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segunda-feira, novembro 09, 2015

Bloomberg desmente imprensa alarmista

    «Posto assim, até é triste. Mas a verdade é que Portugal não tem nada de especial. Refiro-me à evolução recente das taxas de juro da dívida pública (ver gráficos abaixo, retirados há pouco do site da Bloomberg). A não ser que o acordo entre as esquerdas portuguesas esteja a afectar o futuro de Espanha e de Itália, a evolução dos juros sobre a dívida nacional tem muito pouco a ver com o que está a ser discutido na AR. As devidas desculpas à imprensa alarmista pelo mau jeito.»

segunda-feira, novembro 02, 2015

Regresso ao futuro


O Público dá conta de que está a ser investigado o negócio entre a PT e a Oi. Para apimentar a coisa, o artigo contém uma fotografia de Lula e Sócrates. Tanto quanto se sabe, as suspeitas que recaem sobre Sócrates têm origem em transferências de dinheiro que ocorreram anos antes do negócio entre a PT e a Oi. Estaremos em presença de uma sequela de Back to the Future?

sexta-feira, setembro 04, 2015

Do populismo miserável

Imagem retirada daqui

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estimou, em Julho deste ano, que haveria mais de quatro milhões de refugiados da Síria. A União Europeia sugeriu então que Portugal acolhesse 94 sírios. O governo de Passos & Portas mostrou-se relutante em os aceitar, sendo a única vez em que não seguiu caninamente a Alemanha.

Entretanto, a situação atingiu proporções inimagináveis, com os povos da Europa a exigir aos seus governos que acudam aos refugiados. De imediato, o governo português, que torcera o nariz a receber 94 sírios, dispôs-se a abrir as portas a 1.500, admitindo ontem o inefável ministro Maduro que haverá condições para acolher 3.000.

Esta manhã, com o maior desplante, Passos Coelho afirmou que a União Europeia tem obrigação moral de ajudar os refugiados. Ao lado do alegado primeiro-ministro, David Cameron aproveitou a oportunidade para anunciar que o Reino Unido iria também acolher mais sírios. O mesmo Cameron que, há um mês, apostava em recorrer a mais cães e vedações contra a «praga» dos imigrantes ilegais.

domingo, julho 19, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [939]


Então teríamos de fazer o mesmo com a Itália, Espanha, Portugal.
      Sigmar Gabriel, vice-chanceler e ministro da Economia da Alemanha, que recusa a proposta de Schäuble de afastar a Grécia da zona euro, mas que coloca Portugal, apesar da brutal austeridade dos últimos quatro anos, a correr na mesma pista dos gregos

sexta-feira, julho 10, 2015

Gregos para perceber


• Fernanda Câncio, Gregos para perceber:
    «"Irlanda e Portugal conseguiram, e nós falhámos". Dita pelo antigo PM Papandreou, num comício pró nai (sim) na semana antes do referendo, a frase leva-me a perguntar para o lado, a uma jovem que foi candidata a deputada pelo novo partido de Papandreou nas eleições de 2015, o que sabe do meu país. Fica boquiaberta quando debito o valor da dívida portuguesa e o quanto subiu nos últimos quatro anos: "Ah, não fazia ideia. Não é o que lemos nos jornais". O mesmo sucede com outras pessoas que me perguntam como está Portugal e a quem recito indicadores do Banco de Portugal sobre o modesto crescimento da economia e o facto de ser baseado sobretudo na procura interna e na compra de bens como automóveis, eletrodomésticos, etc, ao invés de, como o Governo pretende, no crescimento das exportações. "Mas ao menos conseguem financiar-se no mercado", diz um dos entrevistados. Sim, é verdade. E não terá isso muito mais a ver com o mercado e suas perceções e intenções - como desde o início da crise das dívidas soberanas -, e a forma como são propagandeadas nos media, do que com o real estado de cada país e o que cada um fez nos famosos "ajustamentos"?

