Mostrar mensagens com a etiqueta Financeirização. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Financeirização. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, junho 13, 2014

Banca e regulação no Séc. XXI

• Daniel Oliveira, REZEM AO ESPÍRITO SANTO [hoje no Expresso]:
    «(…) Fiquemos por Portugal. O BPN foi quase sempre vendido como um caso de polícia. Não conseguiu ofuscar o BPP. Mas escondeu de grande parte da opinião pública a verdadeira dimensão do que aconteceu no BCP. Que se torna especialmente assustador quando Carlos Costa, atual governador do Banco de Portugal, não consegue explicar em tribunal as suas próprias responsabilidades nos muito pouco recomendáveis negócios de crédito a offshores para adquirir ações do próprio banco. O Banif, pela sua pequena dimensão, passou quase desapercebido. Mas quando o escândalo chega finalmente ao BES já não dá para resumir os podres da banca nacional às loucuras de um estouvado e megalómano Oliveira Costa. Com o Espírito Santo, é todo o regime que está em causa. Primeiro foi a confissão, em prospeto, de irregularidades graves, prejuízos monumentais e dívidas impagáveis do grupo. Agora é o BES Angola, que não sabe a quem emprestou 5,7 mil milhões de euros. Créditos sem garantias, beneficiários desconhecidos, financiamento do presidente Álvaro Sobrinho a ele próprio. Tudo nas barbas do acionista maioritário. E cheira-me que a procissão ainda vai no adro. (…)»

domingo, maio 04, 2014

Las Vegas versus Detroit

Não é o momento para analisar as razões por que a mistura explosiva entre a banca comercial e a banca de investimento se deixou encandear pelas inovações financeiras, favorecendo os investimentos especulativos em detrimento dos investimentos produtivos. Sabe-se que, em última instância, se vai sempre bater à mesma porta: a estagnação dos salários contrai o consumo das famílias e torna os investimentos produtivos menos aliciantes.

O que a crise mostrou é que aparecem sempre umas augustas figuras dispostas a arriscar as poupanças dos outros em jogadas de alto risco. E, ao contrário do que o título sugere, este post é (também) sobre Portugal.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Da série "Frases que impõem respeito" [839]

Dá a impressão de que, de repente, fomos invadidos, não por uns castelhanos arcaicos nossos vizinhos e que são nossos irmãos e primos, mas por uma espécie de vampiros como aqueles que o cinema de Hollywood ilustra. Não é por acaso que o tema dos vampiros se tornou um tema da moda, os vampiros são emissários da morte, é como se estivéssemos a viver uma espécie de apocalipse indirecto.
      Eduardo Lourenço, ontem na 15.ª edição do Correntes d´Escritas, na Póvoa de Varzim, onde também afirmou que Portugal sob resgate não pode continuar numa “submissão mansa”

terça-feira, agosto 13, 2013

Acerca da renegociação da dívida

Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul (Brasil), em entrevista ao diário El País:
    ¿Y cómo se sale de esa captura de la política por parte de los mercados financieros?
    La situación en Portugal es distinta de la de Brasil. En Portugal la demanda más radical que se puede hacer, en mi modesta opinión, es articular un bloque político y social que diga: “No pagamos esta deuda, queremos reorientarla, reestructurarla; queremos separar la deuda verdadera y justa de la deuda injusta y manipulada por los mercados”.

segunda-feira, maio 13, 2013

"O Estado-providência nunca poderia ser providencial ao mesmo tempo para os seus contribuintes e para os seus predadores"

