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sexta-feira, outubro 23, 2015

«O “entertainer” do regime»


• Augusto Santos Silva, ELEIÇÃO PRESIDENCIAL: UMA VITÓRIA DIFÍCIL, MAS POSSÍVEL:
    «(…) Olhando para o próximo futuro, o que importa é ter bem consciência de três coisas. A primeira é que a figura e o papel do Presidente não podem ser desvalorizados: nos momentos críticos, ele pode ser determinante. Como aliás o estamos, por omissão, vendo. Em segundo lugar, num processo que é difícil para a nossa área, como ficou mostrado, é preciso que a campanha não acrescente mais dificuldades do que aquelas estritamente associadas ao livre debate democrático. Quer dizer: é preciso que ninguém se engane no adversário principal. Terceiro, mesmo que difícil, o processo está muito longe de decidido. Não está escrito em lado nenhum que o próximo Presidente não possa ser um ou uma candidata oriunda da esquerda democrática.

    Na minha opinião, para que isso seja possível, é necessário reunir duas condições. A primeira é tornar claro que a esquerda entende a primeira volta das presidenciais como o equivalente prático de umas primárias – e, portanto, atua tendo em vista a unidade futura na segunda volta. E a segunda condição é pôr política e Estado no debate eleitoral. Marcelo pode ser (e em grande parte é) o “entertainer” do regime. Fará, se o deixarem, uma campanha sem política. Pois é preciso não o deixar fazer. As pessoas sabem distinguir o brilho comunicacional e a popularidade televisiva das funções nobres e críticas do Presidente da República. Dessas é que importa falar. E, quando se principia a falar delas, a estrela da TVI começa logo a empalidecer.»

sábado, julho 18, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [938]


Será objectivamente um choque ter uma ex-presidente do PS a concorrer às eleições, num momento em que se sabe que uma parte considerável do partido apoiará outro candidato.

Da série "Frases que impõem respeito" [937]


Pedem-me para voltar a dar prestígio à Presidência.
      António Sampaio da Nóvoa, que chega mesmo a afirmar que decidiu candidatar-se às eleições de Janeiro do próximo ano por «não aguentar mais a situação de uma espécie de corrosão das instituições», onde inclui a Presidência da República

quinta-feira, abril 30, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [911]


Que política é esta que depois da crise nos anuncia mais crise, uma crise crónica que priva os cidadãos de futuro, que os faz desconfiar das instituições e da capacidade do Estado democrático para defender o bem público e o interesse colectivo?

terça-feira, abril 14, 2015

É terça-feira


Na última terça-feira, foi assim:
    «É evidente que os dois principais partidos estão numa posição desconfortável em relação às eleições presidenciais. Porquê? O Partido «Social-democrata», que é até ver o maior partido político português, porque o perfil que definiu no seu congresso é exactamente o contrário das qualidades que são muitas que assistem àquele que é o candidato mais forte na sua área política. O candidato mais forte na sua área política é o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa e o perfil que o congresso do PSD definiu é exactamente o anti-Marcelo. O Dr. Passos Coelho escreveu na moção que fez aprovar que não podia ser candidato a presidente da República apoiado pelo PSD alguém que fosse um cata-vento de opiniões e que vivesse sobretudo da exposição mediática. Eu não estou a citar literalmente, mas não estou a trair o espírito.

    (…)

    O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa tem, em primeiro lugar, o privilégio único de poder fazer campanha sem a fazer, vista a posição excepcional que tem no panorama televisivo português — por muitos méritos, não nego. Mas, portanto, ele não precisa de dizer que é candidato para o ser e, ao mesmo tempo, como é publico e notório, todos nós sabemos, ele vai fazendo a ronda dos comícios, jantares e outras reuniões públicas do seu partido para conquistar o seu partido a favor dele, isto é, contra o actual presidente desse partido.»

Hoje, presumo que depois da maratona do futebol, lá estará Augusto Santos Silva de novo na TVI 24.