    Perceções, então: a Grécia, repete-se, "não fez o que devia ter feito" e tem um governo "de extrema esquerda" que quer "estragar todo o trabalho, recuando nas reformas estruturais". Bom, para começar, se a Grécia "não fez o que devia ter feito", como é que a culpa seria do governo atual, no poder desde janeiro? Não será de assacar as culpas ao Nova Democracia de Samaras, que governou de 2012 a 2015, ao PASOK de Papandreou (2009 a 2011), mais ao "governo de unidade nacional", que esteve entre os dois?

    Depois, em que "reformas estruturais" terá recuado o primeiro-ministro Tsipras? A do fecho da TV pública, será isso? Como Portugal, a Grécia aumentou o IVA para 23%; Tsipras não o desceu. O ordenado mínimo foi cortado de 751 para 585 euros em 2012; Tsipras prometeu aumentá-lo - em 2016. O 13º e 14º mês foram cortados desde 2010 aos pensionistas e funcionários públicos, que sofreram vários outros cortes, muito mais elevados que em Portugal; ainda não lhes foram devolvidos. Aliás, quando o Supremo Tribunal Administrativo (o TC deles) anunciou, a 10 de Junho, que os cortes nas pensões efetuados desde 2012 são inconstitucionais, assim como os nos salários nas universidades, o governo afirmou que iria "respeitar a decisão mas só de acordo com as possibilidades orçamentais" (por qualquer motivo, não vimos o BE nem o PCP comentar estas palavras).

    Portanto, expliquem lá: porque é que Portugal é "bom aluno" e a Grécia cábula? É porque o PIB da Grécia encolheu 27% nestes cinco anos a fazer o que lhe mandaram e portanto tem de se sangrar ainda mais a ver se melhora, enquanto a fustigam com o "sucesso" português? O fulgurante sucesso que Passos e Portas inventam a cada discurso, com a mesma desvergonha e despudor com que em 2011 prometeram - tal qual Tsipras - acabar com a austeridade.»

segunda-feira, julho 06, 2015

Durão Barroso, o amnésico

— Pedro, Rio? E eu?

• João Galamba, Durão Barroso, o amnésico:
    «Durão Barroso, não contente em participar na despudorada e algo obscena operação de recauchutagem política de Miguel Relvas, também decidiu dar o seu valioso contributo para o processo de rescrita da história em curso. Aparentemente, o mesmo Durão Barroso que, em 2010, em 2011, em 2012, em 2013 e em 2014 sempre disse que Portugal não era a Grécia, vem agora, a três meses das eleições, dizer que, afinal, Portugal só não é a Grécia por obra e graça da determinação e firmeza de Passos Coelho.

    Não sei se estão recordados, mas, para além de ter passado os últimos cinco anos a dizer que Portugal não era a Grécia, Durão Barroso, antes da entrada da ‘troika' em Portugal, empenhou-se mesmo em dizer que Portugal não só não era a Grécia como, também, não seria a Irlanda. E não seria nem a Grécia nem a Irlanda porque, ao contrário destes dois países, Portugal não seria intervencionado pela ‘troika'.

    Havia um acordo, no qual o próprio Durão Barroso, na qualidade de presidente da Comissão Europeia, se empenhou, que envolvia Portugal, a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e o Banco Central Europeu e que visava impedir um terceiro resgate a um país da zona euro. O empenho de Durão Barroso no chamado PEC 4 foi público, bem como todas as tentativas de evitar que a oposição, e em particular Passos Coelho, não inviabilizassem o acordo que o Governo português e as instituições europeias, bem ou mal, consideravam suficiente para evitar a vinda da ‘troika'.

    Todos sabemos o que se passou. Passos Coelho, forçado a escolher entre os interesses do seu país e os interesses do seu partido, escolheu os segundos, tirou o tapete ao país e empurrou Portugal para a ajuda externa. Tudo isto com a oposição (pública) de Durão Barroso (e de outros líderes europeus). Por essa razão, se há algo que a determinação de Passos conseguiu foi mesmo dinamitar a possibilidade de esse acordo ser bem sucedido.

