Jean Seberg
Os Maridos de Elizabeth, de Joshua Logan (1969), com Lee Marvin, Clint Eastwood e Jean Seberg: veja-se e ouça-se Lee Marvin em Wanderin' Star, de Alan Jay Lerner.
Um bom 2007 para todos!
Os Maridos de Elizabeth, de Joshua Logan (1969), com Lee Marvin, Clint Eastwood e Jean Seberg: veja-se e ouça-se Lee Marvin em Wanderin' Star, de Alan Jay Lerner.
Um bom 2007 para todos!
Mas o artigo de Souto Moura é deveras instrutivo pelos silêncios. Sara Pina afirma que “o procurador-geral supervisionava e acompanhava o meu trabalho e os contactos estabelecidos com a comunicação social”. Mais: assevera que “reunia com ele várias vezes ao dia para (...) obter as informações que devia dar”. Adianta, ainda, que ele a viu sempre como porta-voz: “os jornalistas colocavam-me questões que eu transmitia ao procurador-geral que me dizia o que fazer”.
É necessário, para esclarecer tudo isto, recuar no tempo. Comecemos pelas declarações de Sara Pina, que foram parcialmente transcritas n’O Independente (de 13 de Agosto de 2004):
Para garantir que o simulacro de processo não dava resultado nenhum, foram tomadas duas medidas expeditas, que só num país sem tradição de responsabilidade (em que o então Presidente Sampaio deixou o ex-procurador-geral da República pintar a manta a seu gosto) poderiam passar em claro.
Perante tudo isto, está revelado o carácter do autor do artigo de hoje no Público. O ex-procurador-geral disse de Sara Pina que “não fui eu que a contratei” e “não faz parte do meu gabinete” (revista Sábado de 20 de Agosto de 2004). Descendo ao pormenor, acrescentou que “a assessora de imprensa é uma jornalista que está há quatro anos na Procuradoria, mas não fui eu que a nomeei para o cargo”. Falando das informações para os jornais, afiançou que “o meu gabinete não tem nada a ver com isso” (24 Horas de 17 de Agosto de 2004).
Proibido legalmente de contrair empréstimos e endividar a Região Autónoma, Alberto João Jardim não se ficou. Imaginativo como ele é — recorde-se que foi um especialista em guerra subversiva e fez parte dos serviços de censura do Estado Novo —, Alberto João logo divisou uma janela de oportunidade para continuar a violar a lei. Como refere o DN, constituiu quatro sociedades com dinheiros públicos, para serem elas, alegre e irresponsavelmente, a pedir dinheiro emprestado (mais 500 milhões de euros) e a continuar a afundar a Região. A Alberto João nada disso interessa: quem vier a seguir que pague a crise!
“Há tempos que ando para lhe dar os parabéns por escrever o blogue que eu gostava de conseguir escrever. Como já terá reparado, hoje o dr. Souto Moura inicia a sua carreira na poesia concreta, acontece que o faz nas páginas do Público e não no Mil Folhas, como fazia sentido.”

4. De caminho, o José limiano envereda pela confusão pura e simples. Confunde a figura do “procurador especial” com a ideia de uma “procuradoria paralela” [sic]. Através desta confusão, o José pretende fazer passar a seguinte aldrabice — o “partido de maiorias” quer criar uma estrutura paralela à do Ministério Público para esvaziar as suas competências. Como é óbvio, não se tratava de nada disso.
A proposta ia no sentido de criar uma forma de ligação entre as comissões parlamentares de inquérito e o processo judicial. Sempre que, nas comissões parlamentares de inquérito, se apurasse matéria com relevância criminal, seria um procurador especial a carreá-la para os tribunais comuns — os únicos com competência para o respectivo processo, como não poderia deixar de ser.
A alternativa não é fácil, porque não faz também sentido colocar magistrados do Ministério Público na Assembleia da República a desempenharem esta função. Acabou por se chegar a uma solução próxima, por consenso dos maiores partidos, que é a de criar uma espécie de assistente que permite accionar o processo crime em relação às matérias apuradas nas comissões parlamentares de inquérito. Mas, José, são os tribunais comuns que julgam!
5. É claro que, num discurso como o do José, não pode nunca faltar a insinuação soez. O José pergunta se o primeiro-ministro poderia ter sido ouvido, por exemplo, a propósito do “Freeport”. A resposta é simples — pelo menos, não devia!
