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domingo, abril 26, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [910]

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Ele [Cavaco Silva] primeiro deu prémios a ex-inspectores da PIDE que torturavam, que massacravam, que matavam, que prendiam, e recusa prémios a quem lutou realmente pelo país? Onde é que está a coerência dele?

Nós aqui [no Luxemburgo] temos uma ideia diferente da situação em que Portugal está: sabemos que Portugal não está bem, mas não temos consciência de que está tão mal.

quarta-feira, janeiro 14, 2015

Cesário, um passador dos tempos actuais


Nem os membros do Governo acreditam que as «nuvens negras» já passaram. Como se vê por este convite de José Cesário para que os portugueses continuem a abandonar a zona de conforto. É uma singularidade dos estarolas: o combate ao desemprego está confiado à Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

A palavra aos leitores — ASSOBIEM-LHE ÀS BOTAS

E-mail de Fernanda Leitão, que costuma enviar-nos as suas "Cartas do Canadá":
    «Não sei o que me surpreende mais: se Miguel Relvas e Passos Coelho indicando a porta da emigração aos que em Portugal são lançados ao desemprego e à indignidade, se Pires de Lima e Poiares Maduro a garantirem que, depois de uma experiência laboral no estrangeiro, o emigrante regressa sem hesitações ao nosso país. A minha surpresa deriva de eu não considerar destituídos de inteligência os personagens apontados e de me repugnar a possibilidade de eles serem uns fariseus desavergonhados. Prefiro pensar que se trata de ignorância no estado puro.

    O português, tão visceralmente agarrado ao seu terrunho, tem a emigração por uma fatalidade, uma infelicidade, uma afronta pessoal que não esquece nem perdoa, ressentimento que passa por inteiro aos seus descendentes. Sai por se sentir rejeitado pelos donos da Pátria. Bate com a porta engulindo lágrimas. Nunca mais se cura dessa dor. Por sobrevivência, atira-se ao trabalho que aparece no estrangeiro, seja ele qual for, e em geral é a dureza que os nacionais não querem aguentar, priva-se de muita coisa, anula-se mesmo, para garantir a independência económica com que evitará aos seus filhos as humilhações que os donos da Pátria infligem a quem não faz parte da sua capelinha partidária ou da sua teia corrupta. Porque a desgraça de Portugal é, foi sempre, a possibilidade de ter donos do poder, graças à ausência de investimento maciço na Educação. Fosse o povo educado, com boa bagagem técnica e cultural, todo ele, que não havia donos e a democracia seria natural. Digamos que os donos do poder, em Portugal, o são porque, cobardemente, vivem desta exploração vil. Não aguentam confrontação de igual para igual, vivem de rebaixar o povo. Sendo as coisas o que são, e não as que imaginam os que fazem da política um modo de vida, fácil é perceber que o emigrante passa a ser um turista que vai a Portugal uma vez por ano ou de tantos em tantos anos. E isso mesmo enquanto os filhos são pequenos e obedecem aos pais, porque depois de crescidos as férias são nos cruzeiros e praias doutras paragens. Têm saudades da boa comida e do bom vinho? Nem tanto como se imagina porque o Mercado da Saudade é um facto. Onde houver comunidades portuguesas compra-se tudo o que a Pátria dá, do azeite à couve galega, do peixe aos feijões, da cerveja Sagres ao tremoço, do queijo às carnes fumadas. Tudo isso abunda cá por fora, incluindo as castanhas maila pera Rocha. E depois há os clubes onde os mais velhos vão beber o seu copo e conversar, que lhes são sala de festas durante o ano. Uma ida de um mês a Portugal chega-lhes para abraçar família e amigos, para observarem o que se passa e regressarem sempre com a mesma opinião: aquilo por lá não se entende, nem se percebe como vivem, mas continuam a olhar para nós por cima do ombro.

