Mostrar mensagens com a etiqueta Economia global. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia global. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, agosto 25, 2015

Assim vai o mundo

Amanhã no diário Le Monde
Clique na imagem para a ampliar

domingo, julho 05, 2015

«Os índios nunca podem saber mais do que o chefe»


• João Caraça, O fim da Comissão Europeia:
    «(…) Qualquer que seja o resultado do referendo na Grécia, sobrará sempre o problema da Comissão Europeia: para que vai servir no futuro? Os fundos que redistribui são claramente insuficientes (dez vezes menos) para fazer convergir as regiões menos avançadas com as mais desenvolvidas; as políticas que promove têm um contributo indefinível para a competitividade da economia europeia; a ideia mais ridente de futuro que nos transmite é a de alimentar negociações e barganhas políticas contínuas e infinitas até altas horas da madrugada.

    São os governos nacionais que são responsáveis pelos problemas dos Estados membros. Foi o que a crise ‘grega’ definitivamente a todos mostrou. A Comissão está para além dos governos dos países membros e a sua utilidade, para a grande maioria dos cidadãos europeus é, neste momento, nula. A globalização, ‘arma’ americana contra a guerra-fria (que acabou por vencer) vai desmantelando as organizações que dela nasceram: a CEE (que se empinou até se transmutar em UE) é um desses casos. Os índios nunca podem saber mais do que o chefe.»

quarta-feira, maio 13, 2015

Sobre a desigualdade global



• Alexandre Abreu, Sobre a desigualdade global:
    «(…) Caso estas tendências se prolonguem no longo prazo, pode perspectivar-se um mundo em que, como afirma Branko Milanovic, um dos mais conhecidos especialistas mundiais no estudo da desigualdade, a classe social de cada indivíduo voltará a ser, como o era no século XIX, um determinante mais importante da posição desse indivíduo na distribuição global do rendimento do que o país onde nasceu e reside. Esse será, claramente, um mundo mais conducente a que os trabalhadores dos diversos países se unam. Como também pergunta Milanovic, não se escuta aqui claramente o eco distante de Marx?»

segunda-feira, abril 13, 2015

«Pôr pensamentos no lugar dos cálculos»

• Wolfgang Münchau, A macroeconomia precisa de novos instrumentos para desafiar o consenso:
    «(...) E quanto aos rebeldes? Um detrator precoce foi Hyman Minsky, que desenvolveu um quadro sobre como compreender uma crise moderna nas décadas de 1980 e 1990. Minsky foi banido pelo poder estabelecido. Os atuais desafiadores do consenso, tal como Minsky antes deles, permanecem nas antecâmaras desse debate, no Twitter e nos blogues, fora das revistas tradicionais e das universidades de topo.

    Irão ser bem-sucedidos? Da mesma forma que nenhum desses modelos tem a esperança de predizer o nosso futuro, também eu não consigo predizer o futuro da macroeconomia em si. Tendo seguido o debate desde há muito tempo, o meu palpite é que, ao contrário do que acontece na matemática, o desafio ganhador virá de fora da disciplina e irá ser brutal.»

terça-feira, março 03, 2015

Les Misérables

Bloomberg: «The 15 Most Miserable Economies in the World»

Mais um sinal do sucesso do país: acaba de ingressar no ranking das 15 economias mais miseráveis.

sexta-feira, setembro 12, 2014

Crítica da razão impura

• João Caraça, Crítica da razão impura:
    «(…) No meio disto tudo, quem eram os Espírito Santos? Ninguém, tal como o romeiro da célebre peça de Almeida Garrett. Uns desenraizados, vivendo (estes sim) acima das suas possibilidades, apenas porque nos anos 1980 a CIA e um ex-embaixador americano entenderam que o governo português devia trazer uns cacos das antigas elites financeiras da paróquia para legitimar a reprivatização da banca. Sem controlo de qualidade. Claro que ia dar asneira. Uma má educação sai sempre cara. (…)»

quarta-feira, junho 18, 2014

«Não se combate o populismo
com cedências ao discurso anti-sistema»

• Fernando Medina, Uma questão de diagnóstico:
    «(…) O contexto da inserção internacional da economia portuguesa alterou-se profundamente nas últimas duas décadas, fruto do alargamento europeu a Leste, da intensificação das inovações tecnológicas, da abertura dos mercados europeus às economias emergentes e da adesão de Portugal à moeda única. A combinação simultânea destes choques numa economia periférica com importantes défices nos modernos fatores de competitividade reduziu os ritmos de convergência e gerou uma situação de difícil resposta na esfera nacional. Este quadro foi ainda agravado pela resposta europeia à crise financeira, que não só se mostrou incapaz de resolver a situação como acentuou as divergências dentro da União Europeia.

    Só com uma nova agenda reformista orientada para dar resposta a estes desafios - de inserção internacional da economia portuguesa e de superação de bloqueios internos ao desenvolvimento (com destaque central para a qualificação dos portugueses) - conseguiremos melhorar significativamente a relação dos portugueses com as instituições democráticas. Não se melhora a satisfação com a democracia com menos deputados e menos pluralismo. Não se combate o populismo com cedências ao discurso antissistema. Melhora-se a democracia com mais resultados.