É que, no tal caso do “Freeport”, já apareceu uma inspectora coordenadora da Polícia Judiciária, arrependida, que dá pelo nome de Dr.ª Maria Alice, a confessar que participou numa maquinação política destinada a prejudicar o “partido de maiorias” antes das últimas eleições legislativas.
Por isso, o José ou desmente essa confissão espontânea da referida inspectora coordenadora da Polícia Judiciária ou se arrisca a ser tomado como um dos agentes da dita maquinação…
6. A terminar, o José avança com uma falsa evidência. Trata-se de um critério de verdade. Esse critério é simples — tudo o que os “nossos Pachecos, Fernandes e Teixeiras” dizem é falso. O José chega ao requinte de afirmar a bondade de uma posição com base na previsão de que estes desonestos jornalistas e opinion makers defenderiam, se fosse caso disso, a posição contrária. Melhor é impossível.
Mas o que ressalta desta delirante catilinária é que o José detesta os jornalistas que mostraram os podres do dueto Souto Moura & António Cluny. É de presumir que os cromos preferidos do José sejam o pequeno arquitecto Saraiva, o fanático José António Lima e a maviosa Felícia Cabrita.
Cada um é para o que nasce. Como dizem os “nossos Pachecos”, quem nasce lagartixa não chega a jacaré, não é, José? É a vida.


A primeira, noticiada pelo Correio da Manhã de Domingo, refere que Ana Salazar, depois de apreciar a pose de Maria José Morgado, considerando-a “moderna”, apenas lhe mudaria o penteado: “Talvez o cabelo, o que é impossível pois, como é do conhecimento geral, pratica natação no quotidiano.” E, como também é do conhecimento geral (como?), “Morgado é semanalmente tentada a entrar na loja de Ana Salazar, para umas vezes comprar, outras para só cumprimentar as lojistas.” Possui a coordenadora do processo Apito Dourado «“uma vasta panóplia” de roupa» de Ana Salazar. Bem, “só os acessórios e o calçado não a tentam.” Mais: “Morgado chega mesmo a optar por conjugar a ‘griffe’ Ana Salazar com ténis. Usa também relógios modernos e, principalmente, juvenis.” O panegírico do Correio da Manhã é, por acaso, assinado por José Vegar, que fez um livro a meias com Maria José Morgado. Ele não lhe devia ter pregado uma partida destas.
A segunda estória vem no 24 Horas de dia 24 (sem link). Informa o jornal de que Cândida Almeida, ao saber da nomeação da rival Maria José para coordenadora do processo Apito Dourado, telefonou ao procurador-geral da República a pedir explicações. Pelos vistos, só não revelou o teor integral do telefonema, se calhar por isso ser incompatível com a quadra natalícia.
Reconheço que nem tudo são rosas. Não invejo um certo excesso de securitarismo, que se agudizou depois dos atentados terroristas, e que parece, pelo contrário, agradar muito a certos leitores anónimos do CC que objectaram ao meu post.
A comparação entre os sistemas processuais inglês e português causou uma dor aguda a alguns leitores do CC. Em resposta ao que eu escrevi antes sobre uma investigação rápida, discreta e bem sucedida das autoridades inglesas que indiciou um homem por cinco homicídios de jovens prostitutas, vieram os renitentes colocar estas objecções:
1. Também na Inglaterra, foi divulgada a identidade dos responsáveis pela investigação;
2. Na Inglaterra, o garantismo é muito menor e o suspeito foi encarcerado sem que lhe fosse prestada qualquer informação.
Estas duas objecções nada retiram ao que eu disse. Tal como se prevê em Portugal (cf. artigo 86.º, n.º 9, do Código de Processo Penal), também na Inglaterra é possível prestar esclarecimentos em casos de especial repercussão pública para evitar a perturbação da tranquilidade pública. Por isso, houve uma conferência de imprensa com os responsáveis pela investigação, que prestaram os esclarecimentos necessários.
O que não houve foi reportagens fotográficas em exclusivo, uma sucessão de entrevistas acerca dos gostos pessoais ou opiniões sobre a vida ou, pior do que isso, fugas para a comunicação social sobre a investigação.
A grande diferença é que, na Inglaterra, se não encontram diariamente nos jornais revelações sobre os processos ou sobre os responsáveis dos processos.
