganho de milhões por quem é esperto, audaz, atrevido e conhecedor embora retire a capitalistas uma parte das suas fortunas? Será que admite como normal que um recém-nascido, só porque é filho de alguém, possa herdar uma fortuna sem que para isso tenha contribuído ou lhe tenha sido encontrada qualquer qualidade? Por que razão não se reclama do mesmo modo junto de um Cristiano Ronaldo que ganha uma fortuna para correr em cuecas pelos campos de relva atrás de uma pelota de plástico, no fundo a brincar qual foca na piscina?

Nós e o mouro

Isto, revelando como funciona aquela cabecinha, deve ser para lembrar ao Zé Manel que ele não tem curriculum para blasfemar.

Charada

À primeira vista, não parece complicado identificar o objecto deste post de Bernardo Pires de Lima, intitulado Uma carreira de sucesso, que começa assim: “Jovem, se tens mais de 18 anos, um cérebro pouco maior que uma ervilha e queres ser conhecido pelos teus compatriotas (…)”. Depois, pensando melhor, as hipóteses são várias. Mate a charada na caixa de comentários.

Leituras

Um bem felizmente não transaccionável

Sabe-se o que a blogosfera (a que o conhece) pensa dele, mas ele insiste, mesmo assim, em o confirmar:
    Numa altura em que tanto se fala da necessidade de Portugal se dedicar aos bens transaccionáveis – ou seja, aos produtos e serviços que podem ser vendidos nos mercados internacionais, contribuindo assim para o equilíbrio da balança comercial e para a redução do défice externo –, a estação da Prisa parece ter encontrado um produto adequado.

PS — João, ele absorve tudo o que escreves: “Um blogue de assessores e comentadores profissionais ao serviço do Governo Sócrates na internet tentou, esta semana, ridicularizar o Presidente da República por ter enviado uma mensagem a felicitar a TVI e a equipa que produziu ‘Meu Amor’.” Fico contente por te ver a praticar o bem, contribuindo para o banco alimentar contra a pobreza de espírito.

♪ O monstro alemão [1]


Kraftwerk

Embaixador em Samoa visto a almoçar no Comilão



As edições de sábado do Diário de Notícias dão uma trabalheira à São Caetano. Mas é um esforço que compensa.

Esta semana, num pequeno texto ilustrado com uma abelha e a enigmática palavra "ferroada" (!?), explicam-nos que Passos Coelho é tal e qual Cavaco: poupado e trabalhador. "Não gostam mesmo nada de gastar dinheiro mal gasto", garantem-nos. Bizarras criaturas! Que atire a primeira pedra aquele que de entre vós não adore gastar dinheiro mal gasto.

Garantem-nos ainda os da São Caetano que, no dia da Greve Geral, o Líder teve uma "agenda política muito cheia", mas que ainda teve forças para ir dar quatro (!) horas de aulas. Disciplina de Poupança Doméstica, presumimos nós.

Quanto ao Comilão, local que frequento assiduamente, nunca por lá vi Passos Coelho. Andamos desencontrados nos dias, certamente.

Ou, então, à semelhança do texto sobre o embaixador em Samoa, publicado a semana passada na mesma página, nada disto é verdadeiro e o DN levou mais um barrete da São Caetano. Como de costume...

Sábado, Novembro 27, 2010

Em que ficamos?

João Palma, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, vem fazendo constantes declarações de que o Governo quer destruir a justiça e calar o Ministério Público. Hoje, quando se soube da saída do secretário de Estado da Justiça, o mesmo Palma desdobrou-se em elogios a João Correia, que têm de ser entendidos como elogios à política do Governo para a justiça:
    “É uma perda grande no sentido em que João Correia pôs toda a sua experiência, que é grande, de tribunais, funcionamento de tribunais e problemas da Justiça ao serviço do Governo. Revelou um impulso reformador apreciável”.