• João Caraça, O Estado-papão [hoje no Público]:
    '(…) a finança não consegue governar o mundo sem servos obedientes. Claro que há métodos diferentes para os tornar submissos, consoante as nações em causa sejam ou não potências militares no mundo global. O que se está a passar na Europa é exemplar: as veleidades de o euro se tornar uma moeda de referência à escala mundial desvaneceram-se em pó com a crise continuada que vivemos. E a fragmentação política a que se assiste na União é a garantia de que a cabeça europeia continuará baixa durante esta década. O mecanismo seguido é, também, de antologia: primeiro, obrigam-se os Estados-providência a providenciar os fundos para tapar o buraco deixado pela incapacidade de gestão do sistema financeiro global; segundo, intimam-se os Estados-providência a reequilibrar as suas contas devassadas, à custa da componente de redistribuição da riqueza, com o pretexto de que os cidadãos têm vivido acima das suas possibilidades. É que o Estado-providência nunca poderia ser providencial ao mesmo tempo para os seus contribuintes e para os seus predadores! E a escolha seguida está à vista. O desemprego que dela resultou não engana ninguém.’

sexta-feira, abril 19, 2013

A minha carta à "troika"

• José Manuel Pureza, A minha carta à "troika":
    ‘(…) acho que sois responsáveis pelo maior ataque à democracia em Portugal desde 1974. Sei que isso não vos incomoda, desde logo porque o vosso trabalho é governar países sem a legitimação do voto. Governais no mais autocrático dos registos porque não prestais contas a ninguém a não ser aos manipuladores de gigantescos fluxos de dinheiro para ganhos especulativos. Essa vossa cultura não democrática está a matar a democracia em Portugal. E não, não é um efeito colateral das políticas por vós impostas, é mesmo o efeito central. Porque ao degradardes até ao limite as vidas de quem pouco ou nada tem e ao impordes a continuação deste caminho por décadas à nossa frente, tendes plena consciência de que tirais o direito a ter direitos a milhões de compatriotas meus. E ao quererdes amarrar às vossas políticas áreas da oposição ao vosso governo estais a dizer-nos que isto de ser governo ou ser oposição é a mesma coisa, só muda o pormenor ou o estilo. Pois que a democracia seja para vós um pormenor é suficiente para que um país democrático vos considere companhias indesejáveis.’

segunda-feira, abril 15, 2013

“É preciso dizer basta à Alemanha”¹

George Soros em entrevista ao diário El País:
    P. En un mes hemos vivido una crisis en Chipre, otro episodio en Portugal y ahora viene Eslovenia. ¿Cómo parar la espiral?
    R. Cambiando las políticas. La política de ahora lleva a una dinámica que consiste en sufrir una crisis tras otra, porque solo cuando el panorama se pone muy feo los países acreedores, liderados por Alemania, extienden cierto apoyo sobre los deudores. Pero nunca funciona, porque siempre es demasiado poco y demasiado tarde. Alemania debe decidir si quiere rehacer la UE de la forma en la que originalmente estaba destinada a ser, lo que supone aceptar las responsabilidades y cargas necesarias para avanzar en esa dirección, o bien debe considerar salir del euro y dejar al resto de los países que creen los eurobonos y puedan combatir la crisis.

    P. ¿No cree que la salida de Alemania supondría el fin de la moneda única?
    R. No, no lo sería, porque los países deudores todavía tendrán el euro y el Banco Central Europeo. Los deudores todavía necesitarían seguir una política común para mantener al euro como una moneda en funcionamiento, porque si no lo hicieran pagarían un precio terrible.

    P. ¿La salida del euro también perjudicaría a Alemania?
    R. Si Alemania se fuera, el efecto sobre los países deudores sería poco menos que milagroso. De repente, se convertirían en economías competitivas y su deuda disminuiría enormemente en términos reales con la devaluación del euro. El peso del ajuste caería sobre Alemania, que sería capaz de lidiar con él aunque con dificultades, porque de repente sus mercados se verían inundados por importaciones del resto de Europa. Así, toda la comida les llegaría de España e Italia, y la mayoría sería más barata que la elaborada en Alemania. Tendría tal vez ciertos problemas con el desempleo. Y España se recuperaría.