Em Portugal, infelizmente, aqueles que deveriam velar pelo segredo de justiça, magistrados e polícias, dedicam-se com afinco a violá-lo, para obter as boas graças da comunicação social. Em troca, alcançam os seus momentos de glória, que, para além de saciarem a sua vaidade pessoal e apaziguarem as suas frustrações de políticos não realizados, lhes permitem de forma pragmática lutar por lugares de destaque nas instituições e no aparelho de Estado.
Os jornalistas, no meio desta balbúrdia, são os menos culpados. A sua missão não é calar, como compete aos magistrados e polícias, mas, sim, revelar aquilo que está escondido. Aproveitam apenas a incontinência verbal e a ambição cega dos responsáveis pelos processos.
Os anónimos que reagiram ao meu post não desmentem este estado de coisas — como poderiam fazê-lo?
Para o desmentirem, teriam de me enviar, por exemplo, cópia de um tablóide inglês em que aparecesse um juiz enfiado numa capa de Super-homem, imitando aquelas cenas próprias de feira.
Para o desmentirem, teriam de me enviar uma crónica fotográfica da viagem da casa para o emprego de um magistrado.
Para o desmentirem, teriam de me enviar as fotografias de um responsável por um departamento de investigação abrindo o Código Penal e dizendo quais são as investigações a promover num processo complexo.
Para o desmentirem, teriam de me enviar uma entrevista em que uma assessora de imprensa acusasse o responsável máximo de uma magistratura de a mandar fazer telefonemas em off para os jornais, com o objectivo de manipular a mediatização de um processo.
Desconfio que os leitores anónimos em causa não me dariam este presente. Na Inglaterra, a investigação que eu referi foi discreta, célere e eficaz.
(continua)
“E, convenhamos, a entrevista da sua ex-assessora de imprensa serve para adensar as nuvens em torno da sua acção: estamos perante alguém que se revelou inábil na gestão de um processo complexo e mediático ou, pelo contrário, face a um agente activo no processo de degradação institucional em Portugal?”
“As pessoas não tinham liberdade política, mas tinham muitas outras liberdades, não vamos exagerar. Quem não se metesse na política [sic] podia fazer o que quisesse. Aos olhos de um economista era um excelente Estado.”
“O ministro Alberto Costa, com todos os defeitos que lhe possam imputar, é o melhor ministro da Justiça desde o 25 de Abril. (…) Não direi que todas as reformas, modificações, alterações, iniciativas que fez e teve foram excelentes, mas no global apontam no sentido de uma maior flexibilização de um sistema rígido, na modernização de um sistema caduco. A pouca importância que o poder político sempre devotou à Justiça (por alguma razão escapou ao saneamento revolucionário de 1975 que assolou o mundo económico, militar, universitário; tal era a importância que o poder judicial merecia aos vanguardistas da esquerda popular) e o formalismo dogmático vigente em anteriores pseudo-reformas contrasta com o dinamismo e o conteúdo sunstantivo das propostas que agora saem do Ministério da Justiça.”
“O nosso Rawls continua imparável. Como devia saber, um dos hábitos que mais tolda o raciocínio é o de ler apenas aquilo que se quer ouvir. Agora apresenta como paradigma das suas certezas a decisão do TC se debruçou sobre a constitucionalidade dos artigos 174.º e 175.º do CP. Por isso, para abalar um pouco essas certezas (coisa em que não confio demasiado), recomendo-lhe a leitura de "Abuso Sexual de Menores" (Coimbra Editora, 2005), de António Araújo. É um livrinho de mais de 300 páginas onde, de forma fundamentada, se coloca em causa aquela decisão. E talvez seja a única obra que versa exclusivamente uma decisão do TC.
Não é meu hábito escrever em blogues e muito menos na Véspera da Noite de Natal, mas estava receoso de que não estivesse em tempo de sugerir-lhe que encomendasse mais esta obra ao Pai Natal. É sempre melhor que aprender Direito Constitucional através da "Caras" ou da "Maria".
Um abraço, Bom Natal e amigos como sempre.”
“Teve na mão o Expresso, teve na mesa os poderosos do país e, afinal, pode orgulhar-se de quê — de ter inventado o saco de plástico para carregar o jornal que ele próprio classificou como a sua maior contribuição enquanto director?”