Os patriotas que andam por aí

Quando Passos Coelho se esforça por denegrir a situação do país, fazendo constar, junto da imprensa internacional, que o défice de 2010 seria de 9,3, e, depois, abre os braços ao FMI, vale a pena observar a forma como lá fora se reage às investidas dos mercados. Veja-se o caso de Joaquín Almunia, vice-presidente da Comissão Europeia e comissário europeu da Concorrência, a incentivar os seus compatriotas a falarem a uma só voz:
    “Lo que digamos los españoles, ocupemos el puesto que ocupemos, en el Gobierno, en la oposición, en Europa, o en una comunidad autónoma, tiene mucha importancia para defender los intereses de 40 millones de españoles. (...) Hay que lanzar el mensaje de que sabemos lo que tenemos que hacer y de que vamos a tener êxito”.

Porno-crespo (2)

Os leitores do CC são os melhores do mundo [ver comentários neste post].

As aparências e a substância

A concretizar-se esta notícia [Manuela Moura Guedes e SIC perto de acordo para regresso da jornalista à TV], a pergunta-se que se impõe é: Quem engole quem?

Um homem disposto a tudo para se alçar ao poder



Tudo leva a crer que a manchete do Expresso tenha sido feita com a melhor das intenções: abrir alas para levar o homem de plástico a São Bento.

Mas o tiro no pé não poderia ter feito mais estragos: quando se impõe que os portugueses façam passar, a uma só voz, a ideia de que sabem o que estão a fazer (e que o farão sem hesitações) para recuperar a situação financeira do país, o líder do maior partido da oposição (que viabilizou o Orçamento do Estado para 2011) faz, na prática, um apelo aos mercados para que aumentem a pressão sobre Portugal — e o ajudem a alçar-se a São Bento.

Veja-se, a este propósito, as declarações de Augusto Santos Silva:
    “Devemos ser muitos cuidadosos para não fazer declarações que enfraqueçam a posição nacional. Manifestamente, a interpretação que é possível dar das declarações de Passos Coelho é de que põe em causa a capacidade nacional e que, nesse sentido, não favorece o interesse do país neste momento, para além de dar a ideia de um líder político disposto a tudo, isto é, disposto a pagar todos os preços para ocupar o poder. O que não é uma ideia muito própria de lideranças políticas maduras e à altura dos tempos que vivemos”.

♪ O nosso pacote de ajuda à Irlanda [7]


Irish Rovers

Dos 3 milhões aos 9%

Num dos mais patrióticos gestos da Greve Geral, Carvalho da Silva arrastou João Proença e as televisões para as portas de um dos maiores exportadores portugueses, a Autoeuropa. A mensagem era clara: os mesmos trabalhadores que, ao contrário de todos os outros, verão o seu salário crescer 3,9% em 2011 também iam aderir à greve, obviamente, devido à sua justeza...
Sabemos agora que a adesão à greve na Autoeuropa foi de... 9%.

Da série "Frases que impõem respeito" [530]



Vou jantar. Estou mesmo com muito apetite.

Cavaco Silva, evitando os jornalistas, numa repetição da cena do bolo-rei, mas agora sem bolo, que os tempos estão de crise

Sexta-feira, Novembro 26, 2010

O regime de “excepção” nos cortes salariais e o PSD de Gaia/Aveiro/Massamá

O PSD do eixo Gaia/Aveiro/Massamá concordou com a adaptação dos cortes salariais às especificidades do sector público empresarial. O Dr. Passos estava no dia da greve entretido a “construir ideias” e não hesitou em apoiar a adaptação (por motivos que julgo não corresponderem à sua razão de ser).

Dão-se, entretanto, os sucessivos raids do PSD do eixo Foz/Marmeleira/Belém e o Dr. Passos abana que nem varas verdes, recuando tanto quanto possível.

Ao observar estas incongruências, a ams considera que “esta plasticidade é… inquietante”. Mais vale descobrir tarde do que nunca.