    P. En sus artículos pide a Alemania que acepte un Tesoro y los eurobonos como piezas para salir de la crisis.
    R. Sí. Tiene que ser ahora. La situación sigue deteriorándose, por lo que hay que hacer algo más drástico para cambiar de dirección cuanto antes. Así que hay que convertir la vieja deuda existente en eurobonos. Entonces el coste de la financiación caería y los presupuestos de repente se equilibrarían o incluso registrarían superávit, por lo que habría espacio para los estímulos fiscales. Sería el fin de la austeridad.
________
¹ José Sócrates, ontem na RTP.

sexta-feira, novembro 23, 2012

“Fui ver o Taj Mahal e fiz perguntas de índole económica”

• John Kay, As lições do Império Mogol:
    ‘O êxito das economias de mercado não se alcança através de políticas que fomentam a ganância nem da imposição do menor número possível de restrições à actuação dos mais gananciosos. Esse era o mundo do Xá Jahan, que poucos frutos deu em termos económicos, embora tenha dado ao mundo um dos seus mais belos edifícios. Assim como um ensinamento para a Índia e para o Ocidente: a exploração excessiva pôs fim ao império Mogol em apenas duas gerações.’

quinta-feira, novembro 08, 2012

“Académicos autoconvencidos da excelência das suas teses de economia neoliberal ortodoxa, misturados com dirigentes políticos jotistas”

• Manuel Loff, Angela-de-Neve e o Gaspar-anão [hoje no Público]:
    ‘(…) não discuto que Gaspar e Passos (e o governo todo e os banqueiros, supõe-se) se identificam com os objetivos finais desta devastação social e económica que estão a fazer, com este darwinismo social que despeja os jovens mais criativos para fora do país, deixa morrer velhos sem assistência e empresas cujo negócio foi esmagado pela nova pobreza, remete 800 mil portugueses a um desemprego vitalício e a formas de pobreza que não se conheciam desde os anos 60. Não há nada pior do que deixar chegar ao poder académicos autoconvencidos da excelência das suas teses de economia neoliberal ortodoxa, misturados com dirigentes políticos jotistas, de cultura científica abaixo de mínimos, uns e outros sem qualquer experiência (nem sequer sensibilidade) da economia real do cidadão comum. Se este morrer da cura que os gaspares e os passos deste mundo lhe querem inocular, paciência: é porque estava escrito nos insondáveis mecanismos do infalível mercado! No final do processo, dizem eles, o país sairá depurado, mais forte, mais saudável. Pura eugenia económica!

    O problema não é tanto que Gaspar, qual estudante marrão, governe para conseguir um 18 do ministro das Finanças alemão, ou o sinistro elogio que o predador faz à presa, e se comporte como um pobre Pétain da economia portuguesa. O problema é que, tal como o velho marechal que liderou um governo de opereta que fingia governar a França enquanto o país estava ocupado pelas tropas de Hitler, estas figuras sentem uma indisfarçável admiração pelo ocupante.’

quarta-feira, outubro 17, 2012

Da série "Frases que impõem respeito" [727]


Não podemos infligir uma pena perpétua a nações que fizeram sacrifícios consideráveis!
      François Hollande, que considera que gregos, espanhóis e portugueses “estão a pagar caro os erros cometidos por outros”, sendo “tempo de oferecer a estes países uma perspectiva para além da austeridade”, pelo que “[n]ão se pode admitir que no mesmo espaço monetário países se financiem a 1% e outros a 7%”

quinta-feira, setembro 27, 2012

Da série "Uma imagem vale mil palavras"

Se uma imagem vale mil palavras duas imagens…
(The Wall Street Journal, 25-09-2012)

quinta-feira, setembro 06, 2012

A palavra aos leitores — Tesourinhos deprimentes

Enviado por e-mail por Álvaro de C.:
    ‘António Borges, em defesa do lóbi dos hedge funds, a ser entrevistado como deve de ser no Hardtalk da BBC. Aprendam, Fátima Campos Ferreira, Judite de Sousa e Gomes Ferreira desta vida...’

segunda-feira, agosto 27, 2012

Disparidade salarial

• Robert Skidelsky, A má sociedade:
    ‘O que conduziu aos métodos espúrios que se utilizam hoje em dia para calcular os salários foi o fim do senso-comum e de um modo de avaliar as actividades humanas que não se baseia em critérios económicos e que tem em consideração um contexto social mais amplo.