O CC já tinha falado (aqui e aqui) da maçã envenenada da Branca de Neve. Eu pensava que seria uma bruxa a servi-la. Mas enganei-me no género. Eis, para a posteridade, o momento em que o poderoso António Cluny serviu a maçã:
“Devo dizer que a mim tanto me dá que os gays sejam ou não contemplados na dita norma (que, suspeito, nunca foi lida pelo abrantes). O que me surpreende é descobrir no nosso abrantes um Rawls ou um Dworkin. Então, supõe o nosso abrantes que até 2004 era constitucional a discriminação em função da orientação sexual? E supõe que pelo facto de um valor ser protegido pela Constituição daí decorre, necessariamente, a criminalização do comportamento que o viole? E supõe ainda que, como o alarido agora verificado, se a norma em causa fosse inconstitucional, sendo vigente há 24 anos, nunca a questão tenha sido suscitada?
Como se vê, o nosso arrogante e atrevido abrantes (e bem assim a sedenta alcateia que o persegue, qual macho alfa) supõe erradamente muitas coisas. Por isso, talvez não fosse má ideia guardar o neurónio para questões mais simples, do tipo correcção bem humorada (mas nem por isso menos mesquinha) de erros ortográficos.
Boas festas e desejo-lhe que o Pai Natal lhe ofereça um daqueles livros tipo "Aprenda os Seus Direitos em 10 Lições".
Abraço,
PS: Claro que agora, você ou algum da tribo, me pode arrasar qualificando-me como magistrado.”
“Um pormenor que tem escapado e tem permitido ao Mmo. e à ASJP refugiar-se sob a capa, conveniente, dos argumentos técnicos! Estou-me a referir ao tipo de pronúncia que é utilizado no dito parecer que tive a oportunidade de ler. Com efeito trata-se de um parecer "de iure constituendo" e não, de um parecer "de iure constituto". Quero com isto desmascarar a natureza homofóbica do dito parecer, porque não acredito que os Mmºs não saibam distinguir as duas situações. Para ser mais claro, trata-se de um parecer que critica a orientação de politica legislativa no sentido de proteger as relações homossexuais e não meros argumentos técnicos sob a forma ou a técnica utilizada pelo legislador!! Já tinha a noção de que a dita ASJP representava muito poucos juízes. Agora tenho a certeza! Se o Mmo Albergaria confundiu os conceitos então, a Magistratura Judicial anda pior do que eu pensava!!!....”
“Quantos homens que mudaram a História não foram traídos pelo coração?
Quantos vencedores no campo de batalha não perderam a guerra na alcova?”
“Para defender a sua pureza, São Francisco rebolou-se na neve, São Bento atirou-se a um silvado, São Bernardo lançou-se num tanque gelado...” [Josemaría Escrivá, Caminho, Ponto 143]
1. Foi Souto Moura que considerou o comportamento de Sara Pina grave e rescindiu o contrato que a ligava à Procuradoria-Geral da República;
2. Foi Souto Moura que, por considerar o comportamento de Sara Pina grave, afirmou que era estranho a esse comportamento e que só podia ser acusado por não a ter conseguido vigiar;
3. Foi Souto Moura que informou que esse comportamento e a possível violação do segredo de justiça seriam investigados no DIAP;
4. Tudo isto é falso e revelador de um carácter que não vale a pena qualificar, se o que Sara Pina diz agora na entrevista à Visão é verdade.

“Como todos sabemos, o Apito Dourado não é uma investigação sobre um jogo de futebol. É uma investigação sobre um poder tentacular que ao proporcionar favores a árbitros em jogos de ninharia os manteria, para todo o sempre, sob o domínio da sobredita organização, com medo de virem a ser expostos nas suas vidas profissionais e familiares.
Isto dura há anos.
Refinou-se nos últimos tempos com perseguições a juízes e investigadores contratados para reunir informação passível de ser transformada em chantagem.
Chantagem passível de ser transformada em silêncio.
Silêncio passível de ser transformado em «arquive-se».”
Leonor Pinhão, A Bola, 21 de Dezembro
Em post anterior, chamei a atenção para o perigo de alguém poder servir uma maçã envenenada a Maria José Morgado. Esqueci-me de que há na história uma peripécia anterior. Branca de Neve é levada para a floresta, para a matarem, e perde-se. Este episódio decorre há onze meses no processo Apito Dourado. Na floresta que se estende do Porto a Lisboa, perderam-se as certidões… • “Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.” [Artigo 13.º, n.º 2]
• “Nos feitos submetidos a julgamento não podem os tribunais aplicar normas que infrinjam o disposto na Constituição ou os princípios nela consignados.” [Artigo 204.º]
“O mal no Ministério Público é não haver competição, parecermos todos muito, muito bons e muito, muito iguais.”
