Que não haja confusões: «a recomendação “não pode ser vista como um puxão de orelhas aos procuradores”». Mas lá que precisavam, precisavam.
Leia aqui.
Paulo Gorjão considera que a “reorganização do mapa judiciário”, que está “a começar a dar os primeiros passos concretos”, “é uma das grandes reformas no sector da justiça”. Basta dar uma vista de olhos aos dados disponíveis na Internet para verificar que há inúmeras comarcas praticamente sem processos. Já havíamos falado desta questão (Ser juiz em Santa Cruz da Graciosa).“Estou profundamente convicto que os juízes de 1ª Instância nos Tribunais Judiciais actualmente ao serviço, que excedem um milhar, são suficientes para as necessidades da 1ª instância, desde que devidamente reorganizados os meios disponíveis com a implementação dos tribunais especializados em razão da matéria e extintos ou agrupados muitos Tribunais de Comarca que não têm uma entrada efectiva anual de processos superior a meio milhar. (…)
Para além da afectação de juízes e funcionários judiciais às necessidades reais, poderiam muitos edifícios “Domus Justiciae” serem utilizados para os mais diversos fins públicos ligados às autarquias locais ou a outros organismos da Administração Central.
É inconcebível que em tantas pequenas vilas do nosso país nem sequer exista um Centro de Saúde ou um Infantário ou, os que existem, funcionam em instalações precárias, quantas vezes pré-fabricadas, e do casario sobressaia um imponente “Domus Iustitiae” onde funciona um Tribunal, no qual se movimentam por ano não mais de 200/300 processos, ali indo o respectivo juiz ou magistrado do Ministério Público dois ou três dias na semana...”
“Com toda a frontalidade: não acho nada! A autonomia está inscrita na Constituição, é um instrumento do Estado à mão do MP para colaborar na realização da justiça, não penso que deva servir de ‘arma’ para obstaculizar o funcionamento da democracia. Há quem confunda tudo, independência com não prestar contas a ninguém, autonomia com obstrução. Mas não é assim, pois, na democracia, estamos todos, e sempre, em regime de prova e todos estamos sujeitos à crítica democrática, seja lá de quem for. E caberá aqui afirmar que se impõe, muito rapidamente, saber distinguir entre sindicalismo e actividades do MP propriamente ditas, sob pena de prejuízos graves para ambas as instituições.”
Cláusula que consta dos protocolos assinados pela Câmara Municipal do Porto para a atribuição de subsídios. No caso em apreço, o silêncio da Fundação Eugénio de Andrade saiu em conta: 15.000 euros.
ADENDA — Não se trata de uma “lei da rolha”, mas de uma questão de princípio, argumenta Rui Rio.

A Ordem dos Engenheiros faz 70 anos. O bastonário, Fernando Ferreira Santo, dá hoje uma extensa entrevista ao Jornal de Negócios. Para já, aqui ficam estas passagens:
“Era bom que se fizesse um levantamento de quantos estudos foram feitos na área do Ambiente nos últimos dez anos, quantos milhões foram gastos e depois também quem são as entidades que sistematicamente as fazem.”
E acrescenta o bastonário da Ordem dos Engenheiros:
“Como é evidente, uma das vertentes deste sistema é a de dar trabalho a quem faz os estudos.”

António Gomes da Silva é (e há-de continuar a ser) juiz desembargador da Relação de Guimarães. Passara quase despercebido o facto de estar sob investigação no âmbito do processo Apito Dourado. Deu um pouco mais nas vistas quando, a propósito do diferendo entre o Belenenses e o Gil Vicente, mudou repentinamente de posição na Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, a que preside. Dois outros juízes da Comissão Disciplinar demitiram-se então deste órgão, tendo um deles tido um sentido desabafo: “Em Itália, a isto chamam-lhe Máfia e Camorra, aqui não sei qual o nome que lhe dão!...”
Soube-se agora que o Ministério Público (em exercício de funções junto do Supremo Tribunal de Justiça) mandou arquivar o processo relativo ao juiz desembargador António Gomes da Silva (suspeita de crimes de tráfico de influências em decisões da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes de Futebol). Fez-se justiça.
‘“O Ministério Público é um Estado dentro do Estado e o processo penal está transformado numa arma de arremesso que não tem nada a ver com o apuramento da verdade dos factos”. A acusação é disparada por António Garcia Pereira, que se diz “farto de ver cidadãos serem assassinados do ponto de vista social, politico, familiar, pessoal por operações negras” orquestradas pelos supostos “guardiães do templo”, que estão no Ministério Público. Esta “é uma instituição incontrolável e incontrolada neste momento em Portugal no processo penal, que está transformado numa arma de arremesso para eliminar adversários políticos, cidadãos ou organizações públicas com alguma notoriedade.”’

‘Garcia Pereira recorda “episódios recentes que teriam determinado a imediata demissão de qualquer dirigente de uma associação recreativa de um campeonato de matraquilhos como seja a organização daquela operação vendaval, turbilhão, furacão ou lá como se chama, em que mandam um fax em que se revelam as instituições bancárias investigadas”. Entretanto, prossegue, “vem aquela responsável máxima dizer que o Ministério Público está finalmente a atacar os crimes de colarinho branco para depois dizer que houve falta de cuidado. E tudo isto passa impunemente. E assistimos a buscas em directos na televisão, aos crimes cirúrgicos da violação do segredo de justiça”.’
Carmona Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, discursando no restaurante Hua Ta Li, na Rua dos Bacalhoeiros, depois de ter saboreado guo tie, um tipo de massa com carne, sopa de espargos com caranguejo, lagosta com gengibre e cebolinho, lombo de vaca com brócolos e molho de ostra, entrecosto com molho agridoce, couve chinesa com cogumelos e ma pu tou-fu (vegetais), com arroz chao chao, a que se seguiu, para sobremesa, cui pi xian nai, um doce de leite frito. A notícia do Público (de hoje) não faz menção aos vinhos servidos.

