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quinta-feira, setembro 03, 2015

Livro Negro


Cinco investigadores portugueses organizaram uma compilação exaustiva dos artigos de opinião, das cartas, dos comunicados de imprensa e das peças jornalísticas publicados em 2014 e 2015 sobre a avaliação dos centros de investigação portugueses levada a cabo pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que é tutelada pelo Ministério da Educação e Ciência. Todos esses textos estão reunidos no que os cinco investigadores designaram por Livro Negro da Avaliação Científica em Portugal e que está disponível online a partir de ontem.

domingo, julho 19, 2015

O legado de Crato


António Costa e Silva, presidente da Partex
e professor do Instituto Superior Técnico
(via Dimas Pestana)

Mais uma reforma estrutural

Ontem no Jornal de Notícias

Quando cerca de um milhão de famílias começa a preparar o novo ano lectivo, surge esta denúncia do Movimento pela Reutilização dos Livros Escolares: há escolas pressionadas para não criarem bancos de livros, há professores que marcam falta de material a quem não tem o manual novo.

Governos anteriores incentivaram a partilha e a troca de manuais. A peça do Jornal de Notícias não esclarece quem «pressiona» escolas e professores a colocar obstáculos à reutilização dos livros escolares. Mas a verdade é que, por acção ou por omissão, o actual governo estimula ou, pelo menos, permite esta sórdida prática.

Está em causa um mercado que vale mais de 200 milhões de euros. Nuno Crato não é um ser insensível.

quinta-feira, julho 02, 2015

Adiar o início das aulas para não se notar
a barracada na colocação de professores

— Ó Nuno, evita a barracada da colocação de professores. Adia o início das aulas.

• Valter Lemos, Os cortes no ano letivo:
    «O ano letivo vai começar mais tarde. Poderia haver uma explicação para isso, mas não há. O ministro Crato veio dizer que era para a duração dos períodos letivos se aproximar mais. A explicação se não fosse ridícula era estúpida, porque como se sabe é a mobilidade da Páscoa que determina a alteração da duração dos períodos letivos e como a Páscoa muda todos os anos, a explicação do ministro implicava que o início do ano letivo passava a mudar todos aos anos, o que, a ser verdade, significaria uma entropia total nos ritmos das famílias.

    O ministro, uma vez mais, se prestou a um papel ridículo e tentou fazer de parvos todos os pais e os portugueses em geral. Toda a gente percebeu que a decisão se deve somente ao facto do governo ter medo das asneiras que têm marcado a colocação de professores nas mãos deste ministro e deste governo. A história diz-nos que governos do PSD/CDS não são capazes de dar conta do recado na colocação de professores. Em 2004/2005 no governo Santana Lopes/Paulo Portas foi o descalabro total. O governo seguinte teve que resolver esses problemas e estabilizar a colocação de professores. Nos anos seguintes não voltou a haver problemas. Os professores foram colocados sempre a tempo e horas para o início do ano letivo, introduziu-se a colocação por três e anos e depois por quatro anos, introduziu-se a renovação automática dos contratos, etc. Veio novo governo PSD/CDS e o “rigoroso” ministro Crato e voltámos à incompetência na gestão dos concursos, aos atrasos nas colocações e aos problemas de arranque do ano letivo. (…)»

terça-feira, maio 26, 2015

As últimas cobaias de Crato


Depois das escolas terem suspendido as aulas para as salas estarem disponíveis para a realização dos exames, agora são os professores que deixam de dar aulas para terem tempo para corrigir as provas de exames. É uma forma muito peculiar de impor o rigor nas escolas.

No ensino à moda de Crato, o foco está nos exames e não na aprendizagem. Por isso, Nuno Crato substituiu as provas de aferição pelos exames. Enquanto as primeiras têm por objectivo avaliar conhecimentos (para os melhorar) e detectar eventuais dificuldades (para as superar), os exames servem apenas para reter os alunos menos bem preparados. É neste contexto que Portugal apresenta a terceira maior taxa de retenção dos alunos até aos 15 anos.