    É nos momentos críticos, como aquele que atravessamos, que a qualidade do diagnóstico é mais determinante. Porque sem um bom diagnóstico vamos falhar nas soluções. E porque nestes momentos o erro tem um custo demasiado alto para todos.»

terça-feira, maio 13, 2014

Estado de sítio

• João Caraça, Estado de sítio:
    «Portugal está cercado. Não por tropas estrangeiras que se preparam para violar as fronteiras e controlar as instituições e os órgãos de soberania, mas cercado por fora e por dentro

    Por fora, por grupos de exploradores que sabem como acumular capital à distância. Por dentro, pelos homens e mulheres de mão que esses grupos comandam e que instalaram nos centros de decisão política, económica, financeira e nos media. Esses autênticos robots ou drones mortíferos sem moral nem outros princípios que não sejam os da cega obediência aos novos senhores do capital terão a breve trecho a sua recompensa em cubos de açúcar dourado extraído à custa do nosso labor e das nossas penas.

    Em tempos de guerra como estes em que vivemos não podemos absolutamente acreditar na propaganda deles nem perder tempo com a desinformação. A riqueza do nosso país medida em termos do PIB era, em 2007, de 169 mil milhões de euros; em 2013, após estes anos de crise financeira e económica que nos sufoca, não produzimos mais de 166 mil milhões de euros. Ou seja, Portugal perdeu seis anos! Andámos para trás.

    Claro que nestes seis anos os juros dos empréstimos contraídos foram prestimosamente pagos pelo país aos seus credores, ajudando a manter e continuar o negócio do capital. Isto é, o capital financeiro internacional ganhou seis anos! Safou-se.

    O euro não saiu mais fraco, está bem forte, pelo contrário, afirmou Jean-Claude Trichet numa reunião na Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, no passado dia 30 de Abril. Não conseguiu, é certo, tornar-se uma moeda de referência como o dólar. Mas não entrou em colapso e está de boa saúde outra vez. O que se passou, então? (…)»

segunda-feira, abril 14, 2014

Um final necessariamente infeliz

• João Galamba, Um final necessariamente infeliz:
    «Não há melhor exemplo da euforia irracional que se apoderou dos mercados da dívida do que ver um país que, quer em termos de PIB, quer em termos de desemprego, quer em termos de investimento está numa depressão económica, que tem um rácio da dívida pública em percentagem do PIB próximo dos 180% e que está em deflação fazer uma emissão de dívida pública no mercado primário com juros inferiores ao que tinha antes do início da chamada crise das dívidas soberanas e com uma procura quase sete vezes superior à oferta. Falo, como é evidente, da Grécia, que celebrou este estrondoso sucesso no mesmo dia em que via uma bomba explodir nas ruas da sua capital. Nem Fellini se lembraria de tamanha farsa.

    A Grécia é um excelente exemplo de como o que se tem passado nos mercados da dívida pública é uma típica bolha especulativa que não tem qualquer relação com os chamados fundamentais da realidade económica do país e que, mais cedo ou mais tarde, vai rebentar, porque é insustentável. A Grécia, para todos os efeitos, é um país falido, com uma economia devastada, com um tecido social à beira da rutura (se é que não passou já desse ponto) e que nunca poderá pagar o que deve sem uma radical inversão de política. Se é assim, como explicar a queda vertiginosa dos juros da sua dívida pública?

    Os juros descem na Grécia, descem em Portugal, descem em Espanha e descem em todos os periféricos. E descem tanto mais quanto mais altos estavam antes de toda esta euforia começar. Como mostrou o economista Paul de Grauwe, depois da garantia de Draghi de que o BCE faria tudo o que fosse necessário para evitar o desmembramento do euro, o que melhor explica a descida dos juros é o nível inicial desses mesmos juros: quanto mais alto era o nível, maior é a queda. E descem porque, fruto das políticas expansionistas dos bancos centrais, há um excesso de liquidez nos mercados, que, por não haver oportunidades de investimento real, tem forçosamente de ser investido no que resta, que são os ativos financeiros. Se juntarmos a isto a saída de capitais dos mercados emergentes, as baixíssimas taxas de rentabilidade disponíveis, torna-se mais fácil entender por que razão há tanta procura pela dívida pública dos países da chamada periferia: é o que permite garantir alguma rentabilidade num mundo financeiro que não pode existir sem essa rentabilidade. Num certo sentido, e independentemente da sua sustentabilidade, o investimento na dívida de todos estes países é feito por necessidade, não por escolha.