"Corram-nos à pedrada, a sério. Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada. (…) Eu estou a medir muito bem aquilo que estou a dizer, muito bem", afirmou o presidente da Câmara Municipal de Viseu e da Associação Nacional dos Municípios Portugueses.
Tendo sublinhado que estava “a medir muito bem” aquilo que estava a dizer, Fernando Ruas revelou, dois dias depois, que estava a falar em sentido figurado. Fez-nos ter saudades do hooligan Avelino Ferreira Torres, que, ao menos, não se desdizia.
Mas o que é mais surpreendente neste episódio é a circunstância de o ministro do Ambiente se ter abstido de se pronunciar — e a última coisa que se lhe pedia era que comentasse seja o que for ("Não comentamos esse tipo de afirmações", disse “fonte” do gabinete do ministro ao Jornal de Notícias) —, tendo cabido ao secretário de Estado do Ambiente salvar a honra do convento.
Não menos surpreendente foi a postura dos restantes autarcas. Nem um ousou distanciar-se das palavras do presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, que aparentemente os representa a todos.
E é ainda surpreendente que nenhum órgão de comunicação social tenha explicado o que esteve na origem do acto desbragado de Fernando Ruas. Seria interessante saber o que é que este autarca considera “obstaculização” do desenvolvimento.

Alípio Ribeiro, director nacional da PJ, não autorizou que Nuno Maurício assumisse as funções de vice-presidente da Direcção da Naval 1.º de Maio, cujo presidente é Aprígio Santos, envolvido no processo Apito Dourado.
Como Alípio Ribeiro não manda no Tribunal da Relação de Coimbra, o procurador-geral adjunto Delfim Neves vai fazer parte dos órgãos sociais da Naval 1.º de Maio.

O Expresso garante que o próximo procurador-geral da República será um magistrado. Não sei se quer queimar nomes. Mas a articulista, ao sugerir os nomes do jubilado Rodrigues Maximiano, que tem uma das pensões de reforma mais catitas do reino, e de Cândida Almeida, não tinha o direito de se ter esquecido de António Cluny, o vitalício presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que, de resto, vem tendo um desempenho notável no Tribunal de Contas.
Ninguém seguramente conhece melhor a “máquina” do que Cluny. Ou como defendeu Cândida Almeida em entrevista a O Independente: “Neste momento, e dada a fragilização das magistraturas, penso que deve ser um magistrado do Ministério Público. Porque ele conhece a máquina, os seus defeitos e virtudes. Não é por ser corporativo. Os juízes têm um presidente que é juiz, os advogados um bastonário que é advogado, porque é que o MP não há-de ter um magistrado do MP?”
Perceberam a lógica da coisa?
'Mas o pior estava para vir. Há quem veja no poder de julgar com inteira liberdade as controvérsias de facto, isento de escrutínio ou sindicância, limitado apenas pela sua consciência, a pedra de toque do poder, da independência e da autoridade do juiz, sintetizada neste sugestivo mote: o juiz é soberano em matéria de facto. Para esta ideia autocrática da justiça e do juiz, com adeptos fortes nos tribunais superiores (e na direcção da associação sindical dos juízes), a reforma de 95, ao admitir que o juízo sobre os factos seja passível de impugnação e controlo, representa uma intolerável desautorização do juiz. A esta rejeição ideológica, somou-se a rejeição pelos desembargadores da especialização da Relação como 2.ª instância de reapreciação da matéria de facto decidida na 1.ª instância. Confesso que o motivo disto me escapa. A Relação vivia numa penumbra entre dois focos. A questão de facto era arrumada na 1.ª instância. Na questão de direito, era preponderante o Supremo. A reforma de 95 dá à Relação a oportunidade de fazer a diferença, em terreno vedado ao Supremo: inspirar um modelo inteligente e competente de julgar as controvérsias de facto. E a Relação só pensa em reverter à condição anterior! Não entendo.
Mas já posso explicar o que é a “rebeldia” das relações a que aludiu o conselheiro Simas Santos. A abrir, é uma proclamação de objecção de consciência a controlar a decisão do juiz de 1.ª instância, servida por uma linha de pensamento de fabrico próprio, indefensável e ptolomaica, nascida para servir o juiz e o desembargador, não para servir a justiça, adoptada por todas as Relações a uma velocidade inédita na formação duma jurisprudência, e sobranceiramente reiterada a cada acórdão, não obstante os avisos que vão surgindo de que aquilo rasga mais de 100 anos de estudos jurídicos.
A fechar, a “rebeldia” tem vindo a anular um regime legal com uma orientação dita jurisprudencial, criando uma caricatura de jurisprudência para tornar a lei inoperante. Chacina sistematicamente os recursos sobre a matéria de facto que lhe saem ao caminho, restaurando o regime anterior à reforma como aquele que realmente está em vigor. Remetendo aos advogados acórdãos deliberada e ostensivamente punitivos do acto de recorrer sobre a matéria de facto, está a caminho de levar a cabo o genocídio de uma categoria de recursos, e de exonerar as Relações, por acto de vontade própria, de uma função que lhes é cometida por lei, a de “verdadeira 2.ª instância”.
Em resultado de tudo isto, a justiça cível piorou nos últimos anos: há hoje mais erros judiciários do que dantes, e sobretudo mais casos de juízos abertamente divorciados da razão e inquinados por parcialidade evidente (o que era muito raro com o colectivo), e que a Relação faz questão de confirmar com muita honra e discurso de louvor e desagravo do juiz recorrido. Engana-se pois o dr. Silva Leal, ao temer um retrocesso. Já é um facto consumado. Os desembargadores que tem ouvido apenas pretendem do Ministério da Justiça a certidão de óbito da espécie de recursos que vêm matando sem descanso. A consagração legal do poder que se atribuem de deslegislar o que não é do seu agrado nas leis do processo. Por mim, nem sei que dizer perante o arrojo triunfante disto. Pergunto-me de onde veio e como se instalou, e a resposta não condena apenas os seus autores. Condena todos os homens de leis, por termos deixado cair um manto de silêncio, tão raramente rompido, sobre tão grave desafio ao direito.'
"A justiça cível piorou nos últimos anos: há mais erros judiciários do que dantes, e sobretudo mais casos de juízos abertamente divorciados da razão e inquinados por parcialidade evidente (o que era muito raro com o colectivo) e que a Relação faz questão de confirmar com muita honra e discurso de louvor e desagravo do juiz recorrido".
Estas palavras constam de um artigo de opinião do advogado Rui Macedo, saído no Público de ontem. O advogado considera que os juízes desembargadores estão a deslegislar. Pela sua importância, transcrevemos na íntegra o texto, que se intitula A Revolta das Relações (com subtítulos da responsabilidade do CC):
Violação dos direitos de defesa dos cidadãos
'O sindicato dos magistrados do MP promoveu recentemente uma tertúlia no Majestic. A dado passo ocorreu uma consonância. Silva Leal, que preside à Ordem dos Advogados no Porto, revelou que tem ouvido desembargadores pugnar pelo fim dos recursos em matéria de facto, o que, no seu entender, seria um retrocesso violador dos direitos de defesa dos cidadãos. O conselheiro Simas Santos acabaria por subscrever estas preocupações, acentuando que “as Relações estão a ter muita dificuldade para apreciar a matéria de facto. Há uma rebeldia”, frisou. O sentido disto será um enigma para muita gente. Pois posso esclarecer, com o conhecimento de causa de quem já viu recursos dessa espécie serem sumariamente abatidos pela “rebeldia”.'