A coisa promete

Pensei que o blogue oficioso do passismo era apenas composto por parte da secção laranja do DN e por uns asessorzecos avulsos da São Caetano, sob a batuta férrea de um representante do capital, mas enganei-me: o secretário-geral da JSD também faz parte e, agora que esta instituição mal frequentada se reúne em congresso, clama por “projectos responsáveis, e sempre irreverentes, na defesa da juventude portuguesa.”

O regime de “excepção” nos cortes salariais e o PSD da Foz/Marmeleira/Belém

O PSD do eixo Foz/Marmeleira/Belém vagueia entre a intriga interna e o lamento pelo corte dos privilégios que meteu ao bolso ao longo destes anos. A Dr.ª Manuela anda a chorar pelos cantos por causa da impossibilidade de acumular as pensões de reforma que aufere com o vencimento de deputada, resmungando que coisa assim só no PREC. Mas é a mesma Dr.ª Manuela que se mostra indignadíssima por se adaptar a norma dos cortes salariais às especificidades das empresas públicas, ainda que a malograda líder do PSD saiba que não é posto em causa o corte de cinco por cento da massa salarial previsto para os trabalhadores do Estado.

Mas há sinais evidentes de que estes raids ferreiristas se enquadram na política de desgaste do homem de plástico de Massamá. É só ver que o Dr. Rio já não perde uma oportunidade, boa ou , para meter a cabeça de fora do casulo camarário e zurzir na política do PSD do eixo Gaia/Aveiro/Massamá. Se calhar, a seguir às eleições vamos mesmo assistir a eleições — não para São Bento, mas para a São Caetano.

O regime de “excepção” nos cortes salariais

Há gente que não perde uma oportunidade de exercer o mui legítimo direito à indignação. A situação mais recente ocorreu a propósito da norma do Orçamento do Estado para 2011 que impõe cortes salariais no Estado e no sector público empresarial. Haverá razões para se gastar energias com a adaptação (e não excepção, como se apregoa por aí) feita ao sector público empresarial? Veja-se:

O princípio fixado é o de que a massa salarial deve ser reduzida em cinco por cento. Uma vez que ficaram isentos desta medida os trabalhadores do Estado com salários abaixo de 1.500 euros, significa que aqueles que no Estado auferem montantes mais elevados sofrerão cortes que podem atingir 10 por cento.

Ora nas empresas — e as que são detidas por capitais públicos não são excepção — há situações em que as remunerações dos trabalhadores são compostas por uma parcela fixa e outra variável dependente do desempenho (v.g., vendas). A forma como foram fixados os cortes salariais a que irão estar sujeitos os trabalhadores do Estado poderia gerar injustiças se fossem aplicados cegamente nas empresas do sector público empresarial, em especial quando estão em causa remunerações em que a componente variável chega a ser superior à parte fixa do salário.

Admitindo até que, no caso das empresas com capitais públicos, a transposição mecânica dos cortes salariais poderia colidir com disposições do Código do Trabalho, haverá razões para este coro de protestos, sabendo-se que o corte de cinco por cento da massa salarial não é posto em causa?

Espionagem política

A magistratura judicial admite a existência de espionagem política — ou, pelo menos, conclui que, devido a conjugação de vários interesses, o que se conhece do processo Face Oculta pode ser visto assim.

E lá se vão, de uma assentada, o espírito do Natal e os valores da família

Questão para as eleições presidenciais: deve o Estado sustentar o ensino privado?

• Fernanda Câncio, Aspas em privado, sff:
    É naturalmente impossível esperar que alguém algum dia faça as contas do que as escolas privadas, como todo este ajuramentado "estímulo", custaram já ao Estado, mas uma coisa sabemos de fonte segura: o apodo de "privadas" merece debate. E podemos compreender muito melhor a indignação dos que reagem à tímida tentativa deste Governo de moralizar a coisa: foram 30 anos a ter todos os motivos para achar que ser sustentado pelo Estado é "um direito" do ensino privado.