O reitor Sampaio da Nóvoa

• Isabel do Carmo, O reitor Sampaio da Nóvoa:
    «(…) A lei que protocolava a realização das provas datava do regime da ditadura, assinada ainda por Américo Tomás. A votação consistia na escolha de uma bola preta ou de uma bola branca por cada membro do júri e depois procedia-se à contagem. O que estava legislado e era escrupulosamente cumprido era que a votação fosse anónima, em urna fechada. Cada catedrático ia escolher sob as longas mangas da beca uma bola preta ou branca num recipiente onde estavam misturadas e depois colocava-a na urna. Esta cena medieval passada à porta fechada do conselho da faculdade dava lugar a todos os maus instintos, cobardias, vinganças pessoais e sobretudo políticas. E, naturalmente, a um grande stress dos candidatos. Finalmente abriam-se as portas e era anunciado o resultado. Poder absoluto e anónimo. Sampaio da Nóvoa, enquanto reitor, manifestou-se várias vezes contra esta lei, o que aliás deixou escrito em ata. Finalmente, por influência da sua orientação e por vontade de Mariano Gago, a lei foi abolida e substituída por outra, em que a votação deixou de ser anónima.

    Ora acontece que, quando a nova lei foi publicada, já as nossas provas, a minha, a do Saldanha Sanches e a de um colega da Faculdade de Ciências, tinham data marcada. Todavia, na publicação da nova lei estava escrito que só 15 dias depois passava a ser aplicada. Prevendo por razões óbvias o que se poderia passar comigo e com o Saldanha Sanches, o reitor Sampaio da Nóvoa telefonou--me, telefonou ao presidente do Conselho Científico da FML, telefonou ao Saldanha Sanches e chamou-nos, facultando a possibilidade de requerermos um adiamento para datas posteriores à aplicação da lei. Sou testemunha de que tivemos essa possibilidade, mas nem eu nem o Saldanha Sanches quisemos. Criaturas que gostam do risco... Saldanha Sanches chumbou. O júri dele foi presidido na Faculdade de Direito pelo reitor Sampaio da Nóvoa, o qual não podia votar. O que se passou na discussão dentro do conselho ninguém sabe, ninguém pode saber, mas os que lá estavam sabem com certeza. Perante isto Sampaio da Nóvoa voltou a telefonar-me, mas eu insisti em ir a provas nessa data. Ele resolveu então ir assistir às minhas provas "à paisana", para testemunhar. (…)»

quinta-feira, abril 09, 2015

Marcelo, o cata-vento

João Taborda da Gama lembrou-se da reprovação nas provas de agregação de Saldanha Sanches para tentar pôr em causa o carácter de António Sampaio da Nóvoa, que, como reitor da Universidade Clássica, presidiu ao júri. Augusto Santos Silva e Isabel Moreira desmontam a traquinada.

Muito a propósito, Paulo Pena foi ao baú e reproduz, no Facebook, uma peça publicada aquando da reprovação: «Deixo-vos um texto, escrito em 2007, uma semana depois do tal chumbo. Eu era editor e lembro-me muito bem de tudo o que o Pedro Vieira e o Tiago Fernandes aqui contam, na Visão. Um texto que fala com toda a gente que aceitou falar (e são muitos). Uma coisa este texto e a crónica [de João Taborda da Gama] têm em comum, apesar de um ser de 2007 e a outra de 2015: ambos têm um último parágrafo demolidor para alguém que se pensa poder vir a ser candidato a Belém em 2016. E não é o mesmo alguém...»

Vale a pena transcrever passagens do artigo da Visão:
    «O júri era formado por 10 elementos, mas Paulo Pitta e Cunha, decano do grupo de disciplinas em que está integrado Saldanha Sanches, faltou. Os outros nove foram os catedráticos Leite de Campos, Braga de Macedo, Menezes Cordeiro, Marcelo Rebelo de Sousa, Fausto de Quadros e Paz Ferreira, que terão votado contra, e Jorge Miranda, Teixeira de Sousa e Paulo Otero, que terão votado a favor.

    (…)

    Na Faculdade de Direito de Lisboa, é preciso recuar até aos anos 60 do século passado para encontrar o registo do chumbo de Taborda Ferreira, na agregação. Se Saldanha Sanches estava condenado a chumbar, o normal teria sido que alguém por cortesia lhe tivesse sugerido a desistência ou o adiamento das provas.

    Mas, segundo o fiscalista, o que aconteceu é que recebeu sinais de Marcelo Rebelo de Sousa de que «podia avançar». Resta-lhe a consolação de continuar a ser director da revista Fiscalidade e a saborear o facto de, ao contrário do seu, os pareceres de Leite de Campos e de Marcelo não terem tido vencimento na apreciação da constitucionalidade da Lei das Finanças Locais.»
Marcelo é um homem em quem se pode confiar? Imagine-se o que faria em Belém.