A CP é o cliente, a Refer é o fornecedor. Mas uma notícia dá conta de que a CP não é tida nem achada nos investimentos da Refer: “A administração da CP e a estrutura técnica da empresa souberam através do PÚBLICO dos investimentos previstos para a linha de Cascais, que prevêem a sua renovação total até 2012.”
Pode ser que a Refer não conseguisse acompanhar o ritmo diabólico do plano de marketing de António Ramalho, que dizia querer transformar a minúscula CP na maior empresa de transporte ferroviário da Península Ibérica. Daqui a três anos e pouco, com o Líder 2010. Confidenciava o Público que “[o]s actuais presidentes das duas empresas — António Ramalho (CP) e Luís Pardal (Refer) — quase nunca se reúnem e praticamente só se vêem em alguns eventos.”
É possível que, com António Ramalho agora em debandada, as actividades da Refer e da CP possam ser melhor articuladas. Mas também não é para isso que existe o Instituto Nacional do Transporte Ferroviário, o regulador do sector?

Analisados os relatórios de auditoria das 82 sociedades com valores mobiliários cotados em 31 de Dezembro de 2004, verifica-se que 16 apresentaram contas com reservas, representando 20 por cento do total.
A lista das sociedades com reservas está aqui, podendo conhecer-se os motivos por que foram emitidos pareceres com reservas.



Na presente análise foram consideradas as contas semestrais do Futebol Club do Porto – Futebol, SAD e do Sporting – Sociedade Desportiva de Futebol, SAD, encerradas a 31/12/2004 e as contas anuais da Sport Lisboa e Benfica, SAD referentes a 31/07/2004 tendo em consideração que os seus exercícios económicos diferem do ano civil.
‘Um terço dos inquéritos de corrupção em curso visam as câmaras municipais, revelou Nuno Maurício, coordenador da investigação da criminalidade económica na directoria de Coimbra da Polícia Judiciária (PJ), durante uma intervenção no Centro de Estudos Judiciários (…).
Face à sensação pública de pandemia "ao nível dos sectores intermédios da administração pública, desde os serviços centrais aos locais, mas com especial incidência nas câmaras municipais", mas também "em forças policiais e em instituições da justiça", o quadro superior da PJ preconizou: "Há que assegurar a igualdade de direitos para todos", afastando de vez a ideia de "infractores de luxo".
(…) a corrupção motivou a abertura, em Portugal, entre 2002 e 2005, de 1.251 dos 6.976 inquéritos motivados por crimes económicos e financeiros.’
“Tudo se complica quando se tenta aplicar a teoria à prática. Imagine-se um país com inflação de 3% e aumento de produtividade de 0,4%. O aumento deveria ser de 3,4%. Mas se um concorrente seu tiver o mesmo aumento de produtividade e uma inflação apenas de 2, subindo os salários em 2,4% conseguirá colocar no mercado produtos mais baratos. Se cada país tiver a sua moeda, a diferença entre os aumentos de custos pode ser corrigida com a depreciação da moeda. Mas tal não é possível quando têm a mesma moeda, como acontece agora em que Portugal partilha o euro com mais 11 países, os seus principais parceiros comerciais. Neste caso, se Portugal insistir em aumentar salários com a soma da sua inflação e do aumento da produtividade verá, como tem visto, os seus produtos a perderem vantagens no preço, a recuarem na sua competitividade. E, como empresas que não vendem não sobrevivem, o resultado é, inevitavelmente, desemprego.”