♪ O nosso pacote de ajuda à Irlanda [6]


The Bothy Band

Alegre e o Estado Social, Cavaco e a incomodidade da democracia

Dois excertos da entrevista de Manuel Alegre ao luminoso Sol:
    Cavaco Silva parece não estar aberto a debates na televisão. Vai participar na mesma?
    Isso é porque ele tem medo do debate. Não gosta da incomodidade que é a democracia.

    Partilha a opinião de António Costa que disse que, se Cavaco for leito, há o risco de vir a dissolver o Parlamento?
    Há esse risco. Mas eu não me candidato para defender este ou qualquer outro governo. A minha questão é o que fazer caso haja um governo que ponha em causa os direitos sociais. (…) Candidato-me, sim, contra o projecto de destruição do Estado Social. E Cavaco ainda não disse se é a favor ou se é contra isso.

Quinta-feira, Novembro 25, 2010

E viva o 25 de Novembro


O 31 da Armada faz hoje cinco anos.
O Aspirina B faz hoje cinco anos.
Parabéns.
O que seria de nós sem vocês?

Cavaco visto pelos seus



José Miguel Júdice, membro da comissão de honra do candidato do CDS-PP e PSD à presidência da República: Cavaco "destruiu" o PSD de Sá Carneiro, aumentou o peso do Estado e foi autoritário.

A decorrer agora


O CC ao serviço dos leitores - mecenato, serviço público...


Lembram-se daquele site em que o PSD supostamente recolheu propostas para Corta na Despesa?
Pois é, está em ponto morto. O que é uma pena, assim ao abandono. Estas coisas custam dinheiro...
Pois temos uma sugestão.
E que tal transformarem aquilo num site em que o pessoal possa sugerir prendas baratas, em conta, em segunda mão para a família Passos Coelho? Uma caixinha de sugestões, portanto.

♪ O nosso pacote de ajuda à Irlanda [5]


The Dubliners

I met my love by the gas works wall
Dreamed a dream by the old canal
I kissed my girl by the factory wall
Dirty old town

Porno-crespo


Crespo já teve o seu momento de "glória".
Depois, como se sabe, entrou em plano inclinado.
Regressa agora numa daquelas revistas que vivem entre o silicone e o photoshop. Encontrou o seu nicho.

Um número que diz tudo

3 000 000



Afirmar que ontem fizeram greve 3 milhões de portugueses é coisa de Gato Fedorento. Isso não impede que, desde que tal número foi atirado à praça, todos os noticiários de televisão (e talvez todos os jornais de amanhã) o reproduzam como se de uma verdade se tratasse. Placidamente, bovinamente.
E, no entanto, trata-se de uma daquelas afirmações que o simples bom senso desacredita (veja-se, por exemplo, aqui, uma desmontagem empírica da coisa).
O mesmo bom senso diz-nos que, no fundo, no fundo, esta greve foi, essencialmente, uma greve do sector dos transportes, pelo que a "adesão real" não terá ultrapassado as dezenas de milhar, enquanto que a "adesão derivada" (a daqueles que não foram trabalhar sob a alegação, falsa ou verdadeira, da falta de transportes) nunca poderá ultrapassar as escassas centenas de milhar.
Obviamente, as centrais sindicais sabem que isto é assim, mas contam com a benevolência e incompetência dos media, sempre disponíveis para amplificar qualquer alarvidade, mesmo que fira os mais elementares critérios de razoabilidade, desde que seja contra o governo.
Ao colocarem em cima da mesa um número destes, completamente irrealista, as centrais sindicais acabam, porém, por assumir o carácter de farsa do protesto de ontem. Era a feijões.

Quarta-feira, Novembro 24, 2010

Operações básicas (3)


É verdade que, ao contrário do que é habitual, o Público até admitiu que errou e pediu desculpa. Certo.
Mas, em termos práticos, a verdade é que a manchete de ontem punha em causa uma entidade, neste caso a Câmara de Lisboa, e a rectificação de hoje tem que ser lida à lupa no rodapé da página.
Pergunta-se: tendo em conta o impacto da primeira "notícia", não deveria a segunda ter tido direito ao mesmo espaço?
Ou o jornalismo português é como a pena de morte - irreversível?