    Apesar de Portugal ser empurrado para o programa da ‘troika' pela irresponsabilidade de Passos Coelho, Durão Barroso continuou a dizer que, ainda assim, a Grécia era um caso singular. Não só a Grécia tinha um défice e uma dívida pública muito maiores que Portugal, não só o programa grego era significativamente mais duro que o nosso, como o nosso sector exportador já era bastante mais robusto e pujante que o grego, o que atenuou os efeitos da recessão. Portugal, ao contrário da Grécia, nunca teve quedas do PIB de 7% ao ano, nem o PIB português caiu 30% nos últimos quatro anos. Mas não foi certamente por obra e graça de Passos Coelho que isso aconteceu.

    Para além das diferenças que sempre existiram entre os dois casos, se há algo que explica que o caso português não tenha sido tão trágico como o grego é que, na Grécia, não houve Tribunal Constitucional a travar as loucuras austeritárias do governo e da ‘troika'. Se olharmos apenas para o ano de 2012, o ano em que o governo de Passos decidiu ir muito além da ‘troika' e aplicar a tese (grega) da austeridade expansionista, a economia portuguesa colapsou. Não tanto como a grega, é certo, mas foi o ano em que Portugal mais se aproximou dos gregos, com o PIB a cair 4% e com a destruição de 200 mil empregos. Essa loucura foi travada, mas não por Passos, para quem os cortes deviam ser aprofundados, como constava do seu alucinado plano de corte de quatro mil milhões de euros em salários e prestações sociais, anunciado em outubro de 2012 e reafirmado, depois, em abril de 2013. Se a despesa primária grega caiu 30%, a portuguesa, depois de uma queda de cerca de 9% em 2012, com a intervenção do Tribunal Constitucional, a situação mudou radicalmente e Passos Coelho foi obrigado a recuar em parte dos cortes e a devolver rendimento aos portugueses. Ou seja, se não tivemos outro ano igual ao de 2012, não foi seguramente porque Passos não quis; foi o oposto: foi porque não o deixaram.

    É uma pena que Durão Barroso tenha sido atacado pelo vírus dos mitos urbanos e se dedique, sem qualquer pudor ou respeito por quem o ouve, à prática da rescrita da história. É sabido que Durão Barroso ainda acalenta esperanças de ser apoiado por Passos Coelho para Belém. Mas, em política, não vale tudo.»

domingo, julho 05, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [931]


O governo português vai ter de explicar ao seu povo porque não lutou pelos direitos das pessoas, como lutou o nosso aqui na Grécia. Vai ter de explicar porque disse que sim a tudo, porque nunca fez frente à UE.
      Stavros Stellas, um grego que saiu à rua para festejar a vitória do «não», segurando na mão uma bandeira de Portugal, porque Grécia e Portugal, diz, atravessam o mesmo problema

terça-feira, junho 30, 2015

quinta-feira, maio 21, 2015

As aparências iludem

Despesa pública primária entre 2009 e 2014 (2010=100)

Quando os conservadores venceram as recentes eleições no Reino Unido, a direita doméstica — antes de mais o «social-democrata» Passos Coelho — tentou fazer crer haver alguma similitude com a situação portuguesa. Hugo Mendes deu-se ao trabalho de comparar a austeridade no Reino Unido com a que tem sido aplicada em Portugal e na Grécia num post intitulado Sobre a "austeridade expansionista" no Reino Unido.

É um post de leitura obrigatória para quem quiser compreender que esta interpretação dos resultados das eleições no Reino Unido não passa de mera propaganda, sem nenhuma relação com a realidade.

segunda-feira, abril 13, 2015

«Não precisámos de reinventar a roda economia»


Philip Lane, economista irlandês, é hoje entrevistado pelo Público. A ideia-chave da entrevista está reproduzida no título: «A troika deixou que a austeridade na Irlanda fosse mais gradual». O governo português, pelo contrário, fez questão não só de infligir aos portugueses uma violentíssima dose de austeridade à cabeça como também se dispôs a «ir além da troika».