Que música se ouvia há 50 anos? Através do blogue “não jurídico” da Cleópatra, que também escreve aqui, encontrámos esta pérola: quase 300 músicas gravadas entre 1956 e 1960. Quem sabe se muitos acórdãos não foram redigidos a bater o pezinho ao som de músicas como:
Alberto Pinto Nogueira, procurador-geral distrital do Porto [Público de hoje]
Alberto Pinto Nogueira foi eleito procurador-geral distrital do Porto contra o candidato proposto por Souto Moura. Dá hoje uma extensa entrevista ao Público. Eis alguns extractos da entrevista, esperando que, por se tratar de palavras de um alto magistrado do Ministério Público, a caixa de comentários não entre em ebulição:"Em Bruxelas, onde vivo, uma consulta num médico especialista (pediatra, oftalmologista, dermatologista, etc.) custa 30 ou 35 euros, quanto custa em Portugal? Acabo de fazer cá um tratamento que me custou 83 euros, pelo qual paguei 570 em Portugal — não, não há engano, foi mesmo cerca de sete vezes mais e posso provar que foi o mesmo tratamento —, tudo preços antes de qualquer tipo de comparticipação.
Isto tem alguma coisa que ver com o problema das vagas de medicina? Tem tudo. Há anos que os senhores doutores, depois de saírem dos seus consultórios, se vão sentar nas suas cátedras universitárias e decidem que só entra em medicina quem tiver vinte valores.
Fica assim garantido que muito poucos chegam à qualidade de especialistas e está assim garantida a sobrevivência do cartel. A Ordem dos médicos aplaude, os Governos — excepto o [ante]penúltimo [Amtónio Guterres] que criou duas novas faculdades de medicina — assobiam para o lado e quem paga é o mexilhão que, ou espera e desespera, ou paga e não refila."
Feliz Santos
‘A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Leiria tem «cerca de 650 processos» em mãos, mas apenas dez pessoas a tempo parcial para realizarem a respectiva assistência. «Preferencialmente deseja-se manter a criança no seio familiar, mas existe dificuldade no acompanhamento porque faltam técnicos, tanto em Leiria como a nível nacional», admitiu na quarta-feira a secretária da CPCJ, à margem das jornadas sobre o «Desaparecimento e Exploração Sexual de Crianças» (…).’
[Região de Leiria/Expresso]
____________
* A notícia consta de uma página interior e não diz muito mais do que escrevemos. Mas é a notícia do Expresso. O resto, como se sabe, demora a ler o tempo de um café.

Já estão disponíveis as estatísticas do IRC e do IRS de 2004, que são objecto de comparação com os dados de 2002 e de 2003. Vale a pena analisá-los. Se tivermos tempo, voltaremos a eles.


António Ventinhas é magistrado do Ministério Público. Encontra-se deslocado em Faro “por urgente conveniência de serviço”. Por coincidência, o local onde sua mulher é notária privada.
António Ventinhas é também dirigente sindical. Em nome do sindicato de que António Cluny é o presidente vitalício, o magistrado Ventinhas lançou-se de corpo e alma numa campanha contra a simplificação dos procedimentos notariais e registrais a que as sociedades comerciais estão obrigadas. Por coincidência, esta campanha servia os interesses próprios de sua mulher, notária privada.
Após saber-se que é cônjuge de uma notária privada, António Ventinhas desapareceu tão depressa quanto tinha aparecido.
“Os tribunais vão continuar parados nos meses de Verão. Alberto Costa, ministro da Justiça, acabou com as férias judiciais, contra a opinião dos diversos intervenientes da área judicial, mas pouco ou nada conseguiu alterar. Na segunda quinzena de Junho quase não haverá julgamentos na maioria dos tribunais do país.
O PÚBLICO consultou as agendas dos diversos tribunais (já acessíveis através do programa Habilus, criado pelo Ministério da Justiça) e verificou o que já se dizia à boca pequena nos meios judiciais: as diligências marcadas para as extintas férias judiciais são pontuais e apenas servem para continuar julgamentos em curso (uma obrigatoriedade, a lei prevê que o tempo de paragem na produção da prova não pode ultrapassar os 30 dias).
A excepção, nas agendas dos diversos tribunais consultados pelo PÚBLICO, é o Tribunal Judicial de Aveiro. Aí, na segunda quinzena de Julho, a marcação de julgamentos obedece à mesma cadência que nos anteriores períodos.”

PS — “Neste século da «informação»”, o mínimo que se poderia exigir é que fosse facultado o Diário da República em formato electrónico (e gratuito). O Decreto-Lei n.º 116-C/2006, de 16 de Junho, veio permiti-lo. Entretanto, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses veio alertar para o facto de que “há ainda um número muito significativo de juízes que, por razões diversas, não são utilizadores habituais da Internet.”
“Para reflectir, neste século da «informação»”: “Tribunal XXI” ou “Tribunal XIX”? Os juízes decidem.
A velha questão regressa: “É também possível afirmar que os juízes são independentes quando estão dependentes do sistema nacional de saúde, que os obriga a ingressar numa fila única às 6:00 horas da manhã para marcar consulta com o seu médico de família, sem qualquer garantia que serão atendidos no dia que pretendem e a horas que não perturbem a sua agenda do Tribunal ?”• O ministro das Finanças terá conhecimento deste corpo profissional de explicadores?
• As horas previstas para preparar as aulas são utilizadas por alguns professores neste segundo emprego, enquanto os outros professores se esfalfam para não deixar degradar o ensino público?
• Os sindicatos, e a FENPROF em particular, não deveriam ter tomado posição sobre isto, garantindo — do mal o menos — que os sindicalistas a tempo inteiro não se dedicam a este nicho de mercado?

Não se pode dizer que a concessão de auto-estradas seja um negócio de elevado risco. As concessionárias têm a obrigação de promover as obras de alargamento e de manutenção e, como “as portagens são a sua principal fonte de receita”, o secretário de Estado das Obras Públicas entende que não se pode inibi-las de cobrar portagens quando, em resultado de obras, se criam engarrafamentos monumentais. A sua ideia é informar o utente “para que o acto de utilizar a auto-estrada seja consciente e informado”:
— Prezado utente, as obras são a pensar em si. Se não optar pelo caminho de cabras, entretenha-se ao telemóvel.
Como vários exemplos o comprovam, as concessionárias não têm, neste quadro, um forte incentivo para concluir com celeridade as obras.
Acresce que, havendo uma alteração das circunstâncias, não é lícito que se faça uma renegociação que imponha sanções aos concessionários? E em relação a futuras concessões, não deveria esta situação ser acautelada?
Mas há um outra questão. Num mercado concorrencial, se uma empresa, por qualquer razão, vê degradar a qualidade do serviço que presta, não tem outro remédio a não ser reduzir o preço de venda enquanto não conseguir resolver o problema. A circunstância de isso não se verificar no caso das auto-estradas revela que há aqui uma falha do mercado.