Which Side Are You On?¹

        As formas de luta devem ser cuidadosamente examinadas antes de decididas. No actual momento político, a greve só deve ser utilizada na luta por reivindicações sérias e ponderadas, depois de esgotados todos os outros recursos. Os trabalhadores devem fazer tudo para que não tenha lugar em sectores-chave da vida económica dadas as profundas e desfavoráveis repercussões que pode ter na situação económica e dadas as graves reacções que pode provocar. O CC do PCP desaprova a greve dos CTT que, utilizando designadamente o justo descontentamento dos trabalhadores, procurou voltar estes contra o Governo numa posição que serve os desígnios da reacção. Desaprova a greve em outros sectores vitais da vida económica e social do País e apela para que os trabalhadores tenham plena consciência dos graves riscos que correm e fazem correr ao processo de democratização iniciado em 25 de Abril.

A greve dos CTT de Junho de 1974 foi combatida pelo PCP (ao ponto de membros do Comité Central terem andado a atulhar os marcos dos Correios), pelo PSD e pelo CDS e foi apoiada pelo PS e pela generalidade dos grupos da esquerda radical.

_______
¹ Canção descoberta por António Figueira no Facebook, que foi escrita por Florence Reece em 1931 e que pode ser ouvida aqui cantada por ela própria.

Três milhões? Vá... agora diga lá isso sem se rir. Diga... vá lá

Sindicatos falam em 3 milhões de trabalhadores em greve.

As velhas técnicas do PCP

Então não é que um vídeo amador do PCP estava, a noite passada, na estação de Cabo Ruivo dos CTT, precisamente no local e no momento em que ocorreu o alegado único incidente da madrugada da Greve Geral?
Ena pá. Isto é que é sorte. Uma greve geral e nacional e o vídeo do PCP estava logo no local do incidente...

[conferir abertura do noticiário das 13 da SIC]

Este vídeo do Youtube é, por isso, uma espécie de 'Apanhados' da política:

Natal triste em Massamá


[Correio da Manhã, 24 Nov 10]

O homem de Massamá que esbanjou todas as poupanças numas férias de arromba num rés-do-chão da Manta Rota não tem agora posses para as prendas de Natal.
Para que o ridículo seja total, Passos Coelho junta ainda uma frase de grande profundidade política: "Não me vou endividar para estimular a economia." Que não podíamos contarn com o dr. Passos para nada, já todos sabíamos, mas talvez não fosse necessário ir tão longe.

Problemas reais

Sorte a daqueles que, nos dias complicados que vivemos, têm a arte de viver num mundo muito seu.

2+2=4



Quem é o Tom e quem faz de Jerry?, pergunta o CAA, o académico de serviço do passismo, para logo concluir: “Passos Coelho, queira ou não, deve estar pronto para jogar ‘ao gato e ao rato’ com Cavaco Silva - resta saber qual deles é que assumirá o papel de Jerry ou o do sempre desajeitado Tom...” Definitivamente, Cavaco não é o candidato do passismo — que, no blogue oficioso da São Caetano, apela insistentemente à recolha de assinaturas por Manuel João Vieira.

Merkel acordará tarde?

Teresa de Sousa escreve hoje no Público sobre a crise do Euro. Um excerto:
    O que esta crise também revela é quanto pode ser frágil uma união monetária sem uma união económica. A Irlanda baseou o seu miraculoso crescimento económico da última década em impostos muito baixos para as empresas. Portugal no consumo interno. Madrid no boom imobiliário. A Alemanha na competitividade da sua indústria. A "harmonização" limitava-se às regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, aliás várias vezes violadas por todos os países. A crise mundial e o seu impacte brutal fez explodir um modelo que sobrevivia graças à prosperidade mundial e ao dinheiro barato. Diz de novo Fabio Liberti: "[para a Europa voltar a encontrar uma convergência de interesses] é preciso aumentar o peso da União Europeia na gestão dos orçamentos nacionais (...). Porque hoje temos uma moeda única mas não temos uma política económica convergente. A zona euro tem de se dotar dos instrumentos para relançar o crescimento interno (...). A criação de um fundo de socorro europeu é um primeiro passo. Mas podia também encarar-se a transformação de uma parte das dívidas nacionais em dívida europeia, cujas taxas de juro seriam menores".