Maria José Morgado, revista Sábado, 21 de Dezembro
“A história do processo Casa Pia, e em particular da forma como os vários agentes foram gerindo a sua relação com a imprensa, as implicações políticas da agenda mediática, etc., está por fazer. Enquanto não for feita, as declarações de escândalo sobre «violação de segredo de justiça» devem ser vistas como votos piedosos na melhor das hipóteses, mas mais provavelmente como exercícios frios de hipocrisia. A antiga assessora de imprensa de Souto Moura, que foi despedida por manter conversas sobre o processo com jornalistas, diz que o antigo Procurador sabia de tudo, geria tudo.”
A concentração dos holofotes no processo Apito Dourado vem provocando mossa na Operação Furacão. Bianca Castafiore não percebe as razões da preferência, tendo inclusivamente interrogado o espelho: — Espelho meu, há alguém mais mediático do que eu? A resposta caiu que nem uma bomba: — Lá no DIAPÃO, não há, não, mas há uma mais conhecida que combate a corrupção… Segue-se o episódio da maçã envenenada?

É certo que os Cowboy Junkies não justificam, em tão pouco tempo, uma segunda menção. Mas a verdade é que a interpretação de Misguided Angel não fica a dever nada à de Sweet Jane (tocada em Outubro). Ambas as músicas fazem parte do álbum The Trinity Session. Por isso, o grupo de Margo Timmins regressa ao palco do CC.
Numa entrevista muito instrutiva, Sara Pina explica hoje à Visão como Souto Moura mentiu descaradamente em relação às declarações que a sua ex-assessora de imprensa prestou, em 2004, ao Correio da Manhã pelo telefone e que apareceram transcritas na imprensa.
Karen Dalton passou a correr por estas vidas. Para memória futura (que expressão!), deixou dois álbuns. Vejam-na em It Hurts Me Too do álbum It's So Hard to Tell Who's Going to Love You the Best.
Maria José Morgado exigiu que os investigadores se comprometessem a não falar do processo Apito Dourado. O Correio da Manhã dá conta da forma como a ordem foi recebida: “Uma ‘ordem’ sobre a qual todos os envolvidos estão de acordo e que aceitaram acatar.” Não obstante a ordem da Dr.ª Morgado, soube-se ontem que vai ser aberta uma nova frente: “os próximos alvos são as claques do futebol”. E hoje voltámos a ter notícias do processo: “As cerca de duas dezenas de certidões do processo ‘Apito Dourado’ já arquivadas são uma prioridade para Maria José Morgado na abordagem ao caso, apurou o CM.”
O Prof. Marcelo fez um parecer jurídico para a Associação Nacional dos Municípios Portugueses em que defende a inconstitucionalidade da Lei das Finanças Locais. O citado parecer também inclui a formação de opinião através do serviço público de televisão? Ou por outras palavras, o Prof. Marcelo é pago por ter andado a dizer na televisão, como opinion maker, que a lei é inconstitucional? No caso afirmativo, não será um exagero receber duas vezes pelo mesmo serviço? Em todo o caso, não será pouco ético aproveitar-se do lugar de comentador para defender os pareceres jurídicos que elabora? 
Maria José Morgado vai centralizar as investigações sobre crimes de corrupção no futebol. O voluntarismo não chega: um magistrado é mais do que um polícia. É importante que investigue bem, mas também não é menos importante que entenda um bocado de direito.
Com efeito, interrogada há dois ou três dias sobre a inconstitucionalidade da lei da corrupção desportiva, Maria José Morgado disse vagamente que essa lei já serviu para condenar um árbitro (o famoso Guímaro) e ficou-se por aí.
O pequeno problema é que a tal lei é considerada inconstitucional pelo Prof. Gomes Canotilho, que não é propriamente um jurista da dimensão de Morgado & Saldanha. O Prof. Canotilho apresenta um argumento de peso: a lei de autorização legislativa não prevê os crimes que o legislador acabou por criar.