Há apenas dois países na Europa em que se realizam exames aos alunos do 4.º e do 6.º anos: a Áustria e o Portugal de Crato. Depois das eleições de Outubro, haverá certamente só um.

quinta-feira, maio 21, 2015

A herança dos estarolas

• Acácio Pinto, Não importa que não haja aulas. Tem é que haver exames.:
    «O atual governo desistiu, desde o início, de travar os combates mais difíceis na educação, que são, como se sabe, os relacionados com o insucesso escolar e com as desigualdades. (…)»

sábado, abril 11, 2015

O êxito de Passos: numa economia de baixos salários
a educação não é uma prioridade

Sem um mínimo de pudor, Passos Coelho disse hoje: «É preciso continuar essa aposta que tem sido feita na Educação». Para começo de conversa, eis três gráficos — o primeiro sobre o abandono da qualificação de adultos, o segundo sobre o intolerável agravamento do insucesso escolar e o terceiro sobre a redução em 15% dos alunos no ensino superior — que mostram não apenas os resultados da política de Educação do Governo como a desfaçatez do alegado primeiro-ministro:
Via Facebook do Partido Socialista

quarta-feira, abril 08, 2015

O gato de Seabra

• Teresa Firmino, O gato de Seabra:
    «(…) Desde Janeiro de 2012 e até esta terça-feira, quando a sua demissão foi anunciada, [Miguel Seabra] assumiu a presidência da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a principal instituição pública que financia o sistema científico do país, tutelada pelo Ministério da Educação e Ciência. É o seu braço na aplicação das políticas científicas. Tem por missão desenvolver, avaliar e financiar o sistema científico português. Assim, a FCT financia projectos de investigação, bem como equipamentos científicos e bolsas de doutoramento e pós-doutoramento. Em suma, como diz o decreto-lei que define a sua missão, compete-lhe “a coordenação das políticas públicas de ciência e tecnologia”. Políticas que, no actual Governo, e com Miguel Seabra na FCT, têm passado por cortes nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento e por uma avaliação de credibilidade duvidosa aos centros de investigação do país.

    É por isso, no mínimo, surpreendente Miguel Seabra ter-se candidatado a um prémio de investigação científica enquanto ocupava a presidência da FCT. Tal como o Gato de Schrödinger existe paradoxalmente ao mesmo tempo em dois estados, Miguel Seabra colocou-se numa sobreposição de lugares: era gestor político, que coordenava as políticas públicas de ciência e tecnologia, e ao mesmo tempo cientista que concorreu a um prémio com a sua própria investigação científica. (…)»

quarta-feira, março 25, 2015

Uma geração abandonada à sua sorte

António Costa, intervindo numa conferência sobre Educação, afirmou que o principal erro do Governo português foi ter acabado com o programa Novas Oportunidades. Nuno Crato, há muito caído em combate, foi encarregue de murmurar uma reacção, para que não se pudesse dizer que quem cala consente. O pior é a realidade, com os próprios dados do Ministério da Educação a desmentirem o agonizante Crato:

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quinta-feira, março 19, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [903]

Abertura do ano letivo: culpa dos serviços; paralisação do Citius: culpa dos serviços; caos nas urgências: culpa dos serviços. Tanta culpa, não será culpa do governo?
      António Costa, que acrescenta que «não é admissível que o desmentido do primeiro-ministro na Assembleia da República tenha hoje sido desmentido pelos factos»

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Do regular funcionamento das instituições


As escolas profissionais tornaram público que ainda não receberam qualquer verba neste ano lectivo, estando em causa cerca de 50 milhões de euros destinados ao pagamento de salários aos trabalhadores e à atribuição de subsídios aos alunos. Estão inscritos nestas escolas cerca de 35 mil estudantes.

quarta-feira, novembro 19, 2014

Instituto Superior de Agronomia usa bolsa de investigação
para contratar pedreiro/estucador?