    Com este estado de espírito, compreende-se que a abstenção eleitoral na emigração atinja facilmente os 90 por cento. Sem perceber nada do que anda a fazer, quem está no poder tentou, de modo canhestro, domesticar esta rebeldia silenciosa implantando por cá delegações partidárias, um falhanço redondo que só serviu para meia dúzia abichar viagens e condecorações. As visitas de deputados e secretários de estado, em tempos de aperto financeiro ou de eleições, reduzem-se a umas cerimónias pífias no consulado seguidas de jantaradas, sempre com os mesmos clientes, perante a indiferença da comunidade. A propagandeada luta pela língua portuguesa, é tida como uma treta e uma vigarice que serve para encaixar afilhados e seus familiares desempregados em Portugal. Os consulados funcionam mal ou menos mal consoante o chefe da missão, sendo um dado adquirido que a qualidade do pessoal deiplomático tem vindo a descer de forma assustadora. Os bancos estão de arraial armado nas comunidades, todos à caça da poupança, mas nenhum deles abriu nunca a porta aos empresários locais para que se implantassem indústrias e comércios em Portugal. Tudo, na relação de Portugal com a emigração, reside no reino do faz de conta.

    Leio que o Presidente da República vem a Toronto e a São Francisco da Califórnia para reuniões com empresários. Acho engraçado este acordar presidencial do mesmo personagem que, quando rebentou a fraude da Caixa Económica Faialense, em que estavam envolvidos figurões do PSD, não levantou um dedo para acudir aos milhares de defraudados, entre os quais um que se matou e outro que matou a tiro o gerente dessa unidade bancária em Toronto, tendo mesmo a então secretária de estado das Comunidades recusado receber os representantesm dos lesados, e tendo fechado os olhos ao facto do então ministro da Administração Interna, o seu amigo Dias Loureiro da roubalheira do BPN, ter mandado a polícia espancar as centenas de emigrantes que, perdidas as economias de uma vida, se manifestaram em Lisboa. O mesmo personagem que, sendo primeiro ministro e tendo vindo a Otava prestar contas ao governo canadiano que vivia tempos de ira contra armadores portugueses e espanhóis que dizimaram o bacalhau da Terra Nova, com isso levando à falência pescadores e indústrias locais, se deu ao capricho de vir a Toronto, em carro oficial de cortesia canadiana, para, empoleirado nas escadas exteriores dum clube que já fechou, empinar o queixo para dizer aos emigrantes que voltassem porque Portugal era “um caso de sucesso”. Militante da seita dos que nunca se enganam nem têm duvidas, ficou a pregar sózinho. E agora, ei-lo de novo. Se os investidores estrangeiros e nacionais olham com grandes reticências o completo fracasso dum governo que aplica de cócoras a austeridade suicida que a Merkel exige, por alma de quem o emigrantes português terá de comprar o vigésimo premiado a quem nunca deu garantias?

    Tarde piaste. Assobiem-lhe às botas.
    »

terça-feira, janeiro 21, 2014

Da selecção natural à saída da zona de conforto

Depois de um secretário de Estado da Juventude (entretanto caído em combate), do Dr. Relvas (entretanto também descartado) e do próprio Passos Coelho terem apontado aos portugueses a porta da saída do país, outro governante decidiu comunicar hoje que a emigração de pessoas qualificadas para o estrangeiro “é positiva”.

Os convites (ou convocatórias) feitos aos portugueses para emigrar não resultam de momentos de aflição de governantes incapazes de encontrar uma alternativa à subida vertiginosa do desemprego. Trata-se, pelo contrário, do corolário lógico da aplicação de uma estratégia — a “selecção natural das empresas que podem melhor sobreviver”, nas pitorescas palavras de Passos Coelho — que tornou excedentária uma elevada fatia da população activa, havendo por isso que encontrar forma de se desfazer dela.

Pôr o sistema científico ao serviço da política da direita

• José Vítor Malheiros, Pôr o sistema científico ao serviço da política da direita:
    ‘Há outros canais de financiamento na FCT [Fundação para a Ciência e a Tecnologia] mas, mesmo considerando esses, o corte havido de 2012 para 2013 é de 40% nas bolsas de doutoramento e de 65% nas bolsas de pós-doutoramento.

    A primeira constatação é o reduzido número de bolsas individuais atribuídas, em valor absoluto. Em termos numéricos, recuámos em 2014 para o ano de 1994, depois de muitos anos a investir na formação de recursos humanos altamente qualificados.