    Esta situação é o resultado inevitável da estratégia que consistiu em mobilizar todos os recursos públicos para inflacionar o preço dos ativos financeiros sem cuidar de reabilitar a realidade económica que lhe subjaz. Inundar o sector financeiro de liquidez ao mesmo tempo que se destrói a economia e a procura com políticas de austeridade tinha de resultar na criação de dois mundos, um mundo financeiro cheio de dinheiro para aplicar, outro com uma economia onde não vale a pena investir. Perante isto, o setor financeiro vê-se forçado a investir em si próprio e nos ativos que estão disponíveis. A bolha é, pois, o resultado racional de uma estratégia que é, em si mesma, irracional e que, mais cedo ou mais tarde, vai rebentar. Podemos adiar o confronto com a realidade, mas ele, em algum momento, terá de chegar: países com mais dívida e menos capacidade de a pagar não podem garantir um final feliz para esta história.»

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

A deflação não andará longe

• Wolfgang Münchau, A dor dos mercados emergentes:
    ‘(...) No caso do mercado único, o principal problema é o impacto nos níveis de preços. O Eurostat estima que, em Janeiro, a inflação subjacente foi de 0,8%. Gostaria de colocar a tónica na inflação subjacente pelo facto de esta medida excluir itens voláteis como bens alimentares e energia, e por ser tendencialmente estável. A taxa subjacente tem flutuado numa banda estreita em torno do nível de Janeiro nos últimos quatro meses, o que significa que está muito abaixo da meta de inflação do Banco Central Europeu (BCE). Neste contexto, a deflação não andará longe. Talvez seja necessário apenas um único e grande choque. O que está a acontecer na Turquia e na Argentina poderá muito bem ser esse choque. (...)’

terça-feira, novembro 19, 2013

Contra a corrente (2)


Ontem, Manuel Caldeira Cabral e Manuel Pinho escreveram o primeiro de cinco artigos sobre a economia portuguesa e a zona euro: Uma entrada desastrada para o euro. Eis o segundo: Os Estados Unidos têm razão. A não perder.

quarta-feira, maio 15, 2013

Dívida e juros (ou de como a austeridade resulta de uma opção política)

Intervenções de João Galamba na audição parlamentar, que ocorreu hoje, do presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP):


domingo, março 10, 2013

O XIX Congresso do PS face à crise do euro


A moção “Portugal tem futuro”, a apresentar por António José Seguro ao XIX Congresso do PS, sustenta (na página 7) que, na sequência da crise internacional, houve um conjunto de factores que amplificou a debilidade das finanças públicas portuguesas, designadamente as “[i]nsuficientes reformas económicas de adaptação ao euro e a um mundo globalizado – falta de competitividade”. Esta visão levanta duas questões:
    • Por um lado, parece subalternizar os efeitos nefastos da errada arquitectura do euro, que, aliás, são aflorados na moção (“só muito tardiamente percebeu que também era uma crise do Euro, que radicava na construção incompleta da União Económica e Monetária e que punha em causa a estabilidade de toda a EU”);
    • Por outro lado, fica por saber quais são as “reformas económicas de adaptação ao euro e a um mundo globalizado” que António José Seguro entende que não foram feitas e que, por isso, se propõe levar a cabo para garantir a competitividade.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

“A impotência das democracias nacionais”

• Pedro Nuno Santos, Primárias:
    ‘Num mundo globalizado e numa Europa economicamente integrada, a impotência das democracias nacionais em responder às principais aspirações dos povos constitui a principal razão do descrédito dos cidadãos nos partidos, nos parlamentos e nos governos. Perante este quadro, ou transnacionalizamos a democracia ou recuamos na globalização e na integração europeia. O que não podemos é continuar a fazer de conta que o poder nacional pode domesticar uma economia que já não é nacional.’

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Três perguntas a Barroso


João Galamba no Facebook:
    'Perguntas que deviam ser feitas a Durão Barroso:
      1) Se foi a austeridade e as reformas estruturais que permitiram baixar os juros dos países periféricos, por que razão é que os juros só baixam quando o BCE promete agir? Foi assim no ínicio de 2012, com os dois LTRO (empréstimos ilimitados, durante 3 anos, a uma taxa de juro de 0.75%), e, em Agosto, com o anúncio da OMT (disponibilidade para comprar, de forma ilimitada, títulos de dívida pública de países sob pressão dos mercados).

      2) Se esta crise é explicada pelos elevados níveis de défice e dívida públicos e não pela própria arquitectura institucional da moeda única, por que razão é que países como o Japão, os Estados Unidos e o Reino Unido - que têm défices e dívidas públicos tão ao mais elevados que os da zona euro - não têm uma crise das dívidas soberanas?

      3) Sendo o desemprego, o aumento das desigualdades e a recessão os piores problemas da zona euro, não seria altura de reconhecer, de uma vez por todas, que a austeridade é uma política suicida e que é hoje a maior ameaça ao futuro da moeda única e do projecto europeu?'

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Até tu, Economist?

    ‘EUROPE's politicians are often berated for an excessive focus on austerity. And it seems likely that there is a huge problem with several countries pursuing austerity simultaneously. One cannot switch the economy from domestic consumption to exports, if all your neighbours are trying to do the same (…).’