Os diferentes resultados obtidos pela Irlanda e por Portugal estão à vista, como bem põe em evidência Philip Lane.

quarta-feira, março 11, 2015

Sentimento de urgência

    «(…) Independentemente da posição que tem vindo a ser assumida pelo Governo grego, concordemos ou não com as suas propostas e com a sua atitude, é inaceitável assistirmos à tentativa de branqueamento do que aconteceu nos países sob assistência financeira, em particular, em Portugal, onde se apresentam os resultados do programa de assistência financeira como um caso de sucesso. O expoente máximo desta encenação foi a figura muito infeliz da ministra das Finanças portuguesa numa conferência de imprensa ao lado do ministro das Finanças alemão, a servir de cobaia e simultaneamente a procurar, deliberadamente, enfraquecer a posição negocial do Governo grego que estava ativamente a questionar as políticas e os resultados alcançados e a pedir mudanças. (…)»

sexta-feira, março 06, 2015

As forças do eixo

• Pedro Silva Pereira, As forças do eixo:
    «Depois da recente entrevista do presidente da Comissão Europeia ao El País, não adianta a Passos Coelho continuar a insistir na sua mentira: está confirmado que Portugal foi ainda mais exigente do que a própria Alemanha nas negociações com a Grécia. Uma atitude absurda e frontalmente contrária aos interesses do projecto europeu e de Portugal.

    A tensão entre Portugal e a Grécia começou a dar nas vistas logo no final da reunião do Eurogrupo, de 20 de Fevereiro, com o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, a ter de invocar as "boas maneiras" para se abster de dizer "a verdade" sobre as posições assumidas pela ministra das Finanças portuguesa. Na altura, Maria Luís Albuquerque pôs o seu ar mais angélico para explicar que não sugeriu a alteração sequer de "uma vírgula" no acordo que veio a ser assinado por todos. Limitou-se a fazer, com o melhor "espírito construtivo", uma pequeníssima proposta e ainda por cima "meramente procedimental". Qual? Apenas isto: que fosse a 'troika' a avaliar as medidas apresentadas por Atenas. Realmente, não se percebe porque é que uma ideia tão simpática e tão boa foi tão mal recebida...

    A verdadeira história sobre a posição portuguesa nas negociações com a Grécia começou a ser revelada logo a seguir à reunião do Eurogrupo pela imprensa europeia, incluindo pela imprensa alemã. O Die Welt garantiu mesmo que a ministra das Finanças teria pedido pessoalmente ao ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, "para se manter duro com a Grécia". A atitude implacável do Governo português foi mais tarde confirmada pelas bombásticas declarações do primeiro-ministro grego, numa reunião partidária em Atenas. Alexis Tsipras, citado pela agência espanhola Europa Press, não poupou nas palavras: "deparámo-nos com um eixo de poderes, liderado pelos governos de Espanha e Portugal que, por motivos políticos óbvios, tentou levar a Grécia para o abismo durante todas as negociações". Segundo Tsipras, este "eixo contra Atenas" teria um objectivo político claro: "derrubar o governo do Syriza e fazer fracassar as negociações", antes que o exemplo da Grécia afecte outros países e, principalmente, as eleições em Espanha.

    A resposta foi dada no próprio dia pelo primeiro-ministro português. Em entrevista ao Expresso, Pedro Passos Coelho insistiu na sua versão angelical das coisas: Portugal, garantiu ele, esteve "alinhado com todos os outros 17 países da zona euro" numa posição de "exigência natural" quanto ao cumprimento dos compromissos gregos. A ideia de que Portugal teria sido "um dos países mais exigentes" com Atenas, disse ele, "não é verdadeira". Disse e ficou escrito. Em conformidade, seguiu de imediato para Bruxelas uma queixa de Portugal e de Espanha, na expectativa de uma palavra de condenação das declarações de Tsipras. De pouco valeu: o melhor que obtiveram foi um apelo geral à moderação na linguagem e uma embaraçante recordatória, pela porta-voz da Comissão Europeia, Mina Andreeva, de que os tratados europeus protegem a "liberdade de expressão".