    A segunda coisa que salta aos olhos é aquele fosso escancarado entre o número de candidatos e o de bolsas atribuídas. O que farão aqueles cinco mil candidatos sem bolsa? Irão dar aulas nas universidades? Não, porque as universidades não podem contratar. Irão dar aulas nos liceus? Não, porque o Governo está a despedir professores. Irão trabalhar para o Estado? Não, porque o Governo está a despedir quadros técnicos superiores. E o que irão fazer os dois mil doutorados sem bolsa? Investigação nas empresas? Pouco provável, no actual contexto de desinvestimento. O mais provável é que a maior parte deles faça o que Passos Coelho quer que os jovens altamente qualificados façam: que emigrem. Este país não é para eles. O modelo de empobrecimento e de mão-de-obra barata que o PSD e o CDS estão a aplicar a Portugal não tem lugar para eles. Os investigadores são um empecilho para este modelo económico e a FCT decidiu dar uma ajudinha.

    (…)

    Sabemos que a FCT é objecto de críticas recorrentes devido aos seus atrasos sistemáticos, à existência de regras pouco claras, ao facto de não cumprir as regras que ela própria define e de manter assim a investigação nacional num clima de permanente instabilidade. Quanto à “excelência” dos critérios usados pela FCT, basta referir as críticas que mereceu a recente nomeação dos membros do Conselho Científico das Ciências Sociais e das Humanidades — onde uma mão misteriosa incluiu mesmo a mulher do ministro Nuno Crato, cujo currículo e filiação institucional são considerados pelo menos desajustados — para ficarmos com uma ideia de onde acaba a exigência académica e onde começa o servilismo político.’

segunda-feira, janeiro 28, 2013

A “zona de conforto” de Passos & Relvas explicada às criancinhas

    "De um ponto de vista social, a emigração portuguesa constitui a manifestação de uma forma de escravatura que subsiste ainda hoje. De um ponto de vista ético, a emigração portuguesa significa a negação constante do direito mais elementar da pessoa: o direito à vida no próprio país. De um ponto de vista político, a emigração portuguesa supõe a renúncia à revolta".

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Zona de conforto

Escreve-se no relatório da última avaliação do FMI ao programa de “ajustamento” irlandês (p. 5):
    ‘The shrinking labor force, including as a result of outward migration, continued to act as a relief valve for unemployment; had all employees who lost their jobs since the outset of the crisis remained in the labor force, the unemployment rate would stand at around 20 percent.’
O desemprego baixou de 15% para 14,8% apenas por causa da queda da população activa, devido sobretudo à emigração.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Zona de conforto

A pergunta republicana que se impõe é esta: Nogueira Leite já se pirou?
    Pedro T.

terça-feira, setembro 04, 2012

Borges, um erro de casting que a JSD não quer ver repetido

Há listas bem mais completas de assessores e arrastadeiras do Governo a circular na Internet, mas a notícia do Público dá uma ideia de como, seja em que domínio for, a palavra de Passos Coelho não vale um caracol: “Um membro do Governo tem direito a escolher um chefe de gabinete, uma ou duas secretárias de confiança, um ou dois adjuntos. Acabou. O resto que tiver que recrutar tem que recrutar na administração [pública]”.

No entanto, o líder da JSD, essa “espécie de cavaleiro Marcelo Mendes, mas montado nele próprio”, sustenta que é este o caminho a seguir, ou seja, que sucessivas paletes de jotinhas sejam descarregadas nos gabinetes dos decisores políticos [“A política decide-se aí, seja no Governo ou numa autarquia”], até porque é a forma de evitar novos erros de casting como o de Borges [“se o António Borges tivesse passado uns anos na 'Jota' há muito erro que não cometeria...”]. Um potencial candidato à presidência do PSD entre a sua gente.

terça-feira, agosto 14, 2012

Zona de conforto

Com o desemprego nos 15% no segundo trimestre de 2012, parece que o PSD admite “novas medidas para combater o desemprego”.


É verdade que esta conversa vem a reboque do desespero (ou do PS). Mas não é consensual à direita. Há quem, no espaço do CDS, esteja na sua zona de conforto com o desemprego em Portugal. O Governo só tem de ficar quietinho, não é, Seufert?

    Pedro T.

sexta-feira, agosto 03, 2012