Lê-se o anúncio e não se acredita, mas com Crato e a FCT tudo é possível:
    «BOLSA DE TÉCNICO DE INVESTIGAÇÃO SEM GRAU ACDÉMICO (1 VAGA) Encontra-se aberto Concurso para atribuição de uma Bolsa de Técnico de Investigação sem grau académico do Instituto Superior de Agronomia, nas seguintes condições: Área Cientifica: Ciências Agrárias Requisitos de admissão: – Experiência comprovada em trabalhos de pedreiro / estucador; – Conhecimento de materiais de construção e sua utilização adequada na reabilitação, reparação e manutenção de edifícios; – Mínimo 5 anos de experiência em trabalhos de reabilitação, reparação e manutenção de estruturas edificadas de apoio à investigação e ao ensino das ciências agrárias. Plano de Trabalho/Actividades a realizar: Cumprir eficazmente e com autonomia o plano de atividades da equipa do Piquete de Manutenção nos trabalhos relacionadas com os espaços construídos e outras solicitações de outros serviços do ISA. Os trabalhos serão: reabilitação, reparação e manutenção de estruturas edificadas de apoio à investigação e ao ensino das ciências agrárias.»

quinta-feira, novembro 06, 2014

Que Educação queremos?

— Ó Nuno, já não há ninguém que te acuda?

Lurdes Figueiral, professora de matemática e presidente da direcção da Associação de Professores de Matemática, escreve um artigo intitulado Que Educação queremos?. Vale muito a pena lê-lo.

sábado, novembro 01, 2014

Était vous aussi pauvre quand vous étiez petit?

Hoje no Correio da Manha
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Passos Coelho visitou o Luxemburgo há uma semana. Fez-se acompanhar de Nuno Crato, que se reuniu com o ministro da Educação luxemburguês. O Governo pretendia dar um sinal de que estava preocupado com a educação dos filhos dos emigrantes, a maior comunidade estrangeira no país. Passos e Crato visitaram até uma escola maioritariamente frequentada por alunos portugueses, onde uma menina deixou o alegado primeiro-ministro assarapantado: «Também era pobre quando era pequeno?» Hoje, como se vê na imagem acima, a questão teria de ser colocada em francês (ou em alemão) — o que só revela a enorme competência de Passos Coelho e a importância que lhe é dada por essa Europa fora.

sexta-feira, outubro 31, 2014

Da série "Frases que impõem respeito" [885] (número triplo)


Depois do momento Vítor Gaspar, este Governo perdeu grande parte da sua legitimidade e da sua capacidade de governar. Estamos a assistir a um desmantelar do Governo em muitos sectores. Era qualquer coisa que devia ter tido consequências. Consequências do ponto de vista dos órgãos do poder, do Presidente da República.


Quando Crato fala do Português e da Matemática, hoje, a metáfora é a mesma que levou à escola salazarista. Uma escola paupérrima, medíocre, minimalista.


A política educativa do Nuno Crato é decalcada, vírgula a vírgula, ponto a ponto, da política educativa de George W. Bush, no princípio do século XXI. Vai ver os programas... Aliás, Nuno Crato nasce para a Educação, e começa a preocupar-se com as coisas da Educação, nesse período.

terça-feira, outubro 28, 2014

Relatos da implosão

— Ó Crato, a tua implosão nem as universidades poupou?

Não foi um, nem dois, nem três… Foram 15. Todos os reitores das universidades públicas e da Universidade Católica. O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) arrasou a avaliação que a Fundação para a Ciência e a Tecnologia está a fazer aos centros de investigação do país. Numa carta enviada a Nuno Crato, o CRUP sustenta que já não é mais possível dar o «benefício da dúvida» ao actual processo de avaliação. Mais: «Para que um sistema de avaliação seja capaz de promover a excelência tem de, ele próprio, ser pelo menos excelente, se não excepcional. Não é o caso.»

Depois de uma explicação do que está em causa, o CRUP diz recusar «a morte de quase 50% do tecido científico português». É esta a herança que Crato vai deixar ao próximo governo.