    É preciso ler a entrevista que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deu esta semana ao jornal El País para perceber porque é que a Comissão Europeia se recusou a sair em defesa dos governos de Portugal e de Espanha ante as graves acusações de Tsipras. E a razão é simples: como já todos tínhamos percebido, a versão de Passos Coelho sobre as negociações com a Grécia é pura e simplesmente falsa. Embora reconheça que "não se apercebeu" de que Portugal e Espanha tivessem propriamente "um plano diabólico" para fazer cair o Governo grego, o relato de Jean-Claude Juncker desmente frontalmente a versão de Passos Coelho segundo a qual Portugal teria estado nas negociações com a Grécia rigorosamente "alinhado" com todos os outros países da zona euro. Pelo contrário, Juncker revelou, preto no branco, que houve um conjunto de países ainda mais severos do que a Alemanha (e nomeou-os: Holanda, Finlândia, Eslováquia, os bálticos e a Áustria...), destacando, de entre todos, Portugal e Espanha por terem sido "muito exigentes" nas últimas semanas.

    É lamentável que a palavra do primeiro-ministro tenha de ser frontalmente desmentida pelo próprio presidente da Comissão Europeia. Mas pior ainda é termos um Governo aliado às forças do eixo, contra os interesses do projecto europeu e contra o interesse nacional.»

quinta-feira, março 05, 2015

A pieguice do aluno enquanto chumba

• Renato Miguel do Carmo, A pieguice do aluno enquanto chumba:
    «(…) A eleição do Syriza na Grécia e o consequente processo negocial iniciado pelo governo grego com as instituições europeias deita por terra o mito do aluno disciplinado. Afinal, a Grécia, país periférico do sul da Europa, resgata para si o direito à sua cátedra, cuja origem da palavra significa cadeira, assento. Face a isto, o governo português reage como o aluno que faz queixinhas ao professor, acusando o colega de ser infantil, irresponsável e de querer sentar-se numa cadeira que não lhe pertence. Tudo isto é demasiado triste para ser verdade. Numa altura em que a Europa está a viver uma crise profunda, os governantes Ibéricos entretêm-se a enviar recadinhos aos congéneres europeus, em vez de assumirem os seus assentos de forma a defenderem categoricamente o interesse colectivo dos povos que representam no quadro da coesão europeia. Na verdade, isto resume-se a meia dúzia de pieguices de um Governo que para agradar ao professor teima em chumbar perante os portugueses e as populações da Europa.»

quarta-feira, março 04, 2015

Os impedidos com rédea solta


O presidente da Comissão Europeia dá hoje uma entrevista ao diário El País. Eis uma passagem da entrevista, na qual Juncker mostra alguma surpresa perante o excesso de zelo dos impedidos às ordens de Merkel e Schäuble:
    El tradicional eje franco-alemán parece cosa del pasado. ¿Qué opinión le merece lo que Tony Judt denominaba “el inquietante poderío de Alemania”?

    Grecia es el ejemplo de que esa impresión acerca de que Alemania lidera Europa con mano de hierro no se corresponde con la realidad. Ha habido varios países más severos que Alemania: Holanda, Finlandia, Eslovaquia, los bálticos, Austria. En las últimas semanas, España y Portugal han sido muy exigentes en relación con Grecia.

terça-feira, março 03, 2015

Les Misérables

Bloomberg: «The 15 Most Miserable Economies in the World»

Mais um sinal do sucesso do país: acaba de ingressar no ranking das 15 economias mais miseráveis.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

O regresso do homem protegido por um escudo invisível


A TSF anunciou de véspera que Barroso iria estrear-se na Universidade Católica. Esta rádio antecipou o evento: «A expectativa é elevada entre os alunos que falam de um protagonista europeu e não hesitam em dizer que durante a última década ele foi o homem do leme.» Hoje, a palestra foi gravada (pelo menos) pela SIC e noticiada de novo pela TSF.