    Há uma consequência estranha, mas ainda assim pouco noticiada, no falhanço em distinguir valor de preço: a única forma de aumentar os rendimentos da maioria das pessoas é através do crescimento económico. Nos países mais pobres, esta ideia é razoável; não há riqueza suficiente para distribuir por todas as pessoas. Mas, nos países desenvolvidos, a concentração no crescimento económico é uma forma extraordinariamente ineficiente de aumentar a prosperidade geral, porque significa que uma economia tem que crescer, por exemplo, 3% para que os salários da maioria aumentem 1%.

    Da mesma forma, não é seguro que o capital humano da maioria possa ser aumentado mais rápido do que o da minoria, que obtém todas as vantagens educativas resultantes de uma maior riqueza, condições familiares e contactos. Nestas circunstâncias, a redistribuição é uma forma mais segura de alcançar uma ampla base de consumo, que é ela própria uma garantia de estabilidade económica.

    A atitude de indiferença face à distribuição do rendimento é, de facto, uma receita para o crescimento económico sem fim, onde os ricos, muito ricos e super ricos ficam cada vez mais longe dos outros. Isto devia ser errado, não só, por questões morais mas também por motivos práticos. Em termos morais, coloca a perspectiva de uma vida melhor para sempre fora do alcance da maioria das pessoas. E, em termos práticos, está destinado a destruir a coesão social na qual a democracia – ou mesmo qualquer tipo de sociedade pacifica e satisfeita – se baseia.’

sexta-feira, agosto 24, 2012

Un cañón en el culo

• Juan José Millás, O cano de uma pistola pelo cu [publicado no El País em 14 de Agosto de 2012]:
    ‘Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

    Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

    Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.’

quinta-feira, agosto 16, 2012

In English, please


- From now on, speak with me only in english, Pedro.

Numa crónica no i, Fernando Dacosta revela que «um banqueiro tornou pública a soberba do ministro das Finanças ao adoptar o inglês como “língua de trabalho” no seu reino de secos & molhados ». Procurei confirmar e encontrei as palavras do banqueiro (Fernando Ulrich, presidente do BPI): “Ter reuniões com o Governo em inglês é incompreensível. Nunca me tinha acontecido tal coisa”.

Este governo parece-se cada vez mais com o elenco de um teatro de revista. La Féria ainda se vai arrepender de, naquele malfadado casting, ter reprovado Passos Coelho.

sábado, agosto 11, 2012

Foi o acordo de troca de informações com a Suíça que levou a elite nacional a declarar que tinha no exterior 3,4 mil milhões de euros. Onde vai o país com uma elite assim?

• Nicolau Santos, O medo que trouxe dinheiro para cá [hoje no Expresso]:
    ‘Entretanto, quem tiver um simples e legal depósito a prazo em Portugal paga desde logo 20% de imposto de capitais. E a classe média que trabalha por conta de outrem, na qual me incluo, foi coletada, só em impostos diretos, em 43,5% mais uma sobretaxa extraordinária de 3,5% em 2011, ou seja, entregou ao Estado 47% dos seus rendimentos em matéria de IRS. Do que lhe sobrou, gastou parte a comprar produtos que, na sua maior parte, são taxados com um IVA a 23%. Ou seja, a classe média, na qual me incluo (e que é manifestamente milionária) entrega ao Estado, entre impostos diretos e indiretos, qualquer coisa como 70% dos seus rendimentos. Quem vive de rendimentos do capital, que coloca ilegalmente no exterior, paga uma taxa de 7,5% para os legalizar, podendo mantê-los tranquilamente no exterior.

    É mais uma prova de que a financeirização da economia mundial é profundamente lesiva da produção e do trabalho. E que este modelo é errado e injusto, pauperizando a classe média e criando sociedades cada vez mais violentamente desiguais.’