    Impossível? É esta precisamente a questão. Não se pode continuar nesta espiral de loucura, exigindo aos países endividados que aprovem programas de austeridade sobre programas de austeridade para acalmar os mercados, porque não é isso, ou pelo menos não é só isso, que os acalmará. A decisão é política.

    Se não, de crise em crise, de pânico em pânico, de intervenção in extremis em intervenção in extremis, a Europa não sobreviverá.

    Os países do Sul podem ficar à deriva na tempestade, como o quadro que inspira a capa da revista britânica (Le Radeau de la Méduse), e Merkel pode ser salva do naufrágio pelo helicóptero do BCE. Para quê? A Alemanha será uma média potência económica com meia dúzia de países na sua órbita e as regras do jogo serão ditadas noutros sítios. Em Washington e em Pequim.

♪ O nosso pacote de ajuda à Irlanda [4]


The Boomtown Rats

Banana Republic
Septic Isle
Suffer in the Screaming Sea
It sounds like dying
Everywhere I go
Everywhere I see
The black and blue uniforms
Police and priests

Momento singular

A SIC está a falar da adesão dos trabalhadores da RTP à greve geral e nem uma palavra sobre a adesão na própria SIC.

Não sei se já repararam?

Embora ainda não sejam conhecidos números oficiais, é já notória a baixíssima adesão à greve dos blogues portugueses. E não, este post não é uma "piadola de circunstância".

Greve "Geral"


Basta ouvir o noticiário das 7 horas da TSF (disponível aqui) para perceber que - apesar do manifesto contentamento da repórter pelo facto de "nem um carro" ir sair hoje da Autoeuropa...- a greve está longe de ser geral. A começar pela verdadeira pedra de toque, os transportes.

Terça-feira, Novembro 23, 2010

Para quê gastar dinheiro em cartazes?

Operações básicas (2)

Resta uma questão: como é possível fazer uma notícia, com direito a manchete e tudo, sem falar com os envolvidos.
Digamos que, além da aritmética, falhou aqui outra operação básica: jornalismo.

Viagens na Minha Terra

Das duas, três

Pedro Marques Lopes ficou surpreendido com a circunstância de Marques Mendes integrar a comissão política da candidatura de Cavaco: "Das duas, uma: ou Marques Mendes tem uma enorme capacidade de perdoar ou tem problemas de memória." Bem, podemos estar perante uma terceira hipótese: um problema de coluna.

Operações básicas



Não chega saber as operações básicas. É preciso também saber quando é que se deve somar ou subtrair.

Como atenuante a circunstância de o Público se ter retractado, o que não é líquido que acontecesse no tempo do Zé Manel: “O PÚBLICO escreveu nesta terça-feira, em manchete da primeira página, que o “Passivo financeiro de Lisboa aumenta 275 milhões”. Lemos mal os documentos oficiais. Na verdade, a Câmara Municipal de Lisboa prevê baixar em 353 milhões o passivo em 2011.

A democracia é um empecilho

Soares dos Santos, o homem do Pingo Doce, voltou a estar ontem imparável numa tertúlia organizada pelo Zé Manel, o operacional do Dr. Espada.

Primeiro, mostrou-se chocado por a distribuição antecipada de dividendos da Jerónimo Martins ter sido entendida como uma forma de não querer pagar impostos. Como é possível pensar uma coisa dessas de uma instituição que nunca teve problemas com o fisco!

Depois, pegou na fantasia do filósofo da Marmeleira e limpou-lhe as gorduras: as forças vivas da nação é que têm de resolver os problemas do país, colocando os partidos políticos em pousio.