Maria de Fátima Mata-Mouros, magistrada judicial, que voltou a escrever no Dizpositivo, no VII Congresso dos Juízes Portugueses:
“Mas, qual é a surpresa? Não denunciaram já, e de há muito, vários juízes a falta de condições para cumprimento do controlo legal das intercepções telefónicas nos termos indicados pela lei? Porque razão continuam os terminais de intercepção na exclusiva disponibilidade da polícia se para a lei são os juízes os senhores das escutas? Ou será que, como se percebe pelas palavras dos nossos governantes e deputados, afinal para o poder político aquela é matéria das polícias, constituindo a reserva do juiz inscrita na lei apenas pura cosmética? Mas, se assim é, porque razão se admiram do estado policial que criaram e todos querem, apesar de tudo, manter? Nenhum juiz poderá com autoridade responder a esta questão, mas não nos podem negar o direito, eu diria o dever, de exigir de quem sabe a resposta que a revele de forma clara para que todos nós, portugueses, possamos compreender! Uma coisa é certa: não é mexendo, mais uma vez, nos códigos que se resolvem estas questões.”
Jorge M. Langweg, magistrado judicial, no Dizpositivo:
“(…) não é substancialmente relevante o número de inquéritos em que se procede a escutas telefónicas.
Será mais importante saber, por exemplo:
a) se todas as escutas realizadas foram autorizadas por juiz de instrução criminal;
b) o número de alvos das escutas (em cada inquérito poderá haver vários alvos de escuta);
c) o apuramento estatístico dos tipos de crime indiciados nos inquéritos onde foram realizadas as escutas telefónicas;
d) a duração média das escutas telefónicas por tipo de ilícito indiciado”.
Cândida Almeida, procuradora-geral adjunta, responsável do DCIAP e presidente da mesa da Assembleia Geral do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, referindo-se às escutas telefónicas em entrevista a O Independente, de 2 de Junho:
“Há meses, um grupo de deputados dos diferentes grupos parlamentares foi à Polícia Judiciária e vieram, muito satisfeitos, dizer que afinal estava tudo controlado.” [sublinhados nossos]
António Cluny, procurador-geral adjunto, no DN de ontem:
'António Cluny, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, desvalorizou ao DN o facto de o MP não possuir um registo centralizado dos processos onde há escutas, lembrando que essa fiscalização é feita pela PJ. O magistrado lembrou que a comissão dos Assuntos Constitucionais já visitou as instalações da Judiciária para se inteirar do assunto "e saiu de lá satisfeita com as explicações dadas". Para António Cluny, "tudo isto [a polémica em torno das escutas] não passa de mais uma forma de o ministro justificar a criação de uma comissão de controlo".' [sublinhados nossos]

Era uma vez um filho de Valentim, o Jorge, que era amigo do vice-presidente do pai na Câmara de Gondomar, o José Luís, e de um advogado, o Laureano, que, em tempos, havia sido colocado por Valentim no Conselho de Arbitragem da Federação de Futebol. Decidiram o Jorge, o José Luís e o Laureano unir esforços e adquirir a uma senhora a Quinta do Ambrósio por cerca de um milhão de euros. Enquanto o diabo esfrega um olho, a Quinta do Ambrósio, embora não tivesse poços de petróleo, valorizou-se tanto que já valia quase o quádruplo. Nem o Tio Patinhas tinha no seu curriculum um tal feito.
Quando perguntaram a Valentim se Midas tinha ressuscitado, o major de Gondomar sugeriu que se deixassem de fantasias: a sua intervenção fora terrena, ou seja, “institucional”. Estava em curso o Plano de Urbanização de Fânzeres que haveria de permitir a desafectação da Quinta do Ambrósio da Reserva Agrícola Nacional.
Não estando a Quinta do Ambrósio cotada em bolsa, não era só Midas que não era para aqui chamado. A CMVM também não, que já tem muito para se entreter com o Fundo de Pensões do BCP. Mas talvez o Ministério Público, assim que se desembarace do “Envelope 9”, possa encontrar um explicação racional para o fenómeno da Quinta do Ambrósio.
PS — Uma empresa, que transporta pessoas de um lado para o outro, adquiriu em seguida a Quinta do Ambrósio. Dá pelo nome de STCP e tem um único accionista: o Estado.