Se a opinião de Canotilho vingar, o processo Apito Dourado fica em águas de bacalhau, o que é péssimo para a justiça portuguesa. Claro que a responsabilidade começa por ser do poder político, que, em 1991, fez asneira. Mas a asneira talvez pudesse ter sido detectada se Cândida Almeida, Maria José Morgado, Euclides Dâmaso, António Cluny e outros campeões da luta contra a corrupção, em vez de andarem entretidos numa feira de vaidades, dessem atenção aos problemas do direito.
Agora, a melhor estratégia não será certamente Maria José Morgado meter a cabeça na areia. No entanto, ao ler a edição de hoje do Jornal de Notícias, verifico que o “mais mediático arguido do Apito Dourado, Valentim Loureiro, usa declarações da nova coordenadora do processo, Maria José Morgado, para se defender dos 26 crimes de corrupção activa sob a forma de cumplicidade de que é acusado.” E que disse Maria José Morgado que possa fazer o “major” esfregar as mãos de contente? Ainda segundo o Jornal de Notícias, o seguinte:
«Já com o processo a decorrer - as primeiras detenções verificaram-se em Abril de 2004 -, Valentim Loureiro e os seus advogados tomaram nota das declarações públicas da procuradora para o que viesse a ser necessário. E acabaram por ter utilidade, uma vez que o Ministério Público de Gondomar entendeu acusar Valentim de crimes de corrupção activa previstos no Código Penal. Apoiando-se nas palavras de Maria José Morgado, o advogado do major, Amílcar Fernandes, argumenta que os actos eventualmente ilícitos ocorridos no desporto só são puníveis no contexto do decreto-lei que pune a corrupção no desporto.
"A vigência desta legislação especial [corrupção no desporto] afasta a aplicação do Direito Penal comum, à luz do qual tais condutas [ilícitas] seriam puníveis. Mais. Algumas destas condutas que seriam normalmente relevantes face ao Código Penal vigente são apenas puníveis a título disciplinar e administrativo pelo Regime Jurídico das Federações Desportivas", declarou a magistrada, no Congresso de Direito do Desporto, no Estoril.»
A continuar por esta via, Maria José Morgado parece estar a meter-se num beco sem saída. Por um lado, há a opinião do Prof. Canotilho que poderá, provavelmente, levar a que se considere inconstitucional a lei da corrupção desportiva. Mas, por outro lado, Maria José Morgado considera impossível punir pelas normas previstas para a corrupção no Código Penal os crimes de corrupção desportiva.
Que fazer?
Os dirigentes e organismos de utilidade pública talvez possam ser considerados funcionários, na definição alargada do Código Penal. Se a lei da corrupção desportiva vai ao ar, fica a norma geral. Não é assim?
O estudo deste problema talvez evite que, no fim, daqui a dois ou três anos, depois de 20 entrevistas e 50 fotografias nos jornais, Maria José Morgado venha dizer que ninguém foi punido por culpa do poder político!

Nuno Brederode Santos escreve, no DN, sobre Coisas do ego. Aqui fica o último parágrafo:
“Esta derrapagem progressiva para um poder onírico e virtual, esta saga infantil do ego, evoca em mim o jovem sérvio (simpático, mas sem quaisquer atributos para derreter um coração feminino) que conheci em Seattle. No bar do hotel, ele passeava um olhar dengoso sobre todas as embaixadoras do outro género, que o ignoravam, enquanto me ia contando que, um dia, em Roma, tinha visto a Sophia Loren e só não tinha dormido com ela porque já era um homem casado.”
«Há anos que a Dra. Maria José Morgado discursa (nos jornais, rádio e TV), para quem a quer ouvir, sobre a praga da corrupção no futebol. Parece que, finalmente, lhe deram competências específicas sobre a matéria. Seguiremos atentamente o curso das investigações, esperando que do outro lado da montanha não esteja aquele ratinho nosso conhecido, com o velho cartaz entre as mãos: "Falta de Meios".»
"A Drª Maria José Morgado, esta semana designada pelo Procurador-Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, para dirigir as investigações do processo Apito Dourado, é casada com o Dr. Saldanha Sanches.
Ora acontece que o Dr. Saldanha Sanches, com a falta de senso a que estamos habituados, informa-nos hoje na sua crónica no Expresso que, pelo menos lá em casa, Pinto da Costa já foi julgado e condenado. Trata-se agora apenas de cumprir as formalidades exigidas pela lei antes de mandá-lo para a cadeia.
Num país com uma opinião pública mais exigente, a Drª Maria José Morgado já estaria por esta hora afastada das funções para as quais ainda ontem foi nomeada.