Ninguém estaria certamente à espera que o anterior presidente da Comissão Europeia tomasse a iniciativa de aproveitar o momento para fazer uma declaração sobre as palavras de Juncker, que objectivamente põem em causa a sua acção em Bruxelas. No entanto, dado o impacto das palavras do actual presidente da Comissão Europeia, o que surpreende é a comunicação social, tendo ali à mão Durão Barroso, não o ter compelido a pronunciar-se.

Afinal, quando Juncker afirmou que «Pecámos contra a dignidade dos povos da Grécia, Portugal e Irlanda», a Comissão Europeia era dirigida por um… português. Um tal Barroso.

sábado, fevereiro 21, 2015

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Maria Luís e Schäuble


• Pedro Bacelar de Vasconcelos, Maria Luís e Schäuble:
    «Foi um espetáculo inédito de humilhação gratuita de um estado soberano. Ao Ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, foi dada a oportunidade de exibir num espetáculo televisivo a Ministra das Finanças de Portugal, Maria Luís Albuquerque, como troféu de uma política europeia errada que destrói a solidariedade entre os povos, perturba o funcionamento dos sistemas políticos democráticos e ameaça a própria sobrevivência da União.

    Enquanto Schäuble mostrava a sua cobaia como prova do sucesso dos "programas de resgate" conduzidos pela "troika", o Presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, admitia o falhanço dos mesmos programas, denunciava a falta de legitimidade democrática da solução corporizada pela "troika" e pedia perdão pelas ofensas assim consumadas contra a dignidade dos povos da Grécia, da Irlanda e de Portugal! (…)»

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Leituras

• Alexandre Abreu, Há dívidas e dívidas:
    «(…) É que enquanto os juros pagos todos os anos para remunerar a dívida pública japonesa são transferidos para as mãos do próprio sector privado japonês, alimentando a procura agregada, no caso grego - e português - correspondem a uma sangria de recursos para o exterior, uma repetida punção procíclica substancial em contexto recessivo. Ora, é da incompatibilidade entre essa transferência permanente de recursos para o exterior e a recuperação de níveis de crescimento e/ou inflação que permitam reduzir o nível de endividamento que resulta a inevitável insustentabilidade da dívida pública grega e portuguesa. Não interessam apenas o stock da dívida ou o peso dos juros: interessa também a quem são pagos esses juros e o que é que isso implica para a economia. (…)»
• Paul Krugman, Weimar on the Aegean:
    «(…) Despite this catastrophe, Greece is making payments to its creditors, running a primary surplus — an excess of revenue over spending other than interest — of around 1.5 percent of G.D.P. And the new Greek government is willing to keep running that surplus. What it is not willing to do is meet creditor demands that it triple the surplus, and keep running huge surpluses for many years to come. (…)»

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

«Não me parece haver incoerência quando Atenas diz em voz alta
aquilo que nós ciciamos, que a troika é um desastre»

• António Correia de Campos, Os gregos:
    «(…) A moral sempre foi a arma preferida da direita contra os que não dobram no essencial. Não sei se este arquétipo se vai confirmar. Ninguém o sabe. Mas não aceito que sejam apodados de impreparação, oportunismo e experimentalismo por aqueles que tudo ultrapassaram em falta de preparação e de nervo para gerir a Europa; de falta de coragem de quem arrisca tudo - família, carreiras internacionais garantidas, tranquilidade - para safar o grande navio dos baixios onde encalhou. Não me parece haver incoerência quando dizem em voz alta aquilo que nós ciciamos, que a Troika é um desastre, que a doutrina económica prevalente está furada, que afinal são os grandes que lucram com o empobrecimento dos periféricos. Se assim fosse não enchiam a praça do seu parlamento todas as semanas, não teriam o apoio de 75% dos cidadãos, veriam os vermes a sair da terra onde mergulharam, depois de anos de má governação da Nova Democracia e de um intervalo desmoralizante de governo PASOK e de uma posterior e irrelevante coligação. (…)»