Estado-Maior da Força Aérea
• 5584.57 € — General
Ministério da Justiça
• 5581.03 € — Juiz Desembargador — Conselho Superior Magistratura
• 5581.03 € — Juiz Desembargador — Conselho Superior Magistratura
• 5581.03 € — Juiz Desembargador — Conselho Superior Magistratura
• 4045.66 € — Assessora Investigação Criminal — PJ Directoria Geral
Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas
• 4558.83 € — Téc Sup/Invest. Coord — Inst Nac Inv Agrária e Pescas
Ministério da Saúde
• 4840.80 € — Chefe Serviço Hospitalar — Centro Hosp do Alto Minho, E.P.E.
• 4661.56 € — Chefe Serviço — Administração Regional Saúde Centro
• 4864.61 € — Director Serviços — Centro Med Reab Reg Centro Rovisco Pais
• 4461.74 € — Chefe Serviço Medicina Interna — Hosp de Santo André, E.P.E.
• 4446.49 € — Chefe Serviço Obstetrícia — Cent Hosp Lisboa Ocid, E. P. E.
• 4829.80 € — Chefe Serviço Pediatria Médica — Centro Hospitalar Coimbra
• 4983.39 € — Chefe Serviço — Centro Hospitalar Vila Nova Gaia
• 4811.64 € — Chefe Serviço — Hospital de Santa Maria, E.P.E.
• 4813.48 € — Chefe Serviço Gastroenterologia — Hosp Dist Fig Foz, E.P.E.
• 4691.69 € — Chefe Serviço — Hospital de São João, E.P.E.
• 4845.55 € — Chefe Serviço Hospitalar — Hosp Dist Fig Foz, E.P.E.
• 4207.36 € — Assistente Graduada — Hospital de São João, E.P.E.
• 4314.18 € — Assist Grad Pediatria — Admin Reg Saúde Lisboa Vale Tejo
• 4881.60 € — Chefe Serviços Clínica Geral — Adm Reg Saúde Norte
• 4204.22 € — Assist Graduada — Admin Regional Saúde Lisboa Vale Tejo
• 4781.08 € — Chefe Serviço Hospitalar — Cent Hosp Lisboa Ocid, E. P. E.
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
• 4558.83 € — Professor Catedrático — Fac Medicina Universidade Coimbra
• 4558.83 € — Professor Catedrático — Universidade Minho
• 5180.49 € — Reitor — Universidade Porto
• 4558.83 € — Investigador Coordenador — Universidade Nova Lisboa
Região Autónoma dos Açores
• 5438.87 € — Chefe Serviço Ortopedia — Hosp Sto Espírito Angra Heroísmo
“Os bastonários das ordens profissionais do sector da saúde (médicos, dentistas, farmacêuticos e enfermeiros) publicaram uma arrebatada "carta aberta" num semanário, denunciando uma alegada ofensiva mercantilista no sector, estando em curso uma "diabolização das ordens" e um "ataque às profissões da saúde". A carta é, porém, despropositada, e a mensagem, errada.
Na origem desta inédita iniciativa conjunta dos bastonários estão claramente as posições da Autoridade da Concorrência, tanto em relação à liberalização das farmácias e do comércio de medicamentos, como, especialmente, em relação à aplicação de pesadas sanções pecuniárias às ordens dos médicos e dos dentistas, por causa da fixação de preços das consultas e dos tratamentos na medicina liberal. Os bastonários vêem nessas posições evidentes sintomas de uma concepção dos cuidados de saúde como "uma mera actividade económica, apenas sujeita às regras do mercado" e de um movimento tendente à desregulação das respectivas profissões.
Há aqui uma distorção inaceitável e uma ilação deslocada. Para começar, é evidente que, quando a Autoridade da Concorrência sanciona a fixação de remunerações e outras práticas lesivas da concorrência na prestação de serviços, ela limita-se a negar às ordens profissionais o exercício de funções de regulação económica, sem todavia pôr em causa as demais funções de regulação profissional e deontológica que caracterizam tradicionalmente as ordens. Por isso mesmo, a condenação de tais restrições à concorrência não põe em causa o papel das ordens nem significa nenhum ataque às profissões em si mesmas.
Ao defender a concorrência nas profissões liberais, a Autoridade da Concorrência limita-se a aplicar o Tratado da Comunidade Europeia, a jurisprudência do Tribunal de Justiça Europeu e a lei nacional da concorrência. Desde há muito que se entende que as regras da concorrência não se aplicam somente ao sector dos bens, mas também à prestação dos serviços, incluindo os serviços profissionais. As práticas restritivas tanto podem decorrer de acordos entre agentes económicos, como de decisões das suas associações. Ora, as ordens profissionais são indubitavelmente associações de prestadores de serviços, que incorrem em violação das leis da concorrência quando decidem, por exemplo, determinar ou limitar a formação dos respectivos preços.
Sucede, aliás, que os estatutos legais das ordens profissionais não lhes conferem poderes em matéria de regulação dos preços. Ora, tratando-se de organismos públicos, as ordens só têm as atribuições que lhes forem confiadas por lei. Na falta desta, como é o caso, as restrições à liberdade negocial em matéria de preços estão desprovidas de fundamento legal, sendo portanto ilegais, mesmo que não estivesse em causa a violação das leis da concorrência. Os cuidados de saúde em regime liberal podem não ser somente mercadorias, mas são também serviços disponibilizados no mercado, aliás bem caros entre nós, quando comparados com outros países mais ricos. Se fizesse falta uma prova, ela está hoje na crescente percentagem de clínicos e outros profissionais de saúde que adoptam a forma de sociedade comercial, muitas vezes uninominal, por razões puramente argentárias, como as vantagens fiscais, ou outras ainda menos desinteressadas.
O perigo para o conceito e o prestígio das profissões da saúde e para as respectivas ordens profissionais não advém, portanto, da alegada perspectiva mercantilista e "neoliberal" da Autoridade da Concorrência, mas sim da tendência atávica das ordens para preferirem arrogar-se tarefas que não lhes devem pertencer (concretamente, a regulação económica), em prejuízo das missões legais para que foram criadas, nomeadamente a observância dos deveres deontológicos e profissionais.
Há uma tensão inata nas ordens profissionais entre, por um lado, as suas funções públicas - que devem ser pautadas pelo interesse público e pelos direitos dos utentes - e, por outro lado, as suas funções de representação e de defesa dos interesses privativos dos seus membros. Muitas vezes prevalecem as segundas sobre as primeiras, passando as ordens a ser não mais do que sindicatos oficiais, com os privilégios do poder público, de que as demais profissões não beneficiam.
Existem três desvios típicos das ordens profissionais quanto às suas funções. Primeiro, há uma tendência larvar para a defesa de posições malthusianas no acesso à profissão, que consiste no racionamento na entrada de novos profissionais. O que sucedeu em Portugal durante muitos anos, com as limitações à entrada nos cursos de Medicina, de resto ainda bem activas, há-de ficar na história como um "exemplo de escola". A segunda tendência é a ampliação desmesurada dos chamados "actos próprios" da profissão, de modo a expandir o exclusivo profissional, muitas vezes à custa das profissões confinantes. A terceira tendência consiste nas já referidas restrições à concorrência, que aliás não se limitam à fixação de preços ou medidas afins.
O zelo das ordens na promoção dos interesses profissionais colectivos só tem paralelo no desmazelo ou desinteresse com que várias delas encaram as missões públicas de que estão encarregadas pelo Estado, nomeadamente o respeito pelos deveres deontológicos e das legis artis por parte dos seus membros. Custa a aceitar, por exemplo, a leniência com que desde há muito a Ordem dos Médicos encara a emissão generalizada de atestados médicos de favor ou as equívocas relações de muitos médicos com os laboratórios farmacêuticos (de que o "turismo médico" constitui a face menos nociva...). A escassez de processos e de sanções disciplinares em várias ordens profissionais são um dos elementos que revelam o défice no desempenho da sua função supervisora.
As ordens profissionais não são uma solução universal para a regulação dos serviços profissionais, nem sequer para a sua auto-regulação, sendo por exemplo desconhecidas no mundo anglo-saxónico. A transacção em que assentam supõe que elas não sacrificam excessivamente o interesse público aos interesses corporativos. E para serem organismos públicos não podem adoptar posições de tipo "sindical" ou mais próprias de grupos de interesse privados.
Em vez de se colocarem na descabida situação de incompreendidas e perseguidas como supostos "bodes expiatórios", as ordens profissionais, tanto as da saúde como as demais, deveriam reflectir seriamente sobre a sua serventia na actualidade, não para tentar impedir a criação de um mercado de serviços profissionais, que a UE incentiva, mas sim para desempenhar com renovada exigência e responsabilidade as suas funções próprias de superintendência e de disciplina profissional, nesse novo contexto de massificação e de concorrência. Se o não fizerem, só têm de se queixar de si mesmas.
"Há muito que entendo que o Ministério Público funciona em rédea livre, fazendo o que quer e não fazendo o que não quer, sem dar satisfações nem prestar contas. Por isso mesmo, liberto dos constrangimentos dos políticos e ponderando entre dois males efectivos, sou a favor do fim da autonomia total de que actualmente goza. Hoje, confrontado com a deriva antidemocrática a que conduziu a autonomia total do Ministério Público, prefiro o perigo de uma investigação criminal hierarquicamente subordinada a um poder legitimamente eleito do que entregue aos próprios, sem orientação nem controlo democrático externo. E acho que se poderia e deveria começar pelas escutas. Que houvesse um órgão independente, com membros designados pela Assembleia e pelo Presidente, a quem a Procuradoria-Geral da República submeteria regularmente um relatório completo das escutas efectuadas e em curso, quem e porquê as tinha ordenado e com que resultados. E que, ao fim de um prazo a definir por lei, mas nunca mais de seis meses, as operadoras telefónicas fossem obrigadas a informar directamente os clientes, sem passar pelo tribunal, de que o seu telefone estava sob escuta, desde tal data e à ordem de tal magistrado.
Nada fazer é pactuar com a instalação paulatina de um Estado policial onde o direito à intimidade da vida privada deixou de contar."
• Eva Cabral - Trabalho temporário com regras mais apertadas
• R. Guerra Santos - O lado negro da força