Não sendo esse o caso, este absurdo episódio dá-nos ainda assim razões para temer o pior, na medida em que em nada contribui para credibilizar a seriedade e independência das investigações.
De modo que eu atrevo-me a pedir humildemente ao Dr. Pinto Monteiro que peça à Drª Maria José Morgado que peça ao Dr. Saldanha Sanches que, já que não sabe calar-se, se dedique durante os próximos tempos a escrever sobre outros temas. Por certo não lhe faltará assunto."

“Se está preocupado com "a situação do futebol", o PSD não precisa de pedir novas leis. Basta-lhe emitir uma circular interna ou, quando muito, convocar um Congresso Extraordinário para tratar do assunto.
Para quê promover a ingerência da Polícia Judiciária nos assuntos internos do partido? Só se for para ajudar a direcção a ver-se livre de opositores indesejáveis...”
“(…) essencial é perceber a eficiência e produtividade dos juízes nacionais. Este não é um aspecto simples, dado a intangibilidade da qualidade da decisão. Mas não é impossível de concretizar, e impõe-se uma sua quantificação sob pena de se estar a aceitar um funcionamento ineficiente da Justiça (no sentido de mais custos que os necessários para as decisões produzidas), que tendo de ser financiados em parte pelos pagamentos das partes envolvidas implicam um custo para a sociedade de alguns processos não serem iniciados. Para além claro do que todos contribuímos via Orçamento do Estado. A redução da actividade não deve ser a única forma de conter a despesa com a Justiça, baixar os seus custos para ter preços mais baixos não deve ser esquecido.”

“Para defender a sua pureza, São Francisco rebolou-se na neve, São Bento atirou-se a um silvado, São Bernardo lançou-se num tanque gelado... - Tu, que fizeste?” [Josemaría Escrivá, Caminho, Ponto 143]
O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) vem responder, através do magnífico editorial n.º 15, à cabala mediática e bloguítica que reina em Portugal. Os actores dessa cabala querem desacreditar o SMMP por não saberem ou não quererem saber que o seu interesse é coincidente com o do Ministério Público. Está-se mesmo a ver!
A frontalidade de que os sindicalistas falam tem sido bem demonstrada. Ainda agora pus em evidência a atitude hipócrita de um sindicato que berra contra o poder político por não repudiar as perseguições a um magistrado do Ministério Público, ignorando que essas perseguições foram branqueadas por Souto Moura, o antigo procurador-geral da República. Frontalidade é isto? E onde estava o Dr. Cluny quando o Dr. Carlos Teixeira, durante dois anos, andou a pedir apoio e na Procuradoria-geral da República lhe fechavam as portas?
Frontalidade é o presidente do SMMP aparecer irresponsavelmente na televisão a falar do Envelope 9, sem ter autoridade para falar no processo, num impulso primário e pavloviano de defesa da corporação nos seus piores tiques?
Frontalidade é marcar uma reunião de delegados sindicais para a mesma data em que há um almoço de despedida do procurador-geral distrital de Lisboa, Dias Borges, para boicotar esse almoço? Mas os sindicalistas tiveram sorte: esta reunião não tinha objecto nenhum, tendo caído do céu as perseguições ao procurador do processo Apito Dourado, para, a pretexto de que o Governo não se solidarizou com Carlos Teixeira, inventar uma nova frente de luta.
Frontalidade é o sindicalista Jorge Costa (que agora aparece para evitar o enjoo provocado pela presença constante de Cluny nos media), perguntado sobre se concordava com a nomeação de Maria José Morgado para tratar do processo Apito Dourado, começar a gaguejar e dizer hipocritamente que não conhecia o despacho de nomeação, só porque a referida procuradora-geral adjunta não é do inner circle do sindicato, ao contrário de Cândida Almeida?
E frontalidade é andar a fazer campanha, antes da nomeação do procurador-geral da República, no sentido de este dever ser magistrado do Ministério Público, como fez Cândida Almeida, presidente da Assembleia Geral do SMMP, e aldrabar depois, asseverando, como acontece neste editorial, que todos os dirigentes do SMMP sempre pretenderam um membro de qualquer das magistraturas?
Seria bom que os sindicalistas começassem a trabalhar — como magistrados do Ministério Público, para evitar situações como esta. É para isso que o Estado lhes paga. E o Estado não é como o Euromilhões: não tem dinheiro para andar a fazer excêntricos.