Vera Jardim, numa iniciativa de campanha de Manuel Alegre, comentou assim este comovente convite ao regresso ao Estado Novo: «Ouvi, com algum espanto, um grande empresário dizer alto e bom som, que os problemas do país se tinham que resolver por iniciativa dos empresários, dos representantes dos empresários, das forças sindicais e, vá lá, do Presidente da República», recusando citar o nome do autor da proposta que exclui os partidos da «solução» para o país.

Até ver, o primeiro-ministro costuma ser o líder do partido mais votado

• Mário Soares, Obama e o mundo:
    Alguns comentadores habituais, tomando a sua vontade pela realidade, têm vindo a ganhar o hábito de arrasar Sócrates, em todas as circunstâncias, lançando mão de todos os pretextos. Como se estivesse na iminência de cair. É óbvio que não está, sem que haja eleições, porque se é primeiro-ministro, é por ser o líder do partido mais votado há um ano. A verdade é que, de cada vez que o atacam, Sócrates renova a sua enorme energia e surpreende pelos êxitos que consegue. Fazem mal em menosprezá-lo, sobretudo quando não se vê, a curto prazo, quem o possa substituir...

♪ O nosso pacote de ajuda à Irlanda [3]


Sinéad O'Connor

OK, I want to talk about Ireland
Specifically I want to talk about the "famine"
About the fact that there never really was one
There was no "famine"
See Irish people were only allowed to eat potatoes
All of the other food
Meat fish vegetables
Were shipped out of the country under armed guard

Da série "Frases que impõem respeito" [529]


Eu tenho muita pena de ver um Horta Osório e um António Borges a trabalhar lá fora porque no país não têm emprego.

Segunda-feira, Novembro 22, 2010

Você quer o desmantelamento do SNS, como preconiza o PSD na sua proposta de revisão constitucional?


Directora da OMS: “Ninguém deve ser forçado à ruína para se tratar”


Todos os anos cem milhões ficam pobres por se tratarem.

I&D — Eppur si muove! [4]


I&D — Eppur si muove! [3]


'Just for the record'

Os outros especuladores¹ sobre Portugal

_________
¹ Pessoa que faz especulações comerciais ou financeiras, visando a um lucro provável.
Fig. Pessoa que procura tirar sempre proveito para si; interesseiro, calculista.

I&D — Eppur si muove! [2]

A despesa em I&D, a preços correntes, segundo o sector de execução (1982 a 2009) evidencia o forte investimento efectuado pelo conjunto da sociedade, sobretudo a partir de 2005:


I&D — Eppur si muove! [1]

O dinheiro gasto em investigação científica em Portugal passou de 1,55 por cento do produto interno bruto (PIB), em 2008, para 1,71 por cento no ano passado — o que significou um investimento de 2791 milhões de euros. Veja-se o contributo, por sector de execução (Estado, ensino superior, empresas e instituições privadas sem fins lucrativos [IPSFL], que inclui fundações privadas), observando-se um forte aumento a partir de 2005:


Podemos agora regressar ao "quanto pior, melhor"



Lisboa ficará historicamente ligada a um momento fundamental das relações internacionais do século XXI. Pois é, mas isso deixa-os picados ou ressabiados.

♪ O nosso pacote de ajuda à Irlanda [2]


The Pogues

This land was always ours
It was the proud land of our fathers
It belongs to us and them
Not to any of the others

Da séria "As perguntas 'tão giras' da Maria João Avillez"

Discorda então que o afastamento do engenheiro Sócrates da chefia do Governo, facilitasse as coisas?
Diário Económico, 22 Nov 10
(nota: não se deixe perturbar por aquela vírgula tonta)

Votar em Cavaco? Não, obrigado!

Carlos Reis, jurista e militante do PSD, explica hoje no Público por que não vota em Cavaco nas próximas eleições. O artigo intitula-se Porque não voto no professor Cavaco Silva, do qual se reproduz esta passagem:
    Tendo eu votado nas presidenciais em 2006 e ajudado, com o meu voto, a derrotar o monopólio da esquerda sobre o Palácio de Belém, saldei de uma vez por todas a minha dívida cívica pelo muito que o prof. Cavaco Silva fez pelo nosso país, durante os melhores dez anos da nossa democracia.