Não faz mal ir relembrando, mas a verdade é que só o DN é que se espanta com a sua própria manchete: PGR não sabe em quantos processos há escutas.
E porquê? O subtítulo esclarece: “Procuradoria-Geral não tem registos específicos dos casos em que são pedidas escutas telefónicas”.
PS — Deixe na caixa de comentários a sua sugestão para melhorar o "sistema de controlo interno" adoptado pela PGR.
Nuno Crato, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão e presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática [Pública, 18 de Junho]
Um pagamento voluntário de sisa, efectuado por José Luís Oliveira (vice-presidente da Câmara de Gondomar), Laureano Gonçalves (antigo dirigente do Conselho de Arbitragem) e Jorge Loureiro (um dos filhos de Valentim Loureiro, presidente da Câmara de Gondomar) entre Dezembro de 2004 e Fevereiro de 2005, no serviço de Finanças de Gondomar desencadeou uma auditoria da Inspecção Tributária, a qual revelou contornos pouco claros de um negócio efectuado pelos três com os STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, SA), cujo accionista único é o Estado.
Quando Mário Machado, líder da Frente Nacional (principal movimento do PNR), foi detido no princípio deste mês por posse de arma ilegal, o presidente do PNR, José Pinto Coelho, afirmou ao Expresso: “Temos uma luta desigual e este tipo de atitude mais musculada é natural.”'Em “Itália, a isto chamam-lhe máfia e camorra ”. Esta declaração foi proferida por um juiz da Comissão Disciplinar da Liga, criticando a decisão da Comissão, que manteve na Liga o Gil Vicente, em virtude de o filho de um dos dirigentes deste clube, que é curiosamente advogado, ter votado nesse sentido e forçado a alteração da decisão, com voto de qualidade do presidente, que é também juiz.
(…) O que é preocupante neste lamaçal em que está mergulhada a virtual justiça desportiva é ver três juízes metidos nesta trapalhada, o que em nada dignifica a Justiça que representam, aceitando fazer parte de um sistema fechado, que veda o recurso aos tribunais. Os juízes que fazem parte dos órgãos de justiça e de disciplina, quer da Liga, quer da Federação, são uns “paus mandados” dos dirigentes destes organismos ou dos clubes que aí estão representados.
O sistema tal como está montado visa dar uma aparência de legalidade e de imparcialidade, servindo-se dos juízes como capa dessa imagem pública, que os senhores do futebol pretendem passar para a sociedade, de forma a melhor servir as suas “negociatas”. A isto também se chama corrupção moral. É preciso acabar com este escândalo, devendo os juízes ficar impedidos de fazer parte deste ‘polvo’ enquanto o sistema assim permanecer.
Se querem uma justiça desportiva a sério, doa a quem doer, então, crie-se um Tribunal de Justiça Desportiva, com regras de funcionamento diferentes e nomeações de juízes feitas pelo CSM. É o único sistema transparente, que retira os juízes dos tentáculos desse ‘polvo’, que os tolhe até à medula da sua dignidade. Espero que o CSM, não fique à espera das queixas tradicionais para depois reagir, mas que, por iniciativa própria, acabe de uma vez por todas com esta vergonha, não permitindo que os juízes façam parte “da máfia ou da camorra”.
Uma última palavra para a Ordem dos Advogados, no sentido de explicar publicamente como é que um advogado, que tem deveres éticos e deontológicos, participa numa votação, com interesse directo.'
“Toda a nossa administração pública é avessa à avaliação. Muitos professores e, sobretudo, os seus sindicatos consideram a avaliação insultuosa, com o argumento falacioso que se destina apenas a poupar dinheiro. A realidade é bem diferente: a pedra-de-toque de qualquer grande organização é a sua disponibilidade para aceitar uma avaliação séria, exigente e, sobretudo, independente. Ao recusarem a avaliação, os professores — ou alguns deles — estão a prestar um péssimo serviço aos seus alunos: eles vão ser avaliados sempre, pela vida fora.”
José Delgado Domingos, professor do Instituto Superior Técnico e ex-consultor da indústria nuclear dos EUA [Público de 12 de Junho]

O Comodoro Patrick Monteiro de Barros tem sempre um jornal disposto a ouvir o que lhe apetece dizer — e ninguém ousa confrontá-lo com o que afirmou ou fez 15 dias antes.
Depois de querer doar ao país uma central nuclear, Patrick apareceu disposto a presentear-nos com um projecto “dois em um”: no embrulho da refinaria, viria também uma central eléctrica de ciclo combinado (alimentada com os resíduos da refinaria), a qual chegaria a duplicar a emissão de CO2 que constava da proposta inicialmente apresentada. Agora, no Dia D do Público (a revista XIS para a economia), de dia 12, o Comodoro, para demonstrar, de novo, a sua inequívoca vontade de oferecer uma central nuclear aos portugueses, afirma com o ar mais descontraído deste mundo:
“Se para produzirmos energia estamos a gastar as emissões de CO2, não podemos ter indústria. Todas as indústrias vão ficar asfixiadas.”
O Comodoro olha para este país como se fosse um rancho do Texas.
Se alguém só lesse jornais desportivos, nunca suspeitaria de que existe (ou existia) o processo Apito Dourado. O mesmo ocorre com os processos em que aparecem envolvidos magistrados: os blogues “jurídicos” ainda não se deram conta de que há um juiz desembargador da Relação de Guimarães que está sob investigação no âmbito do processo Apito Dourado. E também não tiveram ainda oportunidade de acompanhar a borrasca que rebentou na Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, em resultado da qual dois juízes acusam um terceiro, por sinal aquele que está a ser investigado no âmbito do processo Apito Dourado, de “condutas muito graves”.
O Código Penal pode ser o manual de instruções dos bloggers anónimos mais dados a afrontamentos. Mas a blogosfera ainda não é, infelizmente, uma sala de audiências.
“Durante o ano de 2005, foram remetidos ao MP, na Sede e nas Secções Regionais, 276 processos.
O MP requereu julgamento em 33, sendo 10 relativos a incumprimento de prazo de remessa a fiscalização prévia, 4 a incumprimento de prazo de remessa de contas, 11 fundados em relatórios de auditoria (5 de fiscalização concomitante e 6 de fiscalização sucessiva), 1 em relatório de verificação externa de contas, 5 em relatórios de verificação interna de contas e 2 em relatórios recebidos de órgãos de controlo interno. Arquivou 250 processos (211 em razão da insuficiência de elementos, 27 por as respectivas entidades não estarem sujeitas a efectivação de responsabilidades financeiras) e 12 por amnistia. Terminaram por outras razões 90 processos.”
“As práticas e as estratégias a que tem obedecido a educação em Portugal têm que ser profundamente revistas.
As despesas totais com educação em Portugal situavam-se em 2002 um pouco abaixo da média da OCDE, mais precisamente em 93,3% dessa média. No entanto, apenas no ensino superior as despesas são significativamente inferiores a esse padrão (66,9%). Os outros graus de ensino estão muito próximos da média e o secundário até a ultrapassa ligeiramente. Portugal foi, além disso, com um acréscimo de 76%, o país onde os gastos por aluno (no conjunto dos graus de ensino com excepção do superior) mais cresceram, a preços constantes, entre 1995 e 2002.
Em termos de composição das despesas, temos a maior proporção de gastos com pessoal em toda a OCDE (96,7% contra 81% de média). A dimensão das turmas em Portugal é das mais baixas da zona. No que respeita a professores, os seus salários, corrigidos pelas paridades de poder de compra, correspondem, no início da carreira, a 78,1% da média internacional; ao fim de 15 anos de carreira, sobem para 95,4% e, no topo da carreira, ascendem a 123,6%. Portugal tem, assim, a mais forte ascenção na carreira de todos os países analisados, embora, como sabemos, a progressão seja virtualmente automática.
Em matéria de resultados, na hierarquização do PISA 2003, Portugal é, entre 29 países, o 24º no que respeita a leitura, o 27º em matéria de ciência e o 25º em matemática. Em termos de despesa acumulada por aluno entre os 6 e os 15 anos, Portugal gasta, porém, mais 4,5% do que a média dos três países (Finlândia, Coreia e Holanda) com os melhores resultados em matemática.”
Paula Alexandra Almeida, O Primeiro de Janeiro

Ler para falar com conhecimento de causa:
• Albino Aroso: “As maternidades sem condições devem encerrar porque não podemos ter mulheres de primeira e mulheres de segunda”
• Luís Graça, presidente do colégio de especialidade de Ginecologia-Obstetrícia da Ordem dos Médicos: “Estas pequenas maternidades não têm médicos para assegurar a cobertura adequada das emergências”
• Octávio Cunha, director da unidade de cuidados intensivos neonatais e pediátricos do Hospital de Santo António (Porto): “Já tínhamos perdido tempo de mais”
Uma grávida foi assistida em Elvas e, posteriormente, encaminhada para Portalegre, em cujo hospital perdeu o feto. Não teria acontecido se a maternidade de Elvas não tivesse sido encerrada? Houve negligência no atendimento? Foram deficientes as condições em que se processou o transporte em ambulância?