    Doravante, não me considero mais um devedor.

    Mas tão-pouco me considero resolvido quanto à profunda relação de deslealdade que o prof. Cavaco Silva tem estabelecido com o partido político que sempre o venerou.

    A vulgaridade de quem sacrificou o PSD à sua carreira política pessoal não deveria nunca ser esquecida pelos militantes do meu partido, tanto nos episódios de deslealdade que ajudaram a cavar a derrota do dr. Fernando Nogueira em 1995, como no ataque da má moeda que legitimou o golpe palaciano contra o Governo do dr. Pedro Santana Lopes em Dezembro de 2004 (aí temos agora a boa moeda!) ou por fim, no inenarrável caso das escutas que ajudaram a que a dra. Manuela Ferreira Leite começasse a perder as eleições legislativas logo em Agosto de 2009.

    E sabemos já todos o que será a sua relação futura, e a daqueles que sempre se foram protegendo como seus próximos, com a liderança de Pedro Passos Coelho...

Domingo, Novembro 21, 2010

Jornalismo de "referência" [3]


Afinal, a história do embaixador na Samoa, que o DN inventou na edição de sábado, já estava num blogue de extrema-direita desde quinta-feira. E desde quinta-feira que, nos comentários, ficava claro que se tratava de um equívoco.
Não deixa de ser surpreendente — é mais fácil fazer passar uma mentira num jornal alegadamente de referência do que num blogue de gente mal-formada (vejam-se as respostas do autor do post aos comentários...).

Era uma vez um historiador…

… que, depois de ver a política da “verdade” falhar com estrondo, a quer aplicar à História, uma vez mais sem êxito.

Era uma vez um político…

… que, depois de ter defendido a urgência de um governo de salvação nacional, descobre, passadas duas semanas, que não vale perder tempo com a política portuguesa, porque esta está dependente nas suas decisões fundamentais dos “mercados” e da Alemanha.

"O que é que é a Ongoing" [parte 2]

Afinal, parece que Luís Paixão Martins não vai ter que esperar mais e a sua pertinente pergunta - para onde vai um espião depois de ser espião? - foi respondida hoje, na TVI, por Marcelo:
"Ao que parece para a Ongoing".
Espera-se é que, ao contrário do mal informado deputado especialista em comissões de inquérito sobre media, o chefe dos espiões saiba responder à pergunta: "O que é que é a Ongoing?".

Quanto ao resto, confirmaram-se as piores expectativas: a demissão do director das secretas militares em cima da Cimeira da NATO estragou a festa e tudo o que vimos nas televisões não passou de uma produção hollywoodesca preparada para estas eventualidades.

ACT: afinal, o Luís já conhece o destino do "ex-pião". Pena ter sido informado pela concorrência (dele, claro).

Jornalismo de "referência" [2]

Deve um jornal servir de correio de um sindicato, mesmo que seja o dos juízes, sem primeiramente filtrar a “informação” que lhe fazem chegar às mãos? Leia esta “notícia” e como isto é desmontado, com uma enorme paciência, aqui.

História(s) do jornalismo



Tivemos o caso de Nuno Rocha, que publicou, no semanário Tempo, um relato pormenorizado de uma reunião do Conselho da Revolução que… não chegara a ocorrer. Mais recentemente, o assombroso José Manuel Fernandes atribuiu a vitória a Chávez num referendo, quando o resultado foi, como se sabe, o inverso.

Por que me lembro disto a um domingo? É que um leitor chama a minha atenção para um crítico de televisão do jornal A Capital, que publicou, um dia, um texto sobre um programa que não chegou a ser emitido. Esse crítico, que se chamava Correia da Fonseca, terá alguma coisa a ver com aquele figurão que escreve no Avante! sobre Aung San